Artigo

JESUS, TOMÉ E NÓS
Sonia B. Formiga & Luiz Carlos D. Formiga.

Português / Español

 

 

 

"O morte onde está tua vitória."

(Paulo)

 

 

Tags: sofrimento, tortura, crucificação, cicatrizes, morte, espiritualidade, humanismo e páscoa,

 

O prefácio de um livro permite preparar o espírito do leitor. Não é tarefa das mais fáceis. Mas não chega a ser como um pedido de perdão a Deus para torturadores.

 

O primeiro prefácio do livro que estou lendo (1), foi elaborado por um médico e nele encontramos a afirmação de que "o sofrimento é o megafone de Deus", evidentemente para acordar um mundo adormecido.

 

"Qual seria o tipo de médico que gostaríamos que cuidasse de nós na hora do adoecer?" O autor do livro "Sofrimento Como Síntese", passou pela experiência da doença grave e traz à tona o tema do sofrimento, campo que revela a fragilidade do paciente, o insucesso do médico, e as frustrações profissionais e psicológicas. Ele sabe que na busca das causas biológicas da febre não encontraremos como abordar crises existenciais.

 

O prefácio pede para nos inspirarmos no capítulo seis – "Quando o médico adoece". O segundo prefácio informa que num número cada vez maior de países, incluindo o Brasil, existe uma preocupação crescente em voltar a enfatizar a importância de uma formação do médico que resulte em um profissional com sólida formação técnica e científica, mas também ética, humanística, e com responsabilidade social. Explica que um dos aspectos fundamentais da Medicina Humanística é a ênfase na escuta, na conversa, no papel terapêutico do médico, no aconselhamento, e essa prática deve ser, sempre, individualizada. As angústias, preocupações, sofrimentos de cada paciente são diferentes dos outros, são únicos.

 

O livro fala sobre fé, espiritualidade, sofrimento, aconselhamento, papel terapêutico do médico e também sobre o quando o médico adoece. Na página 70 diz que a ignorância do leigo é uma benção, pois as etapas da doença podem se desenvolver sem que medos precoces atrapalhem ou até levem a um desespero inconsequente. Há casos de suicídios de médicos após um diagnóstico de doenças graves, como câncer e AIDS.

 

O autor passou por um câncer. Mas, tendo formação religiosa dirigiu-se aos Salmos de David. "Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte nada temerei, pois Você está comigo" Repetia inúmeras vezes essa frase, que se converteu em um verdadeiro mantra.

 

Seu médico o visitava, ou, pelo menos, telefonava, diariamente. "Eu era uma pessoa, alguém de quem ele gostava, eu não era, apenas, uma próstata removida." Alguns anos depois recebeu um diagnóstico de câncer de tiroide. O capítulo é inspirador.

 

A morte é uma programação. O problema é que alguns já morreram e não sabem. Allan Kardec explica isso. Veja com ele porque religiosos temem o inferno e os espíritas o umbral.

 

No artigo "Defunto Fresco" há um depoimento que impactou a plateia, em profundo silêncio, seguido de um burburinho.

 

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, o sociólogo Herbert de Souza conta como se tornou portador do vírus da AIDS. Hemofílico, contaminado pelo sangue, antes de começar o relato, nos diz: "Vocês estão me olhando pensando: - esse cara vai morrer". Eu tenho uma péssima notícia. Vocês também vão morrer!. (2)

 

Há despreparo para a morte. Com medo e angustia procuramos nem pensar nela, pois é considerada uma punição, desastre ou desgraça. Na realidade, o grande problema é como nos deparamos com ela, surgindo o temor da maturidade e o horror à velhice.

 

No mundo da imaturidade emocional e falsa autopercepção, a morte não possui o menor prestígio. O valor surge quando pode aliviar o peso da desgraça.

 

A partir do século XX a morte deixa de ser doméstica, familiar, e se transforma em tabu. Na sociedade atual a existência individual está diluída e o homem na massa passa a medir sua existência por parâmetros quantitativos. Diminui-lhe o gosto cultural e ele passa a ter uma vida sem ideais. No entanto, é diante da morte que se defrontará com seu mundo interior, sua realidade mais profunda.

 

A experiência da morte pode conduzir a pessoa a se perceber único, impulsionando a própria transformação. Aconteceu com os apóstolos, angustiados na crucificação. A pessoa enquanto se angustia, se singulariza, uma vez que, diante da morte, só ela pode ser o que ela é.

