Artigo

DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS

Sérgio Honório da Silva

Campos do Jordão - SP

 
 

 

Em toda a história da humanidade a desigualdade das riquezas e desigualdade sociais sempre existiram e são motivos de revolta e de revoluções. Os desafortunados sempre inconformados pela miséria ou pela falta de bens que lhe garantam o conforto, os ricos também se julgam infelizes, pois com a riqueza suas necessidades aumentam, e ele nunca julga possuir o bastante para satisfazer à sua ambição.

 

O que vemos é toda a humanidade sofrendo pela riqueza que se tem e pela que não se tem, a busca pela riqueza é tão grande que ela faz prisioneiros àqueles que a veneram como se fosse a causa mais importante da vida, e isso em conseqüência da visão limitada do espírito encarnado, em querer enxergar somente esta existência sem se preocupar com a vida futura. A riqueza é um laço estreito que, movida pelo orgulho e egoísmo, prende o homem à Terra desviando sua necessidade de buscar riquezas com outros valores, elegidos pela razão e emoção que não se transfere de mãos, que poderá levar consigo quando de sua mudança para outros planos da vida.

 

No Novo Testamento encontramos a verdadeira riqueza que nos conduzirá a tão almejada paz de espírito, Lucas no capítulo 12:15 diz: “tende cuidado de preservar-vos de toda a avareza, porquanto seja qual for a abundância em que o homem se encontre, sua vida não depende dos bens que ele possuir”.

 

Antes de nos revoltarmos pelas desigualdades existentes em toda parte é preciso compreender que a Justiça Divina estabeleceu igualdade de direitos e de méritos entre as criaturas, mas não estabeleceu a desigualdade social, pois esta é obra do orgulho e do egoísmo humano.

 

Se, num determinado momento, fosse feita a distribuição de toda a riqueza do mundo, em partes iguais, a todas as pessoas, essa distribuição se desfaria, num segundo momento, em razão das diferentes aptidões e do grau evolutivo de cada um, porque cada um faria um diferente uso e aplicação de sua parte, com os conseqüentes resultados, e muito rapidamente as riquezas mudariam de mãos.

 

A igualdade das riquezas só seria possível se fosse acompanhada da igualdade do grau evolutivo e aptidões entre todos, o que seria impossível, pois cada um tem sua própria experiência e visão, no estágio da vida neste planeta.

 

No Livro dos Espíritos, questão 804, os Espíritos asseveram que: “Deus criou todos os espíritos iguais, mas cada um viveu mais ou menos tempo e, por conseguinte, realizou mais ou menos aquisições; a diferença esta no grau de experiência e na vontade, que é o livre arbítrio: daí decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente, o que lhes dá aptidões diversas”. A Doutrina Espírita não condena a riqueza, mas sim a forma como ela é adquirida e utilizada.

 

A diversidade de riquezas e misérias tem uma finalidade útil que é a de provar os seres nos excessos ou na submissão. Somente os que sabem realmente sofrer com resignação e trabalho constantes é que conseguem superar essas provas de riqueza e pobreza, ambas muito difíceis.

 

Se houvesse uma única existência do Espírito na carne, nada justificaria esse estado de coisas na Terra, mas se considerarmos não só a vida atual, mas o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça, por isso o pobre não tem motivos para invejar o rico, e nem os ricos de se vangloriarem pelo que possuem. Conforme disse Jesus: “onde estiver o seu tesouro, ali estará o seu coração”, Ele não veio até nós para julgar ou dividir, veio abrir o caminho para nós, desejando a união entre os pobres e os ricos, e por isso nos ensinou a caridade, onde pobres e ricos, irmanados, encontrarão oportunidade de segui-lo.

 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.