Estudo

Estudo com base em um PPS (eslaides) recebido via e-mail em 23/11/2009

intitulado O 1°. Centro Espírita do Planeta com formatação de Mário Celso (mariocelso633@yahoo.com.br)

Pesquisa: Elio Mollo

Atualizado em 27/02/2012

Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

(Entre 1858 e 1859)

HISTÓRIA

 

 

Por iniciativa de Allan Kardec, o Codificador do Espiritismo, surgiram em Paris, França, no ano de 1858 a Revista Espírita, dirigida por ele até sua desencarnação em março de 1869 e, também, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE).

 

A REVISTA ESPÍRITA

(Obras Póstumas, 2ª. parte) [1]

 

Em de 15 de novembro de 1857 na casa do sr. Dufaux, com a médium senhora E. Dufaux, Kardec tem o seguinte diálogo com os Espíritos: 

 

Pergunta. – Tenho a intenção de publicar um jornal espírita, pensais que chegarei a fazê-lo, e mo aconselhais? A pessoa à qual me dirigi, o Sr. Tiedeman, parece-me decidido a dar o seu concurso pecuniário.

Resp. – Sim, isso conseguirás com a perseverança. A ideia é boa, é preciso amadurecê-la antes.

 

Perg. – Temo que outros me antecedam.

Resp. – É necessário apressar-se.

 

Perg. – É o meu desejo, mas o tempo me falta. Tenho dois empregos que me são necessários, vós o sabeis; gostaria de poder a isso renunciar, a fim de consagrar-me inteiramente à coisa, sem preocupações estranhas.

Resp. – Não é preciso nada abandonar no momento; sempre se acha tempo para tudo; movimenta-te e conseguirás.

 

Perg. – Devo agir sem o concurso do Sr. Tiedeman.

Resp. – Agi com ou sem seu concurso; não te inquietes com ele, podes por isso passar.

 

Perg. – Tinha a intenção de fazer um primeiro número de experiência, a fim de colocar o jornal e fixar-lhe data, salvo continuar mais tarde, se for o caso; que pensais disso?

Resp. – A ideia é boa, mas um primeiro número não bastará; no entanto, é útil e mesmo necessário naquilo que abrirá o caminho ao resto. Nisso será preciso levar muito cuidado, de maneira a lançar as bases de um sucesso durável; se for defeituoso, mais valeria nada, porque a primeira impressão pode decidir seu futuro. É necessário se ligar, começando, sobretudo a satisfazer à curiosidade; deve encerrar, ao mesmo tempo, o sério e o agradável; o sério que ligará os homens de ciência, e o agradável que divertirá o vulgo; esta parte é essencial, mas a outra é a mais importante, porque sem ela o jornal não teria fundamento sólido. Em uma palavra, é preciso evitar a monotonia pela variedade, reunir a instrução sólida ao interesse, e isso será, para todos os trabalhos ulteriores, um poderoso auxiliar.

 

Em nota a estas resposta Allan Kardec completa:

 

“Apressei-me em redigir o primeiro número, e fi-lo aparecer em janeiro de 1858, sem disso nada ter dito a ninguém. Não tinha um único assinante e nenhum sócio capitalista. Fi-lo, pois, inteiramente aos meus riscos e perigos, e não ocorreu de me arrepender disso, porque o sucesso excedeu a minha expectativa. A partir de 1º de janeiro, os números se sucederam sem interrupção, e, como o Espírito previra, esse jornal se me tornou um poderoso auxiliar. Reconheci mais tarde que estava feliz por não ter um sócio capitalista, porque estava mais livre, ao passo que um estranho teria podido querer me impor suas ideias e sua vontade, e entravar a minha caminhada; só, não tinha que dar contas a ninguém, por pesada que fosse a minha tarefa como trabalho.” 

 

Fundação da Sociedade Espírita de Paris

(Obras Póstumas, 2ª. parte)

 

Em 1º. de abril de 1858

 

“Se bem que não haja aqui nenhum fato de previsão, menciono, para memória, a fundação da Sociedade, por causa do papel que desempenhou na marcha do Espiritismo, e das comunicações ulteriores às quais deu lugar.

 

Em torno de seis meses depois, tinha em minha casa, Rua dos Mártires, uma reunião de alguns adeptos, todas as terças-feiras. O principal médium era a Srta. Dufaux. Se bem que o local não pudesse conter senão 15 a 20 pessoas, às vezes nele se encontravam até 30. Essas reuniões ofereciam um grande interesse pelo seu caráter sério, e a alta importância das questões que ali eram tratadas; frequentemente, viam-se ali príncipes estrangeiros e outras personagens de distinção.

 

O local, pouco cômodo pela sua disposição, evidentemente, tornou-se muito exíguo. Alguns, dos frequentadores, propuseram se cotizar para alugar um mais conveniente. Mas, então, tornava-se necessário ter uma autorização legal, para evitar de ser atormentado pela autoridade. O Sr. Dufaux, que conhecia pessoalmente o Prefeito de polícia, se encarregou de pedi-la. A autorização dependia também do Ministro do Interior, que era então o general X que era, sem que o soubéssemos, simpático às nossas ideias, sem conhecê-las completamente, e com a influência do qual a autorização que, seguindo uma fieira comum, teria exigido três meses, foi obtida em quinze dias.”

