REVISTA ESPÍRITA

JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS

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PUBLICADA SOB A DIREÇÃO DE

ALLAN KARDEC

 

ANO 12 - JANEIRO 1869 - Nº. 1

 

 

ESTATÍSTICA DO ESPIRITISMO.

 

 

 

Um  recenseamento  exato  dos  espíritas  seria  coisa  impossível,  como   dissemos, por uma razão muito simples, que é que o Espiritismo não é nem uma associação, nem uma  congregação;  seus  adeptos  não  são  inscritos  em  nenhum  registro  oficial.  É  muito bem reconhecido que se lhe poderia avaliar a quantidade  pelo  número e a importância das sociedades, freqüentadas somente por uma ínfima minoria. O Espiritismo é uma opinião que não exige nenhuma profissão de fé, e pode espalhar no todo ou em parte os princípios da Doutrina. Basta simpatizar com a idéia para ser espírita; ora, esta qualidade não sendo conferida por nenhum ato material, e não implicando senão obrigações morais, não existe nenhuma base fixa para determinar o número dos adeptos com precisão. Não se pode estimá-lo senão de maneira aproximada pelas relações e pela maior ou menor facilidade com a qual a idéia se propaga. Esse número aumenta cada dia numa proporção considerável: é um fato positivo reconhecido pelos próprios adverrios; a oposição diminui, prova evidente de que a idéia encontra mais numerosas simpatias.

 

Compreende-se, aliás, que não é senão pelo conjunto, e não sobre o estado das localidades consideradas isoladamente, que se pode basear uma apreciação; há, em cada localidade, elementos mais ou menos favoráveis em razão do estado particular dos espíritos e também das resistências mais ou menos influentes que ali se exercem; mas esse estado é variável, porque tal localidade que se mostrou refratária durante vários anos, de repente  torna-se  um  foco.  Quando  os  elementos  de  apreciação  tiverem  adquirido  mais precisão, será possível fazer um mapa colorido, sob o aspecto da difusão das idéias espíritas, como é feito para a instrução. À espera, pode-se afirmar, sem exagero, que, em suma os meros dos adeptos centuplicou dez anos, apesar das manobras empregadas para abafar a idéia, e contrariamente às previsões de todos aqueles que estavam se gabando de tê-lo enterrado. Este é um fato adquirido, e do qual é preciso bem que os antagonistas tomem seu partido.

 

Não falamos aqui senão daqueles que aceitam o Espiritismo com conhecimento de causa,  depois  de  o  terem  estudado,  e  não  daqueles,  bem  mais  numerosos  ainda,  nos quais essas idéias estão no estado de intuição, e aos quais não falta senão poder definir suas crenças com mais precisão e de lhe dar um nome para serem espíritas confessos. É um fato bem averiguado, que se constata cada dia, algum tempo sobretudo, que as idéias  espíritas  parecem  inatas  numa  multidão  de  indivíduos  que  jamais  ouviu  falar  de Espiritismo; não se pode dizer que tenham sofrido uma influência qualquer, nem seguido o impulso de uma associação. Que os adversários expliquem, se o podem, esses pensa- mentos que nascem fora e ao lado do Espiritismo! Não seria certamente um sistema preconcebido no cérebro de um homem que teria produzido um tal resultado; não prova mais  evidente  de  que  essas  idéias  estão  na  Natureza,  nem  de  melhor  garantia  de  sua vulgarização no futuro e de sua perpetuidade. Deste ponto de vista pode-se dizer que os três quartos, pelo menos, da população de todos os países possuem o germe das crenças espíritas, uma vez que se as encontra naqueles mesmos que lhe fazem oposição. A oposição, na maior parte, vem da idéia falsa que se fazem do Espiritismo; não o conhecendo, em geral, senão pelos ridículos quadros que dele fez a crítica malevolente ou interessada  em  denegri-lo,  recusam  com  razão  a  qualidade  de  espíritas.  Certamente,  se  o Espiritismo se parecesse às pinturas grotescas que dele têm feito, se se compusesse de crenças e de práticas absurdas que lhe quiseram emprestar, seríamos o primeiro a repudiar o título de espírita. Quando, pois, essas mesmas pessoas souberem que a Doutrina não é outra senão a coordenação e o desenvolvimento de suas próprias aspirações e de seus  pensamentos  íntimos,  elas  o  aceitarão;  incontestavelmente,  são  futuros  espíritas, mas, à espera, não os compreendemos nas avaliações.

