Artigo

O Espírito e o Cérebro Humano

Carlos de Brito Imbassahy

(Físico)

cbimbassahy@terra.com.br

 
 

 

Há três correntes distintas a respeito da vida biológica em nosso planeta e que, como tal, se preocupam com as funções do cérebro.

 

A primeira delas é a materialista, decadente porque tem por base a matéria – evidentemente – como causa de tudo, mas, depois que Einstein mostrou que esta mesma matéria é efeito da condensação da energia fundamental que compõe o Universo em si e, como efeito, não pode ser a causa primária de nada, tudo aquilo que se fundamenta no princípio de que seja decorrente de sua existência passou a ter sérias restrições.

 

Contudo, para grandes estudiosos, há os que analisam o cérebro como o comando da vida somática e das reações corporais, sendo responsável não só pelas nossas ações como ainda pelos distúrbios e funções orgânicas que obedecem a seu comando. Tudo advém de suas funções e delas depende.

 

A prova mais recente desta posição vamos encontrá-la nos estudos que estão sendo feitos em diversos centros de pesquisa de neurociência dos EUA relativos a “áreas de emoções” dos “serial killers”. Segundo tais estudiosos, tudo se resume a distúrbios da amígdala cerebral contida no lobo temporal que seriam provocados por problemas ou defeitos biológicos e que, se corrigidos, provavelmente, irão mudar a conduta do paciente.

 

De fato, noutros casos, alterações feitas nestas regiões em certos pacientes modificaram seu comportamento, sem maiores motivos além das cirurgias, o que se leva a concluir que pudesse, também, alterar o comportamento dos aludidos matadores.

 

Todavia, uma coisa tais cientistas não explicam: – por que nem todos os cérebros têm a mesma formação? O que causa tais modificações? Quais as causas atuantes que fazem com que cada um tenha um tipo distinto de cérebro que comanda suas respectivas personalidades? Enfim, o que causa esta ou aquela variação cerebral que comanda a personalidade? O fenômeno biológico de geração fetal é sempre o mesmo embora os processos de gestação possam sofrer influência do comportamento materno sem que se consiga definir uma linha de formação para cada caso.

 

É o tal problema de causa e efeito: qual a causa da anomalia cerebral?

 

Aí, surge um segundo grupo, o dos religiosos que “culpam” Deus de tudo o que ocorre e dizem que a vida é definida pelo “Espírito” ou sopro divino, evidentemente, executado pelo Criador dos seres e das coisas, dando origem às existências; contudo, se, por um lado, dá a Deus uma onipotência criadora, também lhe atribui a responsabilidade de tudo, o que, sem dúvida, O torna um onipotente criador temperamental que faz boas e más criaturas a seu bel prazer, o que o torna um injusto com o destino de cada um, criando-os bons ou maus sem qualquer justificativa. Desta forma, seríamos simples vítimas desta Sua vontade.

 

Por sinal, como cada religião tem seu Deus próprio, o mundo é vitima de um politeísmo inequívoco, cada Ente divino mais poderoso do que o outro.

 

E não se pode esquecer ainda que a corrente dos religiosos é a maior inimiga do progresso e dos estudos, em síntese: do avanço científico, porque, a cada passo, a cada nova descoberta um dogma religioso é derrubado, como ocorreu com a afirmativa bíblica (Gênese) de que a Terra seria o centro de tudo e que o resto do Universo giraria em seu redor. Que o diga Ptolomeu, que embarcou nesta “canoa furada”.

 

Qualquer afirmativa religiosa é pura questão de fé: não se discute nem se contesta porque tudo seria vontade de Deus, o que explicaria as coisas, mas, se, por um lado, dá ao Criador todos os poderes e causa primária, também atribui a Ele a existência do mal e suas decorrências, ou, então, Ele não seria tão poderoso, nem a aludida causa primária, afinal, o mal não teria advindo d’Ele. Alguém teria tido tal poder contra sua vontade, poder e bondade.

 

O Deus religioso peca pelos absurdos.