 

O general X era Charles-Marie-Esprit Espinasse e foi também político francês. [2]

 

O general Espinasse foi citado na Revista Espírita de julho de 1859. Vejamos como foi que isso aconteceu, primeiro na questão 37 no artigo O zuavo de Magenta, depois na mesma Revista em Um Oficial Superior Morto em Magenta:

 

Em O zuavo de Magenta, palestra efetuada em 10 de junho de 1859 na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas;

 

37. Vedes o general Espinasse?

- R. Não o vi ainda, mas espero muito ainda vê-lo.

 

Em Um Oficial Superior Morto em Magenta. (Sociedade. 10 de junho de 1859.) encontramos a seguinte entrevista com general Espinasse (qq. 4 e 5) e uma nota de Kardec que nos leva a concluir que o General X é mesmo o oficial Charles-Marie-Esprit Espinasse:


4. Tínheis conhecimento da existência da nossa sociedade?

- R. Vós o sabeis.


Nota. - O oficial, do qual se trata, com efeito, concorreu para que a Sociedade obtivesse autorização para se constituir.


5. Sob qual ponto de vista consideráveis nossa sociedade, quando ajudastes a sua formação?

- R. Eu não estava ainda inteiramente fixado, mas me inclinava muito em crer, e sem os acontecimentos que sobrevieram, iria certamente instruir-me em vosso círculo.

 

Síntese do contexto social francês em 1858

 

A França, à época de Kardec, vivia tempos conturbados, por isso, o funcionamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE) dependia de autorização para seu funcionamento legal, o que não seria fácil conseguir.

 

Napoleão Bonaparte III foi imperador da França de 1852 até 1870, e era sobrinho do grande Napoleão.

 

Em 14 de janeiro de 1858 um revolucionário nacionalista italiano chamado Felix Orsini, perpetrou um atentado contra a vida de Napoleão III que, por pouco não foi assassinado, sendo que Orsini foi condenado à pena de morte pela guilhotina em 13 de março de 1858 (3), poucos dias antes da fundação da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE). Este episódio provocou a sanção da Lei de Segurança Geral, que facultava ao Ministro do Interior a transladar ou exilar a qualquer cidadão francês que fosse reconhecido culpado de conspirar contra a segurança do estado. Era uma lei rigorosa, que se derrogou senão doze anos depois, em 1870. Aquele tempo era de convulsão política, a França estava sob a recente Lei de segurança desde 19 de fevereiro de 1858, por causa daquele atentado. Essa lei não permitia nenhuma reunião pública com mais de vinte pessoas em qualquer ambiente fechado. E o estatuto social  da SPEE tinha que ser submetido às autoridades sob este severo regime que trazia em seu conteúdo ideias novas e, assim provocariam sua atenção sobre o objetivo e os nomes dos seus participantes.

 

Era necessário que a SPEE obtivesse autorização para o seu funcionamento legal, mas dado a gravidade da situação política, como poderia ser solucionada essa situação? 

 

Então, quem autorizou o funcionamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas (SPEE) foi general Charles-Marie-Esprit Espinasse, que Napoleão Bonaparte III o nomeou para ser o Ministro do Interior da França no qual exerceu esse cargo entre 7 de fevereiro 1858 até14 de junho 1858. A denominação completa do cargo era de Ministro do Interior e de Segurança Geral.

 

 

Essa autoridade era quem autorizava o funcionamento de atividades que reunissem “grupos com mais de 20 pessoas...”

 

Para funcionar legalmente e não ser incomodada, a SPEE precisaria transpor essas dificuldades que as circunstâncias da época impunham.

 

O sr. Dufaux, que participava da SPEE,  cuidou do caso, porque se dava com o Prefeito de Polícia de Paris, que seria a primeira autoridade a ser contatada...

 

Mas, como a autorização dependia também do Ministro do Interior, foi aí que entrou em cena o general Espinasse, Ministro do Interior e de Segurança Geral.

 

 A autorização foi conseguida em menos de 15 dias, quando o tempo médio era de pelo menos três meses.

 

Constatação

 

O general Espinasse exerceu o cargo por pouco mais de 4 meses. Observa-se que, no pouco tempo em que esteve na função foi o suficiente para que ele concedesse a autorização de funcionamento da SPEE.

 

A  autorização, para o funcionamento da SPEE foi conseguida em 13 de abril de 1858.

 

Posteriormente Kardec veio a saber que o general Charles Marie Esprit Espinasse era simpatizante da causa Espírita...

 

Kardec obteve essa informação, em entrevista mediúnica com o próprio general, seis dias após a desencarnação do mesmo.

 

O general Espinasse faleceu em 4 de junho de 1859, no terrível combate de Magenta (cidade da província de Milão, hoje pertencente à Itália).

 

  [4]

 

Continuando com a fundação da SPEE

(Obras Póstumas, 2ª. parte)

 

"A Sociedade foi, então, regularmente constituída e se reunia todas as terças-feiras, no local que alugara no Palais Royal, galeria de Valois. Ali permaneceu um ano, de 1º. de abril de 1858 a 1º. de abril de 1859. Não podendo ali permanecer por mais tempo, se reunia, todas as quartas-feiras, num dos salões do restaurante Douix, no Palais Royal, galeria Montpensier, de 1º. de abril de 1859 a 1º. de abril de 1860, época em que ela se instalou num local próprio, rua e passagem Sainte Anne, 59.

 

A Sociedade, formada, no princípio, de elementos pouco homogêneos e de pessoas de boa vontade que eram aceitas com relativa facilidade, teve que sofrer numerosas vicissitudes, que não foram um dos menos penosos embaraços de minha tarefa.”

