Artigo

Evangelização e Emanuelização

Carlos de Brito Imbassahy
 
 
 

Antes de começarmos esta despretenciosa crônica, façamos nossa profissão de fé: procuramos ser Espíritas e simplesmente Espíritas sem qualquer adjetivação e, como tal, aceitamos plenamente as obras da codificação kardecista. Não encontramos ainda, no que foi escrito por Kardec, nenhuma incoerência - dentro de nossas parcas analises - e nada contra o que pudéssemos objetar; muito pelo contrário, até então só conseguimos discordar daqueles que escrevem contra os princípios básicos do Espiritismo.

Dessarte, somos reencarnacionistas e aceitamos a comunicação do morto, segundo a linguagem vulgar; daí, entretanto, a dizer-se que somos fanáticos a ponto de não analisarmos nem discutirmos as comunicações do Além, vai uma grande distância.

Pelo simples fato de ser uma mensagem de um espírito desencarnado não significa que seja a Verdade, pelo menos, o trespasse não dá o poder ao espírito de se tornar o porta voz da Criação...

E se assim fosse, não haveria obsessores, espíritos atrasados, macumbas e quantos fenômenos vistos oriundos de entidades espirituais menos esclarecidas.

Feita esta observação preliminar, passemos ao assunto:

Por infinitas vezes temos presenciado certas reuniões e cultos espíritas, escolinhas de evangelização e reabastecimento: espirituais onde impera de tudo, em nome da doutrina, menos espiritismo. Acentuemos bem o termo certas para que não digam que estamos generalizando a crítica.

Recentemente, numa reunião de Juventude, a animadora, mostrando a total falta de orientação, espírita, perguntou aos demais jovens: "depois da ressurreição, quem primeiro viu Jesus?" - Biblicamente a pergunta está certa, porém, segundo a doutrina dos espíritos, não há ressurreição e, como tal, não existem decorrências ou seqüências...

Em certo reabastecimento foi sorteado o Cap. 13 "Aos Romanos" dos Evangelhos de Paulo. Quanta tolice se falou a respeito para se chegar à conclusão do "ama a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo".

Insistiram em que falássemos também sobre o ponto e arrependeram-se profundamente, porque fui obrigado a ser sincero com a opinião que tenho, e disse: "para aceitar as Potestades Divinas e os Ministros de Deus a fim de tirar a máxima do amor ao próximo, prefiro rejeitar Paulo e ficar com o ensinamento budista que recomenda: "renuncia a ti próprio por amor a teu semelhante".

Foi um escândalo terrível porque Paulo, o apóstolo, é intocável..

E isto vem sendo a evangelização que se generalizou por aí.

Pior ainda é o que se faz com Emmanuel. Há uns emanuelitas fanáticos, para os quais a "palavra" do guia de Chico Xavier é a última dita; não haveria nada de mal se o cidadão assim pensasse mas guardasse para si: o difícil é ouvi-lo falar sobre Emmanuel. Pobre Emmanuel. Quanta sandice se diz em seu nome!

O que acontece é que esses fanáticos lêem as psicografias e as interpretam à sua moda. Após isso, empurram a infeliz interpretação no auditório espírita "acusando" o espírito de Emmanuel de uma porção de coisa que ele não disse. E vá-se provar o contrário... dirão logo que somos contra Emmanuel.

O que falta, isto sim, é muito estudo da doutrina espírita. Mas estudo de verdade.

 

O Clarim

Out/1971

 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.