 

A terceira corrente talvez a mais antiga, advém do oriente. Atualmente, baseia-se numa lei física que nos diz: – todo fenômeno é repetitivo; um agente capaz de realizar determinado fenômeno é capaz de tornar a provocá-lo sempre que necessário. É conhecida como “corrente reencarnacionista” porque, para seus estudiosos, a vida se repete, já que, se podemos nascer uma vez, pela lei física, poderemos tornar a nascer quantas vezes sejam necessárias.

 

O seu grande problema, todavia, é determinar quando tudo começou, afinal, o fenômeno repetitivo não tem origem nem fim. Onde começaria a linha da circunferência?

 

Mas, sem dúvida, as novas descobertas científicas dão-lhe mais razão do que aos casos anteriores:

 

Desde que Edwin Hubble, o renovador dos estudos siderais, descobriu que o Universo se encontra em expansão e que ele é curvo, definindo-o como periódico e anisotrópico, a teoria do fenômeno repetitivo tomou corpo, até mesmo no caso do Universo que segue um ciclo de vida expandindo-se – fase atual – e, evidentemente, retraindo-se para, novamente, se expandir. É o reencarnacionismo do Universo; mas, ainda aqui resta a pergunta: e qual a origem?

 

No caso do cérebro, a tese reencarnacionista, anterior às pesquisas atuais, encontrou reforço nos estudos de Murray Gell Mann que, fazendo colidir partículas atômicas num acelerador (fermilab) da Stanford University, garantiu que as partículas em si, para se originarem, teriam que ter um estruturador externo ao domínio cósmico (material) do Universo porque, a energia, por si só, nem tem capacidade de se alterar. Esse estruturador, no caso da vida biológica, seria o Espírito.

 

Por outro lado, a equipe de Palomar que atua nos observatórios do Havaí descobriu que existe, sem dúvida, uma força atuante no Universo, conhecida como “peso sem massa” responsável pela formação dos astros em si.

 

Isto reforça a hipótese de que, sem dúvida, o que existe no espaço sideral é devido à atuação de agentes externos a ele, no caso, o tal sopro divino dos religiosos, mas que, sem dúvida, embora confirmasse a onipresença do Criador, não encontraria justificativa para seus atributos de infinitamente justo e bom, porque, do mesmo modo que tais agentes estruturam as coisas boas, também elaboram as ruins.

 

De qualquer forma, a tese dos reencarnacionistas, na sua maioria formada pelos hindus, da Escola de Bose, é a de que as anomalias cerebrais e tudo mais que existe em nosso organismo seriam estruturadas pelo Espírito segundo suas necessidades reencarnatórias.

 

Na Grécia, os estudos palingênicos são resultado da influência egípcia desde o lendário Osíris que pregava a volta à vida terrena de todos os seres humanos e que, para os budistas, obedece a uma roda que leva a alma para os páramos elevados da espiritualidade, mas que a traria de volta se ela estivesse pesada de erros e maldades.

 

Na tese reencarnacionista, cada pessoa é uma seqüência de vida e cada vida é conseqüência dos atos anteriores da criatura. Isto significa dizer que ninguém fica impune de seus erros e que os resgata em vidas futuras, bem como estrutura seu novo organismo em decorrência de suas necessidades biológicas reencarnatórias como ainda induz no organismo os órgãos compatíveis com seu caráter, ou seja, seu cérebro é moldado dentro dessas condições; por isso é que os aludidos matadores, pela sua índole, ao elaborarem seu corpo somático no ventre materno, fazem aparecer os defeitos das aludidas amígdalas que, na realidade, nada mais seriam do que a estruturação do seu caráter espiritual.

 

Uma coisa, pelo menos, é certa: nada existe em vão e tudo tem uma explicação verdadeira; a capacidade humana é que, nem sempre, tem condição de discernir porque a verdade é gradativa e seu conhecimento relativo. A Ciência evolve a cada nova descoberta, contudo, o que resta saber é muito maior.

 

Cabe, ainda, registrar, aqui, a corrente dos “contra” para os quais “a verdade é sempre outra”.

 

Recebido do próprio articulista via e-mail em 04 de junho de 2008 - 11h33m

 

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.