 

Placa homenageando o general Espinasse:

 

  [4]

 

 Manuscrito de Allan Kardec:

 

 

Essa é a carta manuscrita de Allan Kardec é INÉDITA

Até setembro de 2008 não estava editada em nenhum livro.

 

O que dizia essa carta no idioma francês:

 

 

 

O que dizia essa carta no idioma português:

 

"Ao Sr. Prefeito de polícia da cidade de Paris.


Sr. Prefeito:


Os membros fundadores do Círculo Parisiense de Estudos Espíritas, que solicitaram junto a vós a autorização necessária para constituir-nos em Sociedade, temos a honra de pedir-vos que consistais permitir-nos reuniões preparatórias, enquanto esperamos a autorização regular. Com o mais profundo respeito, Sr. Prefeito, tenho a honra de ser vosso muito humilde e muito obediente servidor.


H. L. D. Rivail, dito Allan Kardec
Rua dos Mártires, nº. 8." [5]

 

“Outra observação digna de nota é a importante e corajosa identificação que o eminente Professor Hippolyte-Léon-Denizard-Rivail faz ao assinar a Carta com seu ilustre sobrenome e com seu digno pseudônimo respectivamente (Rivail - Kardec), oferecendo certamente o seu aval de pessoa séria e respeitada ante a autoridade municipal (Prefeito de Polícia de Paris) e nacional (Ministro do Interior), especificamente para a abertura da sociedade, na qual deveriam dispor por lei de uma autorização legal e oficial para encontro de um maior número de pessoas das que se reuniam em um Círculo.” [6]

 

No início, por cerca de seis meses, Kardec realizava as reuniões na própria residência, então situada à rua dos Mártires nº 8, junto com alguns adeptos (entre 8 a 10 pessoas), sempre às terças-feiras... O espaço era reduzido, impossibilitando o crescente número de estudiosos que ali compareciam.

 

Kardec escreve sobre a autorização por portaria

do Sr. Prefeito de Polícia na Revista Espírita de maio de 1858 [7]

 

"SOCIEDADE PARISIENSE DE ESTUDOS ESPÍRITAS.
FUNDADA EM PARIS EM 1º. DE ABRIL DE 1858.

 

E autorizada por decreto do senhor Prefeito de Polícia, sobre o aviso de Sua Excelência, senhor Ministro do Interior e da segurança geral, em data de 13 de abril de 1858.

 

A extensão, por assim dizer, universal que tomam, cada dia, as crenças espíritas, fazem desejar vivamente a criação de um centro regular de observações; essa lacuna vem de ser preenchida. A Sociedade, da qual estamos felizes por anunciar a formação, composta exclusivamente de pessoas sérias, isentas de prevenção, e animadas do desejo sincero de se esclarecerem, contou, desde o início, entre seus partidários, homens eminentes pelo saber e posição social. Ela está chamada, disso estamos convencidos, a prestar incontáveis serviços para a constatação da verdade. Seu regulamento orgânico lhe assegura homogeneidade sem a qual não há vitalidade possível; está baseada na experiência de homens e de coisas, e sobre o conhecimento das condições necessárias às observações que fazem o objeto de suas pesquisas. Os estrangeiros que se interessam pela Doutrina Espírita encontrarão, assim, vindo a Paris, um centro ao qual poderão se dirigir para se informarem, e onde poderão comunicar suas próprias observações" (7).

 

Legalizada, passou a funcionar na GALERIA DE VALOIS, até 1º. de abril do ano de 1859.

 

[4]

 

Como realizavam-se as Sessões de Estudos na SPEE

(Revista Espírita, setembro de 1858)

 

"(...)

 

A qualidade dos adeptos do Espiritismo merece uma atenção especial. São recrutados nas camadas inferiores da sociedade, entre as pessoas iletradas? Não; aqueles dele se ocupam pouco ou nada; foi pouco se dele ouviram falar. As próprias mesas girantes neles encontraram poucos praticantes. Até o presente, seus prosélitos estão nas primeiras classes da sociedade, entre as pessoas esclarecidas, os homens de saber e de raciocínio; e, coisa notável, os médicos, que durante tão longo tempo fizeram uma guerra encarniçada ao Magnetismo, se juntam sem dificuldade a essa doutrina; contamos um grande número deles, tanto na França quanto no estrangeiro, entre os nossos assinantes, em cujo número se encontra também uma maioria de homens superiores em todos os sentidos, notabilidades científicas e literárias, altos dignatários, funcionários públicos, oficiais generais, negociantes, eclesiásticos, magistrados, etc., todas pessoas sérias para dar o título de passatempo a um jornal que, como o nosso, não se considera capaz de recrear, e  ainda  menos  se  creem  nele  encontrar  fantasias.

 

 A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas não é uma prova menos evidente dessa verdade, pela escolha das pessoas que reúne; suas sessões são seguidas com um firme interesse, uma atenção religiosa, podemos mesmo dizer com avidez, e, todavia não se ocupa senão de estudos graves, sérios, frequentemente muito abstratos, e não de experiências próprias para excitarem a curiosidade. Falamos do que se passa sob os nossos olhos, mas podemos dizê-lo igualmente de todos os centros onde se ocupa do Espiritismo sob o mesmo ponto de vista, porque quase por toda parte (como os Espíritos o haviam anunciado) o período de curiosidade chega ao seu declínio. Esses fenômenos nos fazem penetrar numa ordem de coisas tão grandes, tão sublimes que, ao lado dessas graves, questões um móvel que gira ou que bate é um brinquedo de criança: é o abc da ciência.

