Estudo

Pesquisa com base in O LIVRO DOS ESPÍRITOS, Livro II, Cap. XI, itens de 585 à 613 (A. Kardec).

 

Colaborou com o desenvolvimento ortográfico deste texto

Maria Luiza Palha

Pesquisa: Elio Mollo

(Atualizado em 01/08/2011)

DOS TRÊS REINOS

 

 

 

Hermes Trismegisto já ensinava, no antigo Egito, que:
 

“a pedra se converte em planta;
a planta em animal;
o animal em homem, em Espírito;
o Espírito em Deus.”

 

Ensinamento hinduísta, que remonta a milhares de anos, oferece esta versão poética da evolução: 

 

"a alma dorme na pedra, (1)

sonha no vegetal,

se agita no animal

e desperta no homem."

 

Nesse diapasão, mas com alguma diferença, grifa Leon Denis: 

 

“Na planta, a inteligência dormita; no animal, sonha; só no homem acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente.”

 

PERISPÍRITO – 2ª.  Edição Revista e Ampliada – Zalmino Zimmermann
O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR – 18a. edição, página 123 - Léon V. Denis (1846-1927)

http://www.guia.heu.nom.br/inteligencia_humana.htm

http://www.guia.heu.nom.br/trajetoria_evolutiva_espirito.htm

 

---------------

Dentre os Espíritos que exercem ação nos fenômenos da Natureza, alguns operam com conhecimento de causa usando do livre-arbítrio, outros não. Podemos estabelecer uma comparação: consideremos essas miríades de animais que, pouco a pouco, fazem emergir do mar ilhas e arquipélagos. Há aí um fim providencial, pois essa transformação da superfície do globo é necessária à harmonia geral. Entretanto, são animais de ínfima ordem que executam essas obras, provendo às suas necessidades e sem suspeitarem de que são instrumentos de Deus. Do mesmo modo, os Espíritos mais atrasados oferecem utilidade ao conjunto.


Enquanto se ENSAIAM para a vida, antes que tenham PLENA consciência de seus atos e estejam no completo GOZO do seu livre-arbítrio, atuam em certos fenômenos, de que inconscientemente se constituem os agentes. Primeiramente, executam. Mais tarde, QUANDO suas inteligências já TIVEREM ALCANÇADO UM CERTO DESENVOLVIMENTO, ordenarão e dirigirão as coisas do mundo material. Depois, poderão dirigir as do mundo moral.

 

É ASSIM QUE TUDO SERVE, QUE TUDO SE ENCADEIA NA NATUREZA, DESDE O ÁTOMO PRIMITIVO ATÉ O ARCANJO, QUE TAMBÉM COMEÇOU POR SER ÁTOMO. ADMIRÁVEL LEI DE HARMONIA, que o nosso acanhado espírito não pode ainda apreender em seu conjunto! (LE-540)

---------------

 

Os minerais e as plantas

 

A divisão da Natureza em três reinos, ou melhor, em duas classes: a dos seres orgânicos e a dos inorgânicos: reino mineral,  reino vegetal e reino animal,  em que segundo alguns, a espécie humana forma uma quarta classe. Todas estas divisões são boas, conforme o ponto de vista. Do ponto de vista material, há apenas seres orgânicos e inorgânicos. Do ponto de vista moral, há evidentemente quatro classes. (LE-585)


Essas quatro classes apresentam, com efeito, caracteres determinados, muito embora pareçam confundir-se nos seus limites extremos. A matéria inerte, que constitui o reino mineral, só tem em si uma força mecânica. As plantas, ainda que compostas de matéria inerte, são dotadas de vitalidade. Os animais, também compostos de matéria inerte e igualmente dotados de vitalidade, possuem, além disso, uma espécie de inteligência instintiva, limitada, e a consciência de sua existência e de suas individualidades. O homem, tendo tudo o que há nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial, indefinida, que lhe dá a consciência do seu futuro, a percepção das coisas extramateriais e o conhecimento de Deus.


