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Quando falamos da alma
ou espírito elementar devemos
considerar o espírito considerado em si mesmo e feita
abstração de seu perispírito ou invólucro material.
Assim na resposta da questão 23 de O Livro dos
Espíritos, livro 1º., cap. II, podemos observar
que a alma é o princípio inteligente do Universo.
É assim que Allan Kardec nos instrui no
livro O que é o Espiritismo - Cap. II,
itens 9, 10 e 14 quando diz:
Que durante a vida a alma está ligada ao
corpo e, tem duplo envoltório:
-
um pesado e
grosseiro e perecível, que é o corpo;
-
o outro
fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito.
Existem, portanto, no homem, três
elementos essenciais:
1º . A alma ou espírito,
princípio inteligente onde residem o
pensamento, a vontade e o senso moral;
2º . O corpo, envoltório
material que põe o Espírito em relação com o
mundo exterior;
3º. O perispírito,
invólucro fluídico, leve, imponderável, servindo
de liame e de intermediário entre o Espírito e o
Corpo.”
-
A união da alma, do perispírito, e
do corpo material constitui o
homem.
-
A alma e o perispírito separados
do corpo constituem a ser a que chamamos
Espírito.
In nota referindo-se aos itens acima
citados o codificador do Espiritismo esclarece que:
Seria portanto mais exato reservar a
palavra alma para designar o princípio inteligente, e a
palavra Espírito para o ser semimaterial formado desse
princípio e do corpo fluídico. Mas como não se pode
conceber o princípio inteligente sem ligação material,
as palavras alma e espírito são, no uso comum,
indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura
que consiste em tomar a parte pelo todo, da mesma forma
que se diz que uma cidade é habitada por tantas almas,
uma vila composta de tantas casas; porém,
filosoficamente é essencial fazer-se a diferença.
O perispírito é o órgão de
transmissão de todas as sensações do espírito.
O corpo recebe uma
sensação que vem do exterior, o perispírito que
está ligado a esse corpo transmite essa sensação e o
espírito, que é o ser sensível e inteligente a
recebe. E vice-versa: quando o ato é de iniciativa do
espírito, o perispírito transmite e o corpo
executa.
(2)
Sobre as sensações e percepções do
espírito Kardec in Revista Espírita -
janeiro 1866 (A JOVEM CATALÉPTICA DE SOUABE), diz
que:
A
alma é o ser inteligente;
O
corpo é seu envoltório material:
-
Durante a sua união com o corpo, ela percebe por
intermédio dos sentidos, transmite seu
pensamento com a ajuda do cérebro;
-
Separada do corpo, ela percebe diretamente e
pensa mais livremente.
-
Tendo os
sentidos uma importância circunscrita, as
percepções recebidas por seu intermédio são
limitadas, e, de alguma sorte, amortecidas;
-
Recebidas
sem intermediário, são indefinidas e de uma
sutileza que nos espanta, porque ultrapassa,
não a força humana, mas todos os produtos de
nossos meios materiais.
Pela mesma razão o pensamento transmitido
pelo cérebro é peneirado por assim dizer através desse
órgão. A grosseria e os defeitos do instrumento o
paralisam e o abafam em parte, como certos corpos
transparentes absorvem uma parte da luz que os
atravessa. A alma, obrigada a se servir do cérebro, é
como um músico muito bom diante de um instrumento
imperfeito. Livre desse auxiliar incômodo, ela desdobra
todas as suas faculdades.
Em outros termos:
-
O da
vida corpórea e
-
O da
vida espiritual.
A
vida espiritual é a vida normal, permanente da alma;
A
vida corpórea é transitória e passageira.
Durante a vida corpórea, a alma não sofre constantemente
o constrangimento do corpo,
e aí está chave desses fenômenos físicos
que não nos parecem tão estranhos senão porque nos
transportam para fora da esfera habitual de nossas
observações; são qualificados de sobrenaturais, embora
em realidade estejam submetidos a leis perfeitamente
naturais, mas porque essas leis nos eram desconhecidas.
Hoje, graças ao Espiritismo, que fez conhecer essas
leis, o maravilhoso desapareceu.