 

Aliás, sabe-se o que se examinar agora sobre a qualidade dos Espíritos batedores, e, em geral, daqueles que produzem efeitos materiais. Eles foram justamente chamados os saltimbancos do mundo espírita; por isso interessa-se menos por eles do que por aqueles que podem nos esclarecer.

 

Podem-se assinalar, à propagação do Espiritismo, quatro fases ou períodos distintos: 

 

1. A da curiosidade, na qual os Espíritos batedores desempenharam o papel principal para chamar a atenção e preparar os caminhos.

 

2. A da observação, na qual entramos, e que pode-se chamar o período filosófico. O Espiritismo é aprofundado e se depura, tende à unidade da doutrina e se constitui em ciência.

 

Virão em seguida: 

 

3. O período da admissão, no qual o Espiritismo tomará uma categoria oficial entre as crenças universalmente reconhecidas.

 

4. O período de influência sobre a ordem social. Será então que a Humanidade, sob a  influência  dessas  ideias,  entrará  em  um  novo  caminho  moral.  Essa influência, desde hoje, é individual; mais tarde, agi sobre as massas para o bem geral.

 

Assim, de um lado, eis uma crença que se propaga no mundo inteiro por si mesma, pouco a pouco, e sem nenhum dos meios usuais de propaganda forçada; de outro, essa mesma crença que se enraíza, não na base da sociedade, mas na sua parte mais esclarecida. Não há, nesse duplo fato, alguma coisa bem característica e que deve levar à reflexão todos aqueles que ainda tratam o Espiritismo de sonho fútil. Ao contrário de muitas outras ideias  que  partem  da  base,  grosseiras  ou  desnaturadas,  e  não  penetram  senão depois de longo tempo nas camadas superiores onde se depuram, o Espiritismo parte do alto, e não chegará às massas senão liberto das ideias falsas, inseparáveis das coisas novas.

 

Todavia, é preciso convir que não ainda, em muitos adeptos, senão uma crença latente; o medo do ridículo em alguns, em outros o medo de melindrar certas suscetibilidades, em seu prejuízo, os impedem de ostentarem francamente suas opiniões; isso é pueril, sem dúvida, e todavia o compreendemos; não se pode pedir, a certos homens, o que a Natureza não lhes deu: a coragem de afrontar o Que dirão disso; mas quando o Espiritismo estiver em todas as bocas, e esse tempo não está longe, essa coragem virá aos mais tímidos. Uma mudança notável se operou, desde algum tempo, sob esse assunto; fala-se dele mais abertamente: arrisca-se, e isso faz abrir os olhos aos próprios antagonistas, que se perguntem se é prudente, no interesse de sua própria reputação, combater uma crença que, bom grado, mal grado, se infiltra por toda parte e encontra seus apoios no topo da sociedade. Também o epíteto de louco, tão largamente prodigalizado aos adeptos, começa a se tornar ridículo; é um lugar comum que se usa e volta ao trivial, porque cedo os loucos serão mais numerosos do que as pessoas sensatas, e já mais de um crítico estão alinhados ao seu lado; de resto, é o cumprimento do que os Espíritos anunciaram dizendo que: Os maiores adversários do Espiritismo dele se tornarão os mais dedicados partidários e os mais ardentes propagadores."

 

Aviso sobre a mudança da SPEE para nova sede

(Revista Espírita, janeiro de 1859)

 

"Aviso. As sessões que ocorriam às terças-feiras, ocorrem agora nas sextas-feiras, no novo local da Sociedade, rua Montpensier, 12, no Palais-Royal, às 8 horas da noite.

Os estranhos nelas não são admitidos senão na segunda e na quarta sextas-feiras, a menos com cartas pessoais de entrada. - Dirigir-se, para tudo o que concerne à Sociedade, ao senhor Allan Kardec, rua dos Mártires, 8, ou ao senhor Ledoyen, livreiro, galeria de Orléans, 31, no Palais-Royal."


ALLAN KARDEC.

 

Sobre as críticas acerbas e injuriosas

(Revista Espírita, março de 1859)

 

"(...)

 

A Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, composta de homens honrados pelo seu saber e sua posição, tanto na França quanto no Estrangeiro, médicos, literatos, artistas, funcionários, oficiais, negociantes, etc., recebendo, cada dia, as mais altas notabilidades sociais, e correspondendo com todas as partes do mundo, está acima das pequenas intrigas do ciúme e do amor-próprio; ela persegue seus trabalhos na calma e no recolhimento, sem se inquietar com piadas que não poupam mesmo as mais respeitáveis corporações.

 

 (...)"

Na passagem Sant’Ana, nº. 59

 

De 1º. de abril de 1859, até 1º. de abril de 1860, nas sextas-feiras, a SPEE funcionou na galeria MONTPENSIER, mais precisamente na passagem Sant’Ana,nº. 59.  (8)

 

[4]

 

Os objetivos da SPEE

(Revista Espírita, maio de 1859 em refutação a um artigo de "L'Universes")

 

"(...)

