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Artigo

MATANÇA DOS GOLFINHOS

Eri Paiva

 
 

 

Eu recebi um e-mail sobre a matança dos golfinhos, com as fotos mostrando como se dá o processo e com um conteúdo convidativo ao protesto como forma de não aceitação daquele fato, daquela realidade.

 

Resolvi pesquisar um pouco para conhecer melhor o assunto e saber o que as pessoas pensam. Não conheço a Dinamarca e nunca tinha ouvido falar dessa matança, lá. Como a maioria, também eu me choquei e me indignei. O ato é bárbaro, cruel.

 

A vida é algo sagrado. E tudo que se faça, intencionalmente ou não, como atentado à vida e ou para eliminá-la, é uma violência a outro ser, seja ele quem for, esteja onde estiver e tenha-se a justificativa que quiser: seja para nosso deleite ou prazer, seja para o nosso consumo alimentar, seja para dar uma lição ou um susto no outro que é o que se costuma dizer “fazer justiça”.

 

Nenhuma justificativa acima justifica realmente o ato de matar. Para alegrar-se e celebrar as coisas boas da vida seja um aniversario, um prêmio merecido, a maturidade há tantas maneiras! Para nutrir-se, ter saúde, vitalidade, há tantos alimentos!… E para se vingar? O antídoto contra o ódio é o amor. Quem não é a favor da violência não faz violência, não estimula a violência. O revide, a vingança não atenuam a violência, e não gerará jamais um estado de paz. A justiça é a justa medida para fazer o bem.

 

Lendo o que se passa no pensamento e nos corações, eu creio, de tantas pessoas que se posicionam a respeito da matança dos golfinhos percebi posturas muito contraditórias.

 

Há quem se diga profundamente indignado, revoltado, sem palavras com o que  viu nas fotos (o ato e o modo de matar) mas deixa escapulir sua pouca convicção quando:

a) deseja a morte dos matadores nas mesmas ou em condições semelhantes ;
b) lembra não ser necessário aterrorizar o mundo com semelhantes fotos;
c) aceita o fato em função da cultura local
d) justifica ser necessário o consumo da proteína animal para a saúde

Entre o falar e o agir de muitos há significativas distâncias. O comum, na maioria, é que todos são contra a morte dos animais, são seus defensores, mas todos comem carne. O ato e o prazer de comer faz esquecer toda a violência, o sacrifício, penas e dores a que  são submetidos os animais.

 

“Virá o dia em que a matança de um animal será considerada crime tanto quanto o assassinato de um homem”.  (Leonardo da Vinci)

 

Estamos vivendo um processo de evolução. Vai chegar o momento em que não será necessário sacrificar nenhuma vida para “salvar” a nossa. Quem puder agilizar este processo, quem puder dê a sua contribuição. 

 

Natal/RN – Em 23.09.2009 

 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autora.