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Hermes Trismegisto já ensinava, no antigo
Egito, que:
“a pedra se converte em planta;
a planta em animal;
o animal em homem, em Espírito;
o Espírito em Deus.”
Ensinamento hinduísta, que remonta a milhares de
anos, oferece esta versão poética da evolução:
"a alma dorme na pedra,
(1)
sonha no vegetal,
se agita no animal
e desperta no homem."
Nesse diapasão, mas com alguma
diferença, grifa Leon Denis:
“Na planta, a inteligência
dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se
e torna-se consciente.”
PERISPÍRITO –
2ª. Edição Revista e Ampliada – Zalmino Zimmermann
O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO
E DA DOR – 18a. edição, página 123 - Léon V. Denis
(1846-1927)
http://www.guia.heu.nom.br/inteligencia_humana.htm
http://www.guia.heu.nom.br/trajetoria_evolutiva_espirito.htm
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Dentre os Espíritos que
exercem ação nos fenômenos da Natureza, alguns
operam com conhecimento de causa usando do
livre-arbítrio, outros não. Podemos estabelecer uma
comparação: consideremos essas miríades de animais
que, pouco a pouco, fazem emergir do mar ilhas e
arquipélagos. Há aí um fim providencial, pois essa
transformação da superfície do globo é necessária à
harmonia geral. Entretanto, são animais de ínfima
ordem que executam essas obras, provendo às suas
necessidades e sem suspeitarem de que são
instrumentos de Deus. Do mesmo modo, os Espíritos
mais atrasados oferecem utilidade ao conjunto.
Enquanto se
ENSAIAM
para a vida, antes que tenham PLENA
consciência de seus
atos e estejam no completo GOZO do
seu livre-arbítrio, atuam em certos fenômenos, de
que inconscientemente se constituem os agentes.
Primeiramente, executam. Mais tarde, QUANDO
suas
inteligências já
TIVEREM ALCANÇADO UM
CERTO DESENVOLVIMENTO,
ordenarão e dirigirão as coisas do mundo material.
Depois, poderão dirigir as do mundo moral.
É ASSIM QUE TUDO SERVE, QUE TUDO SE ENCADEIA NA
NATUREZA, DESDE O ÁTOMO PRIMITIVO ATÉ O ARCANJO, QUE
TAMBÉM COMEÇOU POR SER ÁTOMO. ADMIRÁVEL LEI DE
HARMONIA,
que o nosso acanhado
espírito não pode ainda apreender em seu conjunto!
(LE-540)
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Os minerais e as plantas
A divisão
da Natureza em três reinos, ou melhor, em duas
classes: a dos seres orgânicos e a dos
inorgânicos: reino mineral, reino vegetal
e reino animal, em
que segundo alguns, a espécie humana forma uma
quarta classe. Todas estas divisões são boas,
conforme o ponto de vista. Do ponto de vista
material, há apenas seres orgânicos e
inorgânicos. Do ponto de vista moral, há
evidentemente quatro classes. (LE-585)
Essas quatro classes apresentam,
com efeito, caracteres determinados, muito
embora pareçam confundir-se nos seus limites
extremos. A matéria inerte, que constitui o
reino mineral, só tem em si uma força mecânica.
As plantas, ainda que compostas de matéria
inerte, são dotadas de vitalidade. Os animais,
também compostos de matéria inerte e igualmente
dotados de vitalidade, possuem, além disso, uma
espécie de inteligência instintiva, limitada, e
a consciência de sua existência e de suas
individualidades. O homem, tendo tudo o que há
nas plantas e nos animais, domina todas as
outras classes por uma inteligência especial,
indefinida, que lhe dá a consciência do seu
futuro, a percepção das coisas extramateriais e
o conhecimento de Deus.