As plantas não têm consciência de que existem, pois que não pensam; só têm vida orgânica. (LE-586)


As plantas recebem impressões físicas que atuam sobre a matéria, mas não têm percepções. Conseguintemente, não têm a sensação da dor. (LE-587)


Independe da vontade delas a força que as atrai umas para as outras, porquanto não pensam. É uma força mecânica da matéria, que atua sobre a matéria, sem que elas possam a isso opor-se. (LE-588)


Algumas plantas, como a sensitiva e a dionéia, por exemplo, executam movimentos que denotam grande sensibilidade e, em certos casos, uma espécie de vontade, conforme se observa na segunda, cujos lóbulos apanham a mosca que sobre ela pousa para sugá-la, parecendo que urde uma armadilha com o fim de capturar e matar aquele inseto. Daí surgem perguntas como estas: São dotadas essas plantas da faculdade de pensar? Têm vontade e formam uma classe intermediária entre a Natureza vegetal e Natureza animal? Constituem a transição de uma para outra? Responderemos que, na natureza tudo é transição, por isso mesmo que uma coisa não se assemelha a outra e, no entanto, todas se prendem umas às outras. As plantas não pensam; por conseguinte carecem de vontade. Nem a ostra que se abre, nem os zoófitos pensam: têm apenas um instinto cego e natural. (LE-589)


O organismo humano nos proporciona exemplo de movimentos análogos, sem participação da vontade, nas funções digestivas e circulatórias. O piloro se contrai, ao contacto de certos corpos, para lhes negar passagem. O mesmo provavelmente se dá na sensitiva, cujos movimentos de nenhum modo implicam a necessidade de percepção e, ainda menos, da vontade.


Nas plantas há uma espécie de instinto, dependendo isso da extensão que se dê ao significado desta palavra. É, porém, um instinto puramente mecânico. Quando, nas operações químicas, observais que dois corpos se reúnem, é que um ao outro convém; quer dizer: é que há entre eles afinidade, e a isto não damos o nome de instinto. (LE-590)


Nos mundos superiores tudo é mais perfeito. As plantas, porém, são sempre plantas, como os animais sempre animais e os homens sempre homens. (LE-591)


Os animais e o homem


Pelo que toca à inteligência, comparando o homem e os animais, parece difícil estabelecer-se uma linha de demarcação entre aquele e estes, porquanto alguns animais mostram, sob esse aspecto, notória superioridade sobre certos homens. A este respeito é completo o desacordo entre os nossos filósofos. Querem uns que o homem seja um animal e outros que o animal seja um homem. Estão todos em erro. O homem é um ser à parte, que desce muito baixo algumas vezes e que pode também elevar-se muito alto. Pelo físico, é como os animais e menos bem dotado do que muitos destes (a Natureza lhes deu tudo o que o homem é obrigado a inventar com a sua inteligência, para satisfação de suas necessidades e para sua conservação). Seu corpo se destrói, como o dos animais, é certo, mas ao seu Espírito está assinado um destino que só ele pode compreender, porque só ele é inteiramente livre. Os homens não se devem rebaixar mais do que os brutos! Devem saber  distinguirem-se deles. Reconhece-se o homem pela faculdade de pensar em Deus. (LE-592)


Dizer que os animais só obram por instinto não é adequado. É verdade que na maioria dos animais domina o instinto, mas pode-se observar que MUITOS OBRAM DENOTANDO ACENTUADA VONTADE, é que têm inteligência, porém limitada. (LE-593) 


Não se poderia negar que, além de possuírem o instinto, alguns animais praticam atos combinados, que denunciam vontade de operar em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. Há, pois, neles, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria. Nada, porém, criam, nem melhora alguma realizam. Qualquer que seja a arte com que executem seus trabalhos, fazem hoje o que faziam outrora e o fazem, nem melhor, nem pior, segundo formas e proporções constantes e invariáveis. A cria, separada dos de sua espécie, não deixa por isso de construir o seu ninho de perfeita conformidade com os seus maiores, sem que tenha recebido nenhum ensino. O desenvolvimento intelectual de alguns, que se mostram suscetíveis de certa educação, desenvolvimento, aliás, que não pode ultrapassar acanhados limites, é devido à ação do homem sobre uma natureza maleável, porquanto não há aí progresso que lhe seja próprio. Mesmo o progresso que realizam pela ação do homem é efêmero e puramente individual, visto que, entregue a si mesmo, não tarda que o animal volte a encerrar-se nos limites que lhe traçou a Natureza.