 

Se uma estatística numérica é impossível, uma outra, talvez mais instrutiva, e pela  qual  existem  os  elementos  que  nos  são  fornecidos  em  nossas  relações  e  em  nossa correspondência; é a proporção relativa dos Espíritas segundo as profissões, as posições sociais,  as  nacionalidades,  as  crenças  religiosas,  etc.,  levando  em  conta  que  desta  circunstância que profissões, como os oficiais ministeriais, por exemplo, são em número limitado, ao passo que outras, como os industriais e os capitalistas, são em número indefinido. Toda proporção guardada, podem-se ver quais são as categorias onde o Espiritismo encontrou, até este dia, mais adeptos. Em algumas, a proporção pôde ser estabelecida a tanto por cento com bastante precisão, sem pretender, todavia, que ela o seja com rigor matemático; as outras categorias foram simplesmente classificadas em razão do número de adeptos que elas nos forneceram, começando por aquelas que deles contam mais, e cuja  correspondência  e  as  listas  de  assinatura  da  Revista  podem  dar  os  elementos.  O quadro adiante é o resultado do levantamento de mais de dez mil observações.

 

Constatamos o fato, sem procurar nem discutir a causa dessa diferença, o que poderia, no entanto, ensejar o assunto de um estudo interessante.

 

PROPORÇÃO RELATIVA DOS ESPÍRITAS.

 

I. Sob o aspecto das nacionalidades. - Não existe, por assim dizer, nenhum país civilizado da Europa e da América onde não haja espíritas. Aquele em que são mais numerosos, são os Estados Unidos da América do Norte. Ali seu número é avaliado, por uns, em quatro milhões, o que já é muito, e, por outros, em dez milhões. Esta última cifra é evidentemente exagerada, porque compreenderia mais de um terço da população, o que não é provável. Na Europa, essa cifra pode ser avaliada em um milhão, no qual a França figura com mais ou menos seiscentos mil. Pode se estimar o número de espíritas do mundo inteiro em seis a sete milhões. Quando não fosse senão a metade, a história não oferece nenhum exemplo de uma doutrina que, em menos de quinze anos, tenha reunido um semelhante número de adeptos, disseminados sobre toda a superfície do globo. Se nisso se compreendessem os espíritas inconscientes, quer dizer, aqueles que não o são senão por intuição, e se tornarão  mais  tarde  espíritas  de  fato,  somente  na  França,  poder-se-iam  contá-los  vários  milhões.

 

Do ponto de vista da difusão de idéias espíritas, e da facilidade com que são aceitas, os principais Estados da Europa podem ser assim classificados como se segue:

 

  1° França.

  2° Itália.

  3° Espanha.

  4° Rússia.

  5° Alemanha.

  6° Bélgica.

  7° Inglaterra.

  8° Suécia e Dinamarca.

  9° Grécia.

10° Suíça.

 

II. Sob o aspecto do sexo;

[      sobre 100:

o       homens, 70;

o       mulheres, 30.

 

III. Sob o aspecto da idade;

de 30 a 70 anos, máximo;

de 20 a 30 anos, número médio;

de 70 a 80, mínimo.

 

IV. Sob o aspecto da instrução. O grau de instrução é muito fácil de apreciar pela correspondência;

[   sobre 100:

o     instrução cuidada, 30;

o    simples letrados, 30;

o     instrução superior, 20;

o     meio letrados, 10;

o      iletrados, 6;

o      sábios oficiais, 4.

