Artigo

NOVO ESTUDO SOBRE O PERISPÍRITO

Carlos de Brito Imbassahy

2ª parte

 

 

Antes de qualquer análise relativa às pesquisas que já foram feitas é sempre conveniente fazer-se certa referência a aparelhos para que se entenda os que foram usados.


Um dos mais sofisticados encontra-se nas Unidades Intensivas de Tratamento e nas salas cirúrgicas. É o espectômetro, aquele aparelho que comumente vemos em filmes e na TV quando passam cenas de cirurgia ou de pacientes terminais.


Eles ficam acoplados ao corpo de modo que possa detectar um campo - o dito campo de vida - cujas oscilações ou pulsações energéticas são mostradas numa tela e se parecem com as linha sinuosas do cardiograma.


Conforme a intensidade de campo, sabe-se o estado de vida do paciente e quando ele morre, o aparelho, em vez de descrever as linhas poligonais, passa a fazer  uma reta, mostrando que não há mais a pulsação do campo de vida.


Aparelhos semelhantes e mais sofisticados é que foram usados nas pesquisas que detectaram a existência dos campos descobertos pelos italianos naquelas pesquisas do aludido bebê de proveta que o Papa Pio XII proibiu.


Uma observação que cabe fazer é que, mesmo após a morte, as células orgânicas do corpo humano ainda perduram vivas, o que prova que a tese dos materialistas de que elas é que seriam a causa da vida caia por terra, já que as mesmas ainda perduram no cadáver e vão se esvaindo com o tempo, afirmativamente, pela falta da vida transcendental do corpo, a detectada pelo espectômetro.


Todavia, cabe lembrar que muitos hospitais ainda usam os aparelhos de medição do eletro-cardiograma em lugar dos espectômetros, para registrar, no caso, os batimentos cardíacos do paciente e que também definem o estado de vida do mesmo. Só que estes podem registrar uma parada cardíaca e esta pode não ser a morte.


Do que vamos estudar a seguir, trata-se de pesquisa pura, científica, por intermédio de aparelhos sem nenhuma interferência mediúnica de mensagens avulsas fora do que A. Kardec considerou como "universalidade do ensino doutrinário" e, ao contrário de muitas informações do Além, mostra o que verdadeiramente existe a respeito desse aludido "campo de vida" que, em outras palavras, nada mais seria do que o perispírito apresentado pelo codificador da doutrina dos Espíritos.


Não se tem fantasias nem suposições pseudo-científicas. Não pode ser contestado por informações de Entidades espirituais que não tenham acervo e lastro de conhecimento, senão de opiniões próprias, por vezes, incoerentes, sobre o assunto.

A Pesagem da alma
 

Deve-se aos suecos tais pesquisas e vamos encontrar traduzido para o francês com o título de "La Lourdeur de l'âme". Eles acoplaram um dinamômetro ao mais sofisticado dos aparelhos espectômetros e passaram a medir o tal "campo de vida" dos moribundos.


Gradativamente, conforme o paciente ia se esvaindo, ele perdia um peso gravitacional relativo, correspondente à perda de energia corpórea e exatamente, todos os pacientes observados, no momento do trespasse, o dinamômetro registrava uma perda média de 2 dam* (dois decagramas-peso) que desaparecia sem perda orgânica comprovada.


Por esse motivo, admitiram que este peso energético se devia ao dito campo de vida que abandonara o moribundo transformando-o em cadáver.


Todavia, este cadáver continuava apresentando um peso de campo que diminuía gradativamente com a perda da vida celular orgânica do cadáver que persistia em existir, mesmo depois da dita "morte" ou trespasse da "alma" para outra dimensão de existência.


As conclusões óbvias da pesquisa é que, de fato, a vida humana tem um comando externo que atua sobre o corpo como o imã sobre as limalhas, já referido, onde, entre o agente atuante, dito "Espírito encarnante", para agir sobre a matéria orgânica somática, necessariamente, possui esse campo que os suecos chamaram de "alma", campo esse correspondente àquele que o agente estruturador possua para interagir na energia cósmica e elaborar a essência da partícula atômica.


