Artigo

O Espírito e a Vida

Carlos de Brito Imbassahy

cbimbassahy@terra.com.br

4ª. parte

 

 

 

Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

Lavoisier

 

 

4ª Parte – A Criação

 

Ora, as seitas cristãs partem da premissa de que, como diz o livro “A Gênese”, de Moisés, como já se comentou, o Deus bíblico teria criado tudo, mas, entre a Ciência, com Lavoisier e seus estudos altamente comprovados e a palavra de uma “Santa Escritura” que nada prova, sem duvida, a única forma de se decidir as questões foi condenar o químico como “herege” que acabou guilhotinado, senão porque contrariou a Santa Escritura, mas por motivos outros que, em síntese, se analisados, a verdadeira causa teria sido o de contrariar as ditas cujas Santas Escrituras, enunciando uma lei que se tornou o grande fundamento da Química.

 

Assim agiam antigamente os religiosos para combater aqueles que ousassem levantar a voz para proclamar qualquer verdade que fosse, se esta contrariasse os “sagrados” textos bíblicos, ainda hoje adorados e tidos como tal.

 

Os tempos mudaram.

 

Não há nenhuma prova cabal que possa assegurar a tese criativista escudada, apenas, na fé dos que seguem os dogmas religiosos da “Santa Escritura” cuja origem é supremamente duvidosa. E os que se contraponham a ela são, simplesmente, considerados hereges, sem qualquer argumento probante.

 

Antoine Laurent de Lavoisier viveu no século XVIII; francês, nascido em Paris, foi membro da Academia de Ciências de França e é, sem dúvida, considerado como sendo o pai da Química depois da Alquimia. Um sábio que transformou a mentalidade da sua época e que nunca pensou que, ao enunciar a lei fundamental da sua ciência estivesse contrariando os fundamentos da fé cristã. Não era seu objetivo tal coisa, mas, a partir desse momento, passou a ser perseguido de todas as formas pela Igreja que indiretamente conseguiu condená-lo por crime contra a Economia Pública, num processo de arrecadação de Impostos e, de imediato, para que não deixasse nenhuma oportunidade de defesa, foi guilhotinado com outros acusados do mesmo aludido “crime”.

 

Se os criacionistas ainda tivessem tal poder, sem dúvida, não poderíamos estar escrevendo tais comentários. É o processo mais eficaz de combate a idéias, acabar com elas pelo subterfúgio da força com alegações paralelas.

 

Se nada se cria, evidentemente, não pode existir “Criador” e o conceito de Deus como tal não procede. Quem melhor conceituou Deus foi Allan Kardec em seu livro “A Gênese” quando diz que “ao invocarmos Deus quem vem em nosso auxílio é um Espírito amigo”. Mas, o temor à divindade pseudocriadora induzida pelos sacerdotes religiosos em seus crentes é que faz com que a criatura tenha pavor de negá-Lo na forma pela qual os criacionistas O apresentam, esquecendo-se de que, para que seja o Supremo Agente do Universo não pode ser antropomórfico nem ter a configuração humana que o torne incompatível com a grandeza do espaço cósmico.

 

O verdadeiro Deus, como Ente supremo do nosso sistema sideral tem que ser compatível com o mesmo, em grandeza e plenitude e não ser simplesmente, um “Espírito” humano, por mais adiantado que se posa considerá-Lo. Está acima de todas estas considerações e jamais concebido pela nossa mente, medíocre na forma, perante a perfeição Universal.

 

O que seria a “criação” passou a ter uma nova configuração, perante as descobertas científicas feitas pela ainda incipiente aparelhagem humana.

 

Analisemos inicialmente o estudo relativo ao Universo pulsante e anisotrópico:

 

Vivemos atualmente a fase de expansão, aquela em que o Universo evolve; todos os sistemas que existiram na fase anterior do sistema vão surgindo gradativamente, para se reestruturar mediante seus ditos “agentes” que não são materiais para que possam atuar sobre a energia, modulando-a, dando-lhe forma e vida, quer material, quer biológica, em nosso planeta ou em qualquer outro, de vida existencial qualquer que seja, dentro do espaço sideral.