 

Nas aulas de medicina legal me perguntei como essa disciplina descreveria o assassinato de Jesus.

 

Não podemos fugir, mas podemos estabelecer com a morte uma coexistência pacífica. Ela não nos perseguirá nem nós fugiremos dela, tentando nos camuflar na massa.

 

Quando percebemos que vamos morrer nós nos tornamos mais humanos. A consciência de que somos mortais repercute na vida do espírito eterno, ainda no corpo. Sabemos que ela virá ao nosso encontro, nos estreitos corredores da vida na carne, com seu GPS perfeito.

 

Jesus ministrou aula prática sobre isso. Parece que Tomé foi o escolhido. Lamentamos ainda não sermos como Tomé. Por outro lado, como já fazemos reflexões com a "Boa Nova", acreditamos que podemos nos sair bem na "prova final". O passo inicial é não temer a morte e nunca pensar em suicídio. Nós ainda não temos condição de sermos perseguido, martirizados e morrermos pelo Mestre, mas já podemos viver, demonstrando que Ele é nosso modelo e guia.

 

"Ninguém acende a candeia e a coloca debaixo do módio, mas no velador, e assim alumia a todos os que estão na casa", disse Jesus (Mateus, 5: 15). Emmanuel, no livro Fonte Viva, lição 81, comenta que "Ninguém deve amealhar as vantagens da experiência terrestre somente para si. Nossa existência é a candeia nova."

 

Caso pudesse fazer opção que tipo morte escolheria? Um médico inglês (3) causou comoção geral, quando tipos de morte foram numerados e ele  escolheu o câncer.

 

No "II Seminário Lítero-Musical", realizado no C. E. Discípulos de Jesus, Rua Amaral Costa, 52, Campo Grande, RJ. Outubro de 2013, foi que Sonia B. Formiga desenvolveu o tema "A Pedagogia de Jesus Aplicada a Tomé." (4, 5, 6, 7). Através dos seus slides reproduzimos a seguinte síntese.

 

Encontramos em Marcos 2:13, o processo de escolha. "Jesus foi à montanha para orar e passou a noite inteira em oração a Deus. Depois, ao amanhecer, chamou os discípulos e dentre eles escolheu doze, aos quais deu o nome de apóstolos." (Lc. 6:12-13) E entre eles estava Tomé.

 

Por que Jesus o escolheu? Qual teria sido o critério adotado pelo Senhor?

 

"Não fostes vós que me escolheste, mas fui Eu que vos escolhi e vos constituí para irdes e produzirdes muito fruto e para que o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vos conceda. Uma coisa vos ordeno: - Amai-vos uns aos outros." (Jo. 15:16,17)

 

É possível compreender que Jesus tinha um conhecimento profundo do potencial de cada um dos seus apóstolos, além de uma visão alentadora do futuro e estava movido por infinito amor e paciência.

 

Ele respeitava o ser integral, no seu contexto bio-psico-sócio-espiritual, e, portanto, operava particularmente em cada um. Percebia em Tomé, além da racionalidade, um senso crítico importante no exercício da semeadura. Seu amor por Ele, sua generosidade com os companheiros eram créditos que Jesus contabilizava. Assim como o escultor enxerga na pedra bruta a futura obra prima, Jesus enxergava em Tomé o trabalhador dedicado e sincero do porvir.

 

 Jesus jamais perdeu a esperança  ao lidar com os homens.  Como Mestre, Ele sabia que o melhor método para aumentar a fé e a confiança de alguém é acreditar nesse alguém. Por isso, fazia-se acompanhar pelos discípulos e não perdia uma única chance de ensinar. Ele considerava a pessoa humana como o mais elevado de todos os investimentos.

 

Jesus convivia, permutava, participava do cotidiano de cada um nas ruas, nas casas, no templo, no trabalho, na alegria e na dor. Em todas essas ocasiões encontrava situações a serem observadas e discutidas e Tomé crescia a cada dia, espiritualmente.

 

Por várias vezes Tomé estivera com o Senhor em casa de Lázaro e, quando a notícia de sua doença e morte chegou, certamente seu coração confrangeu-se. Muitos foram os argumentos para que Jesus não voltasse a Jerusalém, onde queriam matá-lo. Mas, o Senhor estava irredutível.