 

V.  Sob o aspecto das idéias religiosas;

[    sobre 100:

o     católicos romanos, livres pensadores, não apegados ao dogma, 50;

o       católicos gregos, 15;

o       judeus, 10;

o       protestantes liberais, 10;

o       católicos apegados aos dogmas, 10;

o       protestantes ortodoxos, 3;

o       muçulmanos 2.

 

VI.   Sob o aspecto da fortuna;

[    sobre 100:

o       mediocridade, 60;

o       fortunas médias:  20;

o       indigência, 15;

o       grandes fortunas, 5.

 

VII. Sob o aspecto do estado moral, abstração feita da fortuna,

[      sobre 100:

o       aflitos, 60;

o       sem inquietação, 30;

o       felizes do mundo, 10;

o       sensualistas, 0.

 

VIII.  Sob  o  aspecto  da  classe  social.  Sem  poder  estabelecer  nenhuma  proporção nesta categoria, é notório que o Espiritismo conta entre seus adeptos: vários soberanos e príncipes reinantes; membros de famílias  soberanas, e um grande número de personagens titulados.

 

Em geral, é nas classes médias que o Espiritismo conta mais adeptos; na Rússia, é quase que exclusivamente na nobreza e a alta aristocracia; foi na França que se propagou mais na pequena burguesia e na classe operária.

 

IX. Estado militar, segundo o grau:

tenentes e sub-tenentes;

sub-oficiais;

3° capitães;

coronéis;

médicos e cirurgiões;

generais;

guardas municipais;

soldados da guarda;

soldados da linha.

 

Nota. Os tenentes e sub-tenentes espíritas estão quase todos em atividade de serviço; entre os capitães, os em torno da metade em atividade, e a outra metade aposentada; os coronéis, médicos, cirurgiões e generais aposentados estão em maioria.

 

X. Marinha;

1° marinha militar;

2° marinha mercante.

 

XI.  Profissões  liberais  e  funções  diversas.  Nós  os  agrupamos  em  dez  categorias, classificadas segundo a proporção dos adeptos que elas forneceram ao Espiritismo. 

  1° Médicos homeopatas. - Magnetistas (1).

  2° Engenheiros. - Professores primários; senhores e senhoras de pensão. - Professores livres.

  3° Cônsul. - Padres católicos.

  4° Pequenos empregados. - Músicos. - Artistas líricos. - Artistas dramáticos.

  5° Porteiros. - Comissários de polícia.

  6° Médicos alopatas. - Homens de letras. - Estudantes.

  7°  Magistrados.  - Altos  funcionários.  -  Professores  oficiais  e  dos  liceus.  -  Pastores protestantes.

  8° Jornalistas. - Artistas pintores. - Arquitetos. - Cirurgiões.

  9° Notários. - Advogados. – Procuradores judiciais.- Agentes de negócios.

10° Agentes de câmbio. - Banqueiros.

 

XII.  Profissões industriais, manuais e comerciais, igualmente agrupadas em dez categorias. 

  1 °  Alfaiates.  -  Costureiras.  

  2°  Mecânicos.  -  Empregados  de  estradas  de  ferro.  

  3° Operários tecelões. - Pequenos negociantes - Porteiros.

  4° Farmacêuticos. - Fotógrafos. - Relojoeiros. - Viajantes de comércio.

  5° Agricultores. - Sapateiros.

  6° Padeiros. - Açougueiros. - Salsicheiros.

  7° Marceneiros. - Operários tipógrafos.

  8° Grandes industriais e chefes de estabelecimentos.

  9° Livreiros. - Impressores.

10° Pintores de edifícios. - Pedreiros. - Serralheiros. - Merceeiros. - Domésticos.

 

Deste levantamento, resultam as conseqüências seguintes:

 

1° Que há espíritas em todos os graus da escala social;

 

Que mais homens do que mulheres espíritas. É certo que, nas famílias divididas pela crença com respeito ao Espiritismo, mais maridos contrariados pela oposição de suas mulheres do que mulheres pela de seus maridos. Não é menos constante que, em todas as reuniões espíritas, os homens estão em maioria.

