OMBUDSMAN DA IMPRENSA ESPÍRITA (O I E)

 - Artigos

Articulista: Marcelo Henrique Pereira

 Títulos dos artigos

Marcelo Henrique Pereira

Coordenador deste Projeto

O I E - Nº 1   - Idolatria Espírita

O I E - Nº 2   - Jornal Mundo Espírita

O I E - Nº 3   - A opinião de um Espírito não é nem pode ser consenso!

O I E - Nº 4   - Exilados, sim! Mas, de onde mesmo?

O I E - Nº 5   - Retrocesso? Não, Evolução!

O I E - Nº 6   - Finalidade da Imprensa Espírita

O I E - Nº 7   - Unidos contra o “Apartheid” Espírita

O I E - Nº 8   - O autoperdão 

O I E - Nº 9   - Um retrato e o seu uso

O I E - Nº 10 - A análise crítica dos livros e das editoras espíritas

O I E - Nº 11 - Pentateuco Espírita?

O I E - Nº 12 - Quem lidera quem?

 

O Projeto “Ombudsman da Imprensa Espírita” foi idealizado pela Associação de Divulgadores do Espiritismo de Santa Catarina (ADE-SC) para discutir e criticar construtivamente artigos, matérias e editoriais veiculados pela imprensa espírita (impressa ou virtual), visando contribuir para a melhoria da qualidade da própria imprensa e para a difusão da necessidade de adoção de uma política de comunicação social espírita em nosso país.

O teor da análise enquadra tanto a filosofia espírita quanto a metodologia de comunicação social e os comentários se dirigem às idéias, nunca às pessoas.

Esta Associação coloca-se ao dispor para a salutar troca de idéias e quaisquer comentários ou outras observações sobre a atuação da imprensa espírita escrita são bem-vindas.


Cordialmente,

Prof. Marcelo Henrique Pereira, MSc.
Presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo
de Santa Catarina (ADE-SC) e
Coordenador do Projeto

 

...O mundo viveu, durante épocas marcantes da nossa história, episódios infelizes de censura e de patrulhamento ideológico, em que determinados indivíduos escolhiam (pelos outros e em nome deles) o que deveria ou não ser publicado. O espírito do Ombudsman é justamente outro: discutir, sim, mas sem o intuito de proibir ou desqualificar pessoas ou instituições, muito menos periódicos espíritas.

 

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...o processo de reconstrução da imprensa espírita envolve a dinâmica do interesse, da vontade e da perseverança (atitude), e tem, como requisito, a aceitação das avaliações e das críticas (tanto dos leitores como dos “especialistas”), sem melindres e com bom ânimo.

 

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ENTREVISTA PARA A GAZETA PENSADOR, JOÃO PESSOA (PB)

Falando sobre a atividade do OMBUDSMAN

 

01 – O que levou você criar o Projeto OMBUDSMAN DA IMPRENSA ESPÍRITA?
 Na verdade, queridos amigos, não fui eu quem criei o projeto “Ombudsman”. Ele é o resultado prático de várias discussões realizadas pelos colaboradores da ADE-SC, que, ao tomarem contato com as publicações espíritas, vinham percebendo a necessidade de comentar e até criticar, de forma construtiva, tanto em relação ao conteúdo quanto à formatação de matérias, artigos ou editoriais. Assim, depois de algumas “experiências” com alguns artigos, resolvemos inaugurar o Projeto. Vale salientar, ainda, que, em anos anteriores, a ADE-SC tinha realizado atividade similar, cunhada como “Observatório Espírita da Imprensa”, mas, nesse caso, o foco não era a imprensa espírita, mas a leiga, sempre que surgiam matérias que pudessem ser interpretadas à luz do conhecimento espírita. A inspiração vem da própria imprensa leiga que, em alguns veículos, tem um Ombudsman para criticar (construtivamente) a si mesma, apontando possíveis erros e equívocos, no sentido de contribuir para o aperfeiçoamento da comunicação social.

 

