REVISTA ESPÍRITA

JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS

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PUBLICADA SOB A DIREÇÃO DE

ALLAN KARDEC

 

ANO 6 - SETEMBRO 1863 - Nº. 9

 

 

UNIÃO DA FILOSOFIA E DO ESPIRITISMO.

PELO SR. HERRENSCHNEIDER. 

(1°. - artigo) (1)

 

 

 

Nota. - O artigo seguinte é a introdução a um trabalho completo que o autor, Sr. Herrenschneider, se propôs fazer sobre a aliança entre a filosofia e o Espiritismo.

dez ou doze anos que o Espiritismo foi revelado na França, as comunicações incessantes dos Espíritos provocaram, em todas as classes da sociedade, um movimento religioso benfazejo que importa encorajar e desenvolver. Neste século, com efeito, o Espírito religioso está sobretudo perdido entre as classes letradas e inteligentes. O sarcasmo voltairiano tirou-lhe o prestígio do cristianismo; o progresso das ciências lhes fez reconhecer as contradições que existem entre os dogmas e as leis naturais; e as descobertas astronômicas tinham demonstrado a puerilidade da idéia que formaram de Deus os filhos de Abraão, de Moisés e do Cristo. O desenvolvimento das riquezas, as invenções maravilhosas das artes e da indústria, toda a civilização protestava, aos olhos da sociedade moderna, contra a renúncia ao mundo. Foi por causa desses motivos numerosos que a incredulidade e a indiferença se introduziram nas almas, que a negligência dos destinos eternos tinha entorpecido o nosso amor do bem, detido nosso aperfeiçoamento moral, e que a paixão do bem-estar, do prazer, do luxo e das vaidades terrestres acabou por cativar quase toda nossa ambição; quando, de repente, os mortos vieram nos lembrar que nossa vida presente tem o seu amanhã, que nossos atos têm suas conseqüências fatais, inevitáveis, senão sempre nesta vida, mas infalivelmente naquela a vir.

 

É  que,  quando  a  sociedade  humana  não  tem  outro  objetivo  de  atividade  senão  a prosperidade material e o prazer dos sentidos, ela mergulha no materialismo egoísta, aprecia todas as ações segundo o bem que delas retira, renuncia a todos os esforços que não levam a uma vantagem palpável, não estima senão aqueles que possuem, e não respeita senão a força que se impõe. Quando os homens não se preocupam senão com os sucessos imediatos e lucrativos, perdem o senso de honestidade, renunciam à escolha dos meios, calcam aos pés a felicidade íntima, as virtudes privadas, e cessam de se guiar segundo os princípios de justiça e de eqüidade. Numa sociedade lançada nessa direção imoral, o rico leva uma vida de moleza ignóbil, embrutecedora, e o deserdado nela arrasta uma existência dolorosa e monótona, da qual o suicídio parece ser a última consolação!
 
Essa aparição dos Espíritos era uma paixão súbita, que fez tremer mais de um ao aspecto desses móveis postos em movimento sob o impulso de uma força invisível; à audição desses pensamentos inteligentes, ditados por meio de uma telegrafia grosseira; à leitura dessas páginas sublimes, escritas de nossas mãos distraídas, sob o impulso de uma direção misteriosa. Quantos corações batiam, tomados de um medo súbito, quantas consciências oprimidas despertaram em angústias merecidas; quantas inteligências mesmo foram feridas de estupor!
A renovação dessas relações com as almas dos mortos é e ficará um acontecimento prodigioso, que terá por conseqüência a regeneração, tão necessária, da sociedade moderna.

Contra uma semelhante disposição moral, pública e privada, a filosofia é impotente. Não que os argumentos lhe façam falta para provar a necessidade social de princípios puros e generosos, não que ela não possa demonstrar a iminência da responsabilidade final, e estabelecer a perpetuidade de nossa existência, mas os homens não têm, geralmente, nem o tempo, nem o gosto, nem o espírito bastante refletido, para prestar atenção à voz de suas consciências e às observações da razão.  As vicissitudes da vida, aliás, freqüentemente, são muito imperiosas para que se decida ao exercício da virtude pelo simples amor ao bem. Quando mesmo que a filosofia tivesse sido, verdadeiramente, o que deveria ser: uma doutrina completa e certa, jamais teria podido provocar, só pelo seu ensino, a regeneração social de maneira eficaz, uma vez que até este dia não pôde dar, à autoridade de sua doutrina, de outra sanção senão do amor abstrato do ideal e da perfeição.


