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NASCER, VIVER, SER E ENVELHECER
Roberto Romanelli Maia

 
 


Envelhecer é nutrir-se, não importa a idade, de sentimentos, de emoções, de sensações e de prazeres.

É explodir em e de vida.

Envelhecer sem importar-se muito com tantos dogmas e sem a sombra das falsas verdades, estereótipos e preconceitos.

Envelhecer com fé em um único Deus e com a genética que ele nos deu.

Com a fé, a esperança e a paciência divina que sustenta o espírito e que transforma o nosso corpo e a nossa alma num ser humano feliz.

Ao mesmo tempo guerreiro e aprendiz.

Sim, envelhecer ao lado de quem gostamos e amamos.

Sem importar-se tanto com o tempo que passa.

Envelhecer com o gosto e a essência das coisas boas da vida.

Com a pele curtida e bronzeada pelo sol e pela lua.

Envelhecer com um sorriso largo num rosto amável e afável.

Com ou sem lágrimas banhando os olhos.

Envelhecer como for possível e não como se deseja e quer.

Sem pensar que isso é o fim do mundo.

Pois a idade não mente apenas pode enganar durante certo tempo.

Sim, envelhecer não é tão doloroso assim.

E se para alguns, é o fim do mundo, eu me pergunto: ”o mundo tem ou terá mesmo um fim?”

Envelhecer é ganhar do tempo o tempo exato e lapidado para saber aproveitar, compartilhar e multiplicar todas as belezas e as obras das quais participamos e compartilhamos.

Envelhecer é fazer da feijoada o prato do dia e do churrasco a festa de domingo.

Envelhecer é comer pela manhã e, se e quando possível, exercitar o corpo à tarde, para relaxar ao anoitecer.

É ir ao shopping, a praia e bater perna até a esquina.

É, se gosta, ver novela, e ir a um cinema, a um show ou um teatro.

É conquistar e estar perto do que temos direito.

É ser livre.

É valorizar as nossas células e o sangue que transita em nossas veias.

É controlar o colesterol, os triglicérides, a diabetes e a pressão alta.

Mesmo que a base de medicamentos.

É ver a beleza mágica dos pássaros, milhares de vezes por ano, sobrevoando o céu.

Sim, envelhecer é dar a quem queremos, gostamos e amamos, o colo, o ombro e o abraço.

O beijo apaixonado na face do ser querido.

Pois saber envelhecer é dispor de carinho para dar e receber.

Se possível controlando a mente com uma vontade férrea de existir.

Mãos e pernas firmes mesmo que fragilizadas pela idade.

Sabendo que um dia menos triste, espanta qualquer mal humor, que apareça no dia seguinte.

Sim, envelhecer é saber apreciar as árvores.

É ver os jardins e as flores coloridas.

É respeitar cada tempo e cada fase de tristeza e de felicidade.

É gostar-se e amar-se como se gosta e se ama os amigos e os entes queridos.

Envelhecer é cantar, dançar e acreditar na própria sabedoria de viver.

Pois envelhecer é algo que anima, possui ritmo e melodia.

É experimentar prazeres e galgar descobertas.

É brindar a tecnologia sem endeusá-la como maravilha suprema.

Não esquecendo que o sexo, em qualquer idade, deve ser sempre desejado e praticado.

Sim, envelheçamos sem tantos limites, regras e sistemas tão pré-definidos.

Com ou sem rugas.

Com ou sem cabelos brancos.

Mas repletos de paz e de alegrias.

Pois afinal as doenças nunca escolhem o dia mais certo ou o mais errado para chegar.

Nem mesmo batem a nossa porta como nossa convidada.

E quando falarem, para você, que doença é coisa de velho, pense e reflita,
será que é isso mesmo?

Mas, se pensa isso, cuidado com essa falsa crença.

Pois, no envelhecer, importa muito pouco os rótulos e as embalagens.

Importa muito mais a qualidade e a garantia de vida.

Sabendo que o controle da mente, a vontade de existir, mãos e pernas firmes, mesmo que trêmulas e inseguras, e um dia mais alegre e feliz espantam qualquer doença.

E livram-nos da maca, do convênio e da emergência.

Por termos, acima de tudo, motivação, perseverança e determinação.

E muito amor e muita paixão.

Para melhor viver.

Assim, amigos, aproveitemos: saibamos envelhecer!

Envelheçamos, sem crises nem tanto estresse.

Cientes que a sabedoria da vida não se aprende nos livros nem nas cartilhas.

E que ela está em nossas mãos!

Portanto, lembrem-se quero vê-los na casa dos 90.

Vivendo como se tivessem 30, 40, 50, 60...

Afinal, em nosso mundo, o possível realizamos, hoje, e o impossível tentaremos fazê-lo, amanhã!

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Publicado no PORTAL A ERA DO ESPÍRITO com a autorização da autor

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