Os animais não possuem uma linguagem formada de sílabas e palavras. Porém, possuem um meio de se comunicarem entre si. Dizem uns aos outros muito mais coisas do que podemos imaginar, Mas, essa mesma linguagem de que dispõem é restrita às necessidades, como restritas também são as idéias que podem ter. Entretanto, há animais que carecem de voz. Esses parece que nenhuma linguagem usam, contudo compreendem-se por outros meios. Para se comunicar reciprocamente, o homem não dispõe só da palavra, mas também de outros meios, assim como os mudos. Facultada lhes sendo a vida de relação, os animais possuem meios de se prevenirem e de exprimirem as sensações que experimentam. Os peixes também se entendem entre si. O homem não goza do privilégio exclusivo da linguagem. Porém, a dos animais é instintiva e circunscrita pelas suas necessidades e idéias, ao passo que a do homem é perfectível e se presta a todas as concepções da sua inteligência. (LE-594)


Efetivamente, os peixes que, como as andorinhas, emigram em cardumes, obedientes ao guia que os conduz, devem ter meios de se advertirem, de se entenderem e combinarem. É possível que disponham de uma vista mais penetrante e esta lhes permita perceber os sinais que mutuamente façam. Pode ser também que tenham na água um veículo próprio para a transmissão de certas vibrações. Como quer que seja, o que é incontestável é que lhes não falecem meios de se entenderem, do mesmo modo que a todos os animais carentes de voz e que, não obstante, trabalham em comum. Diante disso, que admiração pode causar que os Espíritos entre si se comuniquem sem o auxílio da palavra articulada?


OS ANIMAIS NÃO SÃO SIMPLES MÁQUINA. Contudo, a liberdade de ação, de que desfrutam, é limitada pelas suas necessidades e não se pode comparar à do homem. Sendo muitíssimo inferiores a este, não têm os mesmos deveres que ele. A liberdade que possuem é restrita aos atos da vida material. (LE-595) 


A aptidão que certos animais denotam para imitar a linguagem do homem, que parece se revelar mais nas aves do que no macaco, cuja estrutura apresenta mais analogia com a humana, origina-se de uma particular conformação dos órgãos vocais, reforçada pelo instinto de imitação. O macaco imita os gestos; algumas aves imitam a voz. (LE-596)


Os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, pois HÁ NELES ALGUM PRINCÍPIO INDEPENDENTE DA MATÉRIA E QUE SOBREVIVE AO CORPO. Podemos dizer que é uma alma, dependendo do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus. (LE-597)


Após a morte, A ALMA DOS ANIMAIS CONSERVA A SUA INDIVIDUALIDADE, mas quanto à CONSCIÊNCIA do seu EU, NÃOA VIDA INTELIGENTE LHE PERMANECE EM ESTADO LATENTE. (LE-598)


À alma dos animais não é dado escolher a espécie de animal em que encarne, pois que lhe falta livre-arbítrio.  (LE-599)


Sobrevivendo ao corpo em que habitou, a alma do animal fica numa espécie de erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. De idêntica faculdade não dispõe o dos animais. A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas. (LE-600)

 

OS ANIMAIS ESTÃO SUJEITOS, COMO O HOMEM, A UMA LEI PROGRESSIVA, e daí vem que nos mundos superiores, onde os homens são mais adiantados, os animais também o são, dispondo de meios mais amplos de comunicação. São sempre, porém, inferiores ao homem e se lhe acham submetidos, tendo neles o homem servidores inteligentes.  (LE-601)


Nada há nisso de extraordinário; tomemos os nossos mais inteligentes animais, o cão, o elefante, o cavalo, e imaginemo-los dotados de uma conformação apropriada a trabalhos manuais. Que não fariam sob a direção do homem?


Os animais progridem pela força das coisas, razão por que não estão sujeitos à expiação. (LE-602)


Nos mundos superiores, os animais não conhecem a Deus. Para eles o homem é um deus, como outrora os Espíritos eram deuses para o homem. (LE-603)


TUDO NA NATUREZA SE ENCADEIA POR ELOS QUE AINDA NÃO PODEMOS APREENDER MUITO BEM. Assim, as coisas aparentemente mais díspares têm pontos de contacto que o homem, no seu estado atual, nunca chegará a compreender. Por um esforço da inteligência poderá entrevê-los; mas, somente quando essa inteligência estiver no máximo grau de desenvolvimento e liberta dos preconceitos do orgulho e da ignorância, logrará ver claro na obra de Deus. Até lá, suas muito restritas idéias lhe farão observar as coisas por um mesquinho e acanhado prisma. Não é possível que Deus se contradiga pois, NA NATUREZA, TUDO SE HARMONIZA MEDIANTE LEIS GERAIS, que por nenhum de seus pontos deixam de corresponder à sublime sabedoria do Criador. A inteligência é uma propriedade comum, um ponto de contacto entre a alma dos animais e a do homem, porém OS ANIMAIS SÓ POSSUEM A INTELIGÊNCIA DA VIDA MATERIAL. NO HOMEM, A INTELIGÊNCIA PROPORCIONA A VIDA MORAL. (LE-604) 

