Artigo

O Estruturador Quântico

Carlos de Brito Imbassahy

(Físico)

cbimbassahy@terra.com.br

 
 

 

Em 1901, Max Planck, o gênio da Mecânica Quântica, não podia imaginar que revolucionaria toda ciência, de um modo geral, expondo sua nova teoria relativa à energia.

 

Decorrido um século, os estudos do famoso físico de Kiel não mais se restringe à Física, adentrando-se por todas as áreas de estudo e de pesquisa, do que, nem os fenômenos ditos paranormais puderam escapar.

 

Todavia, os materialistas renitentes, que não se conformam com a posição atual da Física, insistem em apresentar sempre motivos para destruir qualquer hipótese que possa sugerir algo além da matéria como causa de alguma coisa. Principalmente, em se tratando daquilo que possa sugerir a presença de um agente espiritual, mesmo que nada tenha que ver com a idéia do “sopro divino” como criador do aludido Espírito humano.

 

E como prova, vamos encontrar no exemplar da revista SUPERInteressante, em edição especial 253-A de jun/2008 uma série de artigos – Por que morremos; Por que os humanos têm consciência; Como a mente pode curar; Porque a homeopatia funciona; Porque algumas pessoas acham que voltaram da morte (e principalmente esta) –  que evidenciam tal afirmativa mostrando que seus autores  desconhecem por completo a atual posição da Mecânica Quântica, senão jamais teriam escrito tanta idéia incabível nos conceitos atuais da existência do Universo.

 

É preciso que se compreenda que a matéria é um “quantum” de energia condensada que não pode se modificar em nada sem que sobre a mesma atue um agente capaz de fazê-la se transformar na aludida matéria. Ora, portanto, sendo efeito da condensação de energia, não pode ser causa de nada. Este é um princípio quântico inalterável.

 

Este fato já está devidamente evidenciado desde 1975, quando Murray Gell Mann descobriu os quarks e verificou que as partículas atômicas eram comandadas por um agente externo que era o responsável por sua existência.

 

Nada disso é levado em conta quando um materialista analisa qualquer fenômeno biológico; apenas se visa àquilo que materialmente possa justificar tal ou qual ocorrência; geralmente, encontram anomalias cerebrais para fenômenos correlatos e atribuem às mesmas a causa do fenômeno, sem procurar o motivo pelo qual tal anomalia cerebral possa ocorrer. Pronto! Para eles, está justificada a causa em si.

 

Se as ocorrências forem no campo dito paranormal, ou seja, que envolva a psique humana, então, evidentemente, toda explicação tem que estar na variação cerebral sem que seja preciso encontrar a causa da aludida variação. Ela ocorre e pronto! Tudo porque nos demais casos não há tal anomalia cerebral; o que se insiste, todavia, é encontrar a causa das mesmas: elas não podem ter aparecido ali por acaso, embora ninguém queira culpar Deus de tais coisas, como fazem os religiosos.

 

Mas o pior ainda é ignorar aquilo que as pesquisas científicas descobriram, como no caso efeito quântico, ou seja, o cérebro é moldado a partir de uma atuação externa que, no caso dos estudos russos da era soviética, seriam produzidos por um psicossoma – nome dado ao life’s field de Burr – que Allan Kardec anteriormente denominara de perispírito e que seria o grande estruturador orgânico responsável, ainda, pela personalidade da pessoa.

 

A coerência deste agente com os conhecimentos quânticos é enorme: primeiro, ele não é material, ou seja, pode atuar na energia cósmica por ser externo a ela e não ser formado pela mesma; como agente, a exemplo do dedo do violonista na corda para fazê-la vibrar, ele atua sobre as células orgânicas estruturando-as, de modo análogo àquele em que as ondas sonoras são formadas.

 

Mais precisamente, pode-se comparar com os estudos quânticos da formação da partícula onde o agente estruturador – também conhecido como frameworker – atua sobre a energia cósmica dando-lhe estrutura que varia conforme o tipo de agente que, no caso da vida humana, ou mesmo animal, seria o mais evoluído de todos os estruturadores porque além de dar forma ao corpo – o somático – também lhe dota de personalidade, coisa que não possuem os das substâncias minerais.