-
Durante a vida exterior de relação, o corpo tem
necessidade de sua alma ou Espírito por guia, a fim
de dirigi-lo no mundo; mas
-
Nos
momentos de inatividade do corpo, a presença da alma
não é mais necessária;
-
Dele
se liberta, sem no entanto deixar de estar-lhe presa
por um laço fluídico que a chama desde que a
necessidade de sua presença se faça sentir;
-
Nesses momentos ela recobra em parte a liberdade de
agir e de pensar da qual não gozará completamente
senão depois da morte do corpo, quando dele estará
completamente separada.
Essa situação foi espiritualmente e muito
veridicamente descrita pelo Espírito de uma pessoa viva,
que se comparava a um balão cativo, e por um outro, o
Espírito de um idiota vivo que dizia ser como um pássaro
preso pelo pé. (Revista Espírita, junho
de 1860, p. 173.)
Além disto, ocorre excepcionalmente todas
as vezes que uma causa patológica, ou simplesmente
fisiológica, produz a inatividade total ou parcial dos
órgãos da sensação e da locomoção; é o que se passa na
catalepsia, na letargia, no sonambulismo.
É por esta razão que o fenômeno adquire o
seu maior desenvolvimento na catalepsia e na letargia.
Neste estado, a alma não percebe mais pelos sentidos
materiais mas, podendo-se exprimir-se assim, pelos
sentidos psíquicos; é porque suas percepções
ultra-passam os limites comuns; seu pensamento age sem o
intermédio do cérebro, é por isto que ela desdobra as
faculdades mais transcendentais do que no estado normal.
D a
visão à distância, que resulta no transporte da alma
ao lugar que ela descreve; da lucidez sonambúlica,
etc.
A ciência procurará em vão a solução
desses fenômenos enquanto fizer abstração do elemento
espiritual, porque é nela que está a chave de todos
esses pretensos mistérios.
Na Revista Espírita
(Jornal de Estudos Psicológicos publicado sobre a
direção de Allan Kardec), ANO 9 - JANEIRO 1866 - Nº. 1:
"Publica-se neste momento uma importante obra que
interessa no mais alto grau à Doutrina Espírita, e que
não podemos melhor fazer conhecer senão pela análise do
prospecto.
NOVO DICIONÁRIO UNIVERSAL, panteão
literário e enciclopédia ilustrada, por MAURICE LACHATRE,
com o concurso de sábios, de artistas e de homens de
letras, segundo os trabalhos de: Allan Kardec, Ampère,
Andral, Arago, Audouin, Balbi, Becquerel, Berzelius, B!ot,
Brongnard, Burnouf, Chateaubriand, Cuvier, Flourens,
Gay- Lussac, Guizot, Humboldt, Lamartine, Lamennais,
Laplace, Magendie, Michelet, Ch. Nodier, Orfila, Payen,
Raspail, de Sacy, J. B. Say, Thiers, etc., etc."
(...)
Em apoio às observações acima e como espécime da maneira
pela qual as questões espíritas são tratadas nessa obra,
citaremos a explicação que se encontra para a palavra
ALMA. Depois de ter longamente e imparcialmente
desenvolvido as diferentes teorias da alma, segundo
Aristóteles, Platão, Leibniz, Descartes e outros
filósofos, que não podemos reproduzir por causa de sua
extensão, o artigo termina assim:
"SEGUNDO A DOUTRINA ESPÍRITA,
a alma é o princípio inteligente que anima os
seres da criação e lhes dá o pensamento, a
vontade e a liberdade de agir. Ela é imaterial,
individual e imortal; mas sua essência íntima é
desconhecida: não podemos concebê-la
absolutamente isolada da matéria senão como uma
abstração. Unida ao envoltório fluídico etéreo
ou perispírito, ela constitui o ser espiritual
concreto, definido e circunscrito chamado
Espírito. (V. ESPÍRITO, PERISPÍRITO.) Por
metonímia, emprega-se freqüentemente as palavras
alma e espírito uma pela outra; diz-se: as almas
sofredoras e os espíritos sofredores; as almas
felizes e os espíritos felizes; evocar a alma ou
o espírito de alguém; mas a palavra alma
desperta antes a idéia de um princípio, de uma
coisa abstrata, e a palavra espírito a de uma
individualidade.
"O espírito unido ao corpo material pela
encarnação constitui o homem;
de sorte que no homem há três
coisas:
- a alma propriamente dita,
ou princípio inteligente;
- o perispírito, ou
envoltório fluídico da alma;
- o corpo, ou envoltório
material.