 

A objetividade de Tomé, aliada à fé, permite que ele faça uma análise profunda da situação. Entendendo que Jesus iria, de qualquer jeito, ele interrompe o tumulto e diz: "Vamos todos com Ele para morrermos também." (Jo.11:16)

 

Nesse momento, Jesus constata sua liderança, porque todos se calam e resolvem seguir o Mestre. Além disso, Jesus emociona-se, ao constatar que, em seu coração, Tomé estava disposto a entregar a vida, por fidelidade e amor a Ele.

 

Logo a hora do Senhor se aproxima e Ele reúne os doze, se despede, consola e instrui: "Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa do meu Pai há muitas moradas. Vou preparar-vos o lugar. E quando eu me for, e vos tiver preparado o lugar, voltarei a vós e vos levarei comigo para que onde eu estiver, vós também estejais. E para onde vou, sabeis o caminho."

 

Todos silenciaram. Apenas Tomé, aflito, na sua sinceridade, disse em nome de todos: "Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos conhecer o caminho?" Jesus oferece a Tomé o ensinamento básico, contido na Q. 625 de O Livro dos Espíritos: "Eu sou o caminho da Verdade e da Vida e ninguém vem ao Pai, senão por Mim." (Jo. 14:1-6)

 

Jesus, modelo e guia.

 

Os apóstolos tiveram apenas um dia para metabolizar essas palavras, porque então tudo aconteceu: Jesus foi preso, açoitado, julgado, coroado de espinhos e, finalmente, crucificado.

 

Como resistir a isso? Como suportar tamanha dor? O desespero tomou conta de todos. Esconderam-se e, juntos, choravam. Mas, Jesus cumpriu a sua promessa e ressurgiu, aparecendo à Madalena.

 

Interessante é que todos foram incrédulos, pois ninguém acreditou quando ela , correndo, foi contar que vira o Senhor. No entanto, só Tomé ficou com a fama.

 

Provando o que dissera, Jesus surgiu no recinto fechado e sua voz ecoou: "A paz seja convosco!" Mostrou as chagas e os discípulos encheram-se de alegria e esperança. Mas Tomé não estava com eles! Pobre Tomé!

 

No dia seguinte quando chega, é recebido com gritos de alegria: Tomé, Tomé, Jesus voltou! Atordoado, recebe mais uma punhalada no coração: Perdera a oportunidade de ver Jesus de novo.

 

A reação foi imediata: Vocês estão loucos. Fechou-se em si mesmo. Seu senso de realismo cristalizou-se e ele, então, explode: "Se eu não vir em suas mãos o lugar dos cravos e se não puser meu dedo no lugar dos cravos e minha mão do seu lado, não crerei."

 

Permitam-me uma divagação. "Somente conhece os caminhos retos aquele que alguma vez se enganou e transitou pelos equivocados. A melhor intenção não é a do homem impecável, mas a do que tem na sua alma as cicatrizes de muitas retificações". (1)

 

Jesus esperou vários dias, para que Tomé tivesse oportunidade de rememorar os três anos de ensinamentos. Sabia que ele precisava de um tempo, porque o seu problema era exatamente a pedra angular: a realidade espiritual.

 

Imaginemos o pobre Tomé a ouvir Jesus, na acústica da alma, dia e noite, por sete dias: "Vou, mas voltarei, nunca vos deixarei a sós!" E ele não acreditara...

 

Então, no oitavo dia, portas e janelas fechadas, Jesus novamente apareceu no meio deles e sua voz ecoou: "A paz seja convosco!"

 

Tomé, coração acelerado, embargado de pranto, vê Jesus se aproximar e dizer: "Vem, Tomé, introduz aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Põe a mão do meu lado e não sejas incrédulo, mas crê".

 

Completamente vencido pelo amor do Cristo, Tomé cai de joelhos e clama com todas as suas forças: "Meu Senhor!"

 

Jesus o sustenta e, para finalizar o ensinamento, lhe diz:

 

"Porque me viste, creste. Felizes os que não viram e creram."

 

Somos todos Tomé, lutando com as nossas fraquezas, exigindo aulas extras que possam satisfazer os nossos desejos.

 

Mas o Mestre Incomparável, com sua paciência sem limites nos aguarda confiante.

 

Jesus teve razão em acreditar em Tomé, pois ele correspondeu plenamente à confiança do Senhor.

 

Evangelizou a Pérsia e a Índia, onde é reconhecido como santo, tendo um monte e uma catedral com seu nome.

