Artigo

Espírito e Perispírito

Carlos de Brito Imbassahy

 
 

 

 

Não confie em quem se considere o senhor da verdade.

(Provérbio chinês)

 

 

Se há um assunto em que ninguém pode ditar cátedra este é o que se liga à alma e à vida espiritual, já que a maior fonte de informação é-nos dada por comunicações mediúnicas na base do “acredite se quiser” já que, cientificamente as provas ou são experimentais, com registro probante dos fatos ou dedutivas, no caso das expressões matemáticas.

 

Todavia, sobre pesquisas neste campo pode-se citar duas importantes referências a trabalhos de destaque, um de origem sueca que tem, em francês, o título de La Lourdeur de l’âme” (A Pesagem da Alma) e o outro é o livro de Harold Saxton Burr intitulado Life´s Field (Campo de Vida), ambos referentes a pesquisas feitas com aparelhos espectrográficos sofisticadíssimos que conseguiram detectar o aludido “campo” que dá existência e personalidade às pessoas e sem o qual, apesar de continuarem vivas por algum tempo, as células orgânicas somáticas nada mais representam senão vida vegetativa.

 

No Brasil, ainda, contamos com a contribuição deixada pelo nosso companheiro Henrique Rodrigues documentando sua visita à “Cortina de Ferro” onde teve ocasião de participar dos trabalhos de um grupo de parapsicólogos russos que detectaram o mesmo aludido campo ao qual deram o nome de “psicossoma”.

 

Todos estes trabalhos se inspiraram em pesquisas italianas datadas de 1944/5 conhecidas pelo nome de “bebê de proveta”, pesquisas estas financiadas pelos nazistas a fim de descobrir maneira de produzir bebês especiais em provetas. Com o término da guerra, o Papa Pio XII proibiu o prosseguimento das mesmas, que, segundo a mídia francesa dava conta de que eles pretendiam criar bebês selecionados, em provetas, a partir de um campo energético artificial que deveria corresponder àquele que a mãe possuía (ou possui) e que a tornava capaz de engravidar.

 

Já tive ocasião de abordar este assunto em outros trabalhos.

 

No meio espírita brasileiro, vamos encontrar vários autores escrevendo sobre o assunto baseados em obras mediúnicas arcaicas e com conceitos ultrapassados que demonstram exatamente o que Kardec afirma, que, simplesmente, pelo fato de deixar o corpo, o Espírito continua possuindo a cultura e o conhecimento que tinha quando encarnado.

 

Dessas desatualizações crassas, destaque para o antigo conceito de que o espaço sideral continha um fluido (FCU), que é a energia fundamental, que a eletricidade era formada por elétrons que saem pelas escovas do dínamo, que as forças seriam apenas quatro, já que os cosmofísicos desde o fim do século passado descobriram a quinta força, ou “peso sem massa”  e mais, não se atualizar com os conhecimentos quânticos já conhecidos. Espiritismo é atualização científica e não mensagens isoladas de Entidades espirituais que não acompanharam o progresso.

 

Não é o atual objetivo mostrar o desconhecimento desses Espíritos que ditaram tais mensagens; mas, mostrar que, segundo Kardec, o Espiritismo deve acompanhar o progresso científico e se atualizar com ele, sendo que esta função depende dos encarnados e não dos que habitam o Além.

 

Por esse motivo, façamos um histórico resumido do que já foi descoberto e devidamente comprovado pelas pesquisas com uso de aparelhagem adequada a fim de que se possa concluir com esteio na verdade, quiçá relativa, todavia, existente:

 

Desde 1975, quando Murray Gell Mann descobriu os quarks no acelerador de partículas (fermilab) da Stanford University, uma série de outros fenômenos de entrechoque das ditas partículas atômicas levou os pesquisadores a concluir que nenhuma delas, por si só, poderia se constituir e se estruturar se um agente externo ao domínio material não atuasse sobre a energia amorfa (antigo FCU) a fim de modulá-la e dar-lhe uma estrutura de partícula atômica.

 

 Energia fundamental amorfa por si só não se altera.

 

Começa, então, uma nova era científica que admite que nada exista dentro do Universo que tenha surgido do nada, motivo pelo qual as pesquisas neste campo passaram a ter uma outra conotação: saber como estes “agentes externos” ao domínio material atuam sobre a energia cósmica modulando-a e dando-lhe formas distintas.

 

A primeira conclusão, evidentemente levou a se admitir que os agentes estruturam formas compatíveis com eles próprios; em síntese, aquele capaz de estruturar o elétron, por exemplo, tem propriedades peculiares a esta partícula, distinto, portanto, dos que estruturariam um próton e assim por diante.