 

A Sociedade, da qual falais, definiu seu objetivo por seu próprio título; o nome de: Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas não se parece com nada de uma seita; tem-lhe tão pouco caráter, que seu regimento lhe interdita ocupar-se de questões religiosas; ela está alinhada na categoria de sociedades científicas porque, com efeito, seu objetivo é estudar e aprofundar todos os fenômenos que resultam das relações entre o mundo visível e o mundo invisível; ela tem seu presidente, seu secretário, seu tesoureiro, como todas as sociedades; não convida o público às suas sessões; ali não se faz nenhum discurso, nem nada que tenha o caráter de um culto qualquer. Ela procede aos seus trabalhos com calma e recolhimento, primeiro porque é uma condição necessária para as observações; segundo, porque sabe o respeito que se deve àqueles que não vivem mais na Terra. Chama-os em nome de Deus, porque crê em Deus, em seu todo poder, e sabe que nada se faz neste mundo sem a sua permissão. Abre a sua sessão por uma chamada geral aos bons Espíritos, porque, sabendo que os há bons e maus, prende-se a que estes últimos não venham misturar-se fraudulentamente às comunicações que recebem e induzi-la em erro.

 

O que isso prova?

 

Que não somos ateus; mas isso não implica, de nenhum modo, que sejamos religiosos; é do que deveria convencer-se a pessoa que vos narrou o que se faz entre nós, se ela tivesse seguido nossos trabalhos, e se, sobretudo, os julgasse menos levianamente, e talvez com espírito menos prevenido e menos apaixonado.

 

Os fatos protestam, pois, por si mesmos, contra a qualificação de nova seita que destes à Sociedade, por falta, sem dúvida, de melhor conhecê-la.  (Os grifos são de responsabilidade do A ERA DO ESPÍRITO.)

 

(...)"

 

Allan Kardec pede demissão da SPEE

(Revista Espírita, julho de 1859 - Encerramento do ano social [1858-1859])

 

"(...)

 

O interesse que se tomava por essas reuniões, era crescente, embora não se ocupasse senão de coisas muito sérias; pouco a pouco, de um e de outro, o número dos assistentes aumentava, e meu modesto salão, muito pouco propício para uma assembleia, tomou-se insuficiente. Foi então que, alguns dentre vós, propuseram se procurasse um lugar mais cômodo, e se cotizarem para subvencionar os gastos, não achando justo que eu os suportasse sozinho, como fizera até aquele momento. Mas, para se reunir regularmente, além de um certo número, e no local estranho, era necessário conformar-se às prescrições legais, era necessário um regulamento, e, consequentemente, um presidente como titular; enfim, era necessário constituir uma sociedade; o que ocorreu com o consentimento da autoridade, cuja benevolência não nos faltou. Era necessário também imprimir aos trabalhos uma direção metódica e uniforme, e consentistes em me encarregar de continuar o que fazia em minha casa, em nossas reuniões particulares.


Trouxe para minhas funções, que posso dizer laboriosas, toda a exatidão e todo o devotamento de que era capaz; do ponto de vista administrativo, esforcei-me por manter, nas sessões, uma ordem rigorosa, e dar-lhe um caráter de gravidade, sem o qual o prestígio de assembleia séria teria logo desaparecido. Agora que minha tarefa terminou, e que o impulso foi dado, devo vos participar a resolução que tomei de renunciar, para o futuro, a toda espécie de função na Sociedade, mesmo a de diretor dos estudos; não ambiciono senão um título, o de simples membro titular, com o qual estarei sempre feliz e honrado. O motivo de minha determinação está na multiplicidade dos meus trabalhos, que aumentam todos os dias em razão da extensão das minhas relações, porque além daqueles que conheceis, preparo outros mais consideráveis, que exigem longos e laboriosos estudos, e não absorverão menos de dez anos; ora, os da Sociedade não deixam de tomar muito tempo, seja para a preparação, seja para a coordenação e a cópia correta. Por outro lado, eles reclamam uma assiduidade frequentemente prejudicial às minhas ocupações pessoais, e que tomam indispensável a iniciativa, quase exclusiva, que me deixastes. Foi por causa disso, Senhores, que tive que tomar tão frequentemente a palavra, lamentando a miúdo que os membros eminentemente esclarecidos que possuímos nos privassem de suas luzes. Já há muito tempo tinha o desejo de demitir-me de minhas funções; eu o expressei, de um modo muito explícito, em diversas circunstâncias, seja aqui, seja em particular a vários de meus colegas, e notadamente ao senhor Ledoyen. Tê-lo-ia feito mais cedo sem o temor de trazer perturbação à Sociedade, retirando-me ao meio do ano, podendo se crer em uma defecção; e não era necessário dar essa satisfação aos nossos adversários. Portanto, deveria cumprir minha tarefa até o fim; mas hoje, quando esses motivos não mais existem, apresso-me em vos participar a minha resolução, a fim de não entravar a escolha que fareis. É justo que cada um tenha sua parte de encargos e de honras.

 

(...)"

 

"Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

(Revista Espírita, julho de 1859)

 

Na edição de julho de 1859 a Revista Espírita de 1859, com este anuncio: "Daqui em diante publicaremos regularmente o relato (um resumo das atas) das sessões da Sociedade. Esperávamos fazê-lo a partir deste número, mas a abundância de matérias nos obriga a adiá-lo para a próxima edição. Os sócios que não residem em Paris e os membros correspondentes poderão, assim, acompanhar os trabalhos da Sociedade." anunciava o surgimento do Boletim da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

 

Inclusive, foi relatado nesse primeiro número do boletim que apesar da limitação do espaço, foi informado que: ...apesar da intenção do que o senhor Allan Kardec havia expressado em seu discurso de encerramento de renunciar à presidência, quando da renovação da secretaria, ele foi reeleito por unanimidade com uma abstenção e um voto em branco. Acreditaria mal responder a um testemunho assim elogioso persistindo em sua recusa. Ele não aceitou, todavia, senão condicionalmente e sob a reserva expressa de renunciar às suas funções no momento que a Sociedade se encontrasse em condições de oferecer a presidência a uma pessoa cujo nome e posição social fossem de natureza a dar-lhe um maior relevo; sendo seu desejo poder consagrar todo o seu tempo aos trabalhos e aos estudos que ela demanda."