- A alma é assim um ser
simples;
- o espírito, um ser duplo
composto da alma e do perispírito;
- o homem, um ser triplo
composto da alma, do perispírito e do corpo.
- O corpo separado do
espírito é uma matéria inerte;
- o perispírito separado da
alma é uma matéria fluídica sem vida e sem
inteligência.
A alma é o princípio da vida e da inteligência;
foi, pois, erradamente que algumas pessoas
pretenderam que dando à alma um envoltório
fluídico semi-material, o Espiritismo dela fez
um ser material.
"A origem primeira da alma é desconhecida,
porque o princípio das coisas está nos segredos
de Deus, e que não é dado ao homem, em seu
estado atual de inferioridade, tudo compreender.
Não se pode, sobre este ponto, formular senão
sistemas. Segundo uns, a alma é uma criação
espontânea da Divindade; segundo outros é mesmo
uma emanação, uma porção, uma centelha do fluido
divino. Aí está o problema sobre o qual não se
pode estabelecer senão hipóteses, porque há
razões pró e contra. A segunda opinião se opõe,
no entanto, esta objeção fundada: sendo Deus
perfeito, se as almas são porções da Divindade,
elas deveriam ser perfeitas, em virtude do
axioma de que a parte é da mesma natureza que o
todo; desde então, não se compreenderia que as
almas fossem imperfeitas e que tivessem
necessidade de se aperfeiçoar. Sem nos deter nos
diferentes sistemas tocando a natureza íntima e
a origem da alma, o Espiritismo a considera na
espécie humana; ele constata, pelo fato de seu
isolamento e de sua ação independente da
matéria, durante a vida e depois da morte, sua
existência, seus atributos, sua sobrevivência e
sua individualidade. Sua individualidade
ressalta da diversidade que existe entre as
idéias e as qualidades de cada um no fenômeno
das manifestações, diversidade que acusa para
cada uma existência própria.
Um fato não menos capital ressalta igualmente
das observações: é que a alma é essencialmente
progressiva, e que adquire sem cessar em saber e
em moralidade, uma vez que se as vê em todos os
graus de desenvolvimento. Segundo o ensino
unânime dos Espíritos, ela é criada simples e
ignorante, quer dizer, sem conhecimentos, sem
consciência do bem e do mal, com uma igual
aptidão para um e para outro e para tudo
adquirir. Sendo a criação incessante e por toda
a eternidade, há almas chegadas ao cume da
escala, enquanto que outras nascem para a vida;
mas, tendo todas o mesmo ponto de partida, Deus
não as criou melhor dotadas umas do que as
outras, o que é conforme a sua soberana justiça:
uma perfeita igualdade presidindo a sua
formação, elas avançam mais ou menos
rapidamente, em virtude de seu livre arbítrio e
segundo seu trabalho.
Deus deixa assim a cada uma o mérito e o
demérito de seus atos, e a responsabilidade
cresce à medida que se desenvolve o senso moral.
De sorte que, de duas almas criadas ao mesmo
tempo, uma pode chegar ao objetivo mais depressa
do que a outra, se trabalha mais ativamente para
a sua melhoria; mas aquelas que permaneceram
atrasadas chegarão igualmente, embora mais tarde
e depois de rudes provas, porque Deus não fecha
o futuro para nenhum de seus filhos.
A encarnação da alma num corpo material é
necessária para o seu aperfeiçoamento; pelo
trabalho de que a existência corpórea necessita,
a inteligência se desenvolve. Não podendo, numa
única existência, adquirir todas as qualidades
morais e intelectuais que devem conduzi-la ao
objetivo, ela ali chega passando por uma série
ilimitada de existências, seja sobre a Terra,
seja em outros mundos, em cada um dos quais ela
dá um passo no caminho do progresso e se despoja
de algumas imperfeições. Em cada existência a
alma leva o que adquiriu nas existências
precedentes. Assim se explica a diferença que
existe nas aptidões inatas e no grau de
adiantamento das raças e dos povos. (V.
ESPÍRITO, REENCARNAÇÃO.)"
Para estudar
mais sobre a alma encontramos em O LIVRO DOS
ESPÍRITOS, PARTE 2ª. - CAPÍTULO II, obra
codificada por Allan Kardec:
134. Que é a alma?
“Um Espírito encarnado.”