As plantas não têm consciência de
que existem, pois que não pensam; só têm vida
orgânica. (LE-586)
As plantas recebem impressões
físicas que atuam sobre a matéria, mas não têm
percepções. Conseguintemente, não têm a sensação
da dor. (LE-587)
Independe da vontade delas a
força que as atrai umas para as outras,
porquanto não pensam. É uma força mecânica da
matéria, que atua sobre a matéria, sem que elas
possam a isso opor-se. (LE-588)
Algumas plantas, como a sensitiva e a dionéia,
por exemplo, executam movimentos que denotam
grande sensibilidade e, em certos casos, uma
espécie de vontade, conforme se observa na
segunda, cujos lóbulos apanham a mosca que sobre
ela pousa para sugá-la, parecendo que urde uma
armadilha com o fim de capturar e matar aquele
inseto. Daí surgem perguntas como estas: São
dotadas essas plantas da faculdade de pensar?
Têm vontade e formam uma classe intermediária
entre a Natureza vegetal e Natureza animal?
Constituem a transição de uma para outra?
Responderemos que, na
natureza tudo é
transição,
por isso mesmo que uma coisa não se assemelha a
outra e, no entanto, todas se prendem umas às
outras. As plantas não pensam; por conseguinte
carecem de vontade. Nem a ostra que se abre, nem
os zoófitos pensam: têm apenas um instinto cego
e natural. (LE-589)
O organismo humano nos
proporciona exemplo de movimentos análogos, sem
participação da vontade, nas funções digestivas
e circulatórias. O piloro se contrai, ao
contacto de certos corpos, para lhes negar
passagem. O mesmo provavelmente se dá na
sensitiva, cujos movimentos de nenhum modo
implicam a necessidade de percepção e, ainda
menos, da vontade.
Nas plantas há uma espécie de
instinto, dependendo isso da extensão que se dê
ao significado desta palavra. É, porém, um
instinto puramente mecânico. Quando, nas
operações químicas, observais que dois corpos se
reúnem, é que um ao outro convém; quer dizer: é
que há entre eles afinidade, e a isto não damos
o nome de instinto. (LE-590)
Nos mundos superiores tudo é mais
perfeito. As plantas, porém, são sempre plantas,
como os animais sempre animais e os homens
sempre homens. (LE-591)
Os animais e o homem
Pelo que toca à inteligência,
comparando o homem e os animais, parece difícil
estabelecer-se uma linha de demarcação entre
aquele e estes, porquanto alguns animais
mostram, sob esse aspecto, notória superioridade
sobre certos homens. A este respeito é completo
o desacordo entre os nossos filósofos. Querem
uns que o homem seja um animal e outros que o
animal seja um homem. Estão todos em erro. O
homem é um ser à parte, que desce muito baixo
algumas vezes e que pode também elevar-se muito
alto. Pelo físico, é como os animais e menos bem
dotado do que muitos destes (a Natureza lhes deu
tudo o que o homem é obrigado a inventar com a
sua inteligência, para satisfação de suas
necessidades e para sua conservação). Seu corpo
se destrói, como o dos animais, é certo, mas ao
seu Espírito está assinado um destino que só ele
pode compreender, porque só ele é inteiramente
livre. Os homens não se devem rebaixar mais do
que os brutos! Devem saber distinguirem-se
deles. Reconhece-se o homem pela faculdade de
pensar
em Deus. (LE-592)
Dizer que os animais só obram por instinto não é
adequado. É verdade que na maioria dos animais
domina o instinto, mas pode-se observar que
MUITOS OBRAM
DENOTANDO ACENTUADA VONTADE,
é que têm inteligência, porém limitada.
(LE-593)
Não se poderia negar que, além de
possuírem o instinto, alguns animais praticam
atos combinados, que denunciam vontade de operar
em determinado sentido e de acordo com as
circunstâncias. Há, pois, neles, uma espécie de
inteligência, mas cujo exercício quase que se
circunscreve à utilização dos meios de
satisfazerem às suas necessidades físicas e de
proverem à conservação própria. Nada, porém,
criam, nem melhora alguma realizam. Qualquer que
seja a arte com que executem seus trabalhos,
fazem hoje o que faziam outrora e o fazem, nem
melhor, nem pior, segundo formas e proporções
constantes e invariáveis. A cria, separada dos
de sua espécie, não deixa por isso de construir
o seu ninho de perfeita conformidade com os seus
maiores, sem que tenha recebido nenhum ensino. O
desenvolvimento intelectual de alguns, que se
mostram suscetíveis de certa educação,
desenvolvimento, aliás, que não pode ultrapassar
acanhados limites, é devido à ação do homem
sobre uma natureza maleável, porquanto não há aí
progresso que lhe seja próprio. Mesmo o
progresso que realizam pela ação do homem é
efêmero e puramente individual, visto que,
entregue a si mesmo, não tarda que o animal
volte a encerrar-se nos limites que lhe traçou a
Natureza.
