Artigo

OS EXILADOS NÃO SÃO DE CAPELA

Albino A. C. de Novaes

Sala Projeto Espírita

(ambiente de áudio conferência)

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Grupo: Spanish & Portuguese  - reuniões: sábado (19 horas) e domingo (10 horas e 19 horas)

Estudo da Mediunidade

O Evangelho segundo o Espiritismo A Gênese

 
 

 

EMMANUEL – “A Caminho da Luz” – Francisco Cândido Xavier – p.33 – Federação Espírita Brasileira. A obra foi escrita com base nas anotações atribuídas aos exercícios da psicografia realizados entre as datas de 17 de agosto a 21 de setembro de 1938. Vamos extrair apenas os trechos mais importantes para fundamentar nossos comentários. 

 

Do capítulo III

As Raças Adâmicas. O Sistema de Capela. 

“Nos mapas zodiacais, que os astrônomos terrestres compulsaram em seus estudos, observa-se desenhada uma grande estrela na Constelação de Cocheiro, que recebeu na Terra, o nome de Cabra ou Capela. Magnífico sol entre os astros, que nos são mais vizinhos, da sua trajetória pelo infinito, faz-se acompanhar, igualmente, da sua família de mundos, cantando as glórias divinas do ilimitado. A sua luz gasta 42 anos para chegar à face da Terra, considerando-se desse modo, já que a luz percorre o espaço com a velocidade aproximada de 300.000 quilômetros por segundo.”

Capela ou Alfa Aurigae é, comprovadamente, um sistema de estrelas múltiplas que contém pelo menos 9 estrelas; duas delas são tidas como “gigantes amarelas”, com massa 2,6 e 2,7 vezes a massa do Sol e com dimensões que ultrapassam em 9 e 16 vezes o tamanho do Sol. Não são estrelas que podem ser consideradas estáveis. Cada uma delas libera, aproximadamente, 78 vezes a luz liberada pelo Sol – tal variação corresponde à quantidade de radiação, inclusive de raio X por efeito do calor. Encontra-se a aproximadamente 43 anos luz. Este sistema está no Hemisfério Norte, a 45º da estrela Polaris que é a estrela polar do norte. Até a década de 60 os astrônomos pensavam ser uma estrela de formação simples, mas a aplicação de novos métodos de observação, entre eles a espectroscopia, revelaram tratar-se de um sistema complexo de várias estrelas que foram sendo descobertas uma a uma.

 

Abaixo exibimos uma gravura para compararmos as dimensões de algumas estrelas conhecidas, entre elas uma das estrelas do agrupamento principal – denominado binário – que constitui o Sistema Capela.

 

 

 

A gravura exibe a maior das estrelas que compõe Capela ou Alfa Aurigae como costuma ser chamada entre os astrônomos, cerca de 16 vezes maior que o Sol. É uma fonte de raio X potencialmente maior do que a que representa a estrela do Sistema Planetário onde vive o homem. Se essa gigante amarela fosse colocada no lugar do Sol, a Terra, mantendo sua posição seria inteiramente calcinada, pois precisaria de uma atmosfera muitíssimas vezes mais densa do que a que tem atualmente. Mesmo com a Terra colocada a uma distância de 1,5 bilhões de quilômetros a vida seria muito pouco provável – e isto se não considerarmos o fato de se tratar de um sistema múltiplo.

 

Uma estrela binária é um par de estrelas em órbita em torno de um centro de gravidade comum sob a ação de sua atração gravitacional mútua. As estrelas binárias são algumas vezes chamadas de estrelas duplas e as estrelas individuais do sistema são chamadas de componentes. Tais pares de estrelas, dos quais há vários tipos são extremamente comuns, chega-se a afirmar que constituem cerca de 68% de todas as estrelas conhecidas do Universo; os outros 32 % seriam distribuídos entre as estrelas múltiplas e um pequeno percentual de estrelas simples como o Sol. Uma binária visual quando vista por meio de um telescópio, aparece como um par distinto de estrelas, com sua separação e orientação variando ao longo dos anos. Em um sistema binário eclipsante cada estrela regularmente provoca um eclipse na outra e isto resulta em variações periódicas no brilho total. Uma binária espectroscópica tem componentes que estão muito próximas para que possam ser vistas como estrelas separadas. À medida que a estrela descreve sua órbita em torno de sua companheira, ela praticamente está se movendo em direção à Terra – em termos relativos – ou afastando-se dela. Examinado seu espectro, o Efeito Doppler pode ser usado para medir as mudanças em seu movimento. Uma binária de polarização exibe mudanças periódicas na polarização de sua luz. Em tais binárias, à medida que as estrelas se movimentam em suas órbitas iluminam o gás e a poeira existentes no espaço entre elas, e o ângulo com o qual a luz colide com esta matéria muda periodicamente. Desta maneira a luz espalhada é polarizada. A figura seguinte mostra um exemplo de estrelas binárias, para que se possa ter uma idéia das características visuais de um sistema como os que estamos descrevendo; nem todos os sistemas binários podem ser fotografados com suas estrelas componentes separadas, em geral dada a proximidade uma da outra, apresentam-se ao telescópio como sendo apenas uma; tal fato certamente enganou aqueles que deram informações ao médium que serviu de intermediário ao Espírito Emmanuel que, por sua vez também deve ter-se baseado em informações pouco precisas de astrônomos desencarnados, já que a ele próprio não coube constatar o engano. 

 

 

A figura que utilizamos, a título de ilustração, mostra o sistema binário Alfa Centauri. É o conjunto estelar mais próximