Artigo

A FORMAÇÃO DO UNIVERSO

Carlos de Brito Imbassahy

 
 

 

Tínhamos acabado de assistir uma sessão do Planetário de Washington, nos EUA onde fora exibido um importante documentário acerca da formação do Universo com dados reais colhidos pela nova tecnologia de aparelhos ópticos de observatórios como os de Palomar no Haway e mais os filmes obtidos a partir das naves telescópicas como a Hubble e sondas espaciais, além do material obtido pela NASA.


Foi uma hora estarrecedora acerca das exposições sérias e precisas que tais aparelhagens obtiveram através destas últimas pesquisas, por algum tempo e que nos dava uma posição - senão exata - muito próxima da verdade, evidentemente, contrária às hipóteses de crenças religiosas adotadas pela criatura humana.


Na saída, evangélicos e islâmicos, em acintosa atitude, gritavam aos altos brados, para que todos tomassem conhecimento, que aquilo não passava de mera ficção científica. Para os cristãos, a verdade está na palavra divina contida na Bíblia e para os islâmicos, a verdade seria a do Corão.


Assim agem os fanáticos, quando suas crenças são contrariadas pela exposição da verdade, destruindo dogmas e leis estabelecidas como divinas.


Então, os dados obtidos por aparelhagens neutras e sem opinião são considerados como ficção. Testos religiosos atribuídos a Deus, sem qualquer condição probante é que representam a verdade!


Claro está que a documentação do Planetário destrói por completo qualquer alegação divina na formação do Universo, na sua Criação, muito menos, na capacidade evolutiva de tal tarefa.


O nosso telescópio orbital homenageia o insigne astrofísico norte americano Edwin Powell Hubble, nascido no Missouri, falecido na Califórnia em 1953. Tornou-se famoso em 1923 quando, ainda com recursos limitados estudou a nebulosa Andrômeda e revelou diversos aspectos da vida sideral fora da Via Láctea e, em 1929 estabeleceu a lei de desvios das galáxias, muito contribuindo para os estudos que levaram os astrônomos a concluírem que o Universo se expandia e, como tal, era periódico e anisotrópico.


Por partes:


Os movimentos períódicos, como os dos pêndulos são isotrópicos. Periódicos porque se repetem numa constante  e isotrópico porque a volta é exatamente contrária à ida. Vai e volta pelo mesmo caminho. Já o mesmo não ocorre quando um jogador aremessa uma bola contra uma parece e fica rebatendo a mesma, até errar. A bola vai por um caminho e volta por outro. Então, neste caso o movimento, apesar de periódico (repetitivo) é dito anisotrópico.


Pois o Universo, de fato, se expande numa fase evolutiva, comprovada pelas pesquisas siderais e, evidentemente, irá se esvair, momento em que perderá sua forma existencial.


Então, aí, a ação de um Agente Físico, supremo ao Universo, que faria o papel do Deus religioso, implodiria, novamente, toda massa cósmica até seu fulcro central.


Baseados na formação do buraco negro que também implode até um limite de tolerância, momento em que explode e se torna uma estrela super-nova, alguns estudiosos imaginaram, então, que também, esta massa cósmica implodida poderia explodir num fenômeno que passou a ser denominado de Big bang, contudo, há os que, mais prudentes, afirmam que o reverso da implosão não precisa ser obrigatoriamente, a partir de uma explosão.


Em princípio, a mesma explicaria a ação de forças universais atuantes que reconstruiriam os corpos, restabelecendo as formas dos astros e a condensação da matéria, a partir de seu elemento mais simples, o átomo.


Contudo, contra esta teoria, novas descobertas demonstram que a ação dos agentes que estruturam as formas do Universos continuam atuantes e não deixaram de agir para formar novos corpos, o que não aconteceria se esta ação emanasse de tal explosão, porque ela perderia seu efeito, a partir de determinado momento e, de fato, não se observa, atualmente, qualquer vestígio da mesma.


Claro está que tais descobertas destroem por completo qualquer trabalho de Deus na Criação do mundo e principalmente porque a Via Láctea, nebulosa com dez mil anos luz de extensão, onde se encontra a Terra, um dos seus mais recentes astros, também é, em relação a outras galáxias, muito recente, o que afasta qualquer hipótese para que se aceite a explicação mosaica contida na Gênese do Pentateuco.


Ora, a expansão do Universo se dá de uma forma evolutiva, onde os sistemas siderais vão se constituindo gradativamente. O Sol já é uma estrela decadente, dita vermelha, de quinta grandeza - provavelmente por já ter perdido a maior parte da sua massa primitiva mas, representa uma evolução do sistema e a Terra, como um de seus planetas orbitais, mostra que, de fato, antes da aparição do homo naeterdalense e do homo sapiens, a vida era por demais representada pelos seres quer vegetais, quer animais, bem mais atrasados do que os que habitualmente coabitam conosco.


Houve, pois, a evolução.


