Artigo

A Teoria do Nada

Carlos de Brito Imbassahy

 
 

 

Sempre foi uma eterna preocupação dos cientistas descobrir a causa ou origem das coisas e principalmente do Universo; enfim, o porquê de sua existência, todavia, sem encontrar explicações que pudessem conciliar os conceitos religiosos da Criação Divina com os princípios fundamentais do cosmo.

 

Ciência seria uma coisa e religião outra; a primeira prendia-se à verdade e a segunda, exclusivamente às empíricas teses do dogma para satisfazer às necessidades psicológicas da criatura humana.

 

Todavia, a partir do momento em que se passou a conhecer o átomo mais intimamente, as contundentes conclusões de Murray Gell Mann estavam desviando os conceitos materialistas arraigados para um novo campo de observações porque, de fato, a energia amorfa que constitui o Universo – e que fora definida por Newton como sendo o FCU – por si só, jamais poderia se alterar da sua condição de expansão e, como tal, para que as partículas se formassem algum agente externo a tudo teria que atuar sobre ela.

 

Foi assim que nasceu a primeira idéia do que, mais tarde foi designado como sendo o frameworker, ou seja, o estruturador responsável pela formação da partícula em si.

 

Foi dessa forma que nasceu a idéia da existência de dois domínios distintos, o das formas e o material, no caso, o próprio Universo.

 

Falta, ainda, à Ciência concluir que o domínio das formas possa ser a Espiritualidade admitida pelos reencarnacionistas, contudo, há um ranço de rejeição da sua parte em aceitar a existência do Espírito sem a conotação religiosa do “sopro divino” e da Vontade de um Deus criador que o teria feito à sua imagem e semelhança.

 

O Cristianismo em si tem sido o grande entrave, com suas teses religiosas, dogmáticas e, como tal, indiscutíveis, impondo a existência do Deus que falou com Moisés e escreveu a Bíblia, enfim, do Criador exclusivamente preocupado com a humanidade.

 

Aliado a isto, ainda há aqueles que insistem em se conservar materialistas, mesmo depois que Einstein provou que a matéria, sendo efeito da condensação de energia, não possa ser causa de nada.

 

Um desses cientistas é Peter Higgs, físico escocês que, no final do século XX conseguiu equacionar a existência de uma partícula que seria um bóson, ou seja, que obedeceria às estatísticas de Bose e Einstein. Sobre este assunto escrevi dois capítulos em meu livro “Arquitetos do Universo” pois, segundo Higgs, seu estudo justificaria a formação do Universo a partir da forma mais elementar sem necessidade da existência dos aludidos estruturadores estranhos ao domínio material.

 

Pois, de fato, a partícula existe e foi detectada nos estertores da existência do Acelerador de partículas da Suíça, que está sendo substituído por um mais amplo e mais moderno.

 

Esta partícula viria do nada. Falta, porém, provar isso.

 

Mais recentemente, os japoneses, no seu laboratório de estudos atômicos, conseguiram fotografar e identificar uma série dessas partículas que, de fato, se formam do nada, para eles, já que nenhuma causa se lhes é apresentada para que, em frações de milésimos de segundo as mesmas tenham sua existência efêmera.

 

Juntando toda esta bagagem, um grupo de pesquisadores norte-americanos liderado por Sten Odenwald, analisando o que há de mais recente na descoberta astrofísica, faz um estudo da existência do nada, que segundo se verifica, corresponde a 73% da existência do Universo que só engloba 27% de energia amorfa ou fundamental. E o nada seria a causa de tudo, porque, de fato, segundo as observações, é a partir da “sua ação” que tudo mais se forma.

 

E este nada esclarece porque as partículas efêmeras se formam, sem que tenha causa aparente.

 

A primeira pergunta que se faz: por que o nada?

 

A resposta é simples: porque nada existe; não há forma nem composição. É como se um corpo sem massa possuísse peso.

 

Todos sabem que o peso é uma força resultante da atuação de um campo gravitacional sobre um corpo com massa. Difere da força mecânica porque esta é produzida por um agente, como no caso do motor. Os corpos possuem massa invariável, mas seu peso varia segundo a atração gravitacional a que esteja sujeito. E o nada tem peso, só não tem massa.

 

Os fanáticos religiosos insistem em dizer que ele não existe, mas os aparelhos físicos registram sua presença sem poder caracterizá-lo.

 

Ele já é considerado como sendo a causa da formação de tudo o que se encontra dentro do Universo, inclusive do próprio Universo.

 

Pois, no capítulo II do livro “A Gênese”, escrito por Allan Kardec, a partir do item 20, que tem o título de “A providência” este autor nos fala de algo que, devidamente analisado, coincide rigorosamente com o que os físicos da teoria do nada apresentam.

 

Em suma, o nada seria exatamente a providência de Deus, não desse Deus religioso da Bíblia e dos evangélicos, mas o Deus que Kardec descreve no referido capítulo, inteiramente distinto do que os cristãos “evangélicos” aceitam como sendo o Criador supremo de tudo.

 

Pelo que se indica, nem os espíritas, na sua maioria, conhecem o que Kardec escreveu a esse respeito, e, talvez, até, não tenham discernimento para entendê-lo já que estão presos à concepção evangélica de um Deus plenipotente que age por vontade própria e não por necessidade de manter um Universo pulsante e anisotrópico em processo evolutivo perene para o progresso dos seus componentes, corroborado por mensagens mediúnicas assinadas por padre e freira.

 

Pois é curioso como um autor, século e meio antes de os Cientistas descobrirem a existência do nada já o definia de forma tão competente! Mas, para isso, é preciso que abandone a idéia do Deus bíblico pregado pelos evangelistas e pelos atuais evangelizadores porque este é conflitante com tudo o que acaba de ser descoberto.

 

O difícil, nisso tudo, é termos que abandonar nossa crença para admitir que Deus não é esta criatura antropomórfica, com predicados (ou defeitos?) humanos, a governar o mundo por seu bel prazer.

 

Aceitar o Deus que Kardec apresenta nesse texto da Gênese, sem dúvida, vai ser uma tarefa árdua àqueles que ainda se encontram presos aos dogmas eclesiásticos sobre a personalidade do Criador deveras incompatível com sua Criação.

 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.