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EVANGELHOS APÓCRIFOS

Humberto Rodrigues Neto

 
 

 

Além dos quatro Evangelhos oficiais, existem inúmeros outros, chamados apócrifos.

Desses, segundo Léon Denis, são conhecidos cerca de 20. No século III, todavia, Orígenes os citava em maior número, tendo Fabrício elevado esse número para 35. Já Edgar Armond, em O Redentor, cita 40 deles, atribuídos à autoria de outros apóstolos de Jesus, tais como André, Bartolomeu, Tomé, Matias, Judas Tadeu, Pedro, Felipe e Tiago Maior.

Esses Evangelhos, hoje desprezados, não eram, contudo, destituídos de valor na conceituação da Igreja, pois foi num deles que ela foi buscar a crença da descida de Jesus à mansão dos mortos - o inferno, impondo-a a toda a cristandade, não obstante inexistir, dela, qualquer referência nos Evangelhos canônicos tradicionais.

Na verdade, muitos desses Evangelhos apócrifos eram recheados de fatos tão miraculosos, que a Igreja não podia, mesmo, aceitá-los como verídicos.

Dentre os chamados apócrifos, registram-se dois manuscritos falsos, escritos por um tal Mateus, já que o de autoria do Mateus autêntico, escrito em aramaico, desapareceu, provavelmente, durante a destruição de todos os escritos sacros ordenada por Diocleciano, imperador romano, que proscreveu os livros cristãos através do Édito Imperial do ano de 303. Aliás, nenhum dos escritos sagrados, nem mesmo os evangelhos oficiais escaparam da destruição, motivo por que não são senão cópias dos originais.

Num dos evangelhos do falso Mateus, vemos Maria dançar sobre os degraus de uma igreja, ser alimentada por um anjo e, na idade de 12 anos, ser expulsa do templo pelos sacerdotes, ocasião em que José a leva para sua casa, numa viagem de 4 anos! A caverna onde dá à luz é iluminada por luz ofuscante e a parteira constata maravilhada, através de toque da mão, que Maria é realmente virgem! Como outra parteira duvida do fato, toca também em Maria para certificar-se, mas sua mão fica murcha, voltando ao normal quando ela toma Jesus no colo! Isabel, mãe de João Batista, esconde-o numa montanha, que se abre para recebê-lo e onde há luz como se fora dia! Herodes, julgando ser João Batista o Cristo, vinga-se matando o pai deste, Zacarias!

Noutro Evangelho deste Mateus, Maria não dança sobre os degraus da escada, mas galga-os de um pulo, suspensa no ar! Os anjos a obedecem, e a uma simples ordem sua, curava doentes! Como deve zelar por Maria, José dá-lhes, por amas, cinco virgens. A caverna onde Maria tem o parto é funda e escura, mas ilumina-se com sua presença! Quando ela foge para o deserto com o menino, este é adorado por cobras, leões, lobos e leopardos! Ali Maria tem sede, mas a um gesto de Jesus, uma palmeira curva-se, de cujo pé ela apanha os frutos, e de cujas raízes brota água, da qual todos bebem! Ao entrar num templo, os 365 ídolos ali existentes desmoronam à simples presença de Jesus, o qual, zangando-se com um companheirinho, mata-o! Maria suplica e o morto é ressuscitado mediante um pontapé e um puxão de orelhas! Jesus faz pardais de barro, que vivem, cantam e voam!

Desses Evangelhos apócrifos, entretanto, muitos foram escritos por apóstolos de reconhecida probidade, como Judas, Barnabé, Tiago e Pedro.

No Concílio de Nicéia, 3l8 bispos e arcebispos, colocaram os 30 Evangelhos existentes, tanto os oficiais, como os apócrifos sob o altar da Igreja, concentraram-se e, numa sessão que só podemos chamar de mediúnica, invocaram o espírito do próprio Jesus (!) a fim de lhes indicar quais os merecedores de crédito. Depois de certo tempo, apareceram sobre o altar os quatro Evangelhos tradicionais.

 

Fonte:Casos Controvertidos do Evangelho”, de Paulo Alves Godoy.
 

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Publicado no PORTAL A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.

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