 

Está colocado na nona bem aventurança, pois foi perseguido e martirizado, morto a flechadas por amor a Jesus.

 

E, quanto a nós, passaremos na prova final?

 

Quase sempre nos lembramos do fiel discípulo através do seu momento de incredulidade, no entanto Tomé nos deixou inúmeros ensinamentos. Que ele possa nos presentear nas futuras páscoas com bombons recheados da certeza da imortalidade.

 

O Mestre ministrou aulas teóricas e práticas. Acredito que a mais difícil para a compreensão, análise e síntese de Tomé foi o Seu "retorno à vida". depois da tortura e morte.

 

Parece-nos não haver dúvidas de que Jesus sofreu uma brutal morte, por tortura e crucificação. O mecanismo específico da morte de Jesus é ainda motivo de controvérsias médicas.

 

Em 2012, um periódico técnico de Medicina Legal discutiu o assunto.

 

As hipóteses descritas por Bergeson foram: embolia pulmonar; ruptura cardíaca; trauma suspensão; asfixia; ferida da facada fatal e choque.

 

Quanto sofrimento!

 

Após revisar as hipóteses, o médico conclui que todos os acontecimentos da execução concorreram para o desenvolvimento do choque. Assim, o choque traumático, com coagulopatia, deve ser o principal mecanismo, da morte de Jesus. (8)

 

A tortura é sempre cruel, qualquer que seja a sua modalidade.

 

Lembramos a aula teórica e prática do bom ladrão, "que se deu bem."

 

Com o olhar meigo e penetrante de Jesus, pode morrer e desencarnar sem estocar reservas emocionais negativas, apesar da tortura.

 

Outra tortura também nos emociona. Li sobre o apedrejamento de Estevão numa obra editada pela Federação Espírita Brasileira. O livro Paulo e Estevão, psicografado por Francisco Cândido Xavier, (7) também traz uma prece, proferida naquela hora, por sua irmã.

 

Abgail amava Jesus, como Tomé, e também aportou na certeza da imortalidade da alma. É a prece dos aflitos e agonizantes. (9, 10)

 

"Senhor Deus, pai dos que choram, dos tristes, dos oprimidos, fortaleza dos vencidos, consolo de toda a dor, embora a miséria amarga, dos prantos de nosso erro, deste mundo de desterro, clamamos por vosso amor!

 

Nas aflições do caminho, na noite mais tormentosa, vossa fonte generosa é o bem que não secará... Sois, em tudo, a luz eterna da alegria e da bonança nossa porta de esperança que nunca se fechará.

 

Quando tudo nos despreza no mundo da iniquidade, quando vem a tempestade sobre as flores da ilusão! O! Pai, sois a luz divina, o cântico da certeza, vencendo toda aspereza, vencendo toda aflição.

 

No dia de nossa morte, no abandono ou no tormento, trazei-nos o esquecimento da sombra, da dor, do mal!... Que nos últimos instantes, sintamos a luz da vida renovada e redimida na paz ditosa e imortal."

 

Leitura adicional

 

1. Del Giglio, A. 2013. Sofrimento como Síntese. São Paulo. Editora Atheneu.

 

 

 

4. Cury, A. 2003. Uma Carta de Amor: o final da história dos seus discípulos. In O Mestre Inesquecível, SP. Academia da Inteligência, pg. 11.

 

5. Pereira, Y. A. 1994. Cânticos do Coração. CELD Editora.

 

6. Pereira, S.M.B. 2012. O Natal de Jesus e a Pedagogia do Evangelho. In Revista do ICEB, dezembro.

 

7. Xavier, F.C. 2002. Paulo e Estevão. FEB. Edição Especial.

 

8. Bergeron, J.W. . 2012. The crucifixion of Jesus: review of hypothesized mechanisms of death and implications of shock and trauma-induced coagulopathy. J Forensic Leg Med., Apr,19(3):113-6.

 

 

 

Este artigo, também, está disponível para a leitura no endereço abaixo:
http://orebate-jorgehessen.blogspot.com.br/2015/04/jesus-tome-e-nos.html

 

* * *

 

JESUS, TOMÁS Y NOSOTROS

 

 

"La muerte donde está tu victoria."

(Pablo)

 

 

Etiquetas: el sufrimiento, la tortura, la crucifixión, cicatrices, la muerte, la espiritualidad, el humanismo y la Pascua, Sonia B. Formiga & Luiz Carlos D. Formiga.