Em 4 de janeiro de 1861 foi lida na sessão particular da sociedade uma carta do sr. Kond, médico em Vancluse, lamentando que nem todas as informações das atas são publicadas integralmente na Revista Espírita. Diz ele nessa carta: “Os partidários do Espiritismo, que não podem assistir às sessões, sentem-se estranhos às questões que são estudadas e resolvidas nessa assembleia científica. Todos os meses, aguardamos com febril impaciência a chegada da Revista. Quando a recebemos, não perdemos um minuto para lê-la: lemos e relemos, pois aprendemos uma porção de problemas, dos quais jamais teríamos a solução.” Pergunta ele na carta se não haveria um meio de remediar esse inconveniente. A Sra. Costel, membro e médium da Sociedade, diz ter recebido cartas no mesmo sentido. Kardec se explica dizendo que "a reclamação especial e muito lisonjeira para nós, feita pelo Dr. K..., responderei, a princípio, que a publicação integral de tudo quanto se faz e se discute na Sociedade demandaria volumes e mais volumes. Entre as evocações que são feitas muitas há que não correspondem à expectativa ou não oferecem interesse bastante geral para serem publicadas. São conservadas nos arquivos a fim de que se possa consultá-las em caso de necessidade, limitando-se o boletim em mencioná-las. O mesmo se dá com as comunicações espontâneas: só publicamos as mais instrutivas. Quanto às questões diversas e problemas morais,..." Depois desse fato não mais foi publicado o resumo das atas da Sociedade no formato de boletins pela Revista Espírita. Assim, os boletins da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas foram divulgados pela Revista de julho de 1859 a fevereiro de 1861, quando foi publicada no boletim desse mês a carta do dr. Kond.

 

Origem, fundação, e crescimento da SPEE

(Revista Espírita,  julho de 1859 - Encerramento do ano social [1858-1859])

 

"(...)

 

Depois de um ano, a Sociedade viu crescer rapidamente sua importância; o número de membros titulares triplicou em alguns meses; tendes numerosos correspondentes nos dois continentes, e os auditores ultrapassariam o limite do possível se não se pusesse um freio pela estrita execução do regulamento. Contastes, entre estes últimos, as mais altas notabilidades sociais e mais de uma ilustração. O zelo que se toma em solicitar admissão em vossas sessões testemunha o interesse que se tem por elas, não obstante a ausência de toda experimentação destinada a satisfazer a curiosidade, e talvez mesmo em razão de sua simplicidade. Se todos não saem dela convencidos, o que seria pedir o impossível, as pessoas sérias, aquelas que não vêm com uma intenção de difamação, levam da gravidade dos vossos trabalhos uma impressão que as dispõem a aprofundar essas questões. De resto, não temos senão que aplaudir as restrições que colocamos para a admissão de ouvintes estranhos: evitamos assim a massa de curiosos importunes. A medida com a qual limitastes essa admissão a certas sessões, reservando as outras unicamente para os membros da Sociedade, resultou por vos dar maior liberdade nos estudos, que a presença de pessoas ainda não iniciadas e cujas simpatias não estão asseguradas, poderiam entravar.

 

(...)"

 

Continuação das Obras Espíritas

 (O Que é o Espiritismo (1859)) [9]

 

Sociedade para a continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec - Rua de Lille, 7

 

Visitante – Tendes uma sociedade [SPEE] que se ocupa desses estudos; ser-me-ia possível fazer parte dela?

 

A.K. – Seguramente não, para o momento. Se para ser recebido não é necessário ser doutor em Espiritismo, é preciso, ao menos, ter sobre esse assunto ideias mais sólidas que as vossas. Como ela não quer ser perturbada em seus estudos, não pode admitir aqueles que lhe viriam fazer perder seu tempo com questões elementares, nem aqueles que, não simpatizando com seus princípios e suas convicções, nela lançariam a desordem com discussões intempestivas ou um espírito de contradição. É uma sociedade científica, como tantas outras, que se ocupa em aprofundar os diferentes princípios da ciência espírita, e que busca se esclarecer. É o centro para onde convergem as informações de todas as partes do mundo, e onde se elaboram e se coordenam as questões relacionadas com o progresso da ciência; mas não é uma escola, nem um curso de ensinamentos elementares. Mais tarde, quando vossas convicções estiverem formadas pelo estudo, ela verá se poderá vos admitir. Até lá, podereis assistir, quando muito, a uma ou duas sessões como ouvinte, com a condição de nela não fazer nenhuma reflexão de natureza a magoar ninguém, sem o que, eu, que aí vos terei introduzido, me exporei à censura da parte dos meus colegas, e a porta da sociedade lhe será fechada para sempre. Vereis aí uma reunião de homens graves e de boa companhia, cuja maioria se recomenda pela superioridade do seu saber e sua posição social, e que não permitiria que aqueles que ela quer admitir se afastem, no que quer que seja, das conveniências; porque não creiais que ela convida o público e que chama a qualquer um para as suas sessões. Como não faz demonstrações, tendo em vista satisfazer a curiosidade, ela afasta com cuidado os curiosos. Portanto, aqueles que crêem aí encontrar uma distração, e uma espécie de espetáculo, ficariam desapontados e melhor fariam se a ela não se apresentassem. Eis porque ela recusa admitir, mesmo como simples ouvintes, aqueles que lhes são desconhecidos, ou cujas disposições hostis são notórias.

