Artigo

I - O Perispírito ante a Psico-bio-física

Carlos de Brito Imbassahy

cbimbassahy@terra.com.br

 
 

 

01 – Conceitos Gerais

 

O conceito de perispírito surgiu com Kardec, quando analisou os fenômenos ditos espiríticos e, com a pobreza de conhecimentos científicos da sua época, usou os termos técnicos empregados àquele tempo para tentar definir o que deveria ser o aludido sujet por ele conceituado.

 

Assim, vamos encontrar, primeiramente, em “O Livro dos Médiuns” os seguintes conceitos e considerações:

 

Item 3 – cap. I – 1ª parte: diz Kardec que, além do corpo (ou envoltório material) o Espírito encarnado tem um segundo envoltório semi-material que o une ao primeiro.

 

Diz ainda que o perispírito constitui para o Espírito um envoltório fluídico vaporoso, mas que apesar de ser invisível a nossos olhos, não deixa de possuir  certas propriedades ditas materiais.

 

Destaque-se, portanto, a idéia de que o perispírito seja considerado “semi-material” além de se tratar de envoltório.

 

Já no item 50 – cap. IV – 1ª parte, a afirmativa nos leva a admitir que o perispírito se torna um componente da alma (Espírito encarnado) e juntos formam um todo.

 

Na 2ª parte, ainda vamos encontrar no item 54 – cap. I – a informação de que o perispírito é o intermediário de todas as sensações que o Espírito transmite sobre o corpo.

 

Ainda no item 75 – cap. IV – desta segunda parte, o perispírito é definido como um “fluido condensado” e que se prende ao corpo quando encarnado, mas pertence ao Espírito quando liberto, tecendo comentários a respeito de suas propriedades.

 

Estes são os principais destaques para nosso estudo e que convém que sejam conhecidos.

 

Há meio século, quando fiz um estudo científico a seu respeito, baseado nestas informações e em meus parcos conhecimentos de professor de Física, comparei o perispírito ao campo magnético de uma fita de gravação de som e imagem que, na época pontificava como sendo o grande invento para se gravar programas de TV. Evidentemente, resguardando as respectivas características de um e de outro já que o estudo seria comparativo e não correspondente.

 

Desde aquela época até a presente data, muita coisa foi acrescentada ao conhecimento humano e as pesquisas científicas no campo da existência da vida terrena revolucionaram por completo todos os conceitos de que se dispunha para análise deste assunto.

 

Todavia, no meio espírita brasileiro, os tradicionalistas ainda se louvam em obras mediúnicas isoladas ou em suas considerações particulares a respeito do texto do codificador. Muitos insistem em considerações errôneas e incompatíveis com o que a Ciência já descobriu experimentalmente e que contraria algumas dessas mensagens mediúnicas de Entidades famosas no dito meio espírita brasileiro.

 

A Física mudou muito com as novas descobertas, contudo, de Kardec até então a mudança foi muito maior neste campo e, com isso, conceitos científicos da época usados por Kardec tiveram novas conotações que os tradicionalistas insistem em não aceitar, esquecendo-se de que tais atualizações se baseiam nas novas verdades descobertas.

 

Um destes exemplos é o caso da energia que, sendo completamente desconhecida em sua estrutura, no século XIX, era chamada de “fluido”, até a eletricidade era conhecida como “fluido elétrico” conceito que atualmente só define os líquidos e os gases porque a energia não é material.

 

A matéria é um dos estados físicos da energia.

 

É, pois, plenamente aceitável que se considerasse a energia quântica – que era dita radiante – fosse considerada semi-material por se constituir da mesma energia fundamental sem ser matéria.

 

Todavia, ignorando isto à época, Kardec também a definiu sabiamente como “semi-material” da qual o perispírito teria origem. A matéria era tudo em sua época e o que não fosse material não existiria ante o que se conhecia. Se, ainda não se sabia que a molécula era composta de átomos, quanto mais relativamente à existência de partículas e sub-partículas atômicas! Inda mais relativamente à energia fundamental, origem de tudo que se defina como sendo material ou, simplesmente, existencial, em nosso Universo.

 

Já fora de grande ousadia, como foi dito, Kardec considerar conceitos energéticos como sendo “semi-materiais” evidentemente, um absurdo no conceito atual, porém, única explicação encontrada àquela época para conceituar o que não representava matéria, no caso, o estado físico da energia condensada.