 

Considerando-se todos os pontos de contacto que existem entre o homem e os animais, não é lícito pensar que o homem possui duas almas. Dupla, no homem, só a Natureza. O corpo, porém, tem seus instintos, resultantes da sensação peculiar aos órgãos. Há nele a natureza animal e a natureza espiritual. Participa, pelo seu corpo, da natureza dos animais e de seus instintos. Por sua alma, participa da dos Espíritos. Quanto mais inferior é o Espírito, tanto mais apertados são os laços que o ligam à matéria. Como já dissemos, o homem não tem duas almas; a alma é sempre única em cada ser. São distintas uma da outra a alma do animal e a do homem, a tal ponto que a de um não pode animar o corpo criado para o outro. Mas, conquanto não tenha alma animal, que, por suas paixões, o nivele aos animais, o homem tem o corpo que, às vezes, o rebaixa até ao nível deles, por isso que o corpo é um ser dotado de vitalidade e de instintos, porém ininteligentes estes e restritos ao cuidado que a sua conservação requer. (LE-605)


 Encarnado no corpo do homem, o Espírito lhe traz o princípio intelectual e moral, que o torna superior aos animais. As duas naturezas nele existentes dão às suas paixões duas origens diferentes: umas provêm dos instintos da natureza animal, provindo as outras das impurezas do Espírito, de cuja encarnação é ele a imagem e que mais ou menos simpatiza com a grosseria dos apetites animais. Purificando-se, o Espírito se liberta pouco a pouco da influência da matéria. Sob essa influência, aproxima-se do bruto. Isento dela, eleva-se à sua verdadeira destinação.


Os animais tiram o princípio inteligente que constitui a alma de natureza especial de que são dotados do elemento inteligente universal.  A inteligência do homem e a dos animais emanam de um único princípio, porém, no homem, passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal. (LE-606) 
 
O estado da alma na sua primeira encarnação é o da infância na vida corporal. A inteligência apenas desabrocha: a alma se ensaia para a vida. O Espírito passa essa primeira fase do seu desenvolvimento numa série de existências que precedem o período a que chamamos Humanidade. Na Natureza tudo se encadeia e tende para a unidade. Nesses seres, cuja totalidade estamos longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos. Assim, à fase da infância se segue a da adolescência, vindo depois a da juventude e da madureza. Nessa origem, coisa alguma há de humilhante para o homem. Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios por terem sido fetos informes nas entranhas que os geraram? Se alguma coisa há que lhe seja humilhante, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para Lhe sondar a profundeza dos desígnios e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo. A
GRANDEZA DE DEUS se reconhece nessa ADMIRÁVEL HARMONIA, mediante a qual TUDO É SOLIDÁRIO NA NATUREZA (1).  Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, fora blasfemar da Sua bondade, que se estende por sobre todas as Suas criaturas. A Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana. O período da humanização começa, geralmente, em mundos ainda inferiores à Terra. Isto, entretanto, não constitui regra absoluta, pois pode suceder que um Espírito, desde o seu início humano, esteja apto a viver na Terra. Não é freqüente o caso; constitui antes uma exceção. (LE-190 e 607)

190. Qual é o estado da alma em sua primeira encarnação?
R: O estado da infância na vida corpórea. Sua inteligência apenas desabrocha: ela ensaia para a vida.

-------------------

(1) «NÃO ESQUEÇAIS NUNCA de que o Espírito, QUALQUER QUE SEJA O GRAU DE SEU ADIANTAMENTO, na situação de encarnado, ou na erraticidade, está sempre colocado entre um superior, que o guia e aperfeiçoa, e um inferior, para com o qual tem que cumprir esses mesmos deveres.»


SÃO VICENTE DE PAULO, in O LIVRO DOS ESPÍRITOS, q. 888a, obra codificada por Allan Kardec

-------------------

O Espírito do homem não tem, após a morte, consciência de suas existências anteriores ao período de humanidade, pois é desse período que começa a sua vida de Espírito. Difícil mesmo é que se lembre de suas primeiras existências humanas, como difícil é que o homem se lembre dos primeiros tempos de sua infância e ainda menos do tempo que passou no seio materno. Essa a razão por que os Espíritos dizem que não sabem como começaram. (LE-608 e 78)

78. Os Espíritos tiveram princípio ou existem de toda a eternidade?
R: Se os Espíritos não tivessem tido princípio, seriam iguais a Deus, mas pelo contrário, são sua criação, submetidos à sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, isso é incontestável: mas quando e como ele criou, não o sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio, se com isso entendes que Deus, sendo eterno, deve ter criado sem cessar; mas quando e como cada um de nós foi feito, eu te repito, ninguém o sabe; isso é mistério.

