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O MILAGRE DAS ROSAS BRANCAS

Suely Damasceno

 
 

 

Certa vez...

 

Mariana estava num leito de hospital, desenganada pelos médicos, pois estava com um problema sério de saúde, já sem perspectivas de nada, a vida andando ao léu, os objetivos guardados numa gaveta, e as esperanças já nulas. Numa manhã, resolveu se levantar com esforço tremendo e foi olhar pela janela. Viu uma mão acenando a ela e um sorriso lindo em um rosto desconhecido.


Ela respondeu ao aceno e sorriu um sorriso amarelo sem vida. Voltou-se para o leito e ficou pensando... Quem seria aquela pessoa?


Retornou a janela olhando de um cantinho e não a viu mais. O dia transcorreu calmo e monótono como já havia se habituado. As visitas se escassearam e só a mãe a vinha visitar vez ou outra. Ela havia se tornado "hóspede" do hospital.


A noite chegou, ela adormeceu e sonhou. Viu-se novamente na janela, e aquela pessoa lhe estendia os braços, e dizia: - Venha filha, vamos dar um passeio por ai.


- Mas quem é você? Um anjo?


- Eu sou o que você quiser que eu seja, desde que isso te deixe mais feliz.


- Então vamos. E juntos e abraçados ele me levou a voar por ares desconhecidos e lugares lindos. Paramos numa clareira, a lua refletia sua luz azul sobre os montes, e o vento batia nos meus cabelos como se me soprasse vida.


Me senti muito bem, como se nada nem ninguém ofuscasse a alegria que eu sentia, e a vontade de viver que eu tinha.


Ele me perguntou porque eu estava tão triste.


Respondi que eu não tinha mais esperanças. Eu ia morrer.


Ele com todo amor e calma, me falou de Deus, perguntou se eu sabia rezar, e porque estava tão distante Dele.


- Você já pensou por um instante que Deus nos manda seus emissários a fim de nos auxiliar nos problemas? Já pensou que tem um Ser Maior no universo que está diuturnamente a nosso favor?


Respondi de olhos cabisbaixos, que eu estava cansada de tudo, e nem tinha mais vontade ou me lembrava de orar. Uma vez que nada diferente acontecia com minhas súplicas. Acho que Deus se esqueceu de mim, falei com lagrimas nos olhos.


- Eu entendo você, e ao mesmo tempo não vou deixar que fique assim, abra os olhos quando amanhecer, olhe de novo pela janela e faça um pedido. Ore com fervor e peça com toda tua alma pelo "milagre" que você tanto busca, embora não exista milagres, não se esqueça que todo dia é um novo milagre, ao vermos o sol brilhando ou a chuva lavando a terra.


- Então tá, eu vou fazer isso sim, embora esteja tão desistente de tudo.


- Mas tem que ser com fé, que os céus vão olhar por você. Me promete?


- Sim, prometo.


Acordei assustada, com leves pensamentos sobre meu sonho, um lugar, uma clareira, uma pessoa que me lembrava o ser que via pela janela.


Levantei meio sem vontade e fui até a janela, lá estava ele a me olhar e sorrir. Elevei meu pensamento a Deus como um relâmpago que cortava os céus, me ajoelhei ali mesmo, embora soubesse que não é a forma ou o jeito que se reza e sim a fé e força do coração, e pedi com lagrimas quentes e abundantes, que Ele me ajudasse e me enviasse o meu "milagre".


- Senhor, eu amo rosas brancas, elas me dão paz e serenidade, eu queria muito ganhar um bouquet de rosas brancas, e se elas virem, eu sei que o milagre se fará. Mas minha mãe que já vem aqui tão pouco, nem tem dinheiro para nosso sustento, quem me daria as rosas? Mas eu quero Senhor, eu quero ganhar rosas brancas, e sei que será teu recado para mim que eu ficarei sã, sairei desta cama e novamente poderei viver minha tão sonhada vida após o leito.


O dia passou, e nada de acontecer meu "Milagre". Sofri, chorei, me revoltei novamente contra esse Deus que não me ouvia. a noite chegou e eu adormeci chorosa e triste. Novamente sonhei com um campo de rosas brancas, mas eu não as queira em sonho, eu as queria ali nos meus braços.


O dia amanheceu novamente, e eu resolvi andar um pouco pelos corredores, respirar o ar de fora do quarto, e vi um folhetinho no chão, caído. Era um santinho de Nossa senhora de Fátima, tão linda, tão perfeita. Ali mesmo me ajoelhei, e nele estava escrito, "Se as pessoas soubessem o valor da oração, passariam a vida toda ajoelhados". Aquilo entrou em mim como uma flecha, no chão, aos prantos, orei a ela, pedi com toda força do meu ser, que me mandasse as rosas brancas para que eu acreditasse no valor da prece e na minha decisão de viver.


Uma mão apareceu a minha frente, um homem lindo, já senhor, sorrindo me disse: - Levante-se filha! Está na hora de acreditar. Me levantei olhei nos olhes dele e chorando perguntei: - Quem é o Senhor?


- Eu sou alguém que veio te trazer um presente.


- Um presente? o quê? adoro presentes, mas ninguém nunca se lembra de mim. Falei entre assustada e aflita.


- O presente que te trago é o meu abraço, venha recebe-o com amor, e Foi-se.


Fiquei decepcionada. abaixei os olhos e quando levantei não vi mais, corri até a porta próxima e ele havia desaparecido. Não estava entendendo os porquês de tantos sinais. Sim depois de muito pensar e refletir vi que eram sinais que o universo estava mandando para eu acreditasse. E nada de minhas flores, só elas responderiam ao meu chamado de vida.


Passou-se um mês, já estava desacreditada de tudo novamente, quando alguém bate a minha porta. era um rapaz moreno, de olhos profundos, baixo, e com outro lindo sorriso.


Perguntei o que ele queria, e ele respondeu:


- Eu vim trazer uma encomenda, e no cartão está escrito este número. Então deve ser pra você.


- Mas eu não pedi nada, nem tenho ninguém que haveria de mandar algo para mim.


- Tem certeza disso moça?


- Sim tenho, disse já chorando.


- Bem vou deixar ali fora, porque proíbem dentro dos quartos. Depois a moça vê. Tchau.


Saiu apressado e nem tive tempo de perguntar mais nada.


Me levantei, trôpega e tonta cheguei até a porta, quase desmaiei quando vi ali no chão, dentro de um vaso um bouquet de rosas brancas. Apanhei e fui sentar-me na cama, tinha um cartão com os dizeres:


"Minha querida, foi difícil, mas consegui fazer chegar às tuas mãos as tuas tão desejadas rosas brancas".


Assinado: ________.


Ajoelhei-me e agradeci entre lagrimas que me queimavam o rosto, o meu milagre que acontecia ali, de forma tão estranha. De tanta emoção, coloquei as flores na mesinha do lado da janela me deitei e orei mais uma vez, agradecendo e pedindo desculpas a Deus pela minha falta de fé.


Sonhei, a mesma mão daquele senhor sorridente, me estendia e dizia.


Gostou do "Milagre"?


Agora viva-o com toda sua força. Deus está em cada pétala, e o perfume, nossa Mãe querida perfumou especialmente para você. Desculpe não ter assinado, fica meio difícil para mim. Anjos não escrevem, eles exemplificam.


Acorde, levante-se e vá em frente. Porque Deus espera pelos fortes.

 

Que assim seja!

 

Autora © Suely Damasceno

 

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Publicado no PORTAL A ERA DO ESPÍRITO com a autorização da autora

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