 

Infelizmente, alguns doutos divulgadores da doutrina espírita que seguem obras mediúnicas e outros que têm interpretação própria a respeito dos textos de Kardec, mas que não têm sequer o mínimo conhecimento do que já foi feito em pesquisas científicas – evidentemente fora do movimento espírita – resolveram conceituar o perispírito com critérios próprios, cometendo terríveis erros de natureza científica. Este foi, pois, o motivo pelo qual me levou a voltar a um assunto que já abordara em tempos passados.

 

Do que escrevi àquela época, muita coisa nova surgiu, motivo pelo qual sou obrigado a admitir que meus antigos conceitos têm que ser reformulados. Todavia, um deles não muda: o perispírito, segundo as pesquisas científicas é um campo quântico que Kardec não poderia explicar numa época em que, sequer, a energia era conhecida.

 

A Ciência paranormal da atualidade dá o nome ao perispírito de psicossoma, (do grego: psikê – alma + soma – corpo) altamente coerente com as considerações de Kardec e seus estudos que envolvem uma pesquisa profunda a respeito da sua existência.

 

Para os que não leram nosso trabalho anterior, cabe lembrar que fazíamos uma referência às primeiras descobertas relativas ao perispírito em 1945, pelos italianos financiados pelos nazistas ao descobrirem que a mulher, mesmo que já tivesse engravidado anteriormente, só se tornava fértil se viesse a apresentar um campo bio-magnético em seu ventre que comandasse o processo desde a fecundação até a formação final do feto. Eles imaginaram que seriam capazes de criar um campo artificial idêntico em proveta, com isso, dominariam a criação de seres por processos científicos sem necessidade materna.

 

Teve, assim, a origem de todo o estudo que, atualmente, tem outra concepção inteiramente diversa daquela que o eixo nazista adotara em seu materialismo.

 

Pesquisas mais modernas comprovam que a formação fetal depende, sem dúvida, de um campo energético estranho à mãe e que atua em seu ventre para estruturar o feto que virá a ser gerado. Tácito e indiscutível. Caso contrário não haverá fecundação porque este campo comanda até a seleção do espermatozóide que deva fecundar o óvulo.

 

Todas essas pesquisas são feitas com aparelhos espectrográficos específicos que não deixam dúvidas relativas a seus registros e que, como tal, não podem ser desmentidos por hipóteses específicas de opiniões individuais, muito menos de mensagens mediúnicas atribuídas a Entidades espirituais pseudo-sábias.

 

“A título de lembrete: os espectrógrafos mais primitivos são os eletrocardiógrafos e os eletroencefalógrafos”. Atualmente eles têm grande atuação nas salas cirúrgicas, captando o campo vital do paciente.

 

Todavia, o fanatismo de certos pregadores que se dizem espíritas passa a ser responsável pela contestação científica devidamente comprovada pelos aparelhos e quando alguém se refere a esses resultados científicos, a alegação eterna do fanatismo é de que a doutrina é “outra”, embora o próprio codificador tenha dito que ela caminharia com a Ciência e suas novas descobertas.

 

Cabe, agora, perguntar: – e o que as pesquisas descobriram?

 

Primeiramente, que a vida depende de um campo dito “psi-quântico” (concepção do Dr. Hernani G. Andrade) que comanda a formação do feto, campo este que tem propriedades compatíveis com o corpo somático da vida humana na qual vá nascer.

 

Todo campo quântico, sem dúvida, é um fenômeno proporcionado por uma fonte que vibra sob ação de um agente físico, a exemplo do mais elementar deles, que é o acústico: temos uma corda de violão; um agente físico – o dedo do músico – que atuará sobre a corda e a fará vibrar; assim, a corda emitirá uma certa quantidade de energia acústica que se propagará em um meio, neste caso, o ambiente; e assim sucessivamente.

 

Ora, portanto, se o que foi detectado pelos espectrógrafos como sendo aparentemente a causa da formação fetal se trata de um campo, evidentemente, ele deverá ter sido causado por uma fonte que vibra sob ação de um agente estranho.

 

É isto que os cientistas estão pesquisando.

 

02 – No campo experimental

 

Desde que os italianos sob influência nazista descobriram o aludido campo uterino (1944) responsável pela gravidez e julgaram que pudessem estruturar artificialmente em uma proveta um outro em idênticas condições, as pesquisas passaram a ser feitas em torno desta idéia, que evolveu para outras experiências, com destaque para “a pesagem da alma” feita pelos suecos e as descobertas de Harold Saxton Burr que podem ser conhecidas na leitura do seu livro que tem o nome de “Life’s Field (Campo de vida).

