Artigo

DIVALDISMO

Carlos de Brito Imbassahy

 
 

 

Conheci Divaldo Franco em Bauru. Dr. Jorge Andréia e eu, representantes do ICEB, então dirigido pelo caro Deolindo Amorim, fomos àquela cidade a fim de fazermos uma série de palestras - ele pelo lado biológico e eu pelo lado físico - a respeito dos fenômenos mediúnicos e sua análise dentro da conceituação atual quando, de súbito, veio até nós este querido companheiro e já respeitado médium pelos seus trabalhos em divulgação doutrinária.


Desde então, fizemos um intercâmbio amigo e, por diversas vezes, tivemos a honra de recebê-lo em nossa casa. E sempre que íamos a Salvador, tínhamos uma excelente acolhida na "Casa do Caminho" - Pau da Lima, em Salvador - uma obra de caridade exemplar.


Por várias vezes tivemos o prazer de recebê-lo em nossa casa e, de uma feita, uma prova inconteste de sua excelente mediunidade, quando ele conversou com uma nossa amiga da Espiritualidade que se apresentava em nossas sessões de efeitos físicos (vulgo ectoplasmia) e a descreveu ipse líteris como se apresentava nas sessões sob forma materializada na concepção errônea e vulgar, para definir o fenômeno de tangibilidade com a aparição.


Divaldo é um grande médium, inconteste. Esta prova me foi suficiente.


Todavia, orientado por uma freira altamente ligada à Igreja católica, dentro de seus princípios caritativos, sua pregação em prol da assistência à infância passou a ter um cunho distinto e mais ligado à parte da caridade que a Igreja de Constantino pregava, com preceitos altamente evangélicos, todavia, nem sempre coerentes com Kardec, o que não depõe contra o fato, principalmente pelo lado da caridade prestada.


Seus adeptos e seguidores são prova evidente de que sua doutrina é voltada para o bem e o amor ao próximo, embora, em alguns pontos, conflitante com Kardec, o que não diminui seu valor nem sua aplicação.


Os seguidores de Divaldo são inúmeros e sua obra benemérita irrefutável. Suas pregações fora do Brasil - do que sou testemunha - tem levado muitos de seus adeptos a seguirem suas pregações voltadas sempre para o bem e a caridade, motivo pelo qual nos leva a ter um enorme respeito à sua doutrina, apesar de, nem sempre, seja coerente com Kardec.


Não podemos negar que, pelos seus adeptos e seguidores, por aqueles que o acompanham, como o brilhante expositor fluminense meu conterrâneo Raul Teixeira, uma nova e brilhante doutrina se apresenta como destinada a levar seus participantes ao caminho do amor, da caridade e das virtudes.


Por que, portanto, negar a existência dessa nova doutrina - o Divaldismo? - Por que cingi-la a preceitos contrários a seus ensinamentos de amor e caridade? Obrigá-lo a se bitolar a linhas com as quais possa entrar em conflito e criar atritos de idéias?


A independência de pensamentos é uma conquista democrática da liberdade dos homens.


Está na hora e admitirmos que haja, sem dúvida, com muito amor e com carinho de seus seguidores de uma nova doutrina reencarnacionista em nosso meio e que deva ser respeitada por todos aqueles que queiram a união, o amor e a compreensão entre as criaturas.


O respeito mutuo entre as pessoas exige que o tenhamos também a estes fiéis seguidores dos ensinamentos sublimes da mentora espiritual deste nosso querido amigo, a irmã de caridade, quando encarnada e que, da Espiritualidade orientou este grande médium no caminho do amor ao próximo e do bem a todos, a nossa querida Joana de Angelis que, não apenas no nome, mas nas atitudes, de fato é uma criatura dos anjos voltada para o bem.


O Divaldismo é uma doutrina que merece todo respeito.

 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.