Artigo

Evolucionismo e Criacionismo,

a eterna controvérsia

Carlos & Carmen Imbassahy

cbimbassahy@terra.com.br

 
 

 

 

A fé é uma virtude teologal e o raciocínio uma conquista humana

 

 

Sem dúvida, a contenda entre Religião e Ciência data dos primórdios do raciocínio humano e dos conhecimentos que, aos poucos, as civilizações foram adquirindo.

 

Já, o conhecimento científico é gradativo e depende do próprio homem em suas pesquisas e suas buscas pela verdade, enquanto que os dogmas religiosos – que não são passíveis de discutir – sempre foram atribuídos a Entidades superiores, divinas, infalíveis e que, como tal, jamais podem ser contestadas. Inclusive Deus!

 

No ocidente, o principal movimento “criacionista” é o cristão, que se baseia na Gênese bíblica onde um Criador – Deus único – teria feito o mundo para seu prazer e, em torno dele teria montado toda a estrutura universal que, na época, era tida como um limbo fixo em torno do planeta, tudo isso em sete períodos, chamados de “dias”, só que sem qualquer relação com o dia-horário terrestre.

 

Por si só, a tese já é um absurdo; baseada nela Ptolomeu idealizou um sistema conhecido como “geocentrismo” e que justificaria inteiramente a tese adotada pelas seitas ditas cristãs. Por causa disso, quando Nicolau Copérnico mostrou que o verdadeiro sistema era o heliocêntrico e que, como tal, a Terra e demais planetas giravam em torno do Sol, a Santa Inquisição o processou e, se não houvesse falecido antes, teria tido a desdita de ser queimado vivo porque fora condenado ao “fogo eterno” por contrariar a obra de Deus (leia-se: Bíblia).

 

Então, a primeira assertiva do Criacionismo já era, como se diz em linguagem pop.

 

E se parasse por aí a hipótese “criacionista”, ainda haveria hipótese de se ter outras considerações a respeito desta tese, todavia, apesar deste grande equívoco, os seus defensores continuam afirmando que o homem teria sido feito à imagem e semelhança de Deus pelo próprio Criador, o que, sem dúvida, acaba se tornando uma verdadeira aberração porque teríamos que considerar que os homens teriam herdado desse tipo de criação, todos os defeitos que possui, do seu Criador, desde as mais infames atitudes, como a dos criminosos, e bem como as pérfidas doenças e mazelas que afligem a criatura humana. Tudo herdado de Deus, afinal, somos feitos à sua imagem e semelhança e d’Ele teriam vindo ou advindo tais predicados, os piores possíveis, já que o homem, por melhor que seja, está muito longe de representar algo “divino”. Sem contar que este Deus é onipotente, onisciente e onipresente: apesar disso, os humanos que guardam sua semelhança são o que de pior se possa esperar.

 

Além disso, a Paleontologia nos mostra que, em nosso planeta, pelas amostras obtidas, tudo surgiu aparentemente, do nada, embora, este nada possa ser a energia fundamental do Universo e que, pelas novas descobertas científicas nos fermilabs (aceleradores de partícula), a energia, por si só, jamais seria capaz de se alterar, motivo pelo qual, admite-se, cientificamente, que exista um domínio de “agentes estruturadores” cujos ditos agentes seriam capazes de atuar sobre a energia amorfa que compõe o Universo, modulando-a e dando-lhe forma dita material, ou vida.

 

As teses mais modernas do evolucionismo são inteiramente fundamentadas nas observações científicas que, a princípio, mostravam que os seres mais antigos do nosso planeta seriam os plânctons primitivos, provavelmente elaborados a partir das cadeias orgânicas (carbônicas) contidas na água e – pelos conhecimentos atuais relativos aos estruturadores – sob ação de agentes externos, teriam se formado dando início à vida vegetativa primitiva.

 

Recentemente, descobriram que uma jazida contendo cianofíceas é anterior à vida dos plânctons, todavia, até a presente data, resta o registro da sua existência sem que se tenha encontrado alguma explicação.