 

É-de se supor, porém, que no Universo haja tipo superior aos estuturadores da criatura humana e que, como tal, seriam capazes de gerar seres mais perfeitos do que os biológicos que existem na Terra; para isso, é importante que habitem mundos superiores posto que nosso planeta é um dos mais atrasados astros do imenso espaço sideral.

 

A maioria dos materialistas que tanto criticam os religiosos peca, exatamente por suporem que só exista vida na Terra, embora neguem a gênese bíblica. Mas, se, por um lado, fogem à idéia de um Deus absoluto, onipotente, criador dos seres e das coisas, causa primária de tudo, também não encontram nenhuma outra justificativa plausível para a existência do próprio Universo e, em particular, das espécies quer humanas quer das demais formas biológicas, geológicas e virais.

Tudo existe porque existe; de fato, muito cômodo! Mas: e a causa? Evidentemente, se, sequer, conseguem imaginar o motivo da existência da vida em si, quanto mais a da perfeição universal que, sem dúvida, está acima da capacidade humana de raciocínio.

 

Em resumo, decorrente dos conhecimentos quânticos e das descobertas que já foram feitas com uso de espectrógrafos capazes de detectar o aludido campo estruturador orgânico, a atual posição desses pesquisadores é a de que a vida em si seria a estrutura mais elevada da existência material em nosso planeta e que ela é devida a um estruturador compatível com a mesma; em síntese, a alma humana seria a maior evolução dos espectros que atuam em nossa esfera e formam os corpos quiçá materiais, até mesmo os biológicos. Como tal, como foi dito, eles são capazes de dotar a criatura não apenas de vida biológica, mas, ainda, de personalidade, o que a torna superior às demais formas estruturadas que constituem a matéria em si.

 

Dessa forma, tal agente é de natureza quântica, sem o que jamais poderia modular a energia universal e dar-lhe forma, quanto mais personalidade. Portanto, justifica-se que, ao elaborar o corpo somático em que vá viver ou ter existência material – em fim, encarnar-se – dote-lhe de todos os fundamentos correlatos com a sua estrutura psicossomática, daí a diversidade entre criaturas, deste as formas orgânicas até – e principalmente – a personalística em si.

 

Claro está que, embora calcados em provas experimentais, tais estudos destroem uma série de hipóteses, tanto religiosas como científicas empedernidas, aceitas como verdade explicativa, reformulando por completo quais conhecimentos restritos a hipóteses não experimentais e baseados simplesmente em observações simples, existenciais, do que se pode ver ou detectar sem se saber a causa. Daí terem surgido as diversas hipóteses explicativas onde a mais fácil foi a de atribuir tudo à vontade de um Deus religioso que varia de acordo com as diversas crenças existente e que, por si só se destroem mutuamente, já que cada seita tem seu Onipotente próprio, individualista e exclusivo dos que o adorem.

 

Para complementar o presente estudo, lembremo-nos do que disse Werner Heisenberg na década de 1940, ao enunciar o Princípio da Incerteza: As partículas que se desviam da rota de lançamento parecem ter vontade própria, como ovelhas desgarradas. Ele admitia que as mesmas agiam como se elas tivessem comando próprio e se rebelassem contra o fenômeno de lançamento de todas elas, mas, como não se podia determinar quais as que iriam agir assim (daí o princípio da incerteza), a única suposição plausível é a de que as mesmas possuíam a aludida “vontade própria”. Evidentemente, elas teriam que possuir alguma forma rudimentar de comando – que no caso humano é o dito espiritual – que independa inteiramente da sua estrutura material.

 

Muita coisa há para se descobrir, todavia, seria interessante que os articulistas da Super Interessante estudassem um pouco mais o assunto sob este prisma antes de radicalizarem suas conclusões em bases puramente materiais e sem fundamento.

 

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Recebido do articulista via e-mail em 30 de junho de 2008 - 18h18m

 

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.