Artigo

(Físico)

 
 

 

Pontifier é um neologismo do idioma francês e, como tal, um galicismo – pontificar – no nosso idioma.

 

O termo original latino pontifex, icis originou o conceito de pontífice, que, no velho Lácio definia o dignitário eclesiástico; segundo Varron, inicialmente, significaria o fazedor de pontes e passagens e a origem de corpo de “sacerdotes” propriamente é referente aos responsáveis pela construção da ponte Siblicius.

 

A Enciclopédia cita três Varrons, todos latinos; o mais antigo seria Publius Terentius Varro (dito Varron), nascido em Narbone; era poeta e possivelmente não é a ele que se refira tal citação. O segundo deles, Terentius Varro, cônsul romano do século III, foi derrotado por Aníbal em Canes no ano 216 e finalmente, o mais provável, Marcus Terentius Varro, polígrafo nascido no ano 116, foi autor de 5 livros do idioma latino. E já que estamos no campo das especulações lingüísticas ligadas à Igreja romana, podemos acrescentar – e nunca é demais lembrar – que, ab initio, os sacerdotes da nova religião do Império latino passaram a se chamar presbyter, eris (do grego, presbyteros – idoso) que deu em francês “prêtre” por corruptela e presbítero em português que, posteriormente, passou a ser chamado de padre (no latim: pater – pai) da Santíssima trindade. Tanto é que o presbitério vem a ser a convenção de padres de uma paróquia ou diocese.

 

Desse mesmo termo aproveitou-se Jean Calvin para auto-determinar seu movimento cristão de “Presbiterianismo”, ou seja, o estudo do presbitério.

 

Mas, para muitos, isto é cultura inútil.

 

O verbo “pontificar” portanto, usado, até, como “ditar cátedra” segundo certa definição, teria tomado um sentido figurado àquele que representara no velho idioma latino. Todavia, a verdade é que, em Roma, existia um colegiado, inicialmente composto de cinco membros, conhecido como “pontifício” e composto das mais importantes figuras sociais daquela época, sendo que o principal deles era dito “sumo pontífice” onde summus quer dizer supremo em latim e zomos é a essência do limão em grego, daí o duplo significado de “sumo”.

 

Este aludido pontificado que possuía apenas cinco membros, foi crescendo gradativamente até quinze participantes. A dignidade de pontífice, inicialmente reservada a nobres, tornou-se, em seguida, accessível aos plebeus de destaque.

 

Contudo, só os nobres é que detinham os títulos da alta hierarquia. César foi um sumo pontífice, título máximo desta aludida hierarquia romana e Augusto também o foi, bem como seus sucessores no trono.

O conceito religioso advém de Constantino, no ano 392, que determinou a seus pares e membros do pontificado que organizassem a nova religião do império romano calcada nas pregações dos apóstolos Pedro e Paulo a respeito dos ensinamentos de Yoshua Ben Yussif, posteriormente conhecido como Jesus, o Cristo, exigindo, todavia, que a nova doutrina respeitasse os princípios de Amon, o Deus Sol por ele adorado, motivo pelo qual, em vez do sabat bíblico, a nova religião romana consagrou o dia do sol (domingo) como sagrado.

 

Este colegiado só foi dissolvido pelos filhos de Teodósio; isto ocorreu por volta do séc. VI quando, então, os supremos sacerdotes da Igreja, conhecidos como Papa – até hoje – a partir de então, passaram a se considerar “sumo-pontífices”.

 

Não se pode dizer que a Igreja tenha usurpado tal título porque, afinal, de fato, eles são os herdeiros do antigo colegiado que unia o poder do imperador ao da suprema corte religiosa.

 

Não se encontra na literatura de Cícero, Virgílio e outros escritores da velha Roma nenhuma citação a esse respeito porque eles são anteriores, até mesmo, ao pontificado dos cinco que deram origem ao Conselho em pauta.

 

Infelizmente, nossa era está sendo “pontificada” por uma série de seitas religiosas ditas cristãs, que negam a Igreja romana e criam uma nova conceituação evangélica sobre a doutrina de Jesus, cada qual tendo seus pastores – alguns considerados bispos – e, sem a correspondente hierarquia eclesiástica, esses dirigentes é que são os grandes sacerdotes de cada uma dessas novas doutrinas.

 

E tudo teria começado com três contestadores do Papa, ditos protestantes por protestarem, evidentemente, lá pela época da descoberta do Brasil e pouco além, que foram eles Martin Lutter (Lutero) teólogo alemão, com suas 95 teses (1517) contra as indulgências de Leão X, o que lhe valeu, três anos após a excomunhão, Henry VIII, criando a Igreja anglicana, também conhecida como presbiteriana, por analogia ao movimento calvinista a fim de não mais prestar obediência ao sumo pontífice considerado um “estrangeiro” pelo reino Unido e, finalmente, Jean Calvin, o último deles, em França com seu “Puritanismo” já citado acima. Seus seguidores foram dizimados pelos fiéis à Igreja Romana na fatídica noite de São Bartolomeu.

 

Foi assim que começaram a surgir as novas igrejas cristãs que hoje proliferam em massa, aos magotes, com as mais diversas e variadas formas, fazendo com que o velho cristianismo de Pedro possua as mais diversificadas variações, cada qual se tendo como “dona da verdade”. E Jesus falava em um só pastor, um só rebanho...

 

E, como em Ciência, a verdade é uma só, ante tantas igrejas, não se pode dizer qual delas seja a verdadeira.

 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.