REVISTA ESPÍRITA

JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS

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PUBLICADA SOB A DIREÇÃO DE

ALLAN KARDEC

 

ANO 3 - SETEMBRO 1860 - Nº. 9

 

 

O Maravilhoso e o Sobrenatural

 

 

 

Se a crença nos Espíritos, e em suas manifestações, fosse uma concepção isolada, o produto de um sistema, ela poderia, com alguma aparência de razão, ser suspeita de ilusão; mas, que se nos diga por que é encontrada tão vivaz entre os povos antigos e modernos, nos livros santos de todas as religiões conhecidas? É, dizem alguns críticos, porque em todos os tempos o homem amou o maravilhoso. - O que é, pois, o maravilhoso, segundo vós? - O que é sobrenatural. Que entendeis por sobrenatural? O que contraria as leis da Natureza. - Conheceis, pois, de tal modo essas leis que vos é possível assinalar um limite ao poder de Deus? Pois bem! Então provai que a existência dos Espíritos e as suas manifestações são contrárias às leis da Natureza; que não é, e não pode ser, uma dessas leis. Segui a Doutrina Espírita, e vede se esse encadeamento não tem todas as características de uma admirável lei. O pensamento é um dos atributos do Espírito; a possibilidade de agir sobre a matéria, de impressionar os sentidos, e, por conseqüência, de transmitir o pensamento, resulta, se assim podemos nos exprimir, de sua constituição fisiológica; portanto, não há nesse fato nada de sobrenatural, nada de maravilhoso.

 

Todavia, dir-se-á, admitis que um Espírito pode levantar uma mesa, e mantê-la no espaço sem ponto de apoio; não é uma derrogação à lei da gravidade? - Sim, à lei conhecida; mas a Natureza disse a sua última palavra? Antes que se pudesse experimentar a força ascensional de certos gases, quem diria que uma pesada máquina, levando vários homens, pode triunfar sobre a força de atração? Aos olhos do vulgo, isso não deveria parecer maravilhoso, diabólico? Aquele que propusesse, há um século, transmitir um despacho a 500 léguas, e dele receber a resposta em alguns minutos, passaria por um louco; se o fizesse, crer-se-ia ter o diabo às suas ordens, porque então só o diabo era capaz de ir tão depressa. Por que, pois, um fluido desconhecido não teria a propriedade, em dadas circunstâncias, de contrabalançar o efeito da gravidade, corno o hidrogênio contrabalança o peso do balão? Isto, anotemos de passagem, é uma comparação, mas não uma assimilação, e unicamente para mostrar, por analogia, que o fato não é fisicamente impossível. Ora, foi precisamente quando os sábios, na observação dessas espécies de fenômenos, quiseram proceder por via de assimilação, que eles se enganaram. De resto, o fato aí está, todas as negações não poderão fazer com que não esteja, porque negar não é provar; para nós, nada tem de sobrenatural, é tudo o que podemos dizer para o momento.

 

Se o fato está constatado, dir-se-á, nós o aceitamos; aceitamos mesmo a causa que vindes de assinalar, a de um fluido desconhecido; mas o que prova a intervenção dos Espíritos? Aí está o maravilhoso, o sobrenatural.

 

Seria necessária toda uma demonstração, que não estaria em seu lugar, e teria, aliás, duplo emprego, porque ela ressalta de todas as outras partes do ensinamento. Todavia, para resumi-la em algumas palavras, diremos que está fundada, em teoria, sobre este princípio: todo efeito inteligente deve ter uma causa inteligente; na prática, sobre esta observação de que os fenômenos, ditos Espíritas, tenham dado provas de inteligência, deve ter a sua causa fora da matéria; que essa inteligência, não sendo a dos assistentes, - isto é um resultado da experiência, deveria estar fora deles; uma vez que não se via o ser agindo, era, pois, um ser invisível. Foi então que, de observação em observação, chegou-se a reconhecer que esse ser invisível, ao qual deu-se o nome de Espírito, não era outro senão a alma daqueles que viveram corporeamente, e que a morte despojou de seu envoltório grosseiro e visível, não lhe deixando senão um envoltório etéreo, invisível em seu estado normal. Eis, pois, o maravilhoso e o sobrenatural reduzidos à sua mais simples expressão. Uma vez constatada a existência de seres invisíveis, sua ação sobre a matéria resulta de seu envoltório fluídico; essa ação é inteligente, porque, em morrendo, ele não perdeu senão o seu corpo, mas conservou a inteligência, que é sua essência; aí está a chave de todos esses fenômenos erradamente reputados sobrenaturais. A existência dos Espíritos não é, pois, um sistema preconcebido, uma hipótese imaginada para explicar os fatos; é um resultado de observação, e a conseqüência natural da existência da alma; negar esta causa é negar a alma e seus atributos.