Os animais não possuem uma
linguagem formada de sílabas e palavras. Porém,
possuem um meio de se comunicarem entre si.
Dizem uns aos outros muito mais coisas do que
podemos imaginar, Mas, essa mesma linguagem de
que dispõem é restrita às necessidades, como
restritas também são as idéias que podem ter.
Entretanto, há animais que carecem de voz. Esses
parece que nenhuma linguagem usam, contudo
compreendem-se por outros meios. Para se
comunicar reciprocamente, o homem não dispõe só
da palavra, mas também de outros meios, assim
como os mudos. Facultada lhes sendo a vida de
relação, os animais possuem meios de se
prevenirem e de exprimirem as sensações que
experimentam. Os peixes também se entendem entre
si. O homem não goza do privilégio exclusivo da
linguagem. Porém, a dos animais é instintiva e
circunscrita pelas suas necessidades e idéias,
ao passo que a do homem é perfectível e se
presta a todas as concepções da sua
inteligência. (LE-594)
Efetivamente, os peixes que, como
as andorinhas, emigram em cardumes, obedientes
ao guia que os conduz, devem ter meios de se
advertirem, de se entenderem e combinarem. É
possível que disponham de uma vista mais
penetrante e esta lhes permita perceber os
sinais que mutuamente façam. Pode ser também que
tenham na água um veículo próprio para a
transmissão de certas vibrações. Como quer que
seja, o que é incontestável é que lhes não
falecem meios de se entenderem, do mesmo modo
que a todos os animais carentes de voz e que,
não obstante, trabalham em comum. Diante disso,
que admiração pode causar que os Espíritos entre
si se comuniquem sem o auxílio da palavra
articulada?
OS
ANIMAIS NÃO SÃO SIMPLES MÁQUINA.
Contudo, a liberdade de ação, de que desfrutam,
é limitada pelas suas necessidades e não se pode
comparar à do homem. Sendo muitíssimo inferiores
a este, não têm os mesmos deveres que ele. A
liberdade que possuem é restrita aos atos da
vida material. (LE-595)
A aptidão que certos animais
denotam para imitar a linguagem do homem, que
parece se revelar mais nas aves do que no
macaco, cuja estrutura apresenta mais analogia
com a humana, origina-se de uma particular
conformação dos órgãos vocais, reforçada pelo
instinto de imitação. O macaco imita os gestos;
algumas aves imitam a voz. (LE-596)
Os
animais possuem uma inteligência que lhes
faculta certa liberdade de ação, pois
HÁ NELES ALGUM
PRINCÍPIO INDEPENDENTE DA MATÉRIA E QUE
SOBREVIVE AO CORPO.
Podemos dizer que é uma alma, dependendo do
sentido que se der a esta palavra. É, porém,
inferior à do homem. Há entre a alma dos animais
e a do homem distância equivalente à que medeia
entre a alma do homem e Deus. (LE-597)
Após
a morte, A ALMA
DOS ANIMAIS CONSERVA A SUA INDIVIDUALIDADE,
mas quanto à CONSCIÊNCIA
do seu EU,
NÃO.
A VIDA
INTELIGENTE LHE PERMANECE EM ESTADO LATENTE.