 

Deve-se este conceito a Sten Odenwald, a partir do observatório Keck 2 no Havaí, que descobriu, pela observação cósmica, que existe um “agente” – ao qual denominou de peso sem massa – no Universo e que atua sobre a poeira cósmica transformando-a em formas siderais que se constituem em planetas. Então, tais agentes existem, sem dúvida e continuam atuantes para modular a energia cósmica e dar-lhe novas formas.

 

Ora, portanto, a Terra, como planeta, sem dúvida não foi feito por Deus como conta a Bíblia, senão, como um dos mais novos astros do sistema, pela dita força conhecida como “peso sem massa”. E pior: diz o texto bíblico que ela fora elaborada “no início”, outra inverdade! Além disso, toda a matéria do Universo, quer mineral, quer biológica, só pode ser estruturada a partir da energia fundamental (aquela que Sir Isaac Newton chamou de FCU) e sem que ela existisse, como o Deus bíblico pôde fazer sua obra?

 

Tanta incoerência só nos leva a crer que, na linguagem pop, quem escreveu tal coisa “deu um chute”!

 

E como agravante, para tal consideração, torna-se preciso admitir que, de fato, nosso planeta é um astro muito atrasado para que possa apresentar um sistema de vida superior, como crêem os criacionistas.

 

A vida existe em outros astros, quer de forma superior à nossa, quer inferior. O que não implica em dizer que sejam obrigatoriamente humanos e que necessitem de oxigênio e água como fundamento de vida. Um autor de ficção chegou a criar uma película cinematográfica onde o alienígena veio ter à Terra em busca de enxofre, como essencial à sua vida.

 

A grande prova da existência de vida alienígena reside nas duas naves espaciais, uma achada pelos americanos no México e outra derrubada pelos migs russos em seu país onde os técnicos dessas respectivas nações encontraram a tecnologia para construir suas espaçonaves. Quem as fez? E, por várias vezes, documentário de TV tem-nos dado ciência disso.

 

Só o fanático religioso é que, para ele, a vida se resume à forma humana.

 

Surge, então, a pergunta tácita: qual a origem de tudo?

 

Analisemos a tese científica do Universo pulsante: sua existência é periódica e, como tal, por fases sucessivas, logo, a atual foi precedida por uma outra anterior e assim sucessivamente, o que nos dá a idéia de “infinito” e que passou para o conceito divino de que o Criador seja Ele infinito. É uma assimilação de conceitos que a criatura humana sente e não sabe explicar.

 

As teses matemáticas mais próximas como exemplificação de infinito são respectivamente a do encontro de duas paralelas e a origem e o fim da linha descrita por uma curva fechada, como a circunferência ou a elipse. Um ponto girando sobre uma dessas figuras nunca encontrará seu fim, nem de uma reta, tão pouco.

 

O Universo é infinito: não tem começo nem terá fim: vai se suceder por ciclos de retração e expansão indefinidamente, ora, portanto, não pode existir um Deus bíblico criador como origem da sua existência que vai fazendo as coisas como se fosse um operário cósmico tirando o material do nada para fazê-las.

 

E de onde teria saído esse Deus antropomórfico para realizar tais coisas? Qual a sua origem? Afinal, para que possa ser causa de alguma coisa, como toda e qualquer outra causa, há que ter fundamento para existir.

 

Um outro absurdo é ter criado o homem à sua semelhança – o que indica que não deva ser Ele grande coisa – sem outro objetivo senão o de criar, para nada. Afinal, por que existimos? Só porque um Ente qualquer quis fazer, não tem a menor lógica.

 

Mas, pior do que tudo, é o fato de que a tese criacionista entra em choque com as descobertas paleontológicas que mostram que a evolução do nosso planeta foi gradativa e transformista não havendo o menor lugar para qualquer tipo de interpretação que se queira dar à gênese bíblica. A espécie humana é evolucionista por excelência, desde os habitantes das cavernas e mesmo antes, até o homo sapiens passando pelo naeterdalense. Como, pois, justificar o dito criacionismo?