 

É, pois, erradamente que a critica pretendeu que a Doutrina é recrutada principalmente entre as mulheres por causa de sua tendência ao maravilhoso. Ao contrário, é precisamente essa tendência ao maravilhoso e ao misticismo que as torna, em geral, mais refratárias do que os homens; essa predisposição fá-las aceitarem mais facilmente a fé cega que dispensa todo exame, ao passo que  o Espiritismo, não admitindo senão a fé raciocinada, exige a reflexão e a dedução filosófica para ser bem compreendido, e ao que a educação estreita dada às mulheres, as torna menos aptas do que os homens. Aqueles que sacodem o jugo imposto à sua razão e ao seu desenvolvimento intelectual, freqüentemente, caem num excesso contrário; elas se tornam o que elas chamam as mulheres fortes, e são de uma incredulidade mais tenaz;

 

Que a grande maioria dos espíritas se encontra entre as pessoas esclarecidas e não entre as ignorantes. Por toda a parte o Espiritismo se propagou de alto o baixo da escala social, e em nenhuma parte desenvolveu-se em primeiro lugar nas classes inferiores;

 

Que a aflição e a infelicidade predispõe às crenças espíritas, em conseqüência das consolações que elas proporcionam. É a razão pela qual, na maioria das categorias, a proporção dos espíritas está em razão da inferioridade hierárquica, porque é ali que há mais necessidades e sofrimentos, ao passo que os titulares das posições superiores pertencem, em geral, à classe dos satisfeitos; é preciso deles excetuar o estado militar onde os simples soldados figuram em último lugar.

 

Que o Espiritismo encontra um acesso mais fácil entre os incrédulos em matérias religiosas do que entre aqueles que têm uma retida;

 

 Enfim,  que  depois  dos  fanáticos,  os  mais  refratários  às  idéias  espíritas  são  os sensualistas e as pessoas das quais todos os pensamentos são concentrados sobre as posses e os gozos materiais, qualquer seja a classe a que pertençam, o que é independente do grau de instrução.

 

Em resumo, o Espiritismo é acolhido como um benefício por aqueles que ele ajuda a suportar o fardo da vida, e é repelido ou desdenhado por aqueles que ele dificulta no gozo da  vida.  Falando-se  deste  princípio,  explica-se  facilmente  a  classe  que  ocupam,  nesse quadro, certas categorias de indivíduos, apesar das luzes que são uma condição de sua posição social. Pelo caráter, gostos, hábitos, gênero de vida das pessoas, pode-se julgar antecipadamente sua aptidão em assimilar as idéias espíritas. Em alguns, a resistência é uma questão de amor-próprio, que segue quase sempre o grau do saber; quando esse saber lhes fez conquistar uma certa posição social que os coloca em evidência, não querem convir que puderam se enganar e que outros podem ter visto mais justo. Oferecer as provas a certas pessoas é lhes oferecer o que elas mais temem: e de medo de reencontrá-las fecham os olhos e os ouvidos, preferem negar a priorie se abrigar atrás de sua infalibilidade, da qual estão bem convencidas, o que quer que disso digam.

 

Explica-se  menos  facilmente  a  causa  da  classe  que  ocupam,  nessa  classificação, certas profissões industriais. Pergunta-se, por exemplo, porque os alfaiates ali ocupam a primeira classe, ao passo que a livraria e a imprensa, profissões bem mais intelectuais, estão quase em último. É um fato constatado muito tempo, e do qual ainda não nos demos conta.

 

Se, no levantamento acima, em lugar de não compreender senão os espíritas de fato, se tivessem considerado os espíritas inconscientes, aqueles em que essas idéias estão no estado de intuição e que fazem o Espiritismo sem o saber, várias categorias teriam sido certamente classificadas diferentemente; os literatos, por exemplo, os poetas, os artistas, em uma palavra, todos os homens de imaginação e de inspiração, os crentes de todos os cultos estariam, sem nenhuma dúvida na primeira classe. Certos povos, entre os quais as crenças espíritas são, de alguma sorte, inatas, ocupariam também um outro lugar. É por isto que essa classificação não poderia ser absoluta, e se modificará com o tempo.