 

El prefacio de un libro permite preparar el espíritu del lector. No es tarefa de las más fáciles. Mas no llega a ser como un pedido de perdón a Dios para torturadores.

 

El primer prefacio del libro que estoy leyendo (1), fue elaborado por un médico y en el encontramos la afirmación de que "el sufrimiento es el megáfono de Dios", evidentemente para despertar a un mundo adormecido.

 

¿"Cual seria el tipo de médico que nos gustaría que cuidase de nosotros en la hora de adolecer? El autor del libro "Sufrimiento Como Síntesis", paso por la experiencia de la enfermedad grave y trae a la cabeza el tema del sufrimiento, campo que revela la fragilidad del paciente, el fracaso del médico, y las frustraciones profesionales y psicológicas. Ele sabe que en la búsqueda de las causas biológicas de la fiebre no encontraremos como abordar crisis existenciales.

 

El prefacio pide para inspirarnos en el capítulo seis – "Cuando el médico adolece". El segundo prefacio informa que en un número cada vez mayor de países, incluyendo Brasil, existe una preocupación creciente en volver a enfatizar la importancia de una formación del médico que resulte en un profesional con sólida formación técnica y científica, más también ética, humanística, y con responsabilidad social. Explica que uno de los aspectos fundamentales de la Medicina Humanística es el énfasis en la escucha, en la conversación, en el papel terapéutico del médico, en el aconsejamiento, y esa práctica debe ser, siempre, individualizada. Las angustias, preocupaciones, sufrimientos de cada paciente son diferentes de los otros, son únicos.

 

El libro habla sobre la fe, espiritualidad, sufrimiento, aconsejamiento, papel terapéutico del médico y también sobre cuando el médico adolece. En la página 70 dice que la ignorancia del laico es una bendición, pues las etapas de la enfermedad pueden desenvolverse sin que miedos precoces te atrapen o hasta te lleven a la desesperación inconsecuente. Hay casos de suicidios de médicos después de un diagnóstico de enfermedades graves, como cáncer y AIDS.

 

El autor paso por un cáncer. Mas, teniendo formación religiosa se dirigió a los Salmos de David. "Aunque yo ande por el valle de la sombra de la muerte nada temeré, pues Tú estás conmigo" Repetía innumerables veces esa frase, que se convirtió en un verdadero mantra.

 

Su médico lo visitaba, o, por lo menos, telefoneaba, diariamente. "Yo era una persona, alguien de quien le gustaba, yo no era, apenas, una próstata removida." Algunos años después recibió un diagnóstico de cáncer de tiroides. El capítulo es inspirador.

 

La muerte es una programación. El problema es que algunos ya murieran y no lo saben. Allan Kardec explica eso. Vea con él porque religiosos temen el inferno y lo os espíritas o umbral.

 

En el artículo "Difunto Fresco" hay una declaración que impactó a la audiencia en silencio, seguido de un zumbido.

 

En la Universidad Federal de Río de Janeiro, el sociólogo Herbert de Souza cuenta como se tornó portador del virus AIDS.

 

Hemofílico, contaminado por la sangre, antes de comenzar el relato, nos dice: Ustedes me están mirando y pensando: esa cara va a morir". Yo tengo una pésima noticia. ¡Ustedes también van a morir!. (2)

 

Hay poca preparación para la muerte. Con miedo y angustia procuramos ni pensar en ella, pues es considerada una punición, desastre o desgracia. En realidad, el gran problema es como deparamos con ella, surgiendo el temor a la madurez y el horror a la vejez.

 

En el mundo de la inmadurez emocional y falsa autopercepción, la muerte no posee el menor prestigio. El valor surge cuando puede aliviar el peso de la desgracia.

 

A partir del siglo XX la muerte deja de ser doméstica, familiar, y se transforma en tabú. En la sociedad actual la existencia individual está diluida y el hombre en masa pasa a medir su existencia por parámetros cuantitativos. Le disminuye el gusto cultural y pasa a tener un vida sin ideales. No en tanto, es ante la muerte que se enfrentará con su mundo interior, su realidad más profunda.

 

La experiencia de la muerte puede conducir a la persona a percibiré único, impulsado a la propia transformación. Aconteció con los apóstoles, angustiados en la crucifixión. La persona mientras se angustia, se singulariza, una vez que, ante la muerte, solo ella puede ser lo que ella es.