 

O Papa Pio XII, com o término da Grande Guerra proibiu o estudo dos italianos e tudo se resumiu a notícias dadas pelos diários franceses. A idéia materialista de que a vida dependia de um mero campo energético contrariava qualquer posição da Igreja, motivo pelo qual, independente dos futuros resultados, ela agiu para que tais pesquisas fossem extintas.

 

Os russos, ainda na era comunista, também se dedicaram à pesquisa do perispírito por eles conhecido como “psicossoma” – corpo psíquico – e que, como tal, nada teria que ver com os conceitos religiosos que definem o Espírito como “sopro divino”. Lá, a Igreja nada pôde fazer.

 

Todas estas pesquisas levadas a cabo concluíram que, de fato, a vida dependia de um campo cujo indutor era desconhecido, mas que poderia ser comparado ao campo de um imã, produzido por um deles, cada qual com suas características inerentes ao imã correspondente. Só não conheciam a causa correlata com o imã.

 

O imã agregava limalhas de ferro e níquel, o campo psicossomático agregava células orgânicas. Eis a diferença.

 

No caso da “pesagem da alma”, os suecos acoplaram um dinamômetro ao espectrógrafo usado para detectar este aludido campo, e concluíram que, no momento agônico, exatamente no ato da morte, o campo de vida perdia 22 g* ou seja, vinte e dois gramas-força e o resto continuava latente no corpo humano devido às células orgânicas ainda vivas. A primeira conclusão, portanto, mais do que óbvia, foi a de que este campo é que determinava a vida personalística do corpo humano e não o das suas células, como supunham os materialistas.

 

Afinal, sem o aludido campo, todavia, tais células se degradavam segundo o que, para eles, este campo estruturador estaria intimamente ligado aos frameworkes – agentes estruturadores das partículas atômicas – responsáveis pela aludida estruturação desde as partículas mais elementares até o átomo. No caso, o “campo de vida” seria o que Kardec definira como “perispírito” e o agente estruturador seria, portanto – e por correspondência – o Espírito encarnante. Suas características corresponderiam a um ser humano enquanto que, no caso das partículas, o dito agente estruturador se restringe à condição elementar das partículas atômicas correspondentes.

 

Tudo estaria, ainda, a passos mínimos se, para conhecimento geral, a equipe de astrônomos de Palomar não viesse a lume dizer que, no Universo existia 73% de nada e apenas 27% de energia e que, a partir desse “nada”, que os aparelhos ópticos não eram capazes de detectar, surgia um peso sem massa (força cujo agente não era detectado) capaz de atuar no Universo modulando-o e agindo, principalmente sobre a poeira cósmica, para dar origem a uma série de astros, como os planetas.

 

A obra intitulada “A Teoria do Nada”, tendo Sten Odelwald como principal observador astronômico, dá-nos uma idéia dessa descoberta.

 

Com isso, para a filosofia asiática reencarnacionista (Escola indiana), o nada seria aquilo que conhecemos como “Espiritualidade” e que, por não se constituir de energia cósmica, nossos aparelhos ainda não são capazes detectá-la em sua forma.

 

Para que se possa melhor entender o perispírito como “campo” cabe lembrar o conceito físico elementar do mesmo: o campo pode ser definido como sendo a área física em torno de um agente qualquer sobre a qual sua ação é percebida.

 

Exemplificado: em torno de uma fogueira há uma região que seu calor é percebido; seria, pois o aludido campo térmico da mesma. O imã é sempre o exemplo ideal porque em sua volta há uma região restrita de atração fora da qual ela não é sentida.

 

Evidentemente, esta região sobre a qual o agente atua não é, apenas uma área influenciada por ele, mas uma região impregnada da ação do agente sobre a qual ele atua. Os campos têm propriedades próprias e, aparentemente, não se encaixariam no conceito de perispírito se, apenas forem geometricamente considerados.

 

A primeira característica de qualquer campo é a energia que possuam, atuante e correlata com o agente estruturador. O campo do imã tem a propriedade de aglutinar limalhas de ferro e níquel dando a elas uma formação correlata com o imã, criando imagens conhecidas como sendo a configuração das “linhas de força” do campo.

 

Já aí nos dá uma idéia do que Kardec teria dito quando define o perispírito como não sendo material, ou melhor, semi-material, porque teria esta propriedade aglutinadora de reunir a energia cósmica em si como o campo do imã quando atua sobre as aludidas limalhas.

