REVISTA ESPÍRITA

JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS

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PUBLICADA SOB A DIREÇÃO DE

ALLAN KARDEC

 

ANO 4 - MAIO 1861 - Nº. 5

 

 

Fenômeno de transportes

 

 

 

Este fenômeno é, sem contradita, um dos mais extraordinários entre aqueles que as manifestações espíritas apresentam, e é também um dos mais raros. Ele consiste no transporte espontâneo de um objeto que não existe no lugar onde se está. Nós o conhecemos há muito tempo por ouvir dizer, mas como nos foi dado há pouco ser dele testemunha, podemos agora falar a seu respeito com conhecimento de causa. Dizemos primeiro que é um daqueles que mais se prestam à imitação e que, consequentemente, é necessário se pôr em guarda contra a fraude. Sabe-se até onde pode ir a arte da prestidigitação em fatos de experiências desse gênero; mas, sem ter relações com um homem do ofício, poder-se-ia, facilmente, ser vítima de uma manobra hábil. A melhor de todas as garantias está no caráter, na honradez notória, no desinteresse absoluto da pessoa que obtém semelhantes efeitos; em segundo lugar no exame atento de todas as circunstâncias nas quais os fatos se produzem; enfim, no conhecimento esclarecido do Espiritismo, o único que pode fazer descobrir o que seria suspeito.

 

Dissemos que esse fenômeno é um dos mais raros, e menos que os outros, talvez, não se produz à vontade e sobretudo a propósito; ele pode algumas vezes, embora raramente, ser provocado, mas, o mais freqüentemente, é espontâneo; de onde resulta que, quem se gabasse de obtê-lo à vontade, e num instante dado, pode ser temerariamente taxado de ignorância e suspeito de fraude, com mais forte razão se lhe misturar o menor motivo de interesse material. Um médium que tire um proveito qualquer de sua faculdade pode ser realmente médium; mas como essa faculdade está sujeita a intermitências, que os fenômenos dependem exclusivamente da vontade dos Espíritos, que não se submetem aos nossos caprichos, disso resulta que o médium interessado, para não parar ou para produzir mais efeito segundo as circunstâncias, chama a astúcia em sua ajuda, porque, para ele, é necessário que o Espírito pelo menos aja, senão é substituído, e a astúcia se esconde, algumas vezes, sob as aparências mais simples.

 

Tendo essas observações preliminares objetivo de colocar os observadores em guarda, voltemos ao nosso assunto; mas, antes de falar do que nos concerne, cremos dever reportar à carta seguinte, que nos foi escrita de Orléans, em 14 de fevereiro último. 

"Senhor,

 

"É um Espírita convicto que vos escreve esta carta; os fatos que ela relata são raros; devem servir ao bem de todos, e já levaram à convicção muitas pessoas que nos cercam e que deles foram testemunhas.

 

"O primeiro fato se passou em 1o de janeiro de 1861. Uma de minhas parentas, que possui em grau supremo a faculdade mediúnica, e que o ignorava completamente antes que eu lhe falasse do Espiritismo, algumas vezes, via a sua mãe, mas tomava isso por alucinações, que tratava de evitá-las. Em 1* de janeiro último, pelas três horas da tarde, ela a viu de novo; a emoção que ela sentiu, assim como seu marido, embora este não visse nada, impediu-a de se dar conta de seus movimentos. Alguns minutos depois, seu marido, entrando nesse aposento, viu sobre a mesa um anel que a sua mulher reconheceu perfeitamente o anel de sua mãe, que ela mesma lhe colocara no dedo quando de sua morte. Alguns dias depois, como essa senhora sofria de uma sufocação a que estava sujeita, aconselhei seu marido a magnetizá-la, o que fez, e ao cabo de três minutos ela dormia profundamente, e a lucidez era perfeita. Ela disse então ao seu marido que a sua mãe lhe trouxera o seu anel para provar-lhe que está com eles e que vela sobre eles. Seu marido perguntou-lhe se via a sua filha, morta há 8 anos, com a idade de 2 anos, e se ela podia mandar-lhe uma lembrança? A sonâmbula respondeu que ela estava lá, assim como a mãe de seu marido; que ela lhe trará no dia seguinte uma rosa que encontrará sobre a escrivaninha. O fato se cumpriu; a rosa murcha estava acompanhada de um papel sobre o qual estavam escritas estas palavras: AO MEU PAPAI QUERIDO. Laura. No segundo dia depois, sono magnético; o marido pergunta se poderia ter dois cabelos de sua mãe para ele? Seu desejo foi satisfeito imediatamente: os cabelos estão sobre a lareira. Depois, duas cartas foram escritas espontaneamente pelas duas mães.