É que aos homens é preciso, para convencê-los da necessidade de se consagrarem ao bem, fatos que falem aos sentidos. Preciso lhes é o quadro impressionante de suas dores futuras, para que consintam em subir novamente a rampa funesta onde seus vícios os arrastam; é-lhes preciso tocar com o dedo as infelicidades eternas que se preparam por seu desleixo moral, para que compreendam que a vida atual não é o objetivo de sua existência, mas o meio que o Criador lhes deu de trabalhar pessoalmente no cumprimento de seus destinos finais. Também é por esse motivo que todas as religiões apoiaram seus mandamentos sobre o terror do inferno e sobre as seduções das alegrias celestes. Mas, desde que, sob o império da incredulidade e da indiferença religiosa, as populações se tranqüilizaram sobre as conseqüência últimas de seus pecados, uma filosofia fácil e inconseqüente ajudando o culto dos sentidos, dos interesses temporais e das doutrinas egoístas, acabou por prevalecer. Hoje os homens esclarecidos, inteligentes e fortes se afastam da Igreja e seguem suas próprias inspirações; a autoridade necessária lhe faz falta para recobrar sua influência vinte vezes secular. Pode-se, pois, dizer que a Igreja é tão impotente quanto a filosofia, e que nenhuma nem outra exercerão influência salutar sujeitando-se, cada uma em seu gênero, a uma reforma radical.


À espera disso,
a Humanidade se agita, os acontecimentos se sucedem, e o aparecimento das manifestações espíritas neste século sábio, prático, suficiente e cético, sem contradita, dele é o mais considerado. Eis, pois, que o túmulo está aberto diante de nós, não como o fim de nossas penas e de nossas misérias terrestres, não como o abismo escancarado onde vêm se dissipar nossas paixões, nossos gozos e nossas ilusões, mas bem como pórtico majestoso de um novo mundo, onde uns recolherão, malgrado seu, os frutos amargos que suas fraquezas lhes terão feito semear; e outros, ao contrário, se assegurarão por seu mérito a passagem nas esferas mais puras e mais elevadas. É, pois, o Espiritismo que nos revela nossos destinos futuros, e, quanto mais for conhecido, mais a regeneração moral e religiosa ganhará em impulso e em extensão.


A união do Espiritismo com as ciências filosóficas nos parece, com efeito, de uma alta necessidade para a felicidade da Humanidade e para o progresso moral, intelectual e religioso da sociedade moderna; porque não estamos mais no  tempo  em  que  se  podia afastar a ciência humana e preferir-lhe a fé cega. A ciência moderna é muito sábia, muito segura de si mesma, e muito avançada no conhecimento das leis que Deus impôs à inteligência e à Natureza, para que a transformação religiosa possa ter lugar sem seu concurso. Conhece-se muito exatamente a exigüidade relativa de nosso globo para conceder à Humanidade um lugar privilegiado nos desígnios providenciais. Aos olhos de todos, não somos mais do que um grão de pó na imensidade dos mundos, e sabe-se que as leis que regem essa multidão indefinida de existências são simples, imutáveis e universais. Enfim, as exigências da certeza de nossos conhecimentos foram muito fortemente aprofundadas, para que uma doutrina nova pudesse se elevar e se manter sem outra base senão um misticismo tocante e inofensivo. Então, pois, que o Espiritismo quer estender seu império sobre todas as classes da sociedade, sobre os homens superiores e inteligentes, como sobre as almas delicadas e crentes, é preciso que se lance, sem reserva, na corrente do pensamento humano, e que pela sua superioridade  filosófica saiba se impor à soberba razão o respeito de sua autoridade.


