-   

T

-

 

COMO É NOSSA LUZ INTERIOR

Marcial Salaverry

 
 

 

Como será essa nossa luz? Será que seu brilho não vai atrapalhar nosso sono? Não será conveniente economizá-la?

 

Diz-se que precisamos economizar energia elétrica, então é bom saber que temos essa "Luz Interior", e sabermos usá-la.

 

Esse é, na verdade, o grande problema, pois por qualquer coisinha, ela é facilmente "apagável" (Te vira, Aurélio). Muitas vezes permitimos que outros a apaguem, quando aceitamos subornos (seja ativo ou passivo), ou quando permitimos que outros dominem nossa personalidade, comandando nossos atos e atitudes, quando, enfim, deixamos de agir por nós mesmos, limitando-nos a uma função de "vaquinha de presépio", traindo nossa personalidade com o objetivo de auferir vantagens, ou mesmo por fraqueza de caráter, quando permitimos atitudes desonestas, desde que nos sejam convenientes.

 

Quer dizer, apesar de saber que pode ser errado, mas se me trouxer vantagens, embora prejudique outrem, deixa rolar, e quem se prejudicar, que se dane, sendo essa a grande especialidade de nossos políticos...

 

A propósito, recebi ontem um pensamento extraído do livro do Dalai Lama, que se encaixa bem no tema, vejam:

 

“As boas qualidades humanas - honestidade, sinceridade e um bom coração - não podem ser compradas com dinheiro e nem produzidas por máquinas ou mesmo através da mente.  Nós chamamos isso de luz interior."

 

Este pensamento é de uma profundidade enorme.

 

Sem dúvida alguma, todos nascemos honestos, sinceros e com bom coração. Sentimentos que nos são inatos. Com o passar do tempo, segundo nossas necessidades de vida, os vamos relegando a plano secundário. Sempre surgem ocasiões em que somos "obrigados" a agir contra esses princípios. 

 

As desculpas, perdão, os motivos para tanto são incontáveis, seja na vida familiar, seja na profissional. Quantas vezes mentimos, seja porque precisamos manter um emprego, seja porque nosso conjugue não pode saber onde fomos, seja porque passamos um farol vermelho, seja porque, bem todos conhecemos um sem número de desculpas, perdão, motivos para irmos apagando nossa Luz Interior.

 

Convenhamos, é impossível ser-se absolutamente correto. 

 

As exigências da vida moderna sempre nos colocam diante de situações, em que a única solução é "sair pela tangente". Algo que é preciso observar com muito carinho e atenção é que tais atitudes incorretas devem ser repensadas quando percebemos que vamos atrapalhar a vida de alguém. E não é justo prejudicarmos outras pessoas, para obter algum benefício ilícito. Enfim, tal atitude já é comum demais.

 

Da mesma maneira que a Luz Interior não se encontra à venda em lugar nenhum, ela não pode ser vendida, nem trocada. Portanto, ao ceder às tentações de vantagens desonestas, não estamos "vendendo" nossa Luz Interior, a estamos perdendo, eis que ela vai se apagando até não restar sequer uma fagulha.

 

Daí, restam apenas as vantagens auferidas, ficando em princípio a satisfação pessoal de que conseguimos enrolar todo mundo, que somos mais  espertos. Mas nosso íntimo, que está na escuridão, sabe a maneira com que tal posição foi conseguida e, mais cedo ou mais tarde, nesta vida ou em outra vamos olhar para dentro e ver que nossa Luz Interior, tão brilhante em seu início, inexiste. E aí, fazer o que?

 

Então, vamos procurar manter o que ainda resta de nossa Luz Interior, repensando atitudes. Na realidade, crescer prejudicando outros, não é mérito nenhum. No fundo, não deve dar aquela satisfação íntima do dever cumprido. Falta o brilho da Luz Interior.

 

É muito mais gostoso podermos desfrutar do êxito conseguido tendo nossa consciência tranqüila, com nossa Luz Interior brilhando ao máximo, ofuscando as vistas de quem tentou nos prejudicar.

 

Bem crianças, espero que vocês todos possam olhar no espelho, e perceber dentro de seus olhos o inequívoco brilho de sua Luz Interior.

 

* * *

 

 

 
-   

Publicado no PORTAL A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor

-