Artigo

O Espírito e a Vida

Carlos de Brito Imbassahy

cbimbassahy@terra.com.br

5ª. parte

 

 

 

Se Vossa Majestade me convocou para provar que o fantasma não

existe, eu sou obrigado a dizer que eles existem.

Sir Williams Crookes para a rainha da Inglaterra

 

 

5ª parte – Os experimentos mediúnicos

 

Como todos sabem Williams Crookes foi considerado o maior sábio da sua época no Império britânico e não seria sem motivo que a rainha da Inglaterra o convocara (1868) para provar que os tais fantasmas que assombravam os castelos escoceses eram uma grande farsa para incrementar o turismo da região.

 

A Igreja Anglicana, por seu Grão Arcebispo, queria que a rainha condenasse tal cultuação, só que, Elizabeth era uma sábia e jamais tomaria qualquer atitude ou decisão sem o devido respaldo que tornasse seu ato altamente justificável, coisa que não ocorre em países cujo regime seja totalitarista ou tenha um governo inepto.

 

Crookes reuniu um grupo de sábios notórios para assessorá-lo e dar-lhe o devido apoio nas pesquisas; há uma pequena publicação a respeito dos seus trabalhos, mas, a principal obra que fala deles é de autoria do Monsieur Dussard, intitulada Recherches sur la Societé Dialectique de London onde transcreve o depoimento que o Engenheiro eletrônico Cromwell Edington Fleetwood Varley prestou à referida Sociedade (London’s Dialectical Society) a respeito das pesquisas que o aludido sábio realizou para provar (ou não) a existência dos ditos ghost – quer goste ou não a Igreja – que assombram castelos e casas de fantasmas.

 

Um grupo sério que não tinha o menor interesse em provar nada, senão a verdade.

 

Como existe uma vasta literatura referente a tais pesquisas, não será necessário descrevê-las, mas dotá-las de subsídios probantes que mostram que os “mortos” sobrevivem ao ato do passamento e continuam vivendo em outra dimensão, com inteiro acesso aos que continuam encarnados em nosso planeta.

 

E a grande desculpa dos evangélicos é que tudo isto seja obra de Satanás, pobre anjo decaído! Mas, no final das contas, ele se torna um paradoxo: tem poderes para contrariar seu próprio criador e engana todo mundo ao qual se apresenta, fazendo-lhes bem, curando, em certos casos, e se apresentando sob todas as formas e aspectos capazes de iludir até as aparelhagens científicas que, sem dúvida, não deveriam se impressionar com tais fatos. Mas Satanás pode. E o Deus bíblico não tem poderes para combatê-lo e mostrar a “verdade” que pregam os evangélicos, apesar de que eles próprios se contradigam mutuamente.

 

Quem denominou de “fenômenos mediúnicos” aos atualmente conhecidos como metanímicos foi Allan Kardec admitindo que o aludido médium assim seria chamado porque servia de intermediário entre o desencarnado e os ditos vivos terrenos.

 

Por outro lado, o termo “metanímico” significa dizer que o fenômeno seja além da ocorrência anímica. E lembremos que anímico é o fenômeno paranormal que não envolve o dito “morto” ou desencarnado, como a telepatia, a transmissão do pensamento, a aloscopia, a regressão da memória, enfim, aquele que o sensitivo realiza sem a presença de nenhuma Entidade espiritual. São seus próprios predicados e um dos mais importantes é o do desdobramento, onde ele sai do corpo e vagueia pelos lugares mais diversos, relatando o que esteja acontecendo em tais lugares, com possibilidades de se comprovar que, de fato, aí esteve.

 

O que pasma é admitir que uma Entidade como Satanás tenha o poder de se apresentar com as características do morto que ele personifica, sabendo de peculiaridades que só o próprio conhecia. Este Satanás é sábio e perfeito! E Deus, apesar de todo poderoso, não pode evitar. Nem tem seus poderes. Além de ser capaz de enganar, até, as aparelhagens, por mais perfeitas que sejam, Satanás consegue personificar qualquer indivíduo, tudo para “ludibriar” os homens e desviá-los do caminho... da Igreja evangélica que vive do dízimo de seus fiéis. E Satanás não cobra absolutamente nada pelo seu trabalho nem visa a lucros financeiros pelo que faça. Não vende tijolinhos divinos para se construir casa no paraíso celestial como fazem certos sacerdotes evangélicos...