Ora, evidentemente, tal campo há que ter configuração correlata com o respectivo agente estruturador - ou Espírito humano - e, como tal, capaz de induzir no feto as características da criatura humana que há de nascer.


Então, tal "agente" ou Espírito encarnante" há que possuir como característica fundamental os elementos da personalidade humana que vá desempenhar na vida corpórea.


Ora, portanto, a personalidade seria exclusivamente do Espírito e o campo de vida - ou perispírito - somente um conjunto de forças psico-energéticas capazes de fazer com que o feto tome forma humana para permitir que nele se encarne o seu Espírito correspondente.


Dessa forma, o perispírito não pode possuir em si agregados de energia como informam, sem prova, algumas mensagens mediúnicas incoerentes com Kardec, porque, senão, jamais modularia a energia para transformá-la em células orgânicas, do mesmo modo que o campo magnético do imã jamais seria composto de limalhas de nenhuma espécie.


É fundamental, portanto que se analise com raciocínio os absurdos que estão sendo propalados em nome da doutrina, a respeito da constituição do perispírito que, em momento nenhum, como se poderá ver das pesquisas russas, adiante, jamais se constituiria de qualquer característica semi-material, energética, de partículas ou cousa semelhante.


O perispírito ou "campo de vida" é meramente um campo para-energético capaz de agir sobre a energia fundamental da matéria e transformá-la em células orgânicas, elaborando um corpo somático onde uma vida humana se torna capaz de nascer.


Nada mais além disso.


O psicossoma
  

Quem nos relatou e trouxe as devidas informações das pesquisas russas para o Brasil foi nosso querido companheiro Henrique Rodrigues, pesquisador mineiro, de Belo Horizonte, que mantinha um laboratório para tais estudos da sua área de trabalho e que, como tal, teve correspondência com outros pesquisadores russos, ainda na época da "cortina de ferro" e que lá foi para aprender ou conhecer a tecnologia que empregavam para pesquisa do "campo de vida" que eles, simplesmente, denominaram de psicossoma ou  "corpo psíquico" ou, ainda, alma (psiquê) do corpo (soma).


Os russos, evidentemente, interessaram-se em saber se, de fato, a vida seria comandada por algum agente estranho ao domínio cósmico dito material ou energético e resolveram partir das experiências italianas já referidas do "bebê de proveta" para diagnosticar as peculiaridades dos campos capazes de atuar no ventre materno e nele construir uma vida humana.


Parece, ao que tudo indica, que foram muito mais sofisticados do que os suecos porque usaram, inicialmente, mulheres grávidas para suas pesquisas e não apenas moribundos nos estertores do trespasse.


A monumental conclusão deles foi a de que a vida humana não depende de nenhum sopro divino (como afirmam os evangélicos cristãos) que dá existência ao nascituro, muito pelo contrário, ele já possui esta essência fundamental no útero materno, sob forma de para-energia estranha ao domínio físico e que, como tal, torna-se capaz não apenas de dotar o feto de vida como ainda induzir-lhe personalidade.


Por todos os resultados que obtiveram, são unânimes em dizer que esse psicossoma tem propriedades próprias que lhe permitem atuar sobre as células orgânicas e as estruturar sob forma humana induzindo-lhes, ainda, a personalidade.


De onde vem ou viria tal personalidade, não esclareceram, ou, se o fizeram, não nos deram ciência, mas garantiram que este corpo psíquico, como tal, tem características próprias que fogem ao domínio da matéria.


Mais uma vez negando, pelas experiências, as informações dadas por pseudo-Entidades espíritas mediúnicas, de que o perispírito possua tais ou quais características quânticas, que nada têm que ver com eles.