 

"Chego a fatos que se passaram em minha casa. Depois de um estudo sério de vossas obras sobre o Espiritismo, a fé me viera sem eu haja visto um único fato. O Livro dos Médiuns me convidara a tentar escrever sem nenhum resultado; persuadido de que nada obteria sem a presença da pessoa de que falei acima, eu roguei-lhe para que viesse a Orléans, assim como o seu marido. Na segunda-feira, às 10 horas da noite, sono magnético e êxtase; ela vê, junto dela e de nós, os Espíritos que a acompanham e que lhe prometeram vir com ela. Eu lhe pergunto se serei médium escrevente; ela responde: Sim, em 15 dias; ela acrescenta que, no dia seguinte, escreverá por intermédio de sua mãe para convencer um de seus amigos, que ela me roga fazê-lo vir. No dia seguinte 12, às 8 horas da manhã, sono; nós lhe perguntamos se devemos dar-lhe um lápis: Não, disse-me ela; a minha mãe está junto de ti e escreve; a sua carta está sobre a lareira. Vou para lá e encontro um papel dobrado contendo estas palavras: Crede e orai, estou convosco; isto é para vos convencer. Ela me disse ainda que, nessa noite, poderia tentar escrever com a sua mão pousada sobre a minha. Eu não ousava esperar semelhante resultado e, todavia, escrevi estas palavras: Crede; eu vou voltar; não esqueçais o magnetismo; não demoreis muito tempo. A minha parenta deveria partir no dia seguinte. À noite escrevemos isto: A ciência espírita não é um divertimento; é verdade; o magnetismo pode a ela conduzir. Orai, e invocai aqueles que o vosso coração vos disser. Não fiqueis mais muito tempo. Catherine. É o nome de sua mãe.

 

"Ela me ordenou várias vezes para vos escrever estes fatos; eu mesmo censurei-me por não fazê-lo mais cedo; de resto, ela disse-me que poderíeis ter a prova do que vos disse, e que a sua mãe, ela mesma, iria confirmar esses fatos se a chamásseis: Aceitai, etc."

Esta carta relata dois fenômenos notáveis, o do transporte e o da escrita direta. Faremos a este respeito uma observação essencial, é que, quando o marido e a mulher obtiveram os primeiros efeitos, estavam sozinhos, muito preocupados com o que lhes ocorria, e que não tinham nenhum interesse em se enganar mutuamente. Em segundo lugar, o transporte do anel que fora enterrado com a mãe, era um fato positivo que não podia ser o resultado de uma fraude, porque não se brinca com essas coisas.

 

Vários fatos da mesma natureza nos foram narrados por pessoas nas quais temos toda a confiança, e que se passaram em circunstâncias também muito autênticas, mas eis aquele do qual fomos duas vezes testemunha ocular, assim como vários membros da Sociedade.

 

A senhorita V.B.... jovem de 16 a 17anos,é muito bom médium escrevente, e, ao mesmo tempo, sonâmbula muito clarividente. Durante o seu sono, ela vê sobretudo o Espírito de um de seus primos que já, várias vezes, lhe trouxera diferentes objetos, entre outros, anéis, bombons em grande quantidade de flores. É necessário sempre que ela esteja dormindo em torno de duas horas, antes da produção do fenômeno. A primeira vez que assistimos a uma manifestação desse gênero, houve transporte de um anel que lhe foi entregue na mão. Para nós, que conhecemos a jovem e seus pais por pessoas muito honradas, não tínhamos nenhum motivo para duvidar; entretanto, confessamos que, para estranhos, a maneira pela qual isso se passou era pouco concludente. Foi tudo diferente numa outra sessão. Depois de duas horas de sono prévio, durante as quais a jovem sonâmbula ocupou-se de coisas muito interessantes, mas estranhas ao que nos ocupa, o Espírito lhe apareceu tendo um buquê, visível somente para ela. Não foi senão depois de ter por muito tempo aguilhoado a sua cobiça e provocado incessantes súplicas, que o Espírito fez cair, aos seus pés, um buquê de açafrão. A jovem não estava satisfeita; o Espírito tinha ainda alguma coisa que ela queria ter; novas súplicas durante quase meia hora, depois da qual um grande buquê de violeta, cercado de musgo, apareceu sobre o assoalho; depois de algum tempo um bombom grande, do tamanho de mão fechada, caiu ao seu lado; pelo sabor se reconheceu que era de abacaxi, que parecia ter sido amassado nas mãos.

 

Tudo isso durou em torno de uma hora e, durante esse tempo, a sonâmbula foi constantemente isolada de todos os assistentes; seu magnetizador, ele mesmo, se colocou a uma grande distância; estávamos colocados de maneira a não perder de vista um único movimento, e declaramos sinceramente que não houve a menor coisa de suspeita. Nessa sessão, o Espírito, que se chama Léon, prometeu vir à Sociedade dar as explicações que lhe pedissem.

 

Evocamos, na sessão da Sociedade de 1o de março, conjuntamente com o Espírito da senhora Catherine, que se manifestara em Orléans, e eis a conversa que se seguiu:

1. Evocação da senhora Catherine.

- R. Estou presente, e pronta para vos responder.

 

2. Dissestes, à vossa filha e ao vosso parente de Orléans, que viríeis confirmar aqui os fenômenos dos quais foram testemunhas; ficaremos encantados em recebermos de vós as explicações que consentísseis em nos dar a esse respeito. Eu vos perguntaria primeiro com qual objetivo tanto insististes para que se me escrevesse a narração desses fatos?

- R. O que eu disse, estou pronta a fazê-lo, porque é a vós que se deve mais instruir; disse aos meus filhos para vos fazer parte dessas provas tendo em vista Propagar o Espiritismo.

 

3. Fui testemunha, há alguns dias, de fatos análogos, e vou Pedir ao Espírito que os produziu para consentir em vir. Tendo podido observar todas as fases do fenômeno, conto dirigir-lhe diferentes questões. Quereis, eu vos peço, vos juntar a ele para completar as respostas se isso for necessário?

- R. O que me pedis eu o farei, e por nós dois a claridade será mais limpa e precisa.

 

4. Evocação de Léon.

- R. Eis-me todo pronto para cumprir a promessa que vos fiz, senhor.

Observação: Os Espíritos se dispensam, bastante geralmente, de nossas fórmulas de polidez; este oferece esta particularidade que cada vez que o evocamos sempre se serviu da palavra senhor.

5. Quereis, eu vos peço, nos dizer por que esses fenômenos não se produziram no sono magnético do médium?

- R. Isso se prende à natureza do médium; os fatos que produzo quando o meu dorme, poderia igualmente produzi-los no estado de vigília.

 

6. Por que fazeis esperar tanto tempo o transporte de objetos, e por que excitais a cobiça do médium irritando o seu desejo de obter o objeto prometido?

- R. Esse tempo é necessário, a fim de preparar os fluidos que servem ao transporte; quanto à excitação, freqüentemente, não é senão para distrair as pessoas presentes e a sonâmbula.

 

7. Pensei que essa excitação poderia produzir uma emissão mais abundante de fluidos da parte do médium, e facilitar a combinação necessária.

- R. Estáveis enganado, senhor; os fluidos que nos são necessários não pertencem ao médium, mas ao Espírito, e se pode mesmo, em certas circunstâncias, abster-se dele, e o transporte ter lugar imediatamente.

 

8. A produção do fenômeno prende-se à natureza especial do médium, e poderia se produzir por outros médiuns com mais facilidade e prontidão?

- R. A produção prende-se à natureza do médium e não pode se produzir senão com naturezas correspondentes; para a prontidão, o hábito que tomamos, correspondendo com freqüência com o mesmo médium, nos é de um grande socorro.

 

9. A natureza do médium deve corresponder à natureza do fato ou à natureza do Espírito?

- R. É necessário que corresponda à natureza do fato e não do Espírito.

 

10. A influência das pessoas presentes serve para alguma coisa?

- R. Quando há a incredulidade, a oposição, pode muito nos dificultar; gostamos bem mais de fazer as nossas provas com crentes e pessoas versadas no Espiritismo; mas não entendo com isso dizer que a má vontade poderia nos paralisar completamente.

 

11. Não há aqui senão crentes e pessoas muito simpáticas; há um impedimento para que o fato ocorra?

- R. Há o de que não estou preparado, nem disposto.

 

12. Estareis num outro dia?

- R. Sim.

 

13. Poderíeis fixá-lo?

- R. Um dia em que não me pedirdes nada, virei de improviso vos surpreender com um lindo buquê.

 

14. Talvez haja pessoas que gostariam mais dos bombons.

- R. Se houver gulosos, poder-se-á igualmente contentá-lo; creio que as senhoras, que não desdenham as flores, gostarão ainda mais dos bombons.

 

15. A senhorita V.B... teria necessidade de estar em sonambulismo?

- R. Eu farei o transporte com ela desperta.

 

16. Onde pegastes as flores e os bombons que trouxestes?

- R. As flores, as tomei nos jardins, onde elas me agradam.

 

17. Mas os bombons; o comerciante deverá perceber que lhe faltam?

- R. Eu os tomo onde isso me apraz; o comerciante disso não se apercebeu de todo, porque coloquei outros no lugar.

 

18. Mas os anéis têm algum valor; onde os tomastes? É que isso nada fez de errado para aquele de quem os tirastes?

- R. Eu os tomei em lugares desconhecidos para vós, e de maneira que ninguém possa nisso sentir nenhum erro.