Conforme a distância que medeie entre os dois períodos e o progresso realizado, durante algumas gerações, pode o homem conservar vestígios mais ou menos pronunciados do estado primitivo, porquanto nada se opera na Natureza por brusca transição. Há sempre anéis que ligam as extremidades da cadeia dos seres e dos acontecimentos. Aqueles vestígios, porém, se apagam com o desenvolvimento do livre-arbítrio. Os primeiros progressos só muito lentamente se efetuam, porque ainda não têm a secundá-los a vontade. Vão em progressão mais rápida, à medida que o Espírito adquire perfeita consciência de si mesmo. (LE-609)


Os Espíritos que disseram constituir o homem um ser à parte na ordem da criação não se enganaram, mas a questão não fora desenvolvida. Demais, há coisas que só a seu tempo podem ser esclarecidas. O homem é, com efeito, um ser à parte, visto possuir faculdades que o distinguem de todos os outros e ter outro destino. A espécie humana é a que Deus escolheu para a encarnação do seres que podem conhecê-Lo.  (LE-610)


Metempsicose

-

O terem os seres vivos uma origem comum no princípio inteligente não é a consagração da doutrina da metempsicose. Duas coisas podem ter a mesma origem e absolutamente não se assemelharem mais tarde. Quem reconheceria a árvore, com suas folhas, flores e frutos, do gérmen informe que se contém na semente donde ela surge? Desde que o princípio inteligente atinge o grau necessário para ser Espírito e entrar no período da humanização, já não guarda relação com o seu estado primitivo e já não é a alma dos animais, como a árvore já não é a semente. De animal só há no homem o corpo e as paixões que nascem da influência do corpo e do instinto de conservação inerente à matéria. Não se pode, pois, dizer que tal homem é a encarnação do Espírito de tal animal. Conseguintemente, a metempsicose, como a entendem, não é verdadeira.  (LE-611)


O Espírito que animou o corpo de um homem não poderia encarnar num animal, pois isso seria retrogradar e o Espírito não retrograda. O rio não remonta à sua nascente. Os Espíritos não podem degenerar; à medida que avançam, compreendem o que os distanciava da perfeição. Concluindo uma prova, o Espírito fica com a ciência que daí lhe veio e não a esquece. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda. (LE-612 e 118)

118. Os Espíritos podem degenerar?
R: Não. A medida que avançam, compreendem o que os afasta da perfeição. Quando o Espírito conclui uma prova, adquiriu conhecimento e não mais o perde. Pode permanecer estacionado, mas não retrogradar.

Tanto na idéia ligada à metempsicose, como em muitas outras crenças, se depara esse sentimento intuitivo. O homem, porém, o desnaturou, como costuma fazer com a maioria de suas idéias intuitivas.  (LE-613)

Seria verdadeira a metempsicose, se indicasse a progressão da alma, passando de um estado a outro superior, onde adquirisse desenvolvimentos que lhe transformassem a natureza. É, porém, falsa no sentido de transmigração direta da alma do animal para o homem e reciprocamente, o que implicaria a idéia de uma retrogradação, ou de fusão. Ora, o fato de não poder semelhante fusão operar-se entre os seres corporais das duas espécies, mostra que estas são de graus inassimiláveis, devendo dar-se o mesmo com relação aos Espíritos que as animam. Se um mesmo Espírito as pudesse animar alternativamente, haveria, como conseqüência, uma identidade de natureza, traduzindo-se pela possibilidade da reprodução material.


A reencarnação, como os Espíritos a ensinam, se funda, ao contrário, na marcha ascendente da Natureza e na progressão do homem, dentro da sua própria espécie, o que em nada lhe diminui a dignidade. O que o rebaixa é o mau uso que ele faz das faculdades que Deus lhe outorgou para que progrida. Seja como for, a ancianidade e a universalidade da doutrina da metempsicose e, bem assim, a circunstância de a terem professado homens eminentes, provam que o princípio da reencarnação se radica na própria Natureza. Antes, pois, constituem argumentos a seu favor, que contrários a esse princípio.