 

Do mesmo modo, passa-se a admitir que estruturadores de nível mais elevado seriam capazes de reunir estas partículas para formar um átomo; e como os átomos são distintos, estes agentes também terão propriedades compatíveis com cada um deles.

 

E assim por diante, teríamos agentes capazes de estruturar moléculas e corpos; como exemplo, os cristais, que sempre se estruturam dentro da mesma figura sólida geométrica.

 

Por enquanto, está-se, apenas dentro do domínio da “vida” geológica; todavia, nada muda se analisarmos os fatos com os seres biológicos, já que, no Universo, a lei é geral e única para tudo o que exista.

 

Em síntese, pelas novas descobertas da equipe de Palomar, temos em “A Teoria do Nada” de Sten Odenwald, a informação de que o Universo se compõe de 27% de energia (domínio material) e 73% de “nada” (domínio desconhecido) que pode ser formado pelos agentes estruturadores atuantes – como foi dito acima – sobre a energia amorfa a fim de dar-lhe forma e “vida existencial” ou de qualquer outro elemento ainda desconhecido.

 

O que pode ser o “nada”? Segundo os mais ousados seria a Espiritualidade, todavia, o que está evidente é que os espaços do aludido “nada” possam corresponder ao domínio dos agentes estruturadores também chamados de frameworkers nos estudos parapsicológicos.

 

Para os que ainda não tomaram conhecimento, cabe esclarecer que, desde os estudos de Gell Mann em 1975, quando passou a estudar a “destruição da partícula”, tentando entrechocar partículas materiais com suas correspondentes antimateriais, principalmente um elétron com um pósitron (antielétron) que, em teoria, se anulariam mutuamente por serem correspondentes, de mesma carga e de sentidos opostos, mas, ao contrário do esperado, as ditas partículas passaram a agir independentemente como se tivessem comando próprio o que levou Gell Mann a admitir que elas sejam comandadas por um agente externo ao domínio material e que o mesmo deveria ser o estruturador da partícula já que, por si só, a energia jamais poderia se transformar nas mesmas, como foi dito.

 

E que importância teria isto para o estudo da vida humana?

 

Analisemos: a natureza é única, idêntica em todos os graus e não admite exceções. O que ocorre no macro repete no micro. Não existe sequer uma simples micro-partícula atômica sem que a ela corresponda um agente estruturador, do mesmo modo, não haverá vida biológica de qualquer natureza sem que haja o mesmo agente, em grau compatível com o ser, para estruturá-la.

 

Portanto, ao se analisar o fenômeno físico da estruturação do átomo pode-se estendê-lo para os seres biológicos, guardando a proporcionalidade existencial. Enfim, pode-se dizer que o que se considera como Espírito humano, nada mais seja do que o agente estruturador da vida das criaturas e que contenha todos os predicados de sua existência, inclusive inteligência personalística, ou seja, a que dota o caráter de um ser humano com a personalidade que possua.

 

Então, o agente estruturador do átomo, que tem a competência de reunir as partículas estruturando-o, nada mais é do que uma forma de “Espírito” primitivo que não possui personalidade nem características biológicas e que seu raciocínio é restrito à conformação atômica. Todavia, as propriedades são correlatas.

 

Desta forma, tirando os elementos já conhecidos da estrutura atômica, pode-se estendê-los ao da formação de uma vida animal, inclusive a humana.

 

Portanto, o Espírito, como agente estruturador do homem, pode ser estudado e analisado como sendo um elemento quântico atuando na energia fundamental, como o faz, através de cada componente de suas células. Ou seja, ele comanda estes agentes celulares orgânicos para estruturar seu corpo somático.

 

Desta forma, podemos comparar o Espírito a um “estruturador” externo ao domínio dito material com as seguintes características: elabora o dito corpo somático e dá-lhe vida biológica personalística de acordo com sua identidade.

 

Para que se possa entender o processo conhecido como “encarnatório” é preciso que, primeiro se analise cada fenômeno correspondente ao mesmo. É o que se vai fazer:

 

Primeiramente, tomemos um imã sob um papelão em cima do qual existam limalhas de ferro e níquel; ocorre aí um fenômeno magnético e o imã passa a atuar sobre as limalhas de tal sorte que passa a comandá-las. Isto ocorre porque o imã possui um campo magnético estruturador capaz de comandar as mesmas. Quando estas estão sob a ação do aludido campo magnético, elas passam a possuir um outro campo, dito induzido, que só é criado por causa da presença da ação magnética do imã.