 

Hoje em dia, a tecnologia possui sensores capazes de registrar as variações mais sutis de campo de energia e são estes aparelhos que parapsicólogos estão usando para receber comunicação do Além, de pessoas desencarnadas.

 

Foi Varley quem primeiro usou de aparelhagens para controlar os aludidos fenômenos de “materialização” ou de efeitos físicos, como os classificou Kardec. Ele era consagrado como Engenheiro Eletrônico: havia construído, ainda no século XIX o primeiro cabo submarino da Western Telefonic Co, ligando Londres a NY nos EUA, havia, ainda, adaptado os motores de corrente contínua criados por Weetstone para a corrente alterna, enfim, tinha um alto acervo na carreira e, para ter a certeza de que, da cabine onde estava o médium de efeitos físicos ninguém pudesse de lá entrar ou sair desapercebido, construiu a que seria a célula foto-elétrica primitiva que colocou na porta da dita cabine, verificando que, quando era um Espírito (desencarnado) que por ali passava, modulava a freqüência de emissões da dita célula e que qualquer outro corpo, se opaco, interrompia o fluxo – disparando uma campainha – que era controlado por um dispositivo que ele mantinha a mão.

 

Todos esses cuidados para se ter a certeza de que o fenômeno não poderia ser produzido por nenhum encarnado. E as ditas “aparições” confirmavam a condição de que se tratava, sem duvida de um ghost (fantasma).

 

Hoje em dia, as aparelhagens de pesquisa são muito mais sofisticadas e não deixam dúvida de que se pode controlar o fenômeno sem que haja fraude de qualquer natureza.

 

Mas, para os crentes, tudo isso é obra de Satanás. Temos que reverenciá-lo, sem dúvida.

 

Atualmente, dispõe-se de aparelhagem sofisticadíssima, como os espectrômetros que registram os campos de energia do ambiente onde tais sessões se realizem e onde qualquer pessoa que se movimente indevidamente pode ser detectada. Quando o “fantasma” aparece, este aparelho, de imediato, registra que houve um aumento de campo anteriormente inexistente no ambiente, o que significa dizer que uma nova “pessoa” que não estava presente surgiu do “nada” e está ali.

 

A explicação mais simples, sem dúvida, será a de que alguma Entidade estranha se materializou e que, a partir desse momento, pode ser detectada pelo aparelho. Sem, dúvida: satanás!

 

Só que este “Satanás” é, indubitavelmente, superior a Deus em seus poderes, porque consegue mais do que milagre, realizando fenômenos devidamente comprovados pelas aparelhagens usadas, enganando a todos, segundo a opinião dos evangélicos que preferem acreditar numa Bíblia cheia de incoerências e conceitos inteiramente errôneos, comprovados pelas evidências atuais, como, por exemplo, considerar a Terra como centro do Universo, admitir que a matéria tenha surgido antes da energia cósmica, ignorar o próprio Universo e sua expansão, enfim, desconhecer tudo aquilo que atualmente a Cosmologia comprova.

 

Voltemos aos fenômenos mediúnicos:

 

Dentro da classificação de A. Kardec, estes podem ser “de efeitos físicos” e os “personalísticos”. Os personalísticos são aqueles em que se pode identificar a personalidade do manifestante – um desencarnado – capaz de dar provas evidentes de que, de fato, seja o Espírito desencarnado daquele com o qual se identifica, sempre se comunicando com auxílio de um médium.

 

Já no caso dos “de efeitos físicos”, também conhecidos como ectoplásmicos ou “de materialização”, as Entidades desencarnadas aparecem aos presentes com suas formas semelhantes ao corpo da sua vida terrena; podem ser tocados e auscultados, apesar de sua forma transitória de “materialização”.