(LE-598)
À alma dos
animais não é dado escolher a espécie de animal
em que encarne, pois que lhe falta
livre-arbítrio. (LE-599)
Sobrevivendo ao corpo em que
habitou, a alma do animal fica numa espécie de
erraticidade, pois que não mais se acha unida ao
corpo, mas não é um Espírito errante. O Espírito
errante é um ser que pensa e obra por sua livre
vontade. De idêntica faculdade não dispõe o dos
animais. A consciência de si mesmo é o que
constitui o principal atributo do Espírito. O do
animal, depois da morte, é classificado pelos
Espíritos a quem incumbe essa tarefa e utilizado
quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de
entrar em relação com outras criaturas. (LE-600)
OS
ANIMAIS ESTÃO SUJEITOS, COMO O HOMEM, A UMA LEI
PROGRESSIVA,
e daí vem que nos mundos superiores, onde os
homens são mais adiantados, os animais também o
são, dispondo de meios mais amplos de
comunicação. São sempre, porém, inferiores ao
homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o
homem servidores inteligentes. (LE-601)
Nada há nisso de extraordinário;
tomemos os nossos mais inteligentes animais, o
cão, o elefante, o cavalo, e imaginemo-los
dotados de uma conformação apropriada a
trabalhos manuais. Que não fariam sob a direção
do homem?
Os animais progridem pela força
das coisas, razão por que não estão sujeitos à
expiação. (LE-602)
Nos mundos superiores, os animais
não conhecem a Deus. Para eles o homem é um
deus, como outrora os Espíritos eram deuses para
o homem. (LE-603)
TUDO NA
NATUREZA SE ENCADEIA POR ELOS QUE AINDA NÃO
PODEMOS APREENDER MUITO BEM. Assim,
as coisas aparentemente mais díspares têm pontos
de contacto que o homem, no seu estado atual,
nunca chegará a compreender. Por um esforço da
inteligência poderá entrevê-los; mas, somente
quando essa inteligência estiver no máximo grau
de desenvolvimento e liberta dos preconceitos do
orgulho e da ignorância, logrará ver claro na
obra de Deus. Até lá, suas muito restritas
idéias lhe farão observar as coisas por um
mesquinho e acanhado prisma. Não é possível que
Deus se contradiga pois,
NA NATUREZA, TUDO SE
HARMONIZA MEDIANTE LEIS GERAIS,
que por nenhum de seus pontos deixam de
corresponder à sublime sabedoria do Criador. A
inteligência é uma propriedade comum, um ponto
de contacto entre a alma dos animais e a do
homem, porém
OS ANIMAIS SÓ
POSSUEM A INTELIGÊNCIA DA VIDA MATERIAL. NO
HOMEM, A INTELIGÊNCIA PROPORCIONA A VIDA MORAL.
(LE-604)
Considerando-se
todos os pontos de contacto que existem entre o
homem e os animais, não é lícito pensar que o
homem possui duas almas. Dupla, no homem, só a
Natureza. O corpo, porém, tem seus instintos,
resultantes da sensação peculiar aos órgãos. Há
nele a natureza animal e a natureza espiritual.
Participa, pelo seu corpo, da natureza dos
animais e de seus instintos. Por sua alma,
participa da dos Espíritos. Quanto mais inferior
é o Espírito, tanto mais apertados são os laços
que o ligam à matéria. Como já dissemos, o homem
não tem duas almas; a alma é sempre única
em cada ser. São distintas uma
da outra a alma do animal e a do homem, a tal
ponto que a de um não pode animar o corpo criado
para o outro. Mas, conquanto não tenha alma
animal, que, por suas paixões, o nivele aos
animais, o homem tem o corpo que, às vezes, o
rebaixa até ao nível deles, por isso que o corpo
é um ser dotado de vitalidade e de instintos,
porém ininteligentes estes e restritos ao
cuidado que a sua conservação requer. (LE-605)
Encarnado no corpo do homem, o
Espírito lhe traz o princípio intelectual e
moral, que o torna superior aos animais. As duas
naturezas nele existentes dão às suas paixões
duas origens diferentes: umas provêm dos
instintos da natureza animal, provindo as outras
das impurezas do Espírito, de cuja encarnação é
ele a imagem e que mais ou menos simpatiza com a
grosseria dos apetites animais. Purificando-se,
o Espírito se liberta pouco a pouco da
influência da matéria. Sob essa influência,
aproxima-se do bruto. Isento dela, eleva-se à
sua verdadeira destinação.
Os
animais tiram o princípio inteligente que
constitui a alma de natureza especial de que são
dotados do elemento inteligente universal. A
inteligência do homem e a dos animais emanam de
um único princípio, porém, no homem, passou por
uma elaboração que a coloca acima da que existe
no animal. (LE-606) O estado da alma na sua primeira encarnação é o
da infância na vida corporal. A inteligência
apenas desabrocha: a alma se ensaia para a vida.