É essa ação independente dos adeptos do Espiritismo, que compreendem perfeitamente os Espíritos elevados que se manifestam. Aquele que se designa sob o nome de Santo Agostinho disse recentemente:
"Observai e estudai com cuidado as comunicações que vos são feitas; aceitai o que vossa razão não rejeite, repeli o que a choque; pedi esclarecimento  sobre  as  que  vos  deixam  na  dúvida.  Tendes  aí  o  caminho  a  seguir  para transmitir, às gerações futuras, sem medo de vê-las desnaturadas, as verdades que distinguis sem dificuldade no seu cortejo inevitável de erros."


Eis, em poucas palavras,
o verdadeiro espírito do Espiritismo, aquele que a ciência pode admitir sem derrogar, e aquele que nos servirá para conquistar a Humanidade. O Espiritismo, de resto, nada tem a temer de sua aliança com a filosofia, porque repousa sobre fatos incontestáveis, que têm sua razão de ser nas leis da criação. Cabe à ciência estudar-lhe  a  importância,  e  coordenar  os  princípios  gerais,  segundo  a  nova  ordem  de fenômenos. Porque é evidente que, uma vez que não tinha pressentido a existência necessária, no espaço que nos cerca, das almas trespassadas e daquelas destinadas a renascer, a ciência deve compreender que sua filosofia primeira era incompleta, e que os princípios primordiais lhe tinham escapado.


A filosofia, ao contrário, tem tudo a ganhar considerando seriamente os fatos do Espiritismo; primeiro, porque estes são a sanção solene de seu ensino moral, e que, por eles, provará aos mais endurecidos a importância fatal de sua má conduta. Mas, por importante  que  seja  essa  justificação  positiva  de  suas  máximas,  o  estudo  aprofundado  das conseqüências, que se deduzem da constatação da existência sensível da alma no estado não encarnado, servir-lhe-á em seguida para determinar os elementos constitutivos da alma, sua origem, seus destinos, e para estabelecer a lei moral e a do progresso anímico sobre bases certas e inabaláveis. Além disso,
o conhecimento da essência da alma conduzirá a filosofia ao conhecimento da essência  das coisas e mesmo da de Deus, e lhe permitirá unir todas as doutrinas que a dividem em um único e mesmo sistema geral, verdadeiramente completo. Enfim, esses diversos desenvolvimentos da filosofia, provocados por essa preciosa determinação da essência anímica, a conduzirão infalivelmente sobre os traços dos princípios fundamentais da antiga cabala e da antiga ciência oculta dos hierofantes, do qual a Trindade cristã é o último raio luminoso chegado até nós. É assim que, pela simples aparição das almas errantes, chegar-se-á, como temos todo o ensejo de esperar, a constituir a cadeia ininterrupta das tradições morais, religiosas e metafísicas da Humanidade antiga e moderna.


Esse futuro considerado, que concebemos à filosofia aliada ao Espiritismo, não parecerá impossível àqueles que têm alguma noção dessa ciência, se consideram o vazio dos princípios sobre os quais se fundam as diversas escolas, e a impossibilidade que disso resulta, para elas, de explicar a realidade concreta e viva da alma e de Deus. Assim é que o materialismo pensa que os seres não são senão fenômenos materiais, semelhantes àqueles que produzem as combinações das substâncias químicas, e que o princípio que os anima faz partir de um pretenso princípio vital universal. Segundo esse sistema, a alma individual não existiria, e Deus seria um ser completamente inútil.


Os discípulos de Hegel, de seu lado, imaginam que a idéia, esse fenômeno indisciplinado de nossa alma, é um elemento em si, independente de nós; que ela é um princípio universal  que  se  manifesta  pela  humanidade  e  sua  atividade  intelectual,  como  também pela natureza e suas maravilhosas transformações. Esta idéia nega, consequentemente, a individualidade eterna de nossa alma, e a confunde, num só todo, com a Natureza. Supõe que existe uma identidade perfeita entre o universo visível e o mundo moral e intelectual; que um e outro são o resultado da evolução progressiva e fatal da idéia primitiva, universal,  do  absoluto  em  uma  palavra.  Deus,  nesse  sistema,  não  tem  igualmente  nenhuma individualidade, nenhuma liberdade, e não se conhece pessoalmente. Ele não se apercebeu a si mesmo, pela primeira vez, que, em 1810, por intermédio de Hegel, quando este o reconheceu na idéia absoluta e universal. (Histórico.)


