Artigo

Dúvidas sobre o Espiritismo

Carlos de Brito Imbassahy

 
 

 

Um leitor nos escreveu o seguinte:

 

Não tenho religião fixa, mas por motivos de formação (sou Cientista Social) procuro estudar um pouco de todas as religiões. Durante anos, tenho percebido o seguinte: 

1º) Diversos seguimentos espíritas procuram afirmar que não seguem a Bíbila como modelo, mas estão sempre citando passagens da mesma para fundamentar algo na doutrina. 

 

2º) Fala-se muito da ligação Espiritismo-Ciência, mas do ponto de vista científico (causa-efeito-prova material), o Espiritismo não provou nada (palpável, visível), até agora. Se provou, por favor, me diga onde encontrar .

 

3º) Até onde os ensinamentos de Kardec não podem ter sido criados por influência de sua própria mente? É saudável seguir ensinamentos de um homem comum, "renegado" em seu próprio País? 

 

4º) Se um espírito tem de reencarnar, por que ele fica "baixando" em terreiros de umbanda, centros, etc? 

Abraços,
Gustavo


Vamos aos comentários:

1°) Procede, inteiramente, a crítica, porque, de fato, há muita gente no meio espírita que continua presa à Igreja. São os espiritólicos, assim chamados. Seguem a escola de duas Entidades espirituais ligadas à Igreja, ou seja, às mensagens de um padre jesuíta e de uma freira que pautam sua filosofia pelos textos bíblicos, e que, por vezes, entre em choque, até, com a opinião de Kardec. Mas isto é um individualismo, porque, no livro em que Kardec analisa os textos bíblicos dos evangelhos, ele faz um ensaio de estudo e uma crítica profunda, enaltecendo os bons textos e contestando os que não são compatíveis com o Espiritismo.

 

Só que os evangélicos não conhecem Kardec: limitam-se às referidas mensagens mediúnicas. Classifico como sendo tendência.

 

2°) Nos depoimentos que Sir Cromwell Fleethood Edington Varley prestou à London's Dialectical Society, ele nos dá ciência da comprovação, por parte do grupo de trabalhos nomeado pela rainha da Inglaterra (1868) e presidido por Sir Williams Crookes da realidade dos fenômenos ditos mediúnicos e da existência real do fantasma (ghost), especificando os métodos e as provas obtidas pelos cientistas.

 

Esta foi, sem dúvida, a primeira grande e oficial comprovação da parte científica espírita que estuda os aludidos fenômenos.

 

Se os maiores cientistas ingleses da época, com plenos poderes de investigação, destinados a desmascarar os fenômenos, em vez disso,afirmam-no, já seria, por si só, a comprovação desta parte científica.

 

Mas, acontece que, desde 1975, Murray Gell Mann, à frente do Acelerador de Partículas da Stanford University (EUA), chegou à conclusão de que até as partículas atômicas têm um princípio de vida, atualmente chamado de frameworkers e que ele denominou de "agentes estruturadores" e que estes agentes, como tal, não podem pertencer ao domínio físico, ou seja, não pertencem ao nosso sistema cósmico, porque, senão, jamais poderiam modelar a energia universal, como o fazem, para dar "vida" às ditas partículas.

 

Já em 1944, Werner Heisenberg, mesmo sob o jugo nazista, ao enunciar o seu "Princípio da Incerteza", declarou peremptoriamente que as partículas que não obedecem ao comando das emissões parece que são dominadas por uma vontade própria, que nem ovelhas desgarradas. Foi denominado princípio da incerteza porque não se pode calcular quais dessas partículas assim agirão.

 

Outra prova contundente está contida nas declarações dos astrônomos da Keck II, no Haway, ao analisarem a formação de um sistema solar em torno da estrela Alfa Centauro e que já é de domínio público porque os jornais do mundo inteiro, inclusive no Brasil, tornaram notícia da mídia.

 

Para eles, há agentes externos ao Universo juntando a poeira cósmica para formar o aludido sistema planetário. E só a possibilidade de tais agentes justificariam a descoberta do acontecimento.

 

A Ciência profana está chegando lá. Se existe a "alma" da partícula, por que não admiti-la para os seres biológicos, como princípios de vida?

 

3°) O que se admite, em verdade, pela biografia de kardec, é que ele, a princípio, se negou ao estudo, afinal, ele era tido como o grande professor de didática da França, introdutor de Pestalozzi - do qual foi aluno - no país.

 

Ele era católico, por formação e se vê, em muitas análises, a influência da Igreja em suas considerações. Portanto, as opiniões que estão expressas nas obras da codificação espírita, ou são oriundas puramente das comunicações mediúnicas, ou análises feitas por kardec. Neste segundo caso, ele próprio assume sua opinião, contudo, no que tange às informações espirituais, ele, apenas, é ou se tornou mero informante. 

 

4°) Perante os conceitos de Kardec, nenhum Espírito tem que se reencarnar. Ele o faz porque, tudo indica que esta é a forma mais evidente do processo de evolução espiritual, ou seja, sofrendo na carne, através de uma existência psico-somática as agruras de uma vida encarnada. Há uma série de hipóteses a respeito do fato, só que hipótese é mera proposta de pesquisa.

 

Quanto à manifestação dos Espíritos nesta ou naquela sessão, independente da sua natureza, o que se pode admitir é que se trate de pura afinidade. Há gosto para tudo.

 

Não se pode fazer um tratado acerca do comportamento de ninguém.

 

E quanto ao fato de "ter que se reencarnar", não existe nenhuma correlação com o caso das manifestações mediúnicas. Não há interdependência nem motivo para tal.

Cordialmente, na esperança de ter atendido às indagações, o abraço do

 

Imbassahy

 

Este artigo pode ser encontrado também no site A JORNADA

http://www.ajornada.hpg.com.br/colunistas/imbassahy/imb-0009.htm

 

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.