O Espírito passa essa primeira fase do seu
desenvolvimento numa série de existências que
precedem o período a que chamamos Humanidade. Na
Natureza tudo se encadeia e tende para a
unidade. Nesses seres, cuja totalidade estamos
longe de conhecer, é que o princípio inteligente
se elabora, se individualiza pouco a pouco e se
ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer.
É, de certo modo, um trabalho preparatório, como
o da germinação, por efeito do qual o princípio
inteligente sofre uma transformação e se torna
Espírito. Entra então no período da humanização,
começando a ter consciência do seu futuro,
capacidade de distinguir o bem do mal e a
responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da
infância se segue a da adolescência, vindo
depois a da juventude e da madureza. Nessa
origem, coisa alguma há de humilhante para o
homem. Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios
por terem sido fetos informes nas entranhas que
os geraram? Se alguma coisa há que lhe seja
humilhante, é a sua inferioridade perante Deus e
sua impotência para Lhe sondar a profundeza dos
desígnios e para apreciar a sabedoria das leis
que regem a harmonia do Universo. A
GRANDEZA DE DEUS
se reconhece nessa
ADMIRÁVEL HARMONIA,
mediante a qual TUDO É SOLIDÁRIO NA NATUREZA
(1). Acreditar que Deus haja feito, seja o que
for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem
futuro, fora blasfemar da Sua bondade, que se
estende por sobre todas as Suas criaturas. A
Terra não é o ponto de partida da primeira
encarnação humana. O período da humanização
começa, geralmente, em mundos ainda inferiores à
Terra. Isto, entretanto, não constitui regra
absoluta, pois pode suceder que um Espírito,
desde o seu início humano, esteja apto a viver
na Terra. Não é freqüente o caso; constitui
antes uma exceção. (LE-190 e 607)
190. Qual é o estado da alma
em sua primeira encarnação?
R: O estado da infância na vida corpórea. Sua
inteligência apenas desabrocha: ela ensaia para a vida.
-------------------
(1) «NÃO ESQUEÇAIS NUNCA
de que o Espírito,
QUALQUER QUE SEJA O GRAU DE SEU ADIANTAMENTO,
na situação de encarnado, ou na erraticidade,
está sempre colocado entre um superior, que o
guia e aperfeiçoa, e um inferior, para com o
qual tem que cumprir esses mesmos deveres.»
SÃO VICENTE DE PAULO, in
O LIVRO DOS
ESPÍRITOS, q. 888a, obra
codificada por Allan Kardec
-------------------
O Espírito do homem não tem, após
a morte, consciência de suas existências
anteriores ao período de humanidade, pois é
desse período que começa a sua vida de Espírito.
Difícil mesmo é que se lembre de suas primeiras
existências humanas, como difícil é que o homem
se lembre dos primeiros tempos de sua infância e
ainda menos do tempo que passou no seio materno.
Essa a razão por que os Espíritos dizem que não
sabem como começaram. (LE-608 e 78)
78. Os Espíritos tiveram
princípio ou existem de toda a eternidade?
R: Se os Espíritos não tivessem tido princípio, seriam
iguais a Deus, mas pelo contrário, são sua criação,
submetidos à sua vontade. Deus existe de toda a eternidade,
isso é incontestável: mas quando e como ele criou, não o
sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio, se com isso
entendes que Deus, sendo eterno, deve ter criado sem cessar;
mas quando e como cada um de nós foi feito, eu te repito,
ninguém o sabe; isso é mistério.
Conforme a distância que medeie
entre os dois períodos e o progresso realizado,
durante algumas gerações, pode o homem conservar
vestígios mais ou menos pronunciados do estado
primitivo, porquanto nada se opera na Natureza
por brusca transição. Há sempre anéis que ligam
as extremidades da cadeia dos seres e dos
acontecimentos. Aqueles vestígios, porém, se
apagam com o desenvolvimento do livre-arbítrio.