02 – A nossa Imprensa está tão medíocre assim a ponto de precisar ser avaliada de forma tão contundente?
Penso que não seja adequada a adjetivação medíocre e, tampouco, o Ombudsman se presta a esse papel. Conforme consta no preâmbulo de cada edição do projeto, o objetivo da iniciativa é “[...] discutir e criticar construtivamente artigos, matérias e editoriais veiculados pela imprensa espírita (impressa ou virtual), visando contribuir para a melhoria da qualidade da própria imprensa e para a difusão da necessidade de adoção de uma política de comunicação social espírita em nosso país”. Deste modo, também serão enaltecidas as “boas iniciativas”, presentes nos veículos de comunicação impressa, embora a intenção maior seja contribuir para a reflexão sobre os rumos que o movimento espírita (e sua imprensa) vem tomando, em alguns casos se afastando perigosa e decisivamente das diretrizes propostas por Allan Kardec. Em relação à “contundência”, entendemos que é imprescindível promover debates no sentido de esclarecer à opinião pública espírita sobre a diferença entre o movimento “religioso” espírita e a abordagem sistêmica e completa da Doutrina Espírita (Ciência, Filosofia e Moral), sem promover qualquer tipo de “caça às bruxas” ou indexação, mas refletindo com acuidade e interesse sobre a subutilização da divulgação e da comunicação social espírita, privilegiando uma abordagem (a religiosa) e diminuindo o âmbito de alcance e efetividade da proposta espiritista. Se ser honesto, imparcial e autêntico na avaliação do que é publicado nos veículos espíritas é ser contundente, então assumimos este viés. Lembramo- nos, pois, de Herculano Pires que, com firmeza e coragem, “sacudia”, vez por outra, as estruturas do movimento, apontando os problemas, as deturpações e as interpretações parciais do conhecimento espírita.

 
03 – Como você analisa a reação dos editores, jornalistas e intelectuais espíritas que antipatizam com o Projeto?
Sinceramente, não temos tido muito contato com a aludida reação de editores, jornalistas ou intelectuais. Temos, sim, lido alguns comentários das pessoas que têm lido as mensagens via internet, e muitas têm elogiado e parabenizado a ADE-SC pela iniciativa corajosa e inédita, já que é comum “aceitar tudo”, “passar a mão na cabeça” e, até, a tônica no movimento é “não polemizar”, como se a discussão, o debate, o contraditório fossem encarados como “obra dos maus espíritos”, obsessão, etc. É claro que quando idealizamos o projeto, sabíamos que ele provocaria manifestações, até contrárias, que materializariam a opinião daqueles que pensam que “tudo são flores” e que a divulgação do “escândalo” não seria benéfica para o movimento. Nós, contudo, pensamos de modo diferente e estamos abertos ao debate. O que não aceitamos é que haja algum tipo de censura ao nosso trabalho, do tipo “quem são eles para criticar?” ou “qual a autoridade moral do crítico?”. Da mesma forma como temos a liberdade de pensamento, de ação e de expressão (comunicação), todos os que pensam diferente também a possuem, e, portanto, se alguém porventura estiver “incomodado” com o projeto, que se manifeste, no mesmo tom e nível da linguagem e da proposta do “Ombudsman”.

 
04 - Você não tem receio que o movimento brasileiro boicote os projetos de Comunicação Social da ADE/SC?

Sinceramente, não! Ademais, temos que insistir na proposta de comunicação das idéias espíritas com alteridade, que é a realidade da convivência pacífica e comunicativa entre os “diferentes”, com absoluto respeito interpessoal e interinstitucional. Em verdade, o próprio movimento espírita tem uma “história” de boicotes. Nós mesmos, em Santa Catarina, na instituição em que iniciamos nossas atividades – e na qual permanecemos mais de duas décadas, sofremos isto na pele, quando dirigentes federativos locais, ao tomarem ciência de nossa vinculação e participação ativa na Confederação Espírita Pan-Americana (CEPA), estiveram na instituição em que eu era vice-presidente, e exigiram que a Revista Espírita HARMONIA (que editamos até hoje) não mais circulasse na casa, porque ela dava espaço à CEPA, sob pena de “desfiliação do Centro”. O caso tomou repercussão nacional, já que eu também era diretor de política e metodologias de comunicação da Abrade (Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo), entidade que não tolerou a pressão e o boicote ao trabalho de uma ADE (responsável pela edição da revista), e tomou satisfações da federativa, via Conselho Federativo Nacional. Há pessoas que pregam ideais de fraternidade, amor e tolerância, mas que não sabem conviver com quem tenha idéias distintas das suas, e passam a perseguir ou a desmerecer individualidades, instituições ou trabalhos. Se fôssemos nos preocupar com boicotes, com muita naturalidade, já teríamos nos “confinado” ao conforto de nosso lar, com o carinho dos nossos parentes e amigos. Lembrando o jovem de Nazaré, “Não julgueis que vim trazer paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. [...] E os inimigos do homem serão os seus próprios domésticos” (Mt; 10:34-36). Há os que desejam ardentemente a paz no movimento espírita, mas a paz que promovem ou propugnam é a “concordância tácita”, a “subserviência”, a “água parada do fundo do poço”. Tudo no movimento é passível de discussão, de análise, de construção. Neste sentido, estamos fazendo a nossa parte e esperamos que cada um que deseja uma realidade melhor, mais verdadeira, realmente fraterna e produtiva, não somente “intra-muros” do Centro, mas socialmente, que também “pegue na charrua”.