Já o mesmo não ocorre na implosão ou compressão do Universo, ou seja, não acontece uma involução no sentido oposto ao da evolução, por isso, o sistema não pode ser considerado como isotrópico.


O que se presume é que, a partir de nova expansão, os velhos mundos da fase anterior vão se reconstituindo sob ação dos mesmos elementos que o habitaram no ciclo anterior.


Portanto, perante a Cosmofísica, a criação do Universo é de origem infinita e sua existência, de forma repetitiva se dá através de períodos cíclicos de expansão - como o atual em que vivemos - e de retração, para, novamente, vir a se constituir num período sequente de expansão.


E, com isso. sem trocadilhos, adeus ao Deus Criador!


Por curioso, Allan Kardec, tanto no cap. I de O Livro dos Espíritos e cap. II de A Gênese, fala de Deus causa suprema que poderia ser astronomicamente representado pelo Agente, acima de qualquer compreensão humana, que comande os períodos cíclicos do Universos, todavia, sem predicados e sentimentos humanos como querem os religiosos, a ponto de dizerem que teríamos sido criados à sua imagem e semelhança, o que torna a idéia um absurdo, porque seria o mesmo que admitir que o mal caráter humano tenha advindo do aludido Criador, afinal, o homem, sendo sua imagem, teria adquirido dele, também, seus maus instintos.
 

Por isso, mais uma vez prevalece o bom senso em Kardec quando diz, em A Gênese que, quando invocamos Deus é sempre um Espírito amigo que vem em nossa ajuda e proteção.


Assim, de fato, nenhum agente, por mais divino, teria criado o Universo a seu bel prazer. O que o homem ainda não pode compreender é porque tudo isso existe e qual a verdadeira causa de existir. Inventar um ente Supremo, divino, fazendo as coisas à sua maneira,  para seu próprio deleite é tripudiar sobre a verdade e a compreensão humana.


As sondas espaciais mostram que, ao se expandir, os limites do Universo caminham para um exterior que, forçosamente nos cerca, o que demonstra que algo mais exista além do nosso espaço sideral, senão, jamais poderíamos nos expandir. E o que existe além disso? Infelizmente nossas sondas não são capazes de registrarem porque o limite da expansão universal se afasta de seu centro com uma velocidade superior à da luz, que é a forma pela qual obtemos as imagens capazes de nos explicar o que ocorra fora do nosso espaço sideral.


Culpar Deus de tudo - não cai uma folha de uma árvore que não seja a vontade de Deus - pode ser muito cômodo, contudo, não explica nada e, pelo contrário, bitola a mente humana para que possa raciocinar a respeito da verdadeira existência das coisas.


O medo de uns, a incompreensão de outros e o fanatismo de terceiros é que fazem da divindade religiosa um Ente Supremo em Poder e Vontade mas cuja existência só prevalece pela crença e nada mais. É preciso que a criatura humana creia em alguma coisa para justificar sua vida, porém, inventar um Deus abstrato, antropomórfico, com super sentimentos humanos e todo poderoso, sem dúvida, é se acomodar na crença e fazer dela seu escopo de vida, sem querer contribuir para a evolução do sistema que exige de nós melhores compreensões e maiores horizontes de percepção a fim de que, pelo fanatismo, não alegue que as provas científicas obtidas por aparelhos imunes à vontade humana sejam ficções da imaginação que eles jamais possuam.


O Universo é uma grande massa composta de 27% de energia e de 73% de "nada", ou seja, algo desconhecido, que se expande e cuja energia pode adquirir diversos estados físicos, um deles sendo a matéria que nos compõe e que dá origem aos corpos siderais, inclusive a Terra. Mas esta mesma energia tem outros estados, como o quântico,inicialmente estudado por Plank e que atualmente explica por meios científicos as ocorrências fenomênicas desde o movimento mecânico dos corpos, som, calor, luz e até os raios cósmicos.


Há, ainda, a matéria escura, definida por Odenwald como sendo uma forma quintessenciada de matéria e também o "nada" do Universo que ainda, sequer pudemos desvendar o que seja! Por isso, de fato, torna-se cômodo inventar-se um Deus criador que justificaria a existência de tudo isso sem qualquer esforço. O problema, todavia, é que tal deus, além de ser antropomórfico, só se preocuparia com a humanidade terrena, sua obra prima, apesar de sermos o que de mais atrasado exista em nossa constituição universal.


A formação do universo, portanto, não é nenhuma criação do deus religioso, mas um acontecimento que obedece a leis supremas cuja capacidade humana longe está de se compreender, como também o que seja Deus sem os predicados (ou defeitos perante o Universo) humanos.


Portanto, o Universo não é criação divina. É algo que transcende à capacidade humana de compreensão, até mesmo, se somos os únicos seres que habitam essa imensidão sideral, porque, fazer um Universo imenso para colocar os pseudo-seres da criação divina em um astro tão insignificante como a Terra, seria admitir que esse Criador queria, mais, nos castigar do que, mesmo, nos dar a vida e a glória suprema.

 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.