 

Segundo Vyasa, autor do livro “Bagavad Ghita”, nosso planeta possui um Ente superior que ele chamou de Krishna que o governa e que seria o grande responsável pela sua evolução; ele seria, portanto, o nosso Deus que luta para que possamos evolver através dos ciclos e ao qual devemos respeito e amor. Só que não é vingativo, como o bíblico, nem teria criado nada. Tem muito mais lógica do que imaginar o Ente adotado pelos evangélicos como sendo o Criador e senhor absoluto de tudo.

 

Krishna não criou: teria recebido de Brahma (a Criação) o dever e missão de guiar os seres e a vida do nosso planeta. Hoje em dia, Brahma seria, apenas, a causa do Universo, ainda desconhecida do homem em sua capacidade de descobrir a verdade.

 

Segundo Ernest Renan, em sua obra “L’Histoire du Christianisme” (vol. 7), quando Constantino, no ano de 374, convocou a plêiade de sábios do Império Romano para instituir a Religião de Roma que deveria ser considerada como Universal (católica, em grego), insistiu que ela deveria ter uma série de condições, sendo que a principal era a de atender os Cristãos para que não houvesse discórdia. Todavia, sem qualquer outra base, estes sábios acabaram usando a obra de Vyasa, Hindu, para dela tirarem seus principais fundamentos, por isso, Yoshua Bem Yussif passou a ser Jesus (de Iésu, o filho da Criação no Hinduismo) e que, do Trimurti, tiraram a idéia da Santíssima Trindade onde Krishna passou a ser Christus, i (termo da 2ª declinação) e o Espírito encarnado se transformou no dito Espírito Santo (amém).

 

Assim, em 378 foi instituída a religião oficial do império romano.

 

Uma das lendas Hindus nos diz que a mãe de Iésu, a fim de ter seu filho, o grande enviado de Krishna, não encontraria melhor lugar senão em uma estrebaria, onde, na Índia, é lugar sagrado, limpo, para que nela possam viver as vacas, que são animais divinos. Mas, por infelicidade, ao transportarem isso para o Cristianismo colocaram Jesus nascendo em uma manjedoura (1), que é o lugar onde ficavam as vacas na Palestina e que nenhuma grávida teria sido para lá conduzida, tal sua imundice.

 

Pode-se, pois, dizer que o Cristianismo foi tirado do Hinduísmo, todavia, só a parte do Velho Testamento adotado na Bíblia, é que não foi configurada pela doutrina asiática, motivo pelo qual permaneceu como válida a Gênese de Moisés e o Cristianismo, assim, passou a ser, erroneamente, criacionista.

 

Pior ainda é uma Igreja cristã que resolveu adotar o Deus judaico – Jeová ou Javeh – em lugar do pregado pelo Novo Testamento; esta, então, muda, até, os textos bíblicos à sua moda para que sejam coerentes com o que criaram. Garantem que, apenas, a sua versão do livro sagrado seja a verdadeira.

 

Afinal, se os próprios evangélicos não se entendem entre si, como aceitar seus fundamentos?

 

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(1) Nota do A ERA DO ESPÍRITO:

 

Manjedoura - s.f. Tabuleiro onde comem vacas, cavalos etc., nas estrebarias. / Cocho.

http://www.dicionariodoaurelio.com/dicionario.php?P=Manjedoura

 

Manjedoura - man.je.dou.ra - sf (decalque do ital mangiatoia) Tabuleiro em que se deita comida aos animais estabulados. Var: manjadoira, manjedoira e manjadoura.

http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=manjedoura

 

Segundo o mestre Deonísio da Silva, manjedoura deve vir do italiano mangiatoia, cocho onde se põe comida para os animais. Pode ter derivado de manjar (comer), que tem formas semelhantes no francês manger e no italiano mangiare. No latim, que deu origem ao português, ao francês e ao italiano, há o verbo manducare, que significa mastigar. Manjedoura, portanto, é o lugar (douro) onde os animais comem (manjar).

in ORIGEM DA PALAVRA MANJEDOURA - http://www.portaldascuriosidades.com/forum/index.php?topic=24245.0

 

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Texto recebido do articulista em sábado, 14 de novembro de 2009 13:02.

 

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.