CONTO

UMA FORÇA DESCONHECIDA

 
 

 

Era uma vez, numa terra distante, um sábio e seu discípulo que caminhavam pelas montanhas. De repente, avistaram uma pequena propriedade aparentemente abandonada. Ao se aproximarem, perceberam a miséria ali existente, sem nenhum tipo de cultivo e uma pequena casinha em péssimo estado de conservação. Ali foram surpreendidos com a figura de um homem que vivia com a mulher e três filhos. Prontamente ele os convidou a entrar, oferecendo-lhes água e algum alimento.

Após se acomodarem, o sábio perguntou ao homem:

- Você e sua família moram aqui?

- Sim,
respondeu o homem simples.

E o mestre continuou:

- Como conseguem sobreviver diante de tantas dificuldades?

- É simples, senhor. Temos aquela vaquinha (apontando na direção do animal), que nos fornece leite para nosso sustento, e com as sobras fazemos queijos e os trocamos na cidade por outros alimentos.


Os visitantes agradeceram a hospitalidade e despediram-se. Ao saírem da propriedade, o mestre virou-se para o discípulo e ordenou:

- Vá lá e jogue aquela vaquinha no precipício!

O discípulo, espantado, reagiu:

- Como? O senhor quer que eu vá lá e jogue a vaquinha no precipício?

- Sim, é isso mesmo que você entendeu.

- Mas, mestre, ela é o único meio de sobrevivência desta pobre família. Como podes fazer isso?

O discípulo, ainda espantado, não conseguia entender tal atitude. Mas como percebeu o silêncio absoluto do seu mestre, e como um bom aprendiz foi cumprir a ordem, voltou lá e fez o que o mestre lhe havia lhe ordenado.

Anos mais tarde o discípulo, que nunca se perdoara por aquela ação e convivia com uma grande tristeza no coração, resolveu voltar àquele lugar para saber o que teria acontecido à pobre família, e quem sabe, de alguma maneira, poder remediar tamanha maldade.

Chegando ao local, o discípulo percebeu que as coisas haviam mudado totalmente. Aquela paisagem pobre e árida do passado agora estava transformada em uma propriedade com muito verde ao redor, rica em plantações e cultivos de diversas espécies, e a velha vaquinha estava, agora, substituída por um grande rebanho de gado leiteiro. Então, pensou:

"Coitados, devem ter vendido a propriedade e se mudado para outro lugar."

Resolveu então se aproximar e, chegando ao local, perguntou ao homem que ali estava, parecendo ser o caseiro:

- Boa tarde, o senhor pode me dar uma informação?

- Pois não.

- O senhor pode me dizer onde vive aquela família que morava aqui anteriormente?

- Claro, o senhor pode encontrá-los indo até o jardim, ao lado da piscina, onde estão saboreando um churrasco.

- Como? Estou falando de uma família humilde, um casal e três filhos que moravam aqui, disse o discípulo, sem entender a explicação.

- Pois é, senhor, como eu lhe disse, são as mesmas pessoas. Vá até lá e confira com seus próprios olhos.


Ao se aproximar, o discípulo pode reconhecer o homem que conversara com seu mestre, pediu licença e disse:

- Boa tarde, não sei se o senhor está lembrado, mas estive aqui junto com meu mestre há alguns anos e estou muito surpreso com tamanha mudança e prosperidade. O senhor pode me contar o que aconteceu?

- Claro! Naquele mesmo dia, após sua partida, fomos surpreendidos com a morte de nossa vaquinha, que encontramos caída no precipício. Diante de tamanha tragédia, pois ela era nossa única fonte de sobrevivência, começamos a repensar nossas vidas. Tentamos descobrir novas formas de subsistência. Descobrimos, então, que poderíamos fazer diversas coisas. Assim, com sementes que pedimos emprestadas, começamos a plantar diversos tipos de culturas, minha mulher passou a tecer, cozinhar para fora; nossos filhos, com a ajuda de alguns amiguinhos, fizeram uma horta para nossa subsistência. Hoje, graças a Deus, somos uma família feliz e com um bom padrão de vida. A morte de nossa vaquinha nos fez descobrir uma força que desconhecíamos.

Ponto de reflexão:

Todos nós temos uma vaquinha que nos dá alguma coisa básica para sobrevivência e uma conveniência com a rotina. Aproveite estes novos tempos, descubra qual é a sua e evite de depender somente dela.
 

Texto esparso