 

En las aulas de medicina legal me pregunte como esa disciplina describiría el asesinato de Jesús.

 

No podemos huir, más si podemos establecer con la muerte una coexistencia pacífica. Ella no nos perseguirá ni nosotros huiremos de ella, intentando camuflarnos en la masa.

 

Cuando percibimos que vamos a morir nosotros nos tornamos más humanos. La consciencia de que somos mortales repercute na vida del espíritu eterno, aun en el cuerpo. Sabemos que ella vendrá a nuestro encuentro, en los estrechos corredores de la vida en la carne, con su GPS perfecto.

 

Jesús administro una clase práctica sobre eso. Parece que Tomás fue el escogido. Lamentamos aun no ser como Tomás. Por otro lado, como ya hicimos reflexiones con la "Buena Nueva", acreditamos que podemos salir bien en la "prueba final". El paso inicial es no temer a la muerte y nunca pensar en suicidio. Nosotros aún no tenemos la condición de ser perseguido, martirizados y morir por el Maestro, mas ya podemos vivir, demostrando que Él es nuestro modelo y guía.

 

"Nadie enciende la candela y la coloca debajo del celemín, más si en el velador, y así alumbra a todos los que están en la casa", dice Jesús (Mateos, 5: 15). Emmanuel, en el libro Fuente Viva, lección 81, comenta que "Nadie debe almacenar las ventajas de la experiencia terrestre solamente para sí. Nuestra existencia es la nueva candela."

 

¿En el caso que pudiese elegir qué tipo de muerte elegiría? Un médico inglés (3) causo conmoción general, cuando tipos de muerte fueron enumerados y él escogió el cáncer.

 

En el "II Seminario Lítero-Musical", realizado en el C. E. Discípulos de Jesús, Calle Amaral Costa, 52, Campo Grande, RJ. Octubre de 2013, fue que Sonia B. Formiga desenvolvió el tema "La Pedagogía de Jesús Aplicada a Tomás." (4, 5, 6, 7). A través de sus diapositivas reproducimos la siguiente síntesis.

 

Encontramos en Marcos 2:13, el proceso de elección. "Jesús fue a la montaña para orar y paso la noche entera en oración a Dios. Después, al amanecer, llamo a los discípulos y de entre ellos escogió doce, a los cuales dio el nombre de apóstoles." (Lc. 6:12-13) Y entre ellos estaba Tomás.

 

¿Por qué Jesús lo escogió? ¿Cuál habría sido el criterio adoptado por el Señor?

 

"No fuisteis vosotros los que me escogisteis, más fui Yo el que os escogí y a vosotros constituye para ir y producir muchos frutos y para que vuestro fruto permanezca, a fin de que todo lo que pidierais al Padre en mi nombre Él os lo conceda. Una cosa os ordeno: -Amaos unos a los otros." (Jo. 15:16,17)

 

Es comprender que Jesús tenía un conocimiento profundo del potencial de cada uno de sus apóstoles, además de una visión alentadora del futuro y estaba movido por infinito amor y paciencia.

 

El respetaba al ser integral, en su contexto vio-psico-socio-espiritual, y, por tanto, operaba particularmente en cada uno. Percibía en Tomás, además de la racionalidad, un sentido crítico importante en el ejercicio de la siembra. Su amor por El, su generosidad con los compañeros eran créditos que Jesús contabilizaba. Así como el escultor graba en la piedra bruta la futura obra prima, Jesús divisaba en Tomás al trabajador dedicado y sincero del porvenir.

 

Jesús jamás perdió la esperanza al lidiar con los hombres. Como Maestro, Él sabía que el mejor método para aumentar la fe y la confianza de alguien es acreditar en ese alguien. Por eso, se hacía acompañar por los discípulos y no perdía ni una oportunidad de enseñar. El consideraba a la persona humana como el más elevado de todos los investimentos.

 

Jesús convivía, permutaba, participaba de lo cotidiano de cada uno en las calles, en las casas, en el templo, en el trabajo, en la alegría y en el dolor. En todas esas ocasiones encontraba situaciones para ser observadas y discutidas y Tomás crecía cada día, espiritualmente.

 

Por varias veces Tomás estuviera con el Señor en casa de Lázaro y, cuando la noticia de su dolencia y muerte llegó, ciertamente su corazón se angustió. Muchos fueron los argumentos para que Jesús no volviese a Jerusalén, donde querían matarlo. Más, el Señor estaba irreductible.