 

Boletim da SPEE

(Revista Espírita, agosto de 1859)

 

"Nota. A partir de hoje, publicamos, como havíamos anunciado, o Boletim dos trabalhos da Sociedade. Cada número conterá os das sessões que ocorreram no mês precedente. Esses boletins não conterão senão o resumo sucinto dos trabalhos e das atas de cada sessão; quanto às comunicações mesmas que nelas são obtidas, assim como as de origem estrangeira da qual foi feita a leitura, sempre as publicamos integralmente, todas as vezes que elas ofereçam um lado útil e instrutivo. Continuaremos a fazê-lo lembrando, como o fizemos até o presente, a data das sessões que elas ocorreram. A grande quantidade de matérias e as necessidades da classificação, freqüentemente, nos obrigam a modificar a ordem de certos documentos; mas isso não leva a nenhuma conseqüência, já que, cedo ou tarde, encontram seu lugar."

 

O objetivo da SPEE é o estudo da Ciência (Espírita)

(Revista Espírita, dezembro de 1859)

 

"(...)

 

A Sociedade não visa de nenhum modo o aumento indefinido de seus membros; ela quer, antes de tudo, prosseguir seus trabalhos com calma e recolhimento, e por isso deve evitar tudo o que poderia perturbá-la. Sendo seu objetivo o estudo da ciência, é evidente que cada um está perfeitamente livre para discutir os pontos controvertidos, e emitir sua opinião pessoal; mas outra coisa é dar seu conselho, ou chegar com ideias sistemáticas ou preconcebidas, em oposição com as bases fundamentais. Estamos reunidos para o estudo e a observação, e não para fazer de nossas sessões uma arena de controvérsias. Devemos, aliás, nos referir sobre esse ponto aos conselhos que nos foram dados, em muitas circunstâncias, pelos Espíritos que nos assistem, e que nos recomendam, sem cessar, a união como condição essencial para atingir o objetivo a que nos propusemos, e para obter seu concurso. "A união faz a força, nos dizem; sede, pois, unidos se quereis ser fortes; de outro modo corteis o risco de atrair os Espíritos levianos, que vos enganarão." Eis porque não poderíamos dar mais atenção sobre os elementos que introduzimos entre nós.

 

(...)"  

 

Sobre condutas inconvenientes nas sessões da SPEE

(Revista Espírita, dezembro de 1859)

 

"(...)

 

O senhor presidente mencionou a conduta pouco conveniente de dois auditores admitidos na última sessão geral, os quais perturbaram a tranquilidade de seus vizinhos pelas suas conversas e suas palavras deslocadas. Lembrou, a este propósito, os artigos do regulamento relativos aos ouvintes e convidou de novo os Senhores membros da Sociedade a ter uma excessiva reserva sobre a escolha de pessoas às quais dão as cartas de introdução, e sobretudo se absterem, de modo mais absoluto, de dá-las a alguém que não fosse atraído senão por um simples motivo de curiosidade, e mesmo a quem, não tendo nenhuma noção preliminar do Espiritismo, estaria, por isso mesmo, na impossibilidade de compreender o que se faz na Sociedade. As sessões da Sociedade não são um espetáculo; deve-se assistir a elas com recolhimento; e aqueles que não querem senão distrações, não devem vir procurá-las numa reunião séria.

 

(...)"

 

Alguns personagens citados nesta pesquisa

 

Napoleão III > Imperador da França, na época em que a SPEE preparava-se para ser legalizada.

 

General Espinasse > como autoridade competente, foi quem autorizou o funcionamento legal, da SPEE. Foi nomeado ao importante cargo, por Napoleão III;

 

Sr Dufaux > Por conhecer pessoalmente o Prefeito de Polícia de Paris (que era a primeira autoridade a ser contatada), foi quem se encarregou do caso “autorização” para o funcionamento regular da SPEE;

 

Srta. Ermance Dufaux > Atuava como a médium principal nas reuniões. Era filha do sr. Dufaux;

 

Sr Roze > Também médium, juntamente com Alfred Didier, Didier Filho, Forbes, Collin, Pécheur, Darcol, Flammarion, além de outros, são os mais citados por Kardec;

 

São Luiz > “Presidente-espiritual” da SPEE; Foi, na França, em encarnação passada, o rei Luiz IX. 

 

Senhor Ledoyen, livreiro, galeria de Orléans, 31, no Palais-Royal.

 

 

NOTAS E FONTES DESTA PESQUISA:

 

[1] Obras Póstumas - Allan Kardec (1869)

 

[2] Charles Marie Esprit Espinasse nasceu em 2 de abril de 1815 em Castelnaudary (Aude) e morreu em Magenta (Lombardia) 4 de junho de 1859. Foi um político francês e general. Era filho de John e Robert Germaine.

 

Entrou na Saint-Cyr em 1833 e na primavera passou a ser sub-tenente do Regimento de Infantaria da Linha 47.

 

Em 17 de janeiro de 1841, ele se tornou capitão no primeiro regimento de Caçadores e na campanha na Argélia 1835-1849 foi gravemente ferido.