Enfim,  nossa  escola  espiritualista,  vulgarmente  chamada  o  ecletismo,  considera  a alma  como  não  sendo  senão  uma  força  sem  extensão  e  sem  solidez,  uma  inteligência imperceptível no corpo humano, e que, uma vez desembaraçada de seu envoltório, conservando em tudo sua individualidade e sua imortalidade, não existiria mais nem no tempo nem no espaço. Nossa alma seria, pois, um não sei quê sem laço com o que existe, e não preencheria nenhum lugar determinado. Deus, segundo esse mesmo sistema, não é mais compreensível. É o pensamento perfeito, e não tem igualmente nem solidez, nem estabilidade, nem forma, nem realidade sensível; é um ser vazio; sem nossa razão nele não poderíamos ver nenhuma intuição. No entanto, quem são aqueles que inventaram o ateísmo, o ceticismo, o panteísmo, o idealismo, etc.? Esses são os homens de razão, os inteligentes,  os  sábios!  Os  povos  ignorantes,  cujas  sensações  são  os  principais  guias, jamais duvidaram nem de Deus, nem da alma, nem de sua imortalidade. A razão, somente, parece, pois, ser má conselheira!


Essas doutrinas, como se pode disso convencer-se, necessitam, em conseqüência, de um princípio real, estável, vivo, da noção do Ser real. Movem-se num mundo inteligível que não concerne à realidade concreta. O vazio de seus princípios se transporta sobre o conjunto de seus sistemas, e os torna tão sutis quanto vagos e estranhos à realidade das coisas. O próprio senso comum com isso se ofende, apesar do talento e da prodigiosa erudição de seus adeptos. Mas
o Espiritismo é ainda mais brutal a seu respeito, transtorna todos esses sistemas abstratos, opondo-lhes um fato único: a realidade substancial, viva e atual da alma não encarnada. Ele lha mostra como um ser pessoal, existindo no tempo e no espaço, se bem que invisível para nós; como um ser tendo seu elemento sólido,  substancial  e  sua  força  ativa  e  pensante.  Mostra-nos  mesmo  as  almas  errantes  se comunicando  conosco,  por  sua  própria  iniciativa!  é  evidente  que  semelhante  acontecimento  deve  fazer  desabar  todos  esses  castelos  de  cartas  e  desvanecer,  num  impulso, essas soberbas bases de fantasia.


Mas para aumento de confusão, pode-se provar aos partidários dessas doutrinas sutilizadas, que todo homem leva em sua própria consciência os elementos suficientes para demonstrar a existência da alma, tal como o Espiritismo a estabelece pelos fatos; de modo que seus sistemas, não só são errôneos em seu ponto de chegada, mas o são ainda em seu ponto de partida. Também, o mais sábio partido que resta a tomar a esses honrados sábios, é de refundir completamente sua filosofia, e de consagrar seu profundo saber à fundação de uma ciência primeira, e mais precisa e mais conforme à realidade.


É que, efetivamente, trazemos em nós mesmos quatro noções irredutíveis, que nos autorizam  a  afirmar  a  existência  de  nossa  alma,  tal  qual  o  Espiritismo  no-la  apresenta. Primeiramente, temos em nós o sentimento de nossa existência. Este sentimento não pode se revelar senão por uma impressão que recebemos de nós mesmos. Ora, nenhuma impressão se faz sobre um objeto privado de solidez e de extensão; de sorte que pelo único fato de nossas sensações, devemos induzir que temos em nós um elemento sensível,  sutil,  extenso  e  resistente:  quer  dizer,  uma  substância.  Segundo,  temos  em  nós  a consciência  de  um  elemento  ativo,  causador,  que  se  manifesta  em  nossa  vontade,  em nosso pensamento e em nossos atos. Conseqüentemente, é evidente que possuímos em nós um segundo elemento: uma força. Portanto, pelo único fato de que sentimos e de que sabemos, devemos concluir que encerramos dois elementos constitutivos, força e substância; quer dizer, uma dualidade essencial, anímica.