O ponto inicial do Espírito é uma dessas questões que se prendem à origem das coisas e de que Deus guarda o segredo. Dado não é ao homem conhecê-las de modo absoluto, nada mais lhe sendo possível a tal respeito do que fazer suposições, criar sistemas mais ou menos prováveis. Os próprios Espíritos longe estão de tudo saberem e, acerca do que não sabem, também podem ter opiniões pessoais mais ou menos sensatas.


É assim, por exemplo, que nem todos pensam da mesma forma quanto às relações existentes entre o homem e os animais. Segundo uns, o Espírito não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus dos seres inferiores da Criação. Segundo outros, o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. O primeiro desses sistemas apresenta a vantagem de assinar um alvo ao futuro dos animais, que formariam então os primeiros elos da cadeia dos seres pensantes. O segundo é mais conforme à dignidade do homem e pode resumir-se da maneira seguinte:


As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do quadrúpede e do quadrúmano. Cada espécie constitui, física e moralmente, um tipo absoluto, cada um de cujos indivíduos haure na fonte universal a quantidade do princípio inteligente que lhe seja necessário, de acordo com a perfeição de seus órgãos e com o trabalho que tenha de executar nos fenômenos da Natureza, quantidade que ele, por sua morte, restitui ao reservatório donde a tirou. Os dos mundos mais adiantados que o nosso (*) constituem igualmente raças distintas, apropriadas às necessidades desses mundos e ao grau de adiantamento dos homens, cujos auxiliares eles são, mas de modo nenhum procedem das da Terra, espiritualmente falando. Outro tanto não se dá com o homem. Do ponto de vista físico, este forma evidentemente um elo da cadeia dos seres vivos: porém, do ponto de vista moral, há, entre o animal e o homem, solução de continuidade. O homem possui, como propriedade sua, a alma ou Espírito, centelha divina que lhe confere o senso moral e um alcance intelectual de que carecem os animais e que é nele o ser principal, que preexiste e sobrevive ao corpo, conservando sua individualidade. Qual a origem do Espírito? Onde o seu ponto inicial? Forma-se do princípio inteligente individualizado? Tudo isso são mistérios que fora inútil querer devassar e sobre os quais, como dissemos, nada mais se pode fazer do que construir sistemas. O que é constante, o que ressalta do raciocínio e da experiência, é a sobrevivência do Espírito, a conservação de sua individualidade após a morte, a progressividade de suas faculdades, seu estado feliz ou desgraçado de acordo com o seu adiantamento na senda do bem e todas as verdades morais decorrentes deste princípio.


Quanto às relações misteriosas que existem entre o homem e os animais, isso, repetimos, está nos segredos de Deus, como muitas outras coisas, cujo conhecimento atual nada importa ao nosso progresso e sobre as quais seria inútil determo-nos.

 

(*) Os Espíritos puros habitam mundos especiais, mas não lhes ficam presos, como os homens à Terra; podem, melhor do que os outros, estar em toda parte. (LE-188)

 

* * *

 

Livros, artigos e estudos relacionados:

http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/SOBRE_OS_ANIMAIS.html

http://www.aeradoespirito.net/ArtigosPN/A_ALMA_DORME_NA_PEDRA_PN.html

http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/MINERAIS_NOSSOS_IRMAOS_RC.html

http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/AS_CAUSAS_DO_INSTINTO_RC.html

http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/A_TENUE_FRONTEIRA_RC.html

http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/OS_DIV_CAM_DA_EVO_ANIM_RC.html

http://www.aeradoespirito.net/ArtigosRC/REGISTROS_INDELEVEIS_RC.html

http://www.aeradoespirito.net/EstudosEM/ACAO_DOS_ESP_FEN_NAT.html

http://www.aeradoespirito.net/ArtigosEM/O_UNIV_A_SOLID_PROGR.html

http://www.aeradoespirito.net/OLivrodosEspiritos/O_LIVRO_DOS_ESPIR_INTR_LE.html

http://www.aeradoespirito.net/RevistaEspHTML/MEDIUNS_SEM_O_SABER.html

http://www.aeradoespirito.net/JHerculanoPires/JHerculanoPiresCursoDinamicodeEspiritismo.pdf

http://www.aeradoespirito.net/JHerculanoPires/JHerculanoPiresOMisteriodoSeranteaDoreaMorte.pdf

http://www.aeradoespirito.net/JHerculanoPires/JHerculanoPiresEducacaoparaaMorte.pdf