Observação (A Era do Espírito): Note-se
que a alma no mundo dos Espíritos utiliza-se do
perispírito para a manifestação da sua
individualidade, assim, no mundo espiritual a
alma + perispírito = Espírito, e, quando na
Terra é um Espírito encarnado, ou melhor, alma +
perispírito + corpo físico = homem. (Ver O que é
o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra de
autoria de Allan Kardec).
134a) - Que
era a alma antes de se unir ao corpo?
“Espírito.”
Observação (A Era do Espírito): No mundo
espiritual a alma + perispírito = Espírito
134b) - As
almas e os Espíritos são, portanto, idênticos, a mesma
coisa?
“Sim, as almas não são senão os Espíritos. Antes de
se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que
povoam o mundo invisível, os quais temporariamente
revestem um invólucro carnal para se purificarem e
esclarecerem.”
135. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do
corpo?
“Há o laço que liga a alma ao corpo.”
135a) - De que natureza é esse laço?
“Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o
Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os
dois se possam comunicar um com o outro. Por meio desse
laço é que o Espírito atua sobre a matéria e
reciprocamente.”
NOTA DE ALLAN
KARDEC - O homem é, portanto, formado de três
partes essenciais:
1º. -
o corpo ou ser material, análogo ao dos animais
e animado pelo mesmo princípio vital;
2º. - a alma, Espírito encarnado que tem
no corpo a sua habitação;
3º. - o princípio intermediário, ou
perispírito, substância semimaterial que serve
de primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma
ao corpo. Tais, num fruto, o gérmen, o
perisperma e a casca.
136. A alma
independe do princípio vital?
“O corpo não é mais do que envoltório, repetimo-lo
constantemente.”
136a) - Pode o corpo existir sem a alma?
“Pode; entretanto, desde que cessa a vida do corpo, a
alma o abandona. Antes do nascimento, ainda não há união
definitiva entre a alma e o corpo; enquanto que, depois
dessa união se haver estabelecido, a morte do corpo
rompe os laços que o prendem à alma e esta o abandona. A
vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma
não pode habitar um corpo privado de vida orgânica.”
136b) - Que seria o nosso corpo, se não tivesse alma?
“Simples massa de carne sem inteligência, tudo o que
quiserdes, exceto um homem.”
149. Em que se torna alma no instante da morte?
“Torna-se Espírito; isto é, entra no mundo dos
Espíritos que havia deixado momentaneamente”.
Observação (A Era do Espírito): De
alma + perispírito + corpo físico = homem a alma
volta a ser Espírito, ou seja, alma + perispírito
= Espírito. (Ver O que é o Espiritismo - Cap.
II, item 9, 10 e 14 (obra de autoria de Allan
Kardec).
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(1)
Que definição se pode dar dos Espíritos?
“Pode dizer-se que os Espíritos são
os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo,
fora do mundo material.” (Questão 76 in O
Livro dos Espíritos obra codificada por
Allan Kardec)
NOTA DE ALLAN KARDEC: A
palavra Espírito é empregada aqui para
designar as individualidades dos seres extracorpóreos e
não mais o elemento inteligente do Universo.
(2) Allan Kardec in O Livro
dos Espíritos - qs. 245, 249, 249a, item
257 (Ensaio Teórico sobre a sensação nos Espíritos)
e qs. de 367 à 372a (Influência
do organismo), O Livro dos
Médiuns - 1a parte, cap.
II, item 14 - 1a parte, cap. IV, item
51 - 2a parte, cap. I, item 54 e 58 -
2a parte, cap. XVII, item 203 - 2a
parte, cap. XIX, item 223, qs. 2ª, 2ªa e 6ª - 2a
parte, cap. XIX, item 225 e 2a parte,
cap. XXII, item 236, A Gênese
- cap. I
item 40 -
cap. II item 23 -
Encarnação dos
Espíritos
- cap. XI item 17 - (Vista
espiritual ou psíquica. Dupla vista. Sonambulismo.
Sonhos)-
cap. XIV - item 22, Obras Póstumas
- §6.º - Dos Médiuns – item 34,
Revista Espírita (Jornal de Estudos
Psicológicos publicado sobre a direção de Allan Kardec),
Ano IV, junho de 1861, Ano V, dezembro de 1862, Ano VI,
janeiro de 1863
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