Artigo

O Mistério das Cianofíceas

Carlos de Brito Imbassahy

 
 

 

Um dos assuntos mais discutidos dentro da Gênese terrestre é o aparecimento da vida em nosso planeta.

Aventam-se várias hipóteses, desde a idéia de que ela possa ter vindo do Espaço, trazida por algum bólido perdido que consigo conduziria seres elementares capazes de semear os primórdios de forma biológica existente com condições a dar origem ao ciclo evolutivo da espécie, até as absurdas afirmativas de Moisés, no Pentateuco, atribuindo a um ser fantástico assimilado à idéia de um Deus antropomórfico que, por vontade própria, teria criado tudo a seu modo e maneira.

A tese mais simpática e próxima das concepções espíritas era a dos frameworkers, ou agentes estruturadores externos que, atuando primeiramente na energia cósmica, teriam-na modulado dando origem às primitivas formas de partícula atômica.

Com isso, agentes superiores, capazes de agregar essas partículas, formariam os átomos; dos átomos às moléculas, da molécula às substâncias e daí aos corpos em si.

A tese é coadjuvada pela descoberta da ação de agentes extra-universais na poeira cósmica formando planetas em torno da estrela Alfa Centaurus feita no observatório Keck II do Haway.

Adaptando-se esta mesma concepção à Biologia, surge a hipótese da existência de framworkers biológicos que, atuando nas cadeias das substâncias carbônicas (ou orgânicas) teriam estruturado a primitiva vida biológica que poderia ser o plâncton. A partir dele, agentes superiores atuariam em sua transformação dando origem aos fitozoários primitivos e as formas de algas primitivas ou talófitos aquáticos que cresceram, desenvolveram-se, migraram da água para a terra firme e passaram a viver sob a influência atmosférica, dando origem à vegetação em si, de acordo com o processo evolutivo das espécies.

A tese dos agentes estruturadores quando a equipe de Palomar, tendo à frente Sten Odenwald, descobriu que o Universo é composto de 73% de “nada” – peso sem massa – e 27% de energia cósmica (que Newton chamou de FCU) o que, por si só, já explicaria a existência dos aludidos frameworkers não pode ser constituída de energia cósmica, senão, deixaria de ter condições de atuar sobre ela, modulando-a, já que seria efeito dela própria e não causa.

Pode-se, pois, fazer um correlação entre o ‘domínio dos estruturadores” e a Espiritualidade o que colocaria a tese em questão dentro dos liames doutrinários do Espiritismo, o codificado por Kardec e não o adotado pelos evangélicos baseado em Paulo de Tarso.

Neste pé, tudo teria uma explicação lógica a partir da formação dos plânctons como origem da vida biológica, só que, recentemente, escavações de pesquisa arqueológica acabam de encontrar a uma profundidade abaixo dos 3.000 metros, numa camada pré-geológica primitiva, a existência de cianofíceas que lá estariam vivendo desde os primórdios da formação do planeta, evidentemente, anterior à formação dos plânctons.

Com isto, muita coisa vai mudar na concepção da formação da vida no planeta.

Isto fez com que uma bióloga estudiosa procurasse pela Internet, no meio espírita, induzida por companheiros, uma explicação para tal fato e como os pregadores da doutrina analisariam ou interpretariam o fato perante os conceitos doutrinários; segundo sua queixa, ela teria sido destratada em Salas Espíritas do Paltalk pelos seus responsáveis, por inconveniente e importuna. Estaria atrapalhando os estudos.

Isto fez com que ela protestasse junto a seus amigos e um deles, espírita, mandou-me sua queixa, pedindo-me esclarecimentos. Como não sou especialista no assunto, tratei de recorrer aos demais e, com isso, o tema encontra-se na pauta da discussão pela Internet, o que me fez consultar uma colega de magistério, só que ela, era bióloga de profundo conhecimento, não tem a mínima noção de Espiritismo, o que a impediu de fazer correlações entre as descobertas e o mundo invisível.

Do que ela me expôs fiz o seguinte resumo que coloco à apreciação dos demais:

Cianofíceas - nos estudos biológicos arcaicos eram consideradas algas azuis, daí seu nome advindo do grego kyanos = da cor do céu + a desinência referente a talófitos, todavia, posteriormente, foi verificado que elas, como as moneras e as bactérias, não possuem núcleo organizado embora possuam citoplasma onde se dispersa seu material genético.

Por esse motivo, elas não podem se enquadrar como algas.

Suas características levaram alguns biólogos a admitirem que constituem um reino à parte, sem características biológicas próprias e recentemente, com pesquisas de profundidade, foram encontradas em camadas geológicas anteriores ao pleistocênio e levadas a admitir que sua existência seja anterior à formação dos plânctons.

Até a presente data não foram obtidos resultados que caracterizem sua formação, ou seja, como tenham surgido em nosso planeta, contudo, a hipótese de que elas sejam advindas do Espaço sideral não tem nenhum amparo científico apesar de as mesmas não carecerem da respiração que exige sua vida a partir da existência do oxigênio.

Sua aparição é um mistério para a Ciência.

Também não existe nada que possa afirmar que os plânctons sejam advindos da transformação das moneras sob ação de agentes externos porque suas respectivas características não explicam qualquer correlação.

É, pois, de se supor que sua existência terrena não seja a origem dos seres do reino vegetal, mas, uma necessidade para criar em nosso orbe, a vida biológica, já que as bactérias têm uma profunda correlação na vida do protozoário.

Da minha parte, quero dizer que entendi muito pouco, mas o suficiente para admitir que, de fato, estas tais cianofíceas tenham existido nos primórdios da formação biológica como uma necessidade para que os fitozoários tivessem vida.

O que eu entendi, como leigo em Biologia, é que, da mesma forma que nossos organismos humanos necessitam das células (Citologia) orgânicas para se formarem, também, as vidas biológicas primitivas tenham tido necessidade das tais bactérias elementares para sua formação.

Se disse alguma tolice, os biólogos que me perdoem, porque não é minha área de conhecimento.

Juntando, agora, a tese dos frameworkers, ou seja, dos tais agentes estruturadores que tenham, provavelmente, agido sobre a substância mineral carbônica para transformá-la em vida biológica (plânctons), a fim de poderem estruturar os primeiros seres vivos (biológicos - fito e zôo), tiveram, inicialmente, que possuir tais elementos celulares primitivos sem os quais não poderiam estruturar as primeiras formas biológicas.

Lembremo-nos de que, para nós, espíritas, os frameworkers, na verdade, nada mais seriam do que agentes espirituais primitivos capazes de estruturar este tipo de formação inicial, tal como a alma é a responsável pela estruturação do feto humano.

 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.