As Aparições estereolóticas
  

Antes de qualquer consideração, para que o leitor que ainda não esteja a par do assunto, é bom se fazer uma pequena informação a respeito do que vai ser estudado. Assim:


Ao analisar os fenômenos paranormais, Aleksej Aksacof escreveu um trabalho intitulado Animismus und Spiritismus traduzido para vários idiomas, inclusive o nosso, onde ele divide tais fenômenos em anímicos - os que não dependem da presença do morto - como telepatia, transmissão do pensamento, radiestesia, sonambulismo e outros - e espiríticos, baseado em Kardec, os que sejam produzidos por uma entidade desencarnada.


É claro que, neste último caso, o Espírito atuante tem necessidade de um intermediário que A. Kardec intitulou de médium, para que pudesse se manifestar. E ainda é de Kardec a denominação de "fenômenos mediúnicos" e a classificação em fenômenos personalísticos, onde o Espírito usa os sentidos do médium para transmitir sua mensagem, como a psicografia (manuscrevendo), a psicofonia (falando através do aparelho fonador do médium) e outros; e fenômenos de efeitos físicos, onde o médium, apenas, cede a energia para que o Espírito possa se apresentar com sua própria personalidade e que erroneamente também é conhecido como "materialização".


Estes últimos foram pesquisados científicamente por Sir William Crookes, sábio inglês convocado pela rainha da Inglaterra para provar que os fantasmas não existiam.


Para tal, foi criada uma equipe de sábios ingleses da época envolvendo desde químicos, engenheiros, até sensitivos. As pesquisas duraram de 1868 a 1876, quando Crookes, em seu relatório à rainha, declara: - "se Vossa Majestade me convocou para provar que os fantasmas não existem, sou obrigado a dizer que eles existem".


Um de seus maiores auxiliares foi o engenheiro eletrônico Cromwell Fleetwood Edington Varley, o mesmo que transformou o motor elétrico de corrente contínua inventado por Weetstone em motor para corrente alternada, e que construiu o cabo submarino telefônico unindo Londres aos EUA e finalmente, para as pesquisas de Crookes, uma série de aparelhagens destinadas a detectar as aludidas aparições, incluindo a célula foto-elétrica primitiva destinada a bloquear a entrada da cabine onde o médium era colocado, a fim de evitar que pessoas humanas ou materiais atravessassem a porta sem serem notadas.


Foi Varley que, na última década do século XIX prestou uma série de depoimentos à "London's Dialectical Society" sobre as pesquisas de Crookes e que foram traduzidas para o francês por Monsieur Dussard em 1905.


A título de curiosidade, provavelmente, já na nona edição do seu "Traité de Metapsichique" Ch. Richet deva ter lido tal obra e mal interpretando-a, chegou à conclusão de que nas aludidas "materializações" - aparições espirituais - os Espíritos usariam o ectoplasma como elemento básico para se transformarem em figuras tangíveis.
 

O que Valey informa, na verdade, é que, através do médium Dunglas Home, uma das aparições, indagada, teria dito que a energia essencial ao fenômeno seria produzida pelo ectoplasma do médium que a modularia e a emitiria para que fosse usada nos mesmos.


O ectoplasma é o organismo envolvente do protoplasma celular e, como tal, não pode abandonar a célula impunemente, como no caso da corda do violão, supondo que ela é que se propagasse produzindo o som.


E tal estultice fica sendo reproduzida até hoje por Entidades espirituais como se fora Crookes que o afirmasse.


Foi este sábio inglês que classificou as ditas aparições em dois grupos: aparições luminosas e aparições estereológicas (stereologic appearance) ou seja, tangíveis, tocáveis, enfim, analisáveis; e ele mesmo chegou a auscultar, com auxílio de médicos, o fantasma ali integrado, comprovando que podia, até, detectar os pulsos cardíacos e a respiração arfante do "fantasma".


E cabe, ainda, lembrar, que as ditas aparições estereológicas foram obtidas através da médium miss Florence Cook e o "fantasma" dito tangível foi o de Kate King. Há várias referências a tais estudos.


Sim! E o que tem isso com o perispírito?