 
05 - O OMBUDSMAN não bate de frente com os princípios alteritários que você tanto defende?
Importante não confundir as coisas. Alteridade é proximidade, convivência pacífica e diálogo. Não implica em “concordância” sobre tudo, nem “acordo”, em que se recua ante determinados posicionamentos, como se fosse um pacto. As relações interpessoais, muitas vezes, envolvem embates e, deles, resultam “vencedores” ou “vencidos”. Na relação alteritária não há esta prática, nem esta necessidade. O importante é o respeito pelo outro (e do outro por si, porque se só houver respeito de um lado, igualmente não teremos nenhuma relação baseada em alteridade). Ela não implica, repetimos, em cedência de (parte ou total) direito(s), mas investe-se na possibilidade da manutenção das relações em si, com o aprendizado que a constância e a maturidade poderão proporcionar, em termos de crescimento pessoal – para mim e para o outro. Para ilustrar, há uma frase muito repetida por aí, inclusive no meio espírita, que é de Voltaire e que diz: “Não concordo  com o que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-lo”. Curiosamente, este é o espírito do
Ombudsman: dizer o que se pensa; defender o direito de expressão meu e do outro; apontar, se for o caso, aquilo que consideramos equívoco e, neste sentido, deixar a cargo dos leitores, dos pensadores espíritas o condão de escolherem “com quem   ficam”, ou “a quem aceitam ou seguem”. Não é isto, fundamentalmente, que acontece durante toda a nossa vida de encarnados, quando tomamos contato com idéias e propostas vida de encarnados, quando tomamos contato com idéias e propostas e delas retiramos

 “aquilo que nos serve”. De tudo, pois, “reter o essencial”, esta é a nossa filosofia.

 

06 - Você já teve que criticar acidamente algum jornal ou articulista de sua relação de intercâmbio e de amizade?
Veja, não tomemos o projeto como pessoal ou individual. Há alguns companheiros que discutem conosco, avaliando não só o que tem sido veiculado pela imprensa especializada (espírita), como ponderando em relação ao que vai ser objeto da “crítica”, no (do) Ombudsman. E, também, antes da publicação final de cada número, avalia-se o que foi escrito e, na discussão e no consenso – já que se trata de um trabalho “patrocinado” pela ADE -SC – chega-se à redação final e definitiva. A “acidez” me parece ser um juízo de valor desta editoria (ANESP), da mesma forma como, há pouco, utilizou a “contundência”, concordam? Vamos ponderar o seguinte: eu, você, o outro, todos nós temos as “nossas verdades”, conseqüência de nossa trajetória, de nosso pensar, de nossa bagagem espiritual, etc. Com base nestas verdades (que não são únicas nem as “maiores”), promovemos o trabalho do Ombudsman. Ele se dispõe a apresentar um contraponto, uma outra visão ou versão para o que está sendo dito pelo articulista ou pelo editor do periódico. Quem antes fez isso? Quem faz isto, cotidianamente, de modo explícito? A maioria de nós, quando lê este ou aquele periódico, analisa o teor da matéria, concordando ou não (parcial ou totalmente) com o que está ali escrito. Muitas vezes, a atitude comum é “virar a página” quando o que está lendo não lhe parece concorde com suas idéias. Alguns companheiros vão além: escrevem para o jornal ou revista e comentam isso ou aquilo. Quais os periódicos que publicam “críticas” ou comentários “contrários” ao que foi publicado? Podemos contar nos dedos... Isto demonstra claramente a filosofia adotada pela imprensa espírita, que, com raras exceções, “chove no molhado”, isto é, se destina a publicar muita repetição do que já existe, ou comentários (que acrescentam um ou outro ponto), mas sobre temas “batidos” ou de “senso comum”. Falar sobre o que é “unânime”, é muito mais fácil. Falar sobre o “novo”, ousar apresentar novas teses, fazer a autocrítica (lembrando um antigo programa da Rede Band), é o diferencial, é o que acrescenta valores ao nosso caminhar... Em relação à crítica que fazemos, não “olhamos” sinceramente para quem está do outro lado, isto é, o “alvo” do comentário, se é João ou José, mas reconhecemos que se é alguém que prezamos, que conhecemos, com quem já trabalhamos e com quem já trocamos palavras ou correspondência, em dado momento pensamos na sua reação, o que não influi no trabalho. Gostaríamos, sinceramente, que aquele que recebesse o Ombudsman (sobre seu artigo ou trabalho) pudesse refletir e, até, elegantemente, apresentar uma tréplica, para que o próprio movimento pudesse “tirar as melhores partes” da discussão. No entanto, em muitos casos, sabemos, as pessoas vão se entristecer ou se melindrar, porque isto ainda é muito marcante em nossa personalidade. Quem sabe, mais à frente seja diferente...
 