 

O importante é que os aparelhos espectrógrafos provam que a dita “materialização” do aludido “fantasma” se trata de um campo de energia anteriormente inexistente no ambiente onde aparece. Trata-se, portanto, de uma personalidade inteiramente estranha ao ambiente, mas, culpar Satanás de tal proeza é querer modificar a verdade e dar ao dito Lúcifer decaído um poder que nem o Deus bíblico é capaz de possuir.

 

Todavia, o ato agravante de tudo é que as provas evidenciam que o manifestante seja exatamente a personalidade do “morto” (ou desencarnado) e que sua identificação, na maioria dos casos é tão perfeita que não admiti-la passa a ser um ato de puro fanatismo. E estes evangélicos se julgam os “donos da verdade” sem ter a menor prova de nada do que afirmam inclusive do que já ficou provado que não é verdade, a começar pela afirmativa de que a Terra seria o centro do Universo e que o homem estaria confinado nela até o ato da extrema unção, para o julgamento divino – final – e dela não poderia sair.

 

Além disso, as técnicas de observação e comunicação com os desencarnados está cada vez mais experimental e feita por pesquisadores neutros cujo único desejo seja o da verdade.

 

Dois assuntos que devam ser incluídos na técnica mediúnica da intercomunicação com os ditos “mortos” são os dos aparelhos “Spiricon”, norte-americano, onde o seu idealizador veio a falecer durante seus experimentos e, de lá, deu informe a seus assistente de onde estava o erro da aparelhagem; e o “Videcom” técnica usando aparelhagem semelhante à TV a fim de obter a imagem do falecido, atualmente em prática no Principado de Louxembourg .

 

Há uma extensa biografia de ambos os assuntos, mas o curioso é que, em tais casos, apesar de se comunicarem através dos aparelhos, que não deixam dúvida a respeito da autenticidade desta comunicação, ainda não conseguiram montar um robô para substituir o médium, cuja presença é indispensável para a realização dos estudos e a aparição dos Espíritos.

 

Tudo indica que os Espíritos desencarnados não atuam diretamente sobre as energias quânticas senão através de energias ditas mediúnicas, ou seja, produzidas por encarnados capazes de elaborá-la, conhecida como “ectoplásmica”.

 

A esse respeito, cabe esclarecer que, segundo o próprio Varley, teria sido informado por uma das aparições através do médium Dunglas Home, que os “fantasmas” manifestantes usariam energia que era produzida pelo ectoplasma celular quer do médium que a manipula e a caracteriza, como de outros presentes e até mesmo das células vegetais.

 

Conclui-se, pois, que a célula orgânica, ao vibrar sob efeito mediúnico, libera a aludida energia ectoplásmica, tal como a molécula vibrando produz calor e a corda do violão produz som. E os Espíritos manifestantes podem usá-la para realizar os ditos fenômenos de efeitos físicos ou aparições e que mais.

 

Evidentemente, aos religiosos que pregam o “Juízo Final” não interessa que tal assunto seja focalizado nem comprovado, daí o motivo pelo qual, por falta de qualquer outro recurso, apelarem para Satanás, alegando que o mesmo os faz para engodo dos que o assistem. Só que, até hoje, não se conseguiu obter nenhuma prova da existência de tal personagem, senão pelo simples artifício de alegar que ele seja o realizador desses fenômenos.

 

Temos ainda o caso dos gravadores onde o Espírito comunicante grava sua própria voz dando certas mensagens que se tornam indubitáveis, tal a autenticidade da manifestação. Há uma vasta literatura a respeito dos gravadores, embora ainda não se tenha nenhuma explicação da forma pela qual tais fenômenos ocorram.

 

Também aqui Satanás seria o grande responsável por toda essa fenomenologia. À falta, evidentemente, de qualquer outra prova que possa negar o fenômeno. É muito prático, portanto, encontrar esse tipo de artifício, sem quaisquer provas de sua existência, que tentar negar um fenômeno registrado por aparelhos que jamais se deixariam levar por quaisquer opiniões humanas.

 

E ainda há quem acredite em tais justificativas, por mais improcedentes que sejam.

 

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Texto recebido do articulista em quinta-feira, 26 de novembro de 2009 11:48.

 

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.