 

Após a primeira metade de sua carreira na Legião Estrangeira da África passou a tenente-coronel e na expedição de Roma foi nomeado coronel da linha 42 em 2 de dezembro de 1851. Foi ele quem invadiu, a noite, a Assembleia Nacional e tomou os Questors.

 

Sucessivamente brigadeiro-general e major-general, tornou-se depois do ataque de Orsini [3], o ministro do Interior (7 de fevereiro - 14 de junho de 1858) quando por votação foi feita a famosa lei da segurança geral. Foi assessor de Napoleão III, Inspetor Geral da Infantaria em 1857 e, também, nomeado senador do Segundo Império em 14 de junho de 1858.

 

Casou-se em 1853 com Maria Festugière e tiveram três filhos: Jules, Adrienne (mulher do general Philip Fontenilliat) e Germaine.

 

Recebeu os seguintes prêmios: Cavaleiro da Legião de Honra em 1842, oficial em 1849, comandante em 1856, Ordem Papal de São Gregório Magno, Ordem de Bath (Reino Unido) e a Medalha da Crimeia de Sua Majestade a Rainha de Inglaterra.

(Fonte: fr.wikipedia.org/wiki/Charles-Marie-Esprit_Espinasse [para abrir a página use http://]).

 

Um dos comandantes de divisão MacMahon foi o intrépido major-general Charles Marie Esprit Espinasse, que levou seus soldados em Magenta, mas encontrou cadáveres e homens feridos cobrindo as ruas. Quando seu cavalo tropeçou, Epinasse disse: Não podemos ficar nesta terra. De repente, o seu segundo tenente André de Froidfond, levou um tiro no estômago e caiu contra um muro.

 

O disparo veio de uma grande casa de vários andares em uma esquina. Dezenas de corpos jaziam. Temos que levá-lo a todo custo, exclamou ele. Vamos, meus soldados, quebrar essa porta! Ele bateu o punho da sua espada contra o obturador de metal de uma janela de rés do chão e gritou: Entrem, entrem por lá! Antes que alguém pudesse fazê-lo, um tiro veio da mesma janela e atingiu Espinasse, quebrando seu braço e penetrando seus rins. Ele deixou cair a espada e também caiu mortalmente ferido. Os homens de Espinasse invadiram a casa para matar ou capturar aqueles que o mataram. Os franceses sofreram mais de 4.500 baixas em Magenta.

 

Vale saber que Espinasse tinha um cachorro branco de estimação muito fiel a ele. O animal se recusou a deixar o local onde o general caiu, exceto quando se ouviu a batida de um tambor. Em seguida, o cão saiu correndo, na esperança de encontrar o seu mestre. A população local acabou adotando o cão, que morreu alguns anos mais tarde.

(Fonte: armchairgeneral.com/forums/showthread.php?t=78740 [para abrir a página use http://www.])

 

[3] Os patriotas exigiam o auxilio da França e procuravam obtê-lo por todos os meios. Recorreram aos atentados pessoais destinados a intimidar Napoleão lII. Um deles aconteceu em 1855, conhecido como atentado de Pianori, o outro aconteceu em Paris no dia 14 de janeiro contra Napoleão III, conduzido por Felix Orsini (e mais três italianos), o imperador Napoleão III não saiu ferido, contudo, mais de cem pessoas sofreram ferimentos, algumas fatais, sendo os autores condenados à morte. As exigências continuaram em campanha jornalística de larga escala, nos principais países da Europa, e conseguiram, por fim, que o imperador francês se encontra-se com Cavour, em Plombieres no mês de julho de 1858. Napoleão III ouve os patriotas, concorda com as suas razões e promete auxiliar o rei da Sardenha, em caso de agressão da Áustria, com a condição de receber a Saboia e Nice.

Fontes: clubedosgenerais.org/portal/modules.php?name=Conteudo&pid=42

            tallerediciones.com/cuza/modules.php?name=News&file=article&sid=341

            [para abrir as páginas use http://www.])

 

[4] Revista O Reformador (FEB) – Edição Abril 2008 (Imagens)

 

[5] Federação Espírita do Paraná (FEP) feparana.com.br/kardec.php?cod_item=87 [para abrir a página use www]

 

6) Para todas as informações relativas à Sociedade, dirigir-se ao senhor ALLAN KARDEC, rua Sainte-Anne, 59, de 3 às 5 horas; ou ao senhor LEDOYEM, livreiro, galeria d'Orleans, 31, no Palais-Royal. Allan Kardec

 

[7] Coleção da Revista Espírita (1858-1859) - Allan Kardec

 

[8] A fundação da Sociedade de Estudos Espíritas Parisiense (SPEE) se deu em de abril de 1858, onde começou a funcionar na galeria de Valois, no Palais-Royal. Um ano depois e até 1º. de abril de 1860 a SPEE realizou suas sessões numa outra ala do mesmo edifício, em salão do restaurante Douix, na galeria Montpensier. A partir desta última data, a Sociedade passou a funcionar em sede própria, na passagem Sainte-Anne, na rua Sainte-Anne, 59. (Ver em WANTUIL, Zêus.; THIESEN, Francisco. Allan Kardec: pesquisa biobibliográfica e ensaios de interpretação. v. III. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998. Cap. 1, item 3, Société Parisienne des Études Spirites. (Ver  Revista O Reformador (FEB) – Edição Abril 2008)

 

[9] O Que é o Espiritismo - Allan Kardec (1859)

 

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