 

Todavia, a partir do aparecimento dos plânctons, os registros paleontológicos evidenciam que alguns dos mesmos evolveriam para se transformar em algas marinhas e que estas se desenvolveriam a ponto de se transformarem, emergindo das águas, para se constituírem nos primeiros vegetais terrestres. E deles, os fitozoários.

 

Dessa fase, a Paleontologia não possui a menor dúvida.

 

E vai por terra a primeira hipótese criacionista: a origem da vida é transformista.

 

Fácil é de se entender que, se, de fato, existam agentes estruturadores responsáveis pela modulação da energia e da própria matéria constituída, estes sejam os únicos responsáveis pela transformação das espécies num constante transformismo para dar formação a vidas ou seres quer biológicos, quer geológicos, atuando sobre os seres já existentes, a fim de efetuar tais transformações.

 

 Isto é explicado pela própria paleontologia que já possui condições de afirmar que, na fase mais elementar de existência d Terra, ela só possuía vida mineral, quiçá carbônica e que, desta, teriam surgido os primeiros seres biológicos, no caso, os plânctons.

 

Portanto, se a vida biológica teve início em formas as mais rudimentares que gradativamente se transformaram para originar os seres biológicos imediatamente superiores, por que negar o evolucionismo?

 

Ainda, a maior aberração do criacionismo é a invenção de Satanás para justificar a existência, o que dá a ele, também, o poder criador, tornando-o coadjuvante com Deus que passaria a não ser único. Além disso, se Deus o fez como Espírito de Luz – Lúcifer – mais uma vez, teria errado na criação porque não o soube elaborar devidamente, dando-lhe poder para se rebelar contra a própria criação. Deus falhou, sem dúvida, o que o torna não mais onipotente e quiçá onisciente porque não pôde imaginar que seu Ente de luz se rebelaria contra ele.

 

E vem outro absurdo, o de livre-arbítrio: até o Código Romano permite que se puna com rigor e sem talião a ação de alguém que fira a terceiros, cerceando com clausura punitiva aquele que a usar de forma prejudicativa a outrem. E Deus não soube fazer isso! Que incompetente!!

 

Outra aberração bíblica é culpar Deus de tudo: – “não cai uma folha de uma árvore que não seja vontade de Deus” o que nos levaria a admitir que Ele é que dispõe do bem e do mal a seu bel prazer, com injustiças aparentes e terríveis.

 

Por outro lado, a Cosmologia tem tido progressos enormes com os novos observatórios e as sondas espaciais que vão à busca das imagens de cenas do Universo a fim e perscrutá-lo com descobertas que mostram que, tudo o que se possa falar sobre a Terra, do que já se observou, contraria completamente o criacionismo onde nosso planeta seria o fundamento da existência cósmica.

 

Pelo contrário, ele é uma ínfima partícula perdida numa das menos importantes nebulosas – a Via Láctea – do nosso sistema; mergulhado neste imenso oceano de astros, nosso planeta nada representa perante o desenvolvimento sideral. E mais, depois que o astrônomo norte americano Edwin Hubble provou que o Universo se expande sendo cíclico e anisotrópico, ou seja, encolhe-se retraindo e depois se expande até se esvair, em sua fase evolutiva, o que acaba com qualquer hipótese bíblica ou de qualquer outra doutrina religiosa a respeito de um Ente divino, Supremo, que o tenha elaborado a partir da Terra com centro de sua obra.

 

Insistir no erro é lamentável, por simples crença e para não admitir que a “palavra de Deus” suposta pelos religiosos não seja verdadeira, negue-se a Ciência e atribua-se a um fictício personagem – Satanás – tal fato, ainda é bem pior porque o fanatismo que só causa danos a quem no possua. Estes jamais conhecerão “a verdade que nos libertará”. Sim nos fará livres das falsas crenças e suposições e permitirá que possamos dominar a vida de forma verdadeira para nosso próprio progresso.

 

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Artigo recebido do articulista, via e-mail, em

domingo, 20 de setembro de 2009 - 13h33m

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.