Os primeiros progressos só muito lentamente se
efetuam, porque ainda não têm a secundá-los a
vontade. Vão em progressão mais rápida, à medida
que o Espírito adquire perfeita consciência de
si mesmo. (LE-609)
Os Espíritos que disseram
constituir o homem um ser à parte na ordem da
criação não se enganaram, mas a questão não fora
desenvolvida. Demais, há coisas que só a seu
tempo podem ser esclarecidas. O homem é, com
efeito, um ser à parte, visto possuir faculdades
que o distinguem de todos os outros e ter outro
destino. A espécie humana é a que Deus escolheu
para a encarnação do seres que podem
conhecê-Lo. (LE-610)
Metempsicose
-
O terem os seres
vivos uma origem comum no princípio inteligente
não é a consagração da doutrina da metempsicose.
Duas coisas podem ter a mesma origem e
absolutamente não se assemelharem mais tarde.
Quem reconheceria a árvore, com suas folhas,
flores e frutos, do gérmen informe que se contém
na semente donde ela surge? Desde que o
princípio inteligente atinge o grau necessário
para ser Espírito e entrar no período da
humanização, já não guarda relação com o seu
estado primitivo e já não é a alma dos animais,
como a árvore já não é a semente. De animal só
há no homem o corpo e as paixões que nascem da
influência do corpo e do instinto de conservação
inerente à matéria. Não se pode, pois, dizer que
tal homem é a encarnação do Espírito de tal
animal. Conseguintemente, a metempsicose, como a
entendem, não é verdadeira. (LE-611)
O Espírito que animou o corpo de
um homem não poderia encarnar num animal, pois
isso seria retrogradar e o Espírito não
retrograda. O rio não remonta à sua nascente. Os
Espíritos não podem degenerar; à medida que
avançam, compreendem o que os distanciava da
perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica
com a ciência que daí lhe veio e não a esquece.
Pode permanecer estacionário, mas não
retrograda. (LE-612 e 118)
118. Os Espíritos podem
degenerar?
R:
Não. A medida que avançam,
compreendem o que os afasta da perfeição. Quando o Espírito
conclui uma prova, adquiriu conhecimento e não mais o perde.
Pode permanecer estacionado, mas não retrogradar.
Tanto na idéia ligada à
metempsicose, como em muitas outras crenças, se
depara esse sentimento intuitivo. O homem,
porém, o desnaturou, como costuma fazer com a
maioria de suas idéias intuitivas. (LE-613)
Seria
verdadeira a metempsicose, se indicasse a
progressão da alma, passando de um estado a
outro superior, onde adquirisse desenvolvimentos
que lhe transformassem a natureza. É, porém,
falsa no sentido de transmigração direta da alma
do animal para o homem e reciprocamente, o que
implicaria a idéia de uma retrogradação, ou de
fusão. Ora, o fato de não poder semelhante fusão
operar-se entre os seres corporais das duas
espécies, mostra que estas são de graus
inassimiláveis, devendo dar-se o mesmo com
relação aos Espíritos que as animam. Se um mesmo
Espírito as pudesse animar alternativamente,
haveria, como conseqüência, uma identidade de
natureza, traduzindo-se pela possibilidade da
reprodução material.
A
reencarnação, como os Espíritos a ensinam, se
funda, ao contrário, na marcha ascendente da
Natureza e na progressão do homem, dentro da sua
própria espécie, o que em nada lhe diminui a
dignidade. O que o rebaixa é o mau uso que ele
faz das faculdades que Deus lhe outorgou para
que progrida. Seja como for, a ancianidade e a
universalidade da doutrina da metempsicose e,
bem assim, a circunstância de a terem professado
homens eminentes, provam que o princípio da
reencarnação se radica na própria Natureza.
Antes, pois, constituem argumentos a seu favor,
que contrários a esse princípio.
O ponto
inicial do Espírito é uma dessas questões que se
prendem à origem das coisas e de que Deus guarda
o segredo. Dado não é ao homem conhecê-las de
modo absoluto, nada mais lhe sendo possível a
tal respeito do que fazer suposições, criar
sistemas mais ou menos prováveis. Os próprios
Espíritos longe estão de tudo saberem e, acerca
do que não sabem, também podem ter opiniões
pessoais mais ou menos sensatas.
É assim,
por exemplo, que nem todos pensam da mesma forma
quanto às relações existentes entre o homem e os
animais. Segundo uns, o Espírito não chega ao
período humano senão depois de se haver
elaborado e individualizado nos diversos graus
dos seres inferiores da Criação. Segundo outros,
o Espírito do homem teria pertencido sempre à
raça humana, sem passar pela fieira animal. O
primeiro desses sistemas apresenta a vantagem de
assinar um alvo ao futuro dos animais, que
formariam então os primeiros elos da cadeia dos
seres pensantes. O segundo é mais conforme à
dignidade do homem e pode resumir-se da maneira
seguinte:
As
diferentes espécies de animais não procedem
intelectualmente umas das outras, mediante
progressão. Assim, o espírito da ostra não se
torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do
quadrúpede e do quadrúmano. Cada espécie
constitui, física e moralmente, um tipo
absoluto, cada um de cujos indivíduos haure na
fonte universal a quantidade do princípio
inteligente que lhe seja necessário, de acordo
com a perfeição de seus órgãos e com o trabalho
que tenha de executar nos fenômenos da Natureza,
quantidade que ele, por sua morte, restitui ao
reservatório donde a tirou. Os dos mundos mais
adiantados que o nosso (*) constituem igualmente
raças distintas, apropriadas às necessidades
desses mundos e ao grau de adiantamento dos
homens, cujos auxiliares eles são, mas de modo
nenhum procedem das da Terra, espiritualmente
falando. Outro tanto não se dá com o homem. Do
ponto de vista físico, este forma evidentemente
um elo da cadeia dos seres vivos: porém, do
ponto de vista moral, há, entre o animal e o
homem, solução de continuidade. O homem possui,
como propriedade sua, a alma ou Espírito,
centelha divina que lhe confere o senso moral e
um alcance intelectual de que carecem os animais
e que é nele o ser principal, que preexiste e
sobrevive ao corpo, conservando sua
individualidade. Qual a origem do Espírito? Onde
o seu ponto inicial? Forma-se do princípio
inteligente individualizado? Tudo isso são
mistérios que fora inútil querer devassar e
sobre os quais, como dissemos, nada mais se pode
fazer do que construir sistemas. O que é
constante, o que ressalta do raciocínio e da
experiência, é a sobrevivência do Espírito, a
conservação de sua individualidade após a morte,
a progressividade de suas faculdades, seu estado
feliz ou desgraçado de acordo com o seu
adiantamento na senda do bem e todas as verdades
morais decorrentes deste princípio.
Quanto
às relações misteriosas que existem entre o
homem e os animais, isso, repetimos, está nos
segredos de Deus, como muitas outras coisas,
cujo conhecimento atual nada importa ao nosso
progresso e sobre as quais seria inútil
determo-nos.
(*) Os Espíritos puros habitam mundos especiais,
mas não lhes ficam presos, como os homens à
Terra; podem, melhor do que os outros, estar em
toda parte. (LE-188)
* * *
Livros, artigos e
estudos relacionados:
http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/SOBRE_OS_ANIMAIS.html
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosPN/A_ALMA_DORME_NA_PEDRA_PN.html
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/MINERAIS_NOSSOS_IRMAOS_RC.html
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/AS_CAUSAS_DO_INSTINTO_RC.html
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/A_TENUE_FRONTEIRA_RC.html
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/OS_DIV_CAM_DA_EVO_ANIM_RC.html
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/REGISTROS_INDELEVEIS_RC.html
http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/ACAO_DOS_ESP_FEN_NAT.html
http://www.aeradoespirito.net/ArtigosEM/O_UNIV_A_SOLID_PROGR.html
http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_INTR_LE.html
http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/MEDIUNS_SEM_O_SABER.html
http://www.aeradoespirito.net/JHerculanoPires/JHerculanoPiresCursoDinamicodeEspiritismo.pdf
http://www.aeradoespirito.net/JHerculanoPires/JHerculanoPiresOMisteriodoSeranteaDoreaMorte.pdf
http://www.aeradoespirito.net/JHerculanoPires/JHerculanoPiresEducacaoparaaMorte.pdf
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