Artigo

A Evolução das Raças

Carlos de Brito Imbassahy
 
 
 

Um dos livros de Kardec raramente lido pelos espíritas é “A Gênese” que mereceu uma tradução fraudulenta por parte dos roustaingistas, onde todos os textos contrários à tese docetista foram simplesmente excluídos e outros modificados a fim de atenderem à doutrina por eles defendida e não à de Kardec.
 
 É neste livro que o codificador do Espiritismo defende a tese de que cada povo, independente da sua formação genealógica, teve sua origem a partir de falanges espirituais distintas. E a nossa, do ocidente, seria a “adâmica”, motivo pelo qual a própria Bíblia admite que Caim, após matar Abel, migrara para outras regiões onde constituiria sua família.
 
 Deixando de lado os dogmas religiosos e analisando a evolução das espécies através da paleontologia, sem dúvida, teremos que admitir que a transformação biológica dos corpos se dá pela necessidade de se ter animais superiores habitando a Terra, até chegarmos ao “homo sapiens”.
 
 Isto justifica a existência das diversas raças animais provenientes da própria influência espiritual e que, ao chegar à espécie humana, esta teria se formado de corpos compatíveis com as respectivas regiões onde tiveram sua origem. Além disso, os Espíritos seriam compatíveis com os meios de vida, ou seja, para viver na selva africana, Espíritos rudes e preparados para a “jungle” onde a luta pela sobrevivência exige uma rudeza própria, enquanto que, para viver num continente como a Europa, não se tornava necessário tal requisito.
 
 A tese de Kardec é altamente compatível com a hipótese da existência dos ditos “agentes estruturadores” defendidos a partir das experiências de Murray Gell Mann sobre a formação das partículas atômicas. Seguindo com o raciocínio:
 
 Evidentemente, com a migração desses povos, deu-se a miscigenação das raças e hoje, a população da Terra encontra-se tão diversificada que pode sugerir, até, a criação de novas sub-raças, mas, na verdade, todas elas apoiadas nas primitivas que, como diz Kardec, são formadas por corpos compatíveis com as falanges espirituais que aí nasceram.
 
 Atualmente, admite-se que a primeira forma de vida tenha sido gerada pelos referidos agentes – também conhecidos como frameworkers – primitivos que teriam atuado nas cadeias carbônicas contidas pelas águas e dado origem aos plânctons mais rudimentares. Daí por diante é fácil entender a criação dos fitosoários, dos zoófitos em si, admitindo-se que as formas espirituais compatíveis com os mesmos teriam atuado na cadeia orgânica desses seres primitivos transformando-os em corpos, de um lado, vegetais e, de outro, sendo o fulcro da vida animal.
 
 Talvez, portanto, caiba uma idéia remota de geração espontânea, porque, de fato, as substâncias carbônicas, em si, não poderiam, por elas próprias, gerar a vida, mas, sob influência espiritual, dar origem aos seres biológicos primitivos.
 
 Lembremo-nos de que, para a Física, nada pode existir sem que se tenha uma causa.
 
 Até chegar ao homem, evidentemente, houve uma transformação geral dos corpos que, gradativamente, davam condição a novas vidas de seres animais superiores, pontificando nos mamíferos, e, com eles, os símios e o homem.
 
 Evidentemente, para que haja compatibilidade de idéias, temos que admitir que grande parte dos Espíritos que dariam origem à criatura humana já comporiam o grupo de trabalhos responsável pela formação da Terra, atuando sobre ela a fim de que a mesma pudesse se transformar num planeta habitável por nós.
 
 Um outro aspecto abordado por Kardec é o primitivismo dos homens de transição, essencial e necessário para adaptar os corpos àqueles que mais tarde habitariam o planeta. Esta evolução somática não corresponde, obrigatoriamente, à evolução espiritual, ou seja, Espíritos mais adiantados tiveram que aguardar que os homens mais primitivos transformassem o corpo carnal para que, gradativamente adaptado, ele fosse permitindo que os de maior evolução pudessem vir à Terra e só depois de formadas as grandes sociedades é que os missionários, quer no campo científico, quer no das doutrinas filosóficas, puderam nascer para se fazerem compreendidos.
 
 É mais do que óbvio que não adiantaria nada surgir um sábio capaz de manipular as peças de um micro-cérebro eletrônico numa sociedade que nem sequer poderia admitir a existência da energia elétrica.
 
 Basta dizer que, ainda na época de Kardec não se sabia que a energia era algo distinto da sua fase material. Tanto assim é que ela era conhecida como “fluido” e não havia distinção entre as fases fluidas e a energia em si.
 
 Da mesma forma somos forçados a admitir que, nesta fase em que estamos, de barbarismo, de atrocidades, de incompreensões, muitos são os Espíritos que ainda não tiveram condição de nascer para dar sua sábia contribuição para este processo evolutivo por que passamos onde os Espíritos mais rebeldes e atrasados devam estar tendo suas últimas oportunidades para se reencarnar e se corrigirem, a fim de que possam acompanhar os demais nas próximas fases que venham a surgir com o nascimento destes seres superiores que ainda não puderam dar sua contribuição para a melhoria social da humanidade.

 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.