Artigo

O Espírito e a Vida

Carlos de Brito Imbassahy

cbimbassahy@terra.com.br

3ª. parte

 

 

 

Cada religião tem seu Deus próprio, logo, nenhum deles é verdadeiro.

A verdade é uma só para todos.

 

 

3ª parte – Deus Criador

 

Quando alguém nega a tese dogmática de que Deus seja o grande responsável pela Criação do Universo, logo se supõe que o declarante seja ateu e negue a existência divina.

 

O que se discute não é a existência racional de Deus, mas, as hipóteses religiosas de torná-Lo onipotente, onisciente e onipresente, e todavia, ignorar uma série de coisas que foge a seu controle.

 

Dentro do próprio Cristianismo – que é, sem dúvida, o conjunto religioso de domínio quase absoluto em nosso país – há uma série enorme de divergências, entre crenças que adotam os Evangelhos como obra sagrada e divina e têm Jesus como sendo a encarnação do próprio Deus, apesar de suprema incoerência de tal afirmativa.

 

Deus criador é uma desculpa que justificaria a Criação pelo lado da crença, sem o raciocínio e altamente conveniente para os sacerdotes perante seus fiéis. Mas, pelo raciocínio científico ante as grandes descobertas, isto vem a ser verdadeira aberração, motivo pelo qual se torna mais fácil considerar o cientista analítico como sendo um herege do que lhe seguir o raciocínio.

 

Analisemos os graves erros do criacionismo pregado pela Bíblia, por ser o mais conhecido em nosso meio:

 

Primeiramente, Deus, como não tinha nada que fazer, resolveu criar o mundo, no caso, o nosso planeta. Fundamental incoerência: de onde teria tirado o material para fazê-lo? Afinal, nada existia. Então, teria, primeiro, que criar a energia, porque, como se pode verificar, é ela o fundamento da existência de tudo o que se encontra dentro do nosso espaço cósmico. E Ele não a teria inicialmente elaborado, senão vejamos:

 

Diz textualmente a Bíblia (Gen. 1): No princípio, Deus criou os céus e a Terra.

 

Só que as observações cosmofísicas provam que nosso planeta, em relação à existência do Universo, é relativamente muito recente, dentro da Via Láctea, uma das mais jovens galáxias do dito Universo.

 

Isto, por si só, seria suficiente para destruir toda a tese do criacionismo, afinal, é uma inverdade, o versículo citado: a Terra não é criação primária e o céu é, apenas, uma configuração literária, afinal, ele não existe, porque, somente, se resume na sombra ou imagem do espaço sideral perante a observação terrena.

 

Analisemos, todavia, o Deus cristão pelo prisma da lógica, embora haja outros Deuses supremos e absolutos de outras religiões bem piores:

 

O Deus bíblico – antropomórfico, afinal foi concebido à imagem e semelhança do homem como se pode deduzir da afirmativa de Gen. 1:27 –, fez uma série de coisas puramente imaginárias que não têm a menor correlação com a realidade, e das quais, pode-se citar sua vontade dizendo: “Haja luz” e ela surgiu do nada e Deus a chamou de “dia”; a treva passou a ser a noite.

 

Então, a luz não seria fruto da vibração de fótons, de acordo com os estudos quânticos, para os quais só há qualquer tipo de energia se a ela corresponder uma fonte que vibre sob ação de um agente físico para produzi-la. Mas o Deus bíblico conseguiu o milagre de fazer a luz sem necessidade da fonte. E já no versículo 16 fez dois grandes luminares, o Sol para clarear o dia e a Lua para clarear a noite; é tão absurdo isso que ninguém tem coragem de discutir.

 

Poderíamos ainda colocar em foco as divergências entre o Deus cristão e Alá, o Deus muçulmano, sem entrar sequer na análise de outras religiões também ditas monoteístas.

Paremos por aqui.

 

3.1 – O Big-bang

 

Quando Edwin Hubble, o grande astrônomo norte-americano, estudou a curvatura do Universo por causa das observações feitas a partir da nebulosa de Andrômeda e do seu afastamento, concluindo que o Universo seria pulsante e anisotrópico, deu uma nova dimensão ao estudo da formação do Universo. Pulsante porque, se está se expandido, é porque se retraiu inicialmente e anisotrópico porque um semipulso não é o inverso do outro, como ocorre no pêndulo de um relógio que vai e volta pela mesma trajetória. Ou seja, sua retração não é inversa à expansão.

 

Com isso, a Astrofísica estabeleceu que, por fases, o Universo se encolhe em torno de um fulcro fundamental até que, todo concentrado, ele sofra um retorno que pode ser causado por uma explosão, como a dos buracos negros ao se transformarem numa supernova ou simplesmente, por um movimento reverso que o faça voltar a se expandir.

 

Não há Deus criador da Terra e da criatura humana em especial, mas, simplesmente, um Agente Supremo de comando que torna capaz de realizar tal fenômeno. Daí, todavia, julgar que este Agente seja um Ente antropomórfico exclusivamente preocupado com a criatura humana vai um absurdo de distância.

 

O Deus bíblico fez a Terra como centro de tudo e o que se vê através dos aparelhos ópticos de observação sideral é que a Terra seria um astro supersecundário que só teria surgido milênios de séculos após a existência da própria Via Láctea, nebulosa à qual pertence. E pior: esta nebulosa é uma das mais recentes na formação do Universo.

 

De um modo geral, os Deuses religiosos são inteiramente incompatíveis com a perfeição universal, senão, vejamos, a partir dos Deuses adotados pelas seitas ditas cristãs:

 

Na bandeira da Igreja Baptista, tem a famosa frase latina do “Timor Domine” ou temor a Deus anunciado como “princípio de sabedoria” o que se torna inteiramente incoerente com a idéia de que Ele seja “todo poder e bondade”. Por que temer aquele que deveria ser o nosso “criador” se Ele expressa a bondade absoluta? Além disso, é comum dizer-se que “Deus me ajudou” quando algum disputante leva vantagem sobre seu rival, o que significa dizer que agiu com parcialidade prejudicando seu adversário.

 

Já, uma das crenças cristãs afirma categoricamente, que o verdadeiro Deus é Jeová, o que os descendentes de Judá – os judeus – consagraram, como consta da própria Bíblia.

 

E os absurdos se sucedem admitindo-se que Deus agisse e pensasse como se fosse um humano, em suas imperfeições.

 

Dizia Voltaire que “a vaidade humana nos fez à imagem e semelhança de Deus” e algum outro filósofo complementaria: – Se, de fato, tivéssemos sido criados à imagem e semelhança de um Deus perfeito, nós também seríamos seres perfeitos. Logo, o Deus bíblico não é perfeito.

 

Finalmente, concluindo: se a atual fase de vida universal teve início a partir de determinado Big-bang, como encaixar tal fato na Gênese humana cristã baseada no Criacionismo divino?

 

Afinal, como é notório pelas observações siderais, antes, era um sistema cósmico implodindo, o que longe está de ser “treva”. O criacionismo peca por base e principalmente por falta de provas.

 

Só o fanatismo dos crentes o mantém vivo. 

 

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Texto recebido do articulista em quinta-feira, 5 de novembro de 2009 11:18.

 

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.