 

Todo fenômeno de indução cria um campo no induzido que só perdura enquanto o indutor atue sobre o mesmo.

 

Se retirarmos o imã, as limalhas ainda irão ficar magnetizadas por algum tempo, num fenômeno conhecido como “histerese” – ou lembrança remota.

 

Por analogia e, de acordo com as observações feitas pelos suecos e pelos russos com as pesquisas acima citadas da pesagem da alma, o que se pode aduzir é que o aludido Espírito humano age sobre o ventre materno estruturando seu corpo com a matéria das células orgânicas obtidas a partir do organismo da mãe usando um campo parapsíquico e induzindo nas aludidas células estruturadas, um outro campo dito “bioenergético” que formariam o psicossoma ou perispírito de Kardec. O bioenergético é celular orgânico e o parapsíquico seria o campo do Espírito que independe do domínio material. É o que abandona o corpo no momento agônico deixando-o sem vida embora, pelo dito fenômeno de histerese, as células orgânicas do cadáver continuem sua vida latente por algum tempo.

 

E o que seria o Espírito?

 

Por enquanto, o que se sabe, pelas experiências atômicas, é que os agentes estruturadores, além de não pertencerem ao domínio físico da matéria, têm suas próprias características as quais induzem no corpo material estruturado; caso contrário, não poderiam atuar na energia universal modulando-a e dando-lhe forma.

 

Infelizmente, aqueles que só lêem literatura mediúnica ditada por Espíritos desatualizados com o conhecimento humano saem escrevendo coisas arcaicas, conceitos ultrapassados e alguns, até, absurdos compatíveis com sua ignorância.

 

A única diferença existente entre um agente físico estrutural e outro biológico é que este último está dotado do predicado personalístico que o outro não possui.

 

Na obra “Espírito, Perispírito e Alma” do Dr. Hernani Guimarães Andrade vamos encontrar as referências de autores que pesquisaram o assunto: uma enorme bibliografia que não se tornaria preciso transcrever. Dessas pesquisas é que concluímos que os espectrógrafos mais sofisticados seriam capazes de detectar os campos perispirituais, motivo pelo qual eles são usados nas CTI e UTI, bem como nas salas cirúrgicas para detectarem a vida no corpo humano, durante os tratamentos específicos dos pacientes.

 

Nas sessões de efeitos físicos – do que sou testemunha – tais aparelhos que registram todos os campos energéticos do ambiente, tão logo apareça alguma Entidade materializada, imediatamente, o espectrômetro acusa a presença de um campo energético estranho e novo.

 

De todos os resultados obtidos com pesquisas científicas, o que se pode advir é que, sem dúvida, a vida humana vem a ser comandada por um “agente externo” – o Espírito – que possui um “campo” energético capaz de atuar sobre as partículas materiais (no ventre materno) e estruturá-las para dar forma a um corpo somático, do mesmo modo pelo qual os aludidos agentes atuam sobre a energia para constituir a partícula elementar atômica.

 

Este campo já fora detectado pelos italianos em 1945, quando fizeram o primeiro estudo conhecido como “bebê de proveta” e já foi demasiadamente comentado em outro trabalho.

 

Repetindo: o campo espiritual (ou perispírito), como o magnético de um imã, ao atuar sobre a matéria uterina, moldando seu corpo onde deva encarnar, desenvolve outro campo, o bioenergético que torna as células orgânicas compatíveis com seu corpo somático, motivo pelo qual, os “defeitos” perispirituais são lançados neste corpo que se torna compatível com as necessidades e correspondências orgânicas da vida que vá ter.

 

Isto explica porque na nova encarnação, muitos apresentam defeitos orgânicos atribuídos a acidentes de vidas passadas, segundo informes mediúnicos.

 

Nesse caso, os dois campos, do Espírito e da matéria, acoplam-se para formar um duplo que só se desfaz no momento agônico e que deve ter a forma de um laço prateado visto por muitos médiuns, no trespasse de alguns, laço esse que se desfaz neste momento.

 

Isto explica porque as células orgânicas do cadáver ainda permanecem vivas (histerese) após o trespasse, por algum tempo e o corpo não mais possui a aludida vida cerebral ou personalística.

 

Estou relatando, sob forma de conclusão, o que outros observaram e que se torna passível de debate e de nova interpretação, mas, o que apresento está calcado nas ditas observações experimentais através de espectrômetros específicos.

 

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Artigo recebido do articulista, via e-mail, em 02 de agosto de 2009

Sunday, August 02, 2009 1:54 PM.

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.