 

Que aqueles que pensam poder dar, desses efeitos inteligentes, uma solução mais racional, podendo sobretudo dará razão de todos os fatos, queiram bem fazê-lo, e então poder-se-á discutir o mérito de cada um.

 

Aos olhos daqueles que consideram a matéria como a única força da Natureza, tudo o que não pode ser explicado pelas leis da matéria é maravilhoso ou sobrenatural; ora, para eles, maravilhoso é sinônimo de superstição. A esse título a religião fundada sobre a existência de um princípio imaterial, seria uma trama de superstições; eles não ousam dizê-lo muito alto, mas o dizem baixinho, e crêem salvar as aparências em concedendo que é preciso uma religião para o povo, e para fazer com que as crianças sejam sábias; de duas coisas uma, ou o princípio religioso é verdadeiro ou é falso; se é verdadeiro, o é para todos; se é falso, não é melhor para o ignorante do que para as pessoas esclarecidas.

 

Aqueles que atacam o Espiritismo em nome do maravilhoso se apóiam, pois, geralmente sobre o princípio materialista, uma vez que lhe negam todo efeito extramaterial, negam, por isso mesmo, a existência da alma; sondai o fundo de seus pensamentos, escrutai bem o sentido de suas palavras, e vereis quase sempre esse princípio, se não estiver claramente formulado, despontar sob as aparências de uma pretensa filosofia racional. Se abordais decididamente a questão, perguntando-lhes se crêem ter uma alma, talvez não ou sem dizer não, mas responderão que disso nada sabem, ou que dela não estão seguros. Rejeitando à contado maravilhoso tudo o que decorre da existência da alma, eles são conseqüentes consigo mesmos; não admitindo a causa, não podem admitir os efeitos; daí, em alguns, uma opinião preconcebida que os torna impróprios para julgarem sadiamente o Espiritismo, porque partem do princípio da negação de tudo o que não é material. Quanto a nós, do fato de admitirmos efeitos que são a conseqüência da existência da alma, segue-se que aceitamos todos os fatos qualificados de maravilhosos; que somos os campeões de todos os sonhadores, os adeptos de todas as utopias, de todas as excentricidades sistemáticas? Seria preciso conhecer bem pouco o Espiritismo para julgá-lo; mas os nossos adversários não o olham de tão perto; a necessidade de conhecer do que falam é o menor de seus cuidados. Segundo eles, o maravilhoso é absurdo; ora, o Espiritismo se apóia sobre fatos maravilhosos, portanto, o Espiritismo é absurdo; é para eles um julgamento sem apelação. Eles crêem opor um argumento sem réplica quando, depois de terem feito eruditas pesquisas sobre os convulsionários de Saint-Médard, os Camisards des Cévennes ou os religiosos de Loudun, chegaram a nelas descobrir fatos patentes de fraude que ninguém contesta; mas essas histórias são o evangelho do Espiritismo? Seus partidários negam que o charlatanismo haja explorado certos fatos em seu proveito, que a imaginação os tenha criado, que o fanatismo os tenha exagerado muito? Ele não é mais solidário com as extravagâncias que se possam cometer em seu nome, do que a verdadeira ciência não o é dos abusos da ignorância, nem a verdadeira religião dos excessos do fanatismo. Muitos críticos não julgam o Espiritismo senão pelos contos de fadas e as lendas populares que são suas as ficções; tanto valeria julgar a história pelos romances históricos ou as tragédias.

