Artigo

T.V.P.

Carlos de Brito Imbassahy

cbimbassahy@terra.com.br

 
 

 

Convidado a participar, nesta segunda-feira de Zumbi dos Palmares de 2006, do programa matinal da Rádio Roquete Pinto – Rio de Janeiro –, a convite do insigne radialista Jorge Ramos e seu comando, dentro do tema “Hipnose e Regressão da Memória”, pude constatar que, de fato, o assunto é de grande interesse e que, mais do que muitos outros, há uma preocupação a seu respeito, motivo pelo qual fui levado a redigir esta página dentro do que fora debatido no aludido programa.

 

Primeiramente, vejamos o que seja hipnose:

 

Vem do grego, onde Hypnos é o deus do sono, filho de Elebus – (que deu o nome a um vulcão da Antártica), precipitado por Zeus no Tártaro, local que sugeriu o “purgatório” cristão, depois de se envolver com os Titãs – e da Noite, irmão de Thanatus, a morte, neto do Caos; sem dúvida, uma grande família.

 

O termo acabou se transformando, nos diversos idiomas europeus em “sono forçado” geralmente obtido a partir de um condicionamento exercido por outra pessoa no dito hipnotizado.

 

Quem primeiro estudou esse condicionamento hipnótico foi Frans Anton Mesmer (1776 – 1847), médico alemão que descobriu que poderia transferir energia para os pacientes aplicando-lhe as mãos e vibrando com seu pensamento, daí dar-lhe a este ato o nome que, em nosso português, foi traduzido como “passe”. À aludida energia, Mesmer chamou-a de magnetismo animal, assimilando-a ao efeito dos campos magnéticos.

 

Mesmer ainda descobriu que auferia melhores resultados se levasse seu paciente ao sono que passou a ser conhecido como hipnótico, durante o qual poderia sugestionar seu paciente a exercer sobre si um melhor comando sobre seus problemas doentios.

 

Muitos foram os seus seguidores, até chegar ao neurologista francês Jean Martin Charcot que definiu a hipnose como sendo histeria, tendo em Sigmund Freud seu principal seguidor.

 

Já a regressão da memória teve outra trajetória; antes, tendo ido à Grécia e estudado Egiptologia, Carl Bonnet (1720 – 1793), pesquisador suíço, trouxe para seu país um novo estudo conhecido como Palingênese, ou seja, estudo das vidas sucessivas, influindo no pensador místico francês Pierre Simon Ballance (1776 – 1847) que acabou introduzindo seus estudos em França, mais particularmente, nos salões literários da Mme Recammier, esposa do banqueiro mais importante do país, a partir do que passou a ser um assunto de maiores estudos, de melhores conhecimentos e aceitação.

 

Esse estudo da reencarnação tornou-se desenvolvido através de sensitifs que percebiam, ouviam, conversavam ou, até mesmo, davam passividade a manifestações de Entidades ditas falecidas que vinham dar ciência da sua sobrevivência e informar a respeito das existências pretéritas.

 

Todavia, foi um coronel médico do exército francês chamado Albert De Rochas que, empregando as técnicas da hipnose num de seus pacientes, em vez de colocá-lo em sono condicionado, fê-lo regredir involuntariamente à observação e vivência de fatos da sua infância, ato esse que passou a ser conhecido como regressão da memória. Curioso, De Rochas, resolve aumentar a indução erroneamente dita hipnótica, ou condicionamento controlado a fim de ver que fenômeno obteria com isso. O que aconteceu foi que o paciente regrediu até a sua fase fetal, tendo ocasião de dizer que era um Espírito liberto do corpo material a comandar a formação do seu futuro corpo somático no útero materno, tendo, contudo, condições plenas de observar os fatos que ocorriam em volta da sua mãe.

 

Tudo teria ficado por aí se o próprio De Rochas não resolvesse, em outras experiências, com outros pacientes, fazê-los regredir além do ventre materno, verificando que todos eles caiam em prováveis vidas pregressas, ou seja, descreviam-se como sendo outra pessoa em tais ou quais condições, com outra vida, em datas anteriores.

 

Em síntese, caiam em encarnações passadas, com características diversas da que possuíam na encarnação presente, durante o transe. Era a comprovação da aludida palingênese.

 

De Rochas teve como auxiliar um outro pesquisador, Flournois, que viajou por diversos lugares do mundo, com o objetivo de verificar se tais pessoas vividas pelos pacientes sujeitos à regressão da memória haviam, de fato, existido, chegando à conclusão de que, várias delas foram reais e coincidiam com a vivência personificada pelo paciente sujeito ao transe de regressão.

 

Daí, esta técnica passou a ser diversificada por diversos experimentadores, contudo, a regressão da memória não depende de tal condicionamento: pode ser espontânea, durante sonhos, ou simplesmente e transes sem nenhum condicionamento, onde o paciente se vê lançado a vidas passadas, sendo ele próprio o protagonista de outra personalidade,  com outra atividade, enfim, embora se sentindo ele próprio, contudo, vivendo outra vida. Sempre em datas pretéritas.

 

A partir dessas aludidas experiências, certos observadores passaram a perceber que algumas das doenças e mazelas de seus pacientes estavam intimamente ligadas a fatos ocorridos e revivenciados pelos mesmos em transe, nas aludidas vidas pretéritas, surgindo, assim, a idéia de que poderiam fazer um tratamento nestes pacientes levando-os à cura pela terapia condicionada, agindo diretamente no inconsciente do pesquisado.

 

Vários médicos, principalmente, médicas em sua maioria, têm logrado grande êxito em tais tratamentos que passaram a ser conhecidos como TVP (Terapia de Vidas Passadas). 

 

Está claro que tal técnica só pode ser usada por pessoas credenciadas que, além de possuírem o curso de Medicina, são capazes de atuar sobre seus pacientes, de forma precisa, condicionando-os com pleno domínio do fenômeno, para que não transforme o transe em mais um problema para o mesmo.

 

Muitos são os que se sujeitam a tais tratamentos e acabam perturbados, além da doença que já possuíam. Contudo, o testemunho de vários médicos tem levado estes pesquisadores a resultados excelentes, principalmente em casos psíquicos e de doenças causadas por atos cometidos nas aludidas vidas pretéritas vivenciadas pelo paciente.

 

Isto, todavia, não evita que aventureiros e mal intencionados usem esta técnica para auferirem lucros e obterem vantagens sem escrúpulos, usando pessoas vítimas de problemas que se deixam levar por suas respectivas lábias.

 

Por isso, realmente, tem-se que ter enorme cuidado em se saber com quem o doente vá se tratar, não se deixando levar pelo simples fato de o executor do tratamento possuir títulos, quiçá de médicos, porque não é apenas o título mas a capacidade do mesmo em aplicar tais métodos.

 

Claro está que não se trata de conceito religioso, embora o Cristão em suas diversas seitas e o Islâmico, da mesma forma, não aceitem a reencarnação como verdade, porque, para eles, a alma do falecido tem destino certo e irrevogável após o fim desta vida terrena que, para eles é única. As duas maiores religiões do mundo – Hinduísmo e Budismo – porém, são reencarnacionistas, motivo por que os principais pesquisadores deste fenômeno, como Ian Steevenson, são asiáticos já que, para eles, a posição religiosa não abala a científica.

 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.