Artigo

A CONCEITUAÇÃO POLÍTICA

PERANTE O ESPIRITISMO

Carlos de Brito Imbassahy

 
 

 

In médium ac virtus

Provérbio latino

 

Muitos são aqueles que me têm escrito abordando a situação política do nosso país e, em decorrência, a do mundo em geral, principalmente, dentro deste novo conceito que existe a respeito das correntes de esquerda e de direita, trocando idéias relativas à posição que o reencarnacionista, em si, deva tomar.

 

Primeiramente, gostaria de lembrar que os romanos já proclamavam: – “no centro como a virtude” coerente com a Física moderna que nos diz que o equilíbrio está no centro de gravidade ou apoio de qualquer corpo – que serviu para Arquimedes descobrir a alavanca –, o que, de antemão, afasta a hipótese de se ter um lado ou outro – esquerda e direita – como certo.

 

Todavia, é sempre prudente lembrar como surgiu este conceito de “direita” e de “esquerda” na política internacional, embora muitos tenham inventado que o mesmo nascera na época dos girondinos que se sentavam à esquerda do Parlamento francês. Mas, esquerda em relação a quê? À Mesa ou ao salão? Afinal, uma se opõe à outra.

 

Nada disso! O conceito teve origem em 1938/39 quando Joachim Von Ribbentrop, Ministro das Relações Exteriores da Alemanha representando o “eixo” nazista se reuniu com Viatcheslav Mikkailovitch Skriabin, mais conhecido como Molotov, da União Soviética para decidir o destino da Europa. Nesta reunião, conhecida como “Pacto Germano-Soviético” ficou assentado que se instituiria uma linha demarcatória, verdadeira Tordesilhas européia dividindo o velho continente em duas partes tais que, se vendo do pólo norte, o lado esquerdo seria da Rússia Stalinista e do lado direito do eixo nazista de Hitler, aliado a Mussoline.

 

E assim, o comunismo instituído na velha república dos czares passou a ser conhecido como “de esquerda”. No final, dois regimes totalitários, que se diziam socialistas, só que os comunistas não tiveram nenhum trabalho para ocupar as terras que lhes foram destinadas; já Hitler teve que tentar se impor à força, a partir de 1939, deflagrando a II Grande Guerra.

 

Hoje em dia, o conceito de “espírita” é deveras diversificado: tem espírita-cristão (docetista), cristão espírita (evangélico), espírita de terreiro, laico, enfim, até “kardecista”, para os que continuem fiéis ao codificador.

 

Só uma coisa em comum é o fundamento dessas correntes: o reencarnacionismo, além de aceitarem, evidentemente, a comunicação dos “mortos” através do fenômeno dito mediúnico. E tudo indica que nenhuma dessas correntes participa das idéias comuno-socialistas-nazistas do velho conceito de esquerda/direita, pelo menos, como fundamento doutrinário.

 

Além disso, essa questão de ser de direita ou que esquerda é assaz relativo porque, se nos olharmos num espelho, o nosso lado direito será o esquerdo e vice versa. Como no caso dos girondinos em relação à platéia ou à Mesa diretora.

 

O grande problema de tudo isso é a paixão política: os que se proclamam seguidores de determinada corrente não raciocinam senão dentro dos preceitos puramente dogmáticos, como os religiosos, julgando que só o partido ao qual pertençam ou dentro do qual militem seja o correto, o ideal para o governo do país, esquecendo-se de que a verdadeira política é a do bem, independente de credo ou de simpatias.

 

A criatura humana, em sua grande maioria, é imperfeita, senão, jamais estaria se reencarnando em um planeta de sofrimentos como o nosso e o brasileiro não faz exceção à regra; e não depende de tendências políticas para suas práticas, de qualquer natureza. Basta sua moral. E o político não foge à mesma regra, principalmente quando tem o Poder na mão, para dar azo a seus instintos. Infelizmente, os eleitores, escolhem seus representantes dentro da sua mesma índole, daí, elegerem corruptos, inescrupulosos, até mesmo criminosos, já que, como eleitor, ele procura o candidato coerente com seus instintos, da mesma forma que escolhe sua religião dentro desses mesmos fundamentos. Caso contrário, muitos maus políticos jamais seriam eleitos e reeleitos, apesar de punidos e denunciados.

 

Além disso, em nosso país, não existe idealismo político, senão, os candidatos não estariam trocando de partido a seu bel prazer, segundo suas próprias conveniências, a ponto de a Justiça Eleitoral ser obrigada a propor uma lei de fidelidade partidária, a fim de que as legendas funcionem, pelo menos, no caso da substituição dos titulares eleitos para o legislativo.

 

E como, portanto, votar-se em um candidato desses por idealismo político-partidário?

 

Até mesmo candidatos à presidência da república, cada ano, aparecem num partido diferente...

 

É triste, portanto, ver-se alguém se dizendo espírita e se manifestando politicamente a favor de grupos partidários que nada representam em verdade, apenas, existem para se locupletarem do poder e usá-lo em benefício próprio.

 

Talvez, se a eles fosse dado o conhecimento das palavras de Jesus, quando disse “assim como fizeres, assim acharás” prevendo, evidentemente, o resgate das faltas e dos erros de cada um em outra vida, já que muitos acabam se desencarnando sem resgatar os débitos pelos erros praticados, talvez, meditassem um pouco mais antes de se deixarem levar pelas ambições mundanas, já que tudo fica aqui quando o Espírito abandona o corpo para um domínio Maior.

 

E estes que se dizem espíritas e defendem ardorosamente tais correntes políticas por idealismo e fé, sem raciocínio, na verdade, sequer meditaram nos verdadeiros ensinamentos de uma doutrina reencarnacionista: praticar o bem como virtude e jamais sentir rancor contra aqueles que não conjuguem com seus pensamentos.

 

Os nossos políticos só pensam no “poder” e em mais ninguém. Até nos apadrinhamentos há esse mesmo instinto: ter sob si os seus nos quais possam atuar.

 

E pior: aqueles que julgaram que poderiam fazer uma política honesta e sincera jamais se elegeram para nenhum cargo: isto merece que todos nós meditemos a respeito do nosso eleitorado.

 

É a humanidade!            

 

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Texto recebido do articulista em quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010 - 04:42

 

 

 

 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.