 

Em lógica elementar, para discutir uma coisa é preciso conhecê-la, porque a opinião de um crítico não tem valor senão tanto que ele fale com perfeito conhecimento de causa; só então a sua opinião, fosse ela errada, pode ser tomada em consideração; mas de que peso é ela sobre uma matéria que não conhece? O verdadeiro crítico deve fazer prova, não só de erudição, mas de um saber profundo a respeito do objeto de que ele trata, de um julgamento sadio, e de uma imparcialidade a toda prova, de outro modo o primeiro rabequista chegado poderia se arrogar o direito de julgar Rossini, e um mau pintor o de censurar a Rafael.

 

O Espiritismo não aceita, pois, todos os fatos reputados maravilhosos ou sobrenaturais; longe disso, ele demonstra a impossibilidade de um grande número e o ridículo de certas crenças que, para ele, constituem, propriamente falando, a superstição. É verdade que, nos que ele admite, há coisas que, para os incrédulos, são do puro maravilhoso, dito de outro modo, da superstição; seja; mas ao menos discuti apenas estes pontos, porque sobre os outros nada há a dizer, e pregais para convertidos. Mas onde se detém a crença no Espiritismo, dir-se-á? Lede, observai e o sabereis. Toda ciência não se adquire senão com o tempo e o estudo; ora, o Espiritismo, que toca todas as questões mais graves da filosofia, todos os ramos da ordem social; que abarca, ao mesmo tempo, o homem físico e o homem moral, ele mesmo é toda uma ciência, toda uma filosofia que não pode mais ser aprendida em algumas horas como qualquer outra ciência, porque haveria tanto de puerilidade em ver todo o Espiritismo numa mesa girante, quanto ver a física em certos jogos infantis. Para quem não quer se deter na superfície, não são horas, mas são meses e anos que são necessários para sondar-lhe todos os arcanos. Que se julgue, por aí, o grau de saber e o valor da opinião daqueles que se arrogam o direito de julgar, porque viram uma ou duas experiências, o mais freqüentemente a título de distração e de passatempo. Sem dúvida, dirão que não têm lazer necessário para esse estudo; seja; nada a isso os constrange; mas, então, quando não têm tempo para aprender uma coisa, não se misture a falar dela, e muito menos julgá-la, não querendo ser acusado de leviandade; ora, quanto mais se ocupa uma posição elevada na ciência, menos se é desculpável em tratar levianamente um assunto que não se conhece. Nós nos resumimos nas proposições seguintes: 

1ª. Todos os fenômenos Espíritas têm por princípio a existência da alma, sua sobrevivência ao corpo e suas manifestações;

 

2ª. Estando esses fenômenos fundados sobre uma lei da Natureza, nada têm de maravilhoso nem de sobrenatural, no sentido vulgar destas palavras;

 

3ª. Muitos fatos não são reputados sobrenaturais senão porque não se lhes conhece a causa; o Espiritismo, lhes assinando uma causa, fá-los entrar no domínio dos fenômenos naturais;

 

4ª. Entre os fatos qualificados de sobrenaturais, muitos há dos quais o Espiritismo demonstra a impossibilidade, e que classifica entre as crenças supersticiosas;

 

5ª. Se bem que o Espiritismo reconheça, em muitas crenças populares, um fundo de verdade, ele não acerta de modo algum a solidariedade de todas as histórias fantásticas criadas pela imaginação;

 

6ª. Julgar o Espiritismo sobre os fatos que ele não admite é dar prova de ignorância, e tirar todo o valor de sua opinião;

 

7ª. A explicação dos fatos admitidos pelo Espiritismo, suas causas e suas conseqüências morais, constituem uma verdadeira ciência que requer um estudo sério, perseverante e aprofundado;

 

8ª. O Espiritismo não pode considerar como crítico sério senão aquele que tudo teria visto, tudo estudado, com a paciência e a perseverança de um observador consciencioso; que saberia tanto sobre este assunto quanto o adepto mais esclarecido; que teria, por conseqüência, hauridos seus conhecimentos alhures que nos romances da ciência; a quem não se poderia opor nenhum fato do qual não tivesse conhecimento, nenhum argumento que não houvesse meditado; que refutaria, não por negações, mas por outros argumentos mais peremptórios; que poderia, enfim, assinalar uma causa mais lógica aos fatos averiguados. Este crítico está ainda por ser encontrado.