 

Esta energia cósmica modulada por um agente físico que atua em determinada região em torno do seu agente estruturador é conhecida como sendo um dos estados físicos da energia fundamental. Assim, o conceito de “semi-material” emitido à época de Kardec satisfaz plenamente às condições de conhecimento da atualidade.

 

Sim, o perispírito só teria sentido se fosse capaz de agir de forma semelhante, agregando energia cósmica em seu campo para que pudesse atuar sobre as células orgânicas fetais no útero materno, quando no processo encarnatório.

 

O campo do imã também é formado de energia agregada a ele sem o que jamais atuaria sobre as limalhas.

 

Ora, cabe lembrar que, na época de Kardec não se conhecia a energia o próprio Newton teria definido a energia cósmica fundamental como sendo um fluido, o FCU. Portanto, naquela época, não sendo material, só poderia ser considerado como “semi-material”. Entenda-se, pois, dessa forma, o conceito em tela.

 

03 – Propriedades do perispírito

 

A primeira consideração que deveríamos ter é a de que, se tivéssemos que esperar pelas informações dos Espíritos correlatos com o que deva ser o conhecimento humano, não justificaria que tivéssemos que nos encarnar (na Terra, em nosso caso) para aprender as coisas relativas à vida.

 

Portanto, não é nos valendo de informações espirituais que temos que tirar as conclusões, mesmo que ligadas a assuntos transcendentais como o que ora estudamos. Caso contrário, não haveria necessidade da existência de Kardec para a codificação da doutrina que é chamada dos Espíritos: bastaria que nos restringíssemos às mensagens mediúnicas. Além disso, tais mensagens só são consideradas válidas pela universalidade das mesmas, de forma repetitiva e não por informações restritas e exclusivas a determinada Entidade e a um único médium. Esta é a lei espírita.

 

Por isso, o que temos que analisar não é nem opinião própria de pregadores doutrinários interpretando Kardec nem informes restritos a determinado Espírito tido ou considerado como sábio, se a opinião for restrita às suas informações.

 

Dessa maneira, o que temos que levar em conta é o que as pesquisas descobriram e que podem ser verificadas sempre que o experimento for repetido, independente do laboratório que o faça.

 

Assim, rigorosamente coerente com o que Kardec informa em “O Livro dos Médiuns” e na Seleta de artigos da Revue Spirite, vamos chegar às seguintes conclusões obtidas pela verificação feita em laboratório com uso de aparelhos espectrográficos capazes de detectar o aludido “campo de vida”: 

1 – O perispírito é elaborado pelo Espírito segundo suas necessidades junto ao mundo cósmico em que vá viver;

 

2 – É um campo quântico de natureza psíquica capaz de estruturar células orgânicas e formar corpos somáticos;

 

3 – Em decorrência da propriedade anterior, ele detém a condição de transmitir ao corpo dito somático as suas necessidades orgânicas decorrentes da vida que deva ter;

 

4 – Como tal, comparando ao campo de uma fita de gravador, ele pode interferir diretamente no corpo somático modulando-o para que ele se estruture segundo suas necessidades encarnatórias.

 

5 – No sentido inverso, ele pode gravar tudo o que o encarnante faça durante sua vida terrena, sendo o arquivo temporário das suas reações; dessa forma, nossas atitudes presentes podem se refletir nas vidas futuras e o “assim como fizeres, assim acharás” terá plena justificativa, lembrando que, como numa pilha elétrica, toda energia que se emana de um pólo volta para o outro, fechando o circuito; caso contrário, ela não circula pelo mesmo.

 

6 – Sendo transitório, como todo e qualquer campo, decorrente da ação indutora do agente, ele não poderá ser o registro de nossos atos, ou seja, a “memória inconsciente” freudiana, arquivo de todos os nossos atos passados, mas servirá de elo entre nossa vida encarnada e os demais campos e sistemas integrados do Espírito.

 

7 – Do mesmo modo que um campo de um condutor elétrico se modifica de acordo com a corrente que passe por ele, também o perispírito será modulado pela índole ou variação de sentimentos do Espírito, motivo pelo qual este necessita de um ambiente compatível com a sua evolução para nele se encarnar, a fim de que seu perispírito possa atuar nas energias materiais do mesmo.

O que se pode advir é que tudo isso foi comentado por Kardec sem que, à sua época se tivesse noção ou o conhecimento atual correlato com um campo energético e principalmente, de natureza psíquica.

 

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Texto recebido diretamente do autor via e-mail

Sent: Thursday, November 22, 2007 1:11 PM

Subject: O Perispírito ante a Psico-bio-física

 

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.