Mas essas duas noções primitivas não são as únicas que trazemos em nós. Nós nos concebemos ainda, em terceiro lugar, uma unidade pessoal, original, que fica sempre idêntica a si mesma; e em quarto lugar, um destino igualmente pessoal; porque todos nós procuramos nossa felicidade e nossas próprias conveniências em todas as circunstâncias de nossa vida. De maneira que, juntando essas duas novas noções, que constituem nosso  duplo  aspecto,  às  duas  precedentes,  reconhecemos  que  nosso  ser  encerra  quatro princípios bem distintos: sua dualidade de essência e sua dualidade de aspecto.


Ora, como esses quatro elementos do conhecimento de nosso eu, que nos levam a nos afirmar pessoalmente, são noções independentes do corpo, que não têm nenhuma relação com o nosso envoltório material, é peremptório e evidente, para todo espírito justo e não prevenido, que
nosso ser depende de um princípio invisível, chamado Alma; e que essa alma existe como tal, porque tem uma substância e uma força, uma unidade e uma destinação próprias e pessoais.


Tais  são  os  quatro  elementos  primordiais  de  nossa  individualidade  anímica,  dos quais cada um de nós traz a noção em seu seio, e que cada um não saberia recusar. Em conseqüência, como dissemos, a filosofia possuiu, de todos os tempos, os elementos suficientes para o conhecimento da alma, tal como o Espiritismo no-la faz compreender. Se, pois, até o presente, a razão humana não conseguiu construir uma metafísica verdadeira e útil que lhe haja feito compreender que a alma deve ser considerada como um ser real, independente do corpo, e capaz de existir por si mesma, substancialmente e virtualmente, no tempo e no espaço, é que desdenhou a observação direta dos fatos de consciência, e que, em seu orgulho e sua suficiência, a razão se pôs no lugar e categoria da realidade.


Segundo estas observações pode-se compreender quanto importa à filosofia unir-se ao Espiritismo, uma vez que disso retirará a vantagem de se crer uma ciência primeira, séria e completa, fundada sobre o conhecimento da essência da alma e das quatro condições de sua realidade. Mas não
é menos necessário  ao  Espiritismo se  aliar  à filosofia, porque não é senão por ela que poderá estabelecer a certeza científica dos fatos espíritas que fazem a base fundamental de sua crença, e deles tirar as conseqüências importantes que contêm. Sem dúvida, basta o bom senso ver um fenômeno para crer em sua realidade; e muitos se contentam com isso; mas a ciência, muito freqüentemente, teve motivos para  duvidar  dos  protestos  do  sentido  comum,  para  não  desconfiar  das  impressões  de nossos sentidos e das ilusões de nossa imaginação. O bom senso não basta, pois, para estabelecer cientificamente a realidade da presença dos Espíritos ao nosso redor. Para dela ser certo de um modo irrefutável, é preciso estabelecer racionalmente, segundo as leis gerais da criação, que sua existência é necessária por si mesma, e que sua presença invisível não é senão a confirmação dos dados racionais e científicos, tais como acabamos de indicar alguns deles, de maneira sumária. Não é, pois, senão pelo método filosófico que se pode obter esse resultado. Está aí um trabalho necessário à autoridade do Espiritismo, e é só a filosofia que pode lhe prestar este serviço.


Em geral, para triunfar em qualquer empresa que seja,
é necessário juntar o conhecimento dos princípios à observação dos fatos. Nas circunstâncias particulares do Espiritismo, é muito mais necessário ainda de proceder dessa maneira rigorosa para chegar à verdade, porque nossa nova doutrina toca em nossos interesses mais caros e mais elevados, àqueles que constituem nossa felicidade presente e eterna. Em conseqüência, a união do Espiritismo e da filosofia é da mais alta importância para o sucesso de nossos esforços e para o futura da Humanidade.


F. HERRENSCHNEIDER.

 

(1) Ver a Revista Espírita de novembro de 1863.

 

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