Desnecessário dizer que os que desprezam o maravilhoso rejeitam com mais forte razão, os milagres na categoria de quimeras da imaginação. Algumas palavras a esse respeito, embora tiradas de um precedente artigo, aqui encontram seu lugar natural, e não seria inútil lembrá-las.

 

Em sua acepção primitiva, e pela sua etimologia, a palavra milagre significa coisa extraordinária, coisa admirável a ver; mas esta palavra, como tantas outras, afastou-se de seu sentido original, e hoje diz-se (segundo a Academia) de um ato de poder divino contrário às leis comuns da Natureza. Tal é, com efeito, a sua acepção usual, e não é mais que por comparação e por metáfora que é aplicada às coisas vulgares que nos surpreendem e cuja causa é desconhecida. De nenhum modo entra em nossos objetivos examinar se Deus pôde julgar útil, em certas circunstâncias, derrogar as leis estabelecidas por ele mesmo; nosso objetivo é unicamente demonstrar que os fenômenos espíritas, por extraordinários que sejam, não derrogam de nenhum modo essas leis, não têm nenhum caráter miraculoso, não mais que não são maravilhosos ou sobrenaturais. O milagre não se explica; os fenômenos espíritas, ao contrário, se explicam da maneira mais racional; não são, pois, milagres, mas simples efeitos que tem a sua razão de ser nas leis gerais. O milagre tem ainda um outro caráter: é o de ser insólito e isolado. Ora, desde o momento que um fato se reproduz, por assim dizer, à vontade, e por diversas pessoas, isso não pode ser um milagre.

 

A ciência todos os dias faz milagres aos olhos dos ignorantes: eis porque outrora aqueles que disso sabiam mais do que o vulgo passavam por feiticeiros; e, como se acreditava que toda ciência sobre-humana vinha do diabo, eram queimados. Hoje, que se está muito mais civilizado, contenta-se em enviá-los aos hospícios.

 

Que um homem realmente morto seja chamado à vida por uma intervenção divina, aí está um verdadeiro milagre, porque é contrário às leis da Natureza. Mas se esse homem não tem senão as aparências da morte, se há ainda nele um resto de vitalidade latente, e que a ciência, ou uma ação magnética chega a reanimar, para as pessoas esclarecidas, é um fenômeno natural; mas aos olhos do vulgo ignorante, o fato passará por miraculoso. Que nomeio de certos camponeses um físico lance um papagaio elétrico e faça cair o raio sobre uma árvore, esse novo Prometeu será certamente visto como armado de uma força diabólica; mas Josué detendo o movimento do Sol, ou antes da Terra, eis o, verdadeiro milagre, porque não conhecemos nenhum magnetizador dotado de um tão grande poder para operar um tal prodígio. De todos os fenômenos espíritas, um dos mais extraordinários, sem contradita, é o da escrita direta, e um daqueles que demonstram, da maneira mais patente, a ação das inteligências ocultas; mas pelo fato de que o fenômeno seja produzido por seres ocultos, ele não é mais miraculoso que todos os outros fenômenos que são devidos a agentes invisíveis, porque esses seres ocultos que povoam os espaços são uma das forças da Natureza, força cuja ação é incessante sobre o mundo material, assim como sobre o mundo moral.