 

Os médicos homeopatas estão à frente das profissões liberais, porque, com efeito, é aquela que, guardadas as proporções, contém em suas fileiras o maior número de adeptos do Espiritismo; sobre cem médicos espíritas, ao menos oitenta homeopatas. Isto se prende a que o próprio princípio de sua medicação os conduz ao espiritualismo; também os materialistas são raros entre eles, se bem que os há, ao passo que são numerosos entre os alopatas. Melhor do que estes últimos compreenderam o Espiritismo, porque encontraram  nas  propriedades  fisiológicas  do  perispírito,  unido  ao  princípio  material  e  ao princípio espiritual, a razão de ser de seu sistema. Pelo mesmo motivo, os espíritas puderam,  melhor  do  que  os  outros,  se  darem  conta  dos  efeitos  desse  modo  de  tratamento. Sem ser exclusivo com relação à homeopatia, e sem rejeitar a alopatia, compreenderam a sua racionalidade, e os sustentaram contra os ataques injustos. Os homeopatas, achando novos defensores nos espíritas, não tiveram a imperícia de atirar-lhes a pedra.

 

Se os magnetistas figuram na primeira classe, no entanto, depois dos homeopatas, apesar da oposição persistente e freqüentemente acerba de alguns, é que os opositores não formam senão uma pequeníssima minoria junto à massa daqueles que são, pode-se dizer, espíritas de intuição. O magnetismo e o Espiritismo são, com efeito, duas ciências gêmeas, que se completam e se explicam uma pela outra, e das quais aquela das duas que não quer se imobilizar, não pode chegar a seu complemento sem se apoiar sobre a sua congênere; isoladas uma da outra, elas se detêm num impasse; elas são reciprocamente  como  a  física  e  a  química,  a  anatomia  e  a  fisiologia.  A  maioria  dos  magnetistas compreendem de tal modo por intuição a relação íntima que deve existir entre as duas coisas, que se prevalecem geralmente de seus conhecimentos e magnetizam, como meio de introdução junto aos espíritas.

 

De todos os tempos, os magnetistas estiveram divididos em dois campos: os espiritualistas e os fluidistas; estes últimos, muito menos numerosos, fazendo ao menos abstração do princípio espiritual, quando não o negam absolutamente, tudo relacionam com a ação do fluido material; conseqüentemente, estão em oposição de principio com os espíritas. Ora, que se observar que, se todos os magnetistas não são espíritas, todos os espíritas,  sem  exceção,  admitem  o  magnetismo.  Em  todas  as  circunstâncias,  deles  se fizeram os defensores e os sustentáculos. Deveram, pois, se admirar de encontrar adversários, mais ou menos malevolentes, naqueles mesmos dos quais vinham reforçar as fileiras; quem, depois de ter sido, durante mais de meio século alvo aos ataques, às zombarias e às perseguições de todas as espécies lançam a seu turno, a pedra, os sarcasmos e, freqüentemente, a injúria aos auxiliares que lhes chegam, e começam a pesar na balança por seu número.

 

De resto, como o dissemos, essa oposição está longe de ser geral, muito ao contrário,  pode-se  afirmar,  sem  se  afastar  da  verdade,  que  ela  jamais  está  na  proporção  de mais de 2 % a 3 % sobre a totalidade dos magnetistas; ela é muito menor ainda entre aqueles da província e do estrangeiro do que de Paris.

 

(1) A palavra magnetizador revela uma idéia de ação; a de magnetista uma idéia de adesão. O magnetizador é aquele que exerce por profissão ou outro modo;  pode-se  ser  magnetista  sem  ser  magnetizador.  Dir-se-á:  um  magnetizador  experimentado,  e  um magnetista convicto.

 

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