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UM PAPO SOBRE SINCERIDADE

Marcial Salaverry

 
 

 

Sinceramente nos tempos bicudos que correm, não é fácil falar sobre sinceridade, que dirá de encontrar quem a empregue... sinceramente.

E meu velho guru L'Inconnu, me mandou um pensamento que, sinceramente dá o que pensar:

"Ser autêntico, sem ser rude; ser verdadeiro, sem agredir; ser puro, sem ser servil."

Vamos comentar por partes, porque vale a pena analisar este brilhante pensamento.

Ser autêntico, sem ser rude. Tem muita gente que interpreta a autenticidade, como impor sua vontade, que é soberana. Não é bem por aí, pois podemos (e devemos) defender nossos pontos de vista, porém sem agressividade. Muitos relacionamentos terminam porque uma das partes permaneceu inflexível em seu ponto de vista, não "dando o braço a torcer" de jeito nenhum. Ora, toda questão tem, pelo menos, dois lados. Ambos tem que ser analisados. Se um não arreda pé, está criado o impasse. A rudeza nas discussões sempre traz resultados altamente negativos.

Há que se usar ponderação.

Ser verdadeiro, sem agredir. Este ponto ainda é mais determinante do que o primeiro. Se a rudeza não é bem aceita nos acertos, a agressão, seja ela verbal ou física, é pior ainda.

É incrível a facilidade com que as agressões são praticadas, sobretudo, em briga de casais. E um gesto irrefletido, um insulto mal colocado, pode provocar o fim de tudo. Sempre devemos pensar bem antes de agredir quem quer que seja. Não se esqueçam de que toda ação violenta provoca uma reação mais violenta ainda. E se o problema for entre parceiros, insultos ou agressões ferem muito mais ainda.

Há que se usar a ponderação.

Ser puro, sem ser servil. Esta é o oposto dos anteriores. Nunca discute. Nunca argumenta. Aceita passivamente o que outro lado determina. A mansidão também é má conselheira, pois a pessoa um dia se sente de tal maneira sufocada, que explode. E isso também não é bom. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Ninguém deve se anular em benefício de outrem. Colaborar, ajudar, mostrar boa vontade, é uma coisa. Deixar de viver a própria vida para viver a de outro é contraproducente, pois faz mal para alma, que se sente violentada.

Há que se usar a ponderação.

Disso tudo, é fácil deduzir que o que se impõe, é o bom senso, o meio termo. O meu direito termina onde começa o seu, e vice-versa. Para que um bom relacionamento sobreviva, é imprescindível ponderação, compreensão, respeito. Nunca devemos querer impor nosso ponto de vista a ferro e fogo. Temos que aprender a ouvir o outro lado com isenção de ânimo, e aprender a ceder quando estamos errados. Essa é a grande vitória.

Agora, como eu sei que a vontade de vocês "bate" com a minha, dou uma ordem para ser obedecida.


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Publicado no PORTAL A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor

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