 

O Espiritismo, em nos esclarecendo sobre essa força, nos dá a chave de uma multidão de coisas inexplicadas, e inexplicáveis por todo outro meio, e que puderam, nos tempos recuados, passar por prodígios; ele revela, do mesmo modo que o magnetismo, uma lei, se não desconhecida, ao menos mal compreendida, ou, por melhor dizer, conheciam-se os efeitos, porque se produziram em todos os tempos, mas não se conhecia a lei, e foi a ignorância dessa lei que engendrou a superstição. Conhecida essa lei, o maravilhoso desaparece e os fenômenos entram da ordem das coisas naturais. Eis porque os Espíritas não fazem mais milagres em fazendo girar uma mesa, e escreverem os mortos, que o médico em fazendo reviver um moribundo, ou o físico em fazendo cair o raio. Aquele que pretendesse, com a ajuda desta ciência, fazer milagres, seria, ou u m ignorante da coisa, ou um fazedor de ingênuos.

 

Os fenômenos espíritas, do mesmo modo que os fenômenos magnéticos, antes que se lhes conhecesse a causa, devem ter passado por prodígios; ora, como os céticos, os espíritos fortes, quer dizer, aqueles que têm o privilégio exclusivo da razão e do bom senso, não crêem que uma coisa seja possível do momento que não a compreendem; eis porque todos os fatos reputados prodigiosos são o objeto de suas zombarias; e como a religião contém um grande número de fatos deste gênero, eles não crêem na religião, e daí para a incredulidade absoluta não há senão um passo. O Espiritismo, explicando a maioria desses fatos, dá-lhes uma razão de ser. Ele vem, pois, em ajuda da religião em demonstrando a possibilidade de certos fatos que, por não terem mais o caráter miraculoso, não são menos extraordinários, e Deus, com isso, não é menos grande, nem menos poderoso por não ter derrogado as suas leis. De quantos gracejos as levitações de São Cupertino não foram objeto? Ora, a suspensão etérea dos corpos pesados é um fato explicado pelo Espiritismo; dela formos pessoalmente testemunha ocular, e o Sr. Home, assim como outras pessoas do nosso conhecimento, renovaram várias vezes os fenômenos produzidos por São Cupertino. Portanto, esse fenômeno entra na ordem das coisas naturais.

 

Ao número dos fatos deste gênero é necessário colocar em primeira linha as aparições, porque são os mais freqüentes. A de Salette, que divide mesmo o clero, nada tem de insólita para nós. Seguramente, não podemos afirmar que tal fato ocorreu, porque dele não temos a prova material; mas, para nós, ele é possível, tendo em vista que milhares de fatos análogos recentes nos são conhecidos; nós neles cremos não somente porque sua realidade foi averiguada por nós, mas sobretudo porque nos damos perfeitamente conta da maneira pela qual eles se produzem. Que se queira bem reportar à teoria que demos das aparições, e ver-se-á que esse fenômeno torna-se tão simples e tão plausível como uma multidão de fenômenos físicos que não são prodigiosos senão por não se ter deles a chave. Quanto ao personagem que se apresentou à Salette, é uma outra questão; a sua identidade não nos foi de nenhum modo demonstrada; constatamos somente que uma aparição pode ter ocorrido, o resto não é de nossa competência; cada um pode, a esse respeito, guardar as suas convicções, o Espiritismo não tem que disso se ocupar; dizemos somente que os fatos produzidos pelo Espiritismo nos revelam leis novas, e nos dão a chave de uma multidão de coisas que parecem sobrenaturais; se alguns daqueles que passam por miraculosos nele encontram uma explicação lógica, é um motivo para não se apressar em negar aquilo que não se compreende.

 

Os fatos do Espiritismo são contestados por certas pessoas, precisamente porque parecem sair da lei comum, da qual não se dão conta. Dai-lhes uma base racional, e a dúvida cessa. A explicação, neste século em que não se pagam as palavras, é, pois, um poderoso motivo de convicção; também vemos, todos os dias, pessoas que não foram testemunhas de nenhum fato, que não viram nem uma mesa girar, nem um médium escrever, e que são tão convencidas quanto nós, unicamente porque leram e compreenderam. Se não se devesse crer senão naquilo que se viu com seus olhos, nossas convicções se reduziriam a bem pouca coisa.

 

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