 

19. É possível transportar flores de um planeta para outro?

- R. Não, a mim não é possível.

 

20. É que outros Espíritos o podem?

- R. Sim, há Espíritos mais elevados do que não o sou, que podem fazê-lo; quanto a mim, não posso me encarregar disso; contentai-vos com o que vos transportarei.

 

21. Poderíeis transportar flores de um outro hemisfério, dos trópicos, por exemplo?

- R. Do momento que seja sobre a Terra, eu o posso.

 

22. Como introduzistes esses objetos outro dia, uma vez que o quarto estava fechado?

- R. Fi-los entrar comigo, envolvidos por assim dizer, em minha substância; quanto a vos dizer mais longamente, isto não é explicável.

 

23. (À senhora Catherine.) Uma vez que o anel que transportastes para a vossa filha fora enterrado convosco, como o obtivestes?

- R. Eu o retirei da terra e transportei para a minha filha.

 

24. (A Léon.) Como fizestes para tornar visíveis esses objetos que estavam invisíveis um instante antes?

- R. Tirei a matéria que os envolvia.

 

25. Esses objetos que transportastes, poderíeis fazê-los desaparecer e tornar a levar?

- R. Tão bem quanto fi-los vir, posso tornar a levá-los, à minha vontade.

 

26. Ontem...(o Espírito retificou escrevendo: quarta-feira). É justo; quarta-feira, o médium vos viu pegar as tesouras e cortar as flores do buquê que estava no quarto; tivestes, realmente, necessidade de um instrumento cortante para cortar isso?

- R. Eu não tinha a tesoura de todo, fiz-me ver assim, a fim de que se estivesse bem seguro de que era eu mesmo que os tirava.

 

27. Mas o buquê estava sob um globo de vidro?

- R. Oh! eu bem podia tirar o globo.

 

28. Vós o tirastes?

- R. Não.

 

29. Não podemos compreender como isso pode se fazer; credes que um dia chegaremos a nos explicar esse fenômeno?

- R. Em pouco tempo mesmo; não fazemos mais do que crê-lo, disso estamos seguros.

 

30. Quem acaba de responder? Foi Léonon a senhora Catherine?

- R. Fomos nós dois.

 

31. A produção do fenômeno de transporte vos causa alguma dificuldade, um embaraço qualquer?

- R. Não nos causa nenhuma dificuldade quando para isso temos a permissão; poderia nos causar muito e grandes dificuldades se quiséssemos produzir os efeitos sem para isso estarmos autorizados.

 

32. Quais são as dificuldades que encontrais?

- R. Nenhuma outra senão más disposições fluídicas que podem nos ser contrárias.

 

33. Como transportais o objeto; tende-o com as mãos?

- R. Não, nós o envolvemos em nós.

 

34. Transportaríeis, com a mesma facilidade, um objeto de um peso considerável; de 50 quilos por exemplo?

- R. O peso nada é para nós; transportamos flores porque isso é mais agradável do que um peso volumoso.

 

35. Há, algumas vezes, o desaparecimento de objetos cuja causa é ignorada, e que seriam o fato dos Espíritos?

- R. Isso ocorre muito freqüentemente, mais freqüentemente do que o pensais, e isso poderia ser remediado pedindo ao Espírito para trazer o objeto desaparecido.

 

36. Há efeitos que se consideram como fenômenos naturais e que são devidos à ação de certos Espíritos?

- R. Vossos dias estão cheios desses fatos que não compreendeis, porque nisso não pensastes, e que um pouco de reflexão vos faria ver claramente.

 

37. Entre os objetos transportados, não há os que podem ser fabricados pelos Espíritos; quer dizer, produzidos espontaneamente pelas modificações que os Espíritos podem fazer sofrer o fluido ou o elemento universal?

- R. Não por mim, porque para isso não tenho a permissão; só o Espírito elevado o pode.

 

38. Um objeto feito dessa maneira poderia ter estabilidade, e se tornar um objeto usual? Se um Espírito me fizesse uma tabaqueira, por exemplo, poderia dela me servir?

- R. Poderia tê-la se o Espírito o quisesse, mas poderia também não ser senão para a visão e se desvanecer ao cabo de algumas horas. 

Observação: Podem-se classificar na categoria dos fenômenos de transportes os fatos da natureza daqueles que se passaram na rua dos Noyers e que narramos na Revista do mês de agosto de 1860; há esta diferença que, no último caso, foram produzidos por um Espírito malevolente, que não tinha em vista senão causar perturbação, ao passo que naqueles dos quais se trata aqui, são Espíritos benevolentes que procuram ser agradáveis e testemunhar a sua simpatia.

 

Nota. Ver, para a teoria da formação espontânea dos objetos, O Livro dos Médiuns. cap. intitulado: Laboratório do mundo invisível.

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