Artigo

Universos Paralelos

Carlos de Brito Imbassahy

cbimbassahy@terra.com.br

 
 
 

Nesta noite véspera de Natal de 2003, a Discovery, TV-UHF, apresentou um programa com três físicos americanos que, supostamente se julgam os pais da criança de um estudo que eles intitularam de Universos Paralelos.

 

Evidentemente, é sabido que os americanos têm o mau costume de julgar que toda a sabedoria do mundo está em seu país e que mais ninguém sabe de nada; assim, são eles os únicos donos da verdade.

 

Ou o programa data de três anos, ou seu conteúdo se acha atrasado de igual período porque o que foi apresentado corresponde ao conhecimento do fim do século passado e que, graças às pesquisas mais recentes, o conhecimento acerca da existência do Universo teve uma vultosa contribuição com novas descobertas na área da pesquisa sideral.

 

Em princípio, os “sábios” americanos confundem parâmetro com dimensão, o que, por si, já é uma lástima. Ignorar os conceitos matemáticos, em Física, é uma grave temeridade.

 

O nosso sistema cartesiano – dito material – com três dimensões, possui três parâmetros de definição de cada ponto do espaço. Então há uma correspondência biunívoca de número de parâmetros com o número de dimensões. Mas, num superespaço quadridimensional, há seis parâmetros de posição e no Universo, além deles, há, ainda para o sistema tridimensional um quarto parâmetro que é o tempo pois, como o Universo se expande, cada ponto do mesmo, a cada tempo, ocupará uma posição diversa, mesmo sem ter se movido.

 

Parece que os sábios responsáveis pelas informações prestadas ignoram este conceito elementar. Estão empolgadíssimos com seus estudos e suas novas fórmulas que, por si só, representam, apenas, teses matemáticas que podem ou não corresponder a verdades físicas, pois, se todo fenômeno físico é equacionável, não significa dizer que toda equação corresponda a um dito fenômeno. A equação do primeiro grau representa uma reta e a do segundo grau uma parábola, não obrigatoriamente trajetórias de algum móvel.

 

Então, as equações apresentadas podem definir conceitualmente uma idéia em si, só que não se obriga a ser uma verdade. Os doutos estudiosos equacionaram a existência de onze parâmetros siderais que eles chamam de dimensão. E compararam seus estudos com a tese das supercordas da qual já comentei há tempos, para definir a formação do Universo e que se mostrou incompatível com a teoria do big-Bang, motivo pelo qual o fenômeno da grande explosão foi posto de salvaguarda e, posteriormente, com o estudo do Universo pulsante e anisotrópico, ficou definitivamente considerado como improvável.

 

Quando Erwin Hubble, astrofísico norte-americano recém falecido provou que o Universo era curvo e se achava em expansão – e, como tal, não do poderia ser infinito – a primeira hipótese para sua formação na etapa presente seria a de que ele teria colidido com outro Universo, justificando a provável hipótese do big-Bang não como um fenômeno semelhante ao de um buraco negro que explode por alta compressão para dar origem a uma estrela branca super-nova. Pois estes sábios do programa chamaram ao outro Universo que teria colidido com o nosso e “Universo paralelo”. Uma lástima! Em matemática, como todos sabem, desde a formação mais elementar, paralelos são os entes geométricos que nunca se tocam, como o caso das retas, de trilhos do trem, enfim, impossíveis de se colidirem.

 

Foi uma lástima, o programa, com esse desfecho porque, efetivamente, ele apresentou uma série de conceitos ao alcance dos televisores correlatos com os estudos siderais dos astrofísicos que dispõem da mais sofisticada aparelhagem de observação para análise do espaço cósmico.

 

Dá, agora, para entender porque, no meio espírita, surgiu um comentário sobre Universos paralelos admitindo que seria a Espiritualidade este outro que havia se entrechocado com o Universo material para lhe dar vida tal como a conhecemos.

 

Nada tem que ver uma coisa com outra. A hipótese entrechoque só poderia ser de dois Universos materiais. A probabilidade de um domínio – e não Universo – espiritual atuar sobre a energia cósmica está mais para os estudos que os cientistas estão fazendo acerca dos fameworkers, ou seja, agentes externos ao nosso Universo que atuariam sobre a energia cósmica, dando-lhe forma e vida. É a hipótese sugerida por Murray Gell Mann quando estudou o resultado da colisão de um pósitron (elétron antimatéria) com um elétron, gerando uma série de ocorrências por ele equacionadas e que lhe levaram a admitir que essas partículas seriam comandadas por algum agente capaz de estruturar e comandar seu comportamento dentro do sistema atômico.

 

Não há dúvida de que os cientistas ainda engatinham neste campo. De fato, por si só, a energia fundamental do Universo não seria capaz de se alterar para se transformar sequer em partículas sub-elementares do átomo quanto mais definir a vida biológica em si! Procede a hipótese da existência desses elementos que pertenceriam a outro domínio externo ao nosso e que, segundo alguns astrônomos do Keck II (observatório de Haway), já foram percebidos atuando na poeira cósmica em volta da estrela Alfa Centauro (Kentaurus) para formação de um provável sistema planetário.

 

Mas, daí a se concluir que este domínio ao qual pertenceriam tais agentes teria se chocado com o nosso vai larga distância, como também se torna impossível fazer com que algo paralelo colida conosco. 

 

Artigo recebido via e-mail, 25/dez/2003, diretamente do autor

 

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.