 

La objetividad de Tomás, aliada a la fe, permite que él haga un análisis profundo de la situación. Entendiendo que Jesús iría, de cualquier camino , el interrumpe el tumulto y dijo: "Vamos todos con El para morir también." (Jo.11:16)

 

En ese momento, Jesús constata su liderazgo, porque todos se callan y resuelven seguir a Maestro. Además de eso, Jesús se emociona, al constatar que, en su corazón, Tomás estaba dispuesto a entregar su vida, por fidelidad y amor a Él.

 

Luego la hora del Señor se aproxima y El reúne a los doce, se despide , consuela e instruye: "No se turbe vuestro corazón. Creed en Dios, creed también en mí. En la casa de mi Padre hay muchas moradas. Voy a prepararos el lugar. Y cuando yo me fuera, y os lo halla preparado el lugar, volveré a vosotros y os llevare conmigo para que donde yo estuviere, vosotros también estéis. Y para donde voy, sabéis el camino."

 

Todos silenciaron. Apenas Tomás, afligido, en su sinceridad, dijo en nombre de todos: ¿ "Señor, no sabemos para donde vas, como podemos conocer el camino?" Jesús ofrece a Tomás la enseñanza básica, contenida en la Q. 625 de El Libro de los Espíritus: "Yo soy el camino de la Verdad y de la Vida y nadie viene al Padre, sino es por Mi." (Jo. 14:1-6)

 

Jesús, modelo y guía.

 

Los apóstoles tuvieron apenas un día para metabolizar esas palabras, porque entonces todo aconteció: Jesús fue preso, azotado, juzgado, coronado de espinos y, finalmente, crucificado.

 

¿Cómo resistir a eso? ¿Cómo suportar tamaño dolor? El desespero tomo cuenta de todos. Se escondieron y, juntos, lloraban. Más, Jesús cumplió su promesa y resurgió, apareciéndose a Madalena.

 

Lo Interesante es que todos fueron incrédulos, pues nadie creyó en ella, cuando corriendo, fue a contar que viera al Señor. No en tanto, solo Tomás quedo con la fama.

 

Probando lo que dijera, Jesús surgió en el recinto cerrado y su voz se hizo eco: "La paz sea con vosotros!" Mostro las llagas y los discípulos se llenaron de alegría y esperanza. Más Tomás no estaba con ellos! ¡Pobre Tomás!

 

Al día siguiente cuando llega, es recibido con gritos de alegría: Tomás, Tomás, Jesús volvió! Aturdido, recibe una vez más una puñalada en el corazón: Perdiera la oportunidad de ver a Jesús de nuevo.

 

La reacción fue inmediata: Ustedes estan locos. Se encerró en si mismo. Su sentido de realismo se cristalizó y el, entonces, estalla: "Si yo no viera en sus manos el lugar de los clavos y si no pusiera mi dedo en el lugar de los clavos y mi mano en su costado, no creeré."

 

Permítanme una divagación. "Solamente conoce los caminos rectos aquel que alguna vez se engañó y tránsito por los equivocados. La mejor intención no es la del hombre impecable, más si la del que tiene en su alma las cicatrices de muchas rectificaciones". (1)

 

Jesús espero varios días, para que Tomás tuviese oportunidad de rememorar los tres años de ensañamientos. Sabía que el precisaba de un tiempo, porque su problema era exactamente la piedra angular: la realidad espiritual.

 

Imaginemos al pobre Tomás oír a Jesús, en la acústica del alma, día y noche, por siete días: "Me voy, mas volveré, nunca os dejare a solas!" Y él no acreditara...

 

Entonces, en el octavo día, puertas y ventanas cerradas, Jesús nuevamente apareció en medio de ellos y su voz resonó: "La paz sea con vosotros!"

 

Tomás, con el corazón acelerado, embargado de llanto, ve a Jesús aproximarse y decir: "Ven, Tomás, introduce aquí tu dedo y ve mis manos. Pon la mano en mi costado y no seas incrédulo, más cree".

 

Completamente vencido por el amor de Cristo, Tomás cae de rodillas y clama con todas sus fuerzas: "Mi Señor!"

 

Jesús lo sustenta y, para finalizar la enseñanza, le dice:

 

"Porque me viste, creíste. Felices los que no vieron y creyeran."

 

Estamos todos Tomás, luchando con nuestras flaquezas, exigiendo clases extras que puedan satisfacer nuestros deseos.

 

Mas el Maestro Incomparable, con su paciencia sin límites nos aguarda confiado.

 

Jesús tuvo razón en acreditar en Tomás, pues el correspondió plenamente a la confianza del Señor.

 

Evangelizo Persia y la India, donde es reconocido como santo, teniendo un monte y una catedral con su nombre.

 

Está colocado en la novena bienaventuranza, pues fue perseguido y martirizado, muerto a flechadas por amor a Jesús.

¿Y, en cuanto a nosotros, pasaremos la prueba final?

 

casi siempre nos acordamos del fiel discípulo a través de su momento de incredulidad, no en tanto Tomás nos dejó innumerables enseñamientos. Que él pueda presentarnos en las futuras pascuas con bombones de chocolate de certeza de la inmortalidad.

 

El Maestro administro aulas teóricas y prácticas. Acredito que la más difícil para la comprensión, análisis y síntesis de Tomás fue Su "retorno a la vida". después de la tortura y muerte.

 

Nos parece no haber dudas de que Jesús sufrió una brutal muerte, por tortura y crucifixión. el mecanismo específico de la muerte de Jesús es aun motivo de controversias médicas.

 

En 2012, un periódico técnico de Medicina Legal discutió el asunto.

 

Las hipótesis descritas por Bergson fueron: embolia pulmonar; ruptura cardíaca; suspensión traumática; asfixia; fatal herida de arma blanca y golpes.

 

¡Cuánto sufrimiento!

 

Después de revisar las hipótesis, el médico concluyo que todos los acontecimientos de la ejecución concurrieran para el desenvolvimiento del choque. Así, el choque traumático, con coagulopatia, debe ser el principal mecanismo, de la muerte de Jesús. (8)

 

La tortura es siempre cruel, cualquiera que sea su modalidad.

 

Recordemos la clase teórica y práctica del buen ladrón, "que hicieron bueno".

 

Con la suave y penetrante mirada de Jesús, pudo morir y desencarnar sin agotar reservas emocionales negativas, a pesar de la tortura.

 

Otra tortura también nos emociona. Leí sobre el apedreamiento de Esteban en una obra editada por la Federación Espírita Brasileña. El libro Pablo y Esteban, psicografiado por Francisco Cándido Xavier, (7) también trae una oración, proferida en aquella hora, por su hermana.

 

Abigail amaba a Jesús, como Tomás, y también aporto en la certeza de la inmortalidad del alma. Es la oración de los afligidos y agonizantes.(9, 10)

 

"Señor Dios, padre de los que lloran, de los tristes, de los oprimidos, fortaleza de los vencidos, consuelo de todo dolor, aunque la miseria amarga, de los llantos de nuestro error, de este mundo de destierro, clamamos por vuestro amor!

 

En las aflicciones del camino, en la noche más tormentosa, vuestra fuente generosa es el bien que no secará... Sois, en todo, la luz eterna de la alegría y de la bonanza nuestra puerta de esperanza que nunca se cerrará.

 

Cuando todo nos desprecia en el mundo de la iniquidad, cuando viene la tempestad sobre las flores de la ilusión! Oh! Padre, sois la luz divina, el cántico de la certeza, venciendo toda aspereza, venciendo toda aflicción.

 

En el día de nuestra muerte, en el abandono o en el tormento, nos traes el olvido de la sombra, del dolor, del mal!... Que en los últimos instantes, sintamos la luz de la vida renovada y redimida en la paz dichos e inmortal.

 

Traducido por: M. C. R

Leitura adicional

 

1. Del Giglio, A. 2013. Sofrimento como Síntese. São Paulo. Editora Atheneu.

 

 

 

4. Cury, A. 2003. Uma Carta de Amor: o final da história dos seus discípulos. In O Mestre Inesquecível, SP. Academia da Inteligência, pg. 11.

 

5. Pereira, Y. A. 1994. Cânticos do Coração. CELD Editora.

 

6. Pereira, S.M.B. 2012. O Natal de Jesus e a Pedagogia do Evangelho. In Revista do ICEB, dezembro.

 

7. Xavier, F.C. 2002. Paulo e Estevão. FEB. Edição Especial.

 

8. Bergeron, J.W. . 2012. The crucifixion of Jesus: review of hypothesized mechanisms of death and implications of shock and trauma-induced coagulopathy. J Forensic Leg Med., Apr,19(3):113-6.

 

 

 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.