07 - O OMBUDSMAN está isento de ser avaliado da mesma forma que avalia a Imprensa e seus colaboradores?
De maneira alguma. Vamos usar um bordão: “Seremos medidos com o mesmo metro que medirmos o outro”. Assim, o trabalho não está “isento” de falhas e nem se coloca “acima dos outros” ou em posição de primazia, ou de sabedoria espiritual plena. Quando o Ombudsman avalia e aponta artigos que contêm algo considerado como “prejudicial”, “incorreto” ou “desnecessário”, na nossa ótica (frisemos bem isso), reconhecemos que é possível haver opiniões diferentes, na ótica do próprio articulista e da opinião pública espírita (ou parte dela). Aí reside a validade da proposta. Assim como não é necessário nenhum consenso, nem unanimidade, a avaliação crítica promove a discussão, a reflexão, apresenta pontos alternativos em relação a uma dada “verdade”. Lembremos, entretanto, que já saíram (e sairão outras) edições enaltecendo pontos positivos deste ou daquele trabalho, e, neste caso, a avaliação positiva credencia a continuidade daquele trabalho, no nosso entendimento. Repetimos o que já frisamos em outra resposta: se o autor do trabalho avaliado ou terceiros tiverem comentários “educados”, “isentos”, “não-apaixonados”, sem agressividade, rancor ou com o chamado ranço proibitivo (aquela idéia de que ninguém teria estatura moral para “julgar” os outros, e por aí afora...), gostaríamos francamente de receber o material, para nosso aperfeiçoamento e para a continuidade do Ombudsman.

 

08 - Quem se sentir criticado de forma equivocada e injustamente tem direito de resposta garantido?

Sem dúvida alguma. Vamos dizer de outro modo, repisando o que acabamos de tratar na questão anterior. Todos os que tiverem “o que dizer” serão ouvidos por nós. E, ainda, caso a ADE-SC entenda que algum texto (em “tréplica”) possa contribuir para o debate e para elucidação da opinião pública espírita, teremos o maior prazer em publicar, como mais uma edição do Ombudsman. Não é necessário falar-se, todavia, em “direito de resposta”, instituto jurídico, obtido comumente mediante ação judicial específica, previsto para a manifestação de alguém que se sinta ofendido por alguma publicação. No nosso caso, desde que não se trate de mero “bate-boca” ou que se disponha a “acusar e ofender”, todo texto encaminhado pelos interessados diretos aos nossos e-mail (ade- sc@floripa.com.br ou cellosc@floripa.com.br) será considerado e oportunamente divulgado.

 
09 - Qual o canal de interatividade do OMBUDSMAN para receber e publicar esse direito de resposta?

Acabamos de mencionar na questão anterior. Nossos e-mails (ade-sc@floripa.com.br ou cellosc@floripa.com.br) estão à disposição dos companheiros espíritas, tanto para adicionar comentários às edições do Ombudsman, como para sugerir “pautas”, isto é, matérias que tenham sido publicados em veículos da imprensa espírita, locais ou de abrangência nacional, para que façamos alguma análise crítica. E, é claro, como dito antes, para propiciar novo “contraditório” sempre que algum interessado (em relação às edições publicadas) desejar fazer uso de seu direito de manifestação.
 
10 - Sua mensagem para encerrar esta entrevista exclusiva para a Gazeta PENSADOR...

Toda idéia nova, quando surge, provoca reações nos circunstantes. Há pessoas que, infelizmente, têm ojeriza às novidades, às propostas que surgem nos ambientes em que participamos, e prejulgam sem conhecê-las a fundo. O mundo viveu, durante épocas marcantes da nossa história, episódios infelizes de censura e de patrulhamento ideológico, em que determinados indivíduos escolhiam (pelos outros e em nome deles) o que deveria ou não ser publicado. O espírito do Ombudsman é justamente outro: discutir, sim, mas sem o intuito de proibir ou desqualificar pessoas ou instituições, muito menos periódicos espíritas. No Estado Democrático de Direito que vivenciamos, e, principalmente, em face de nosso amadurecimento paulatino em todas as questões afetas ao Espírito, vamos percebendo que nossa relação com os outros deve ser pautada na franqueza, na fraternidade e na alteridade. Neste sentido, que procuremos nos credenciar para as mudanças de paradigmas, que já estão ocorrendo e para as outras que virão, fruto da nossa própria evolução individual e da mutação social e planetária. Que as idéias novas possam provocar – em nós – o desejo de conhecer melhor “o novo”.

 

Marcelo Henrique Pereira. 

 

João Pessoa (PB), 1° de Maio de 2007.

  

CARMEM PAIVA DE BARROS,

Secretária de Redação.

 

anespbarros@gmail.com

 

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