Entra, então, a parte do Varley, com sua aparelhagem eletrônica para provar que a dita aparição não era humana nem materializada, mas, condensada por um agente ou campo estruturador - o períspirito,evidentemente - da Entidade ali manifesta.


Inicialmente, ele instalara uma célula foto-elétrica primitiva na porta da cabine para que, se alguém ultrapassasse a mesma, sendo opaca (material), cortasse o fluxo da dita emissão celular e, com isso, ligada a um circuito, ela dispararia uma campainha e, de fato, interpondo qualquer corpo sólido nas ditas emissões elas ficavam interrompidas e a campainha tocava.


Para seu espanto, quando se tratava de uma "aparição" de qualquer natureza, em vez de interromper o fluxo, o que o aparelho registrava era uma interferência de fonte, como no caso da grade do triodo, inspirado nesse fato e inventada por Crookes: o "fantasma", em vez de interromper o fluxo, modulava-o e permitia uma leitura diferente no aparelho controlador.


Foi o primeiro fenômeno para fazer com que Varley admitisse que a aparição possuía um campo modulante, estruturador da aparição que, por si só, não existiria. Na época, desconhecendo os estudos de Kardec, Varley não registrou esse campo como sendo nada relativo a perispírito todavia, constatou que ele existia e que era através do mesmo que o Espírito manifestante podia construir seu corpo estereológico ou mesmo o luminoso intangível para que seus aparelhos o registrassem.


O importante, contudo, é que tal campo não apresenta nenhuma característica material tangível que a literatura mediúnica de certas entidades registram. Se, de fato, o aludido campo - que, na época não sugeriu a Varley a possibilidade de que fosse o perispírito - possuísse tais características anunciadas, como energia cósmica, ou coisa semelhante, evidentemente a aparelhagem de Varley tê-la-ia registrado.


O perispírito portanto, como campo estruturador, apenas, possui uma para-energia psíquica capaz de estruturar um corpo somático e até mesmo uma estrutura aparente para se mostrar como mera aparição em tais sessões mediúnicas.


Eu mesmo, com ajuda de três alunos que estagiavam num Centro de Pesquisas e que traziam aparelhagem emprestada para nossas pesquisas, pudemos constatar que os aparelhos, capazes, até, de detectar mudança de posição dos presentes na sessão, ao detectarem a formação do "fantasma" inicialmente, mostravam a existência de um campo atuante capaz de agregar energia em sua volta, para, em seguida, fazer surgir o Espírito tangível em nossa sessão.


Em meu livro "As Aparições e os Fantasmas" faço um registro geral dessas pesquisas  realizadas pela nossa equipe, com aparelhos específicos e seria meramente repetitivo reescrevê-las.


O que podemos garantir, eu e meus alunos pesquisadores (hoje doutores em pesquisas), é que, ao detectarmos, naquela época, a presença de um novo campo psíquico em nossa sessão, apenas, registrávamos, pelos aparelhos, o campo sem qualquer outra formação material como erroneamente informam certos "estudiosos" que nunca pesquisaram nada mas que se arrogam detentores da verdade, estribados em falsas informações mediúnicas.


O perispírito ou campo estruturador é simplesmente um campo para-energético puro que, como temos dito, apenas, sofre influência do seu Espírito correspondente e mais nada.


Como o assunto é muito restrito, ficam inventando uma série de coisas falsas a respeito desse "campo de vida" que tem a única propriedade de ser envolvente do Espírito para permitir que ele atue sobre as energias cósmicas cuja condensação se transforma em matéria. Nada mais.


Não inventem nada a respeito do perispírito, porque não é verdadeiro. Ele, apenas, é o campo que só depende do Espírito que o possua, para interferir no domínio energético dito material e, como tal, só valia em decorrência das modulações do próprio Espírito, em sentimento e ações.


Tudo mais que se tem falado sobre perispírito é pura fantasia.

 

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Artigo recebido do autor via e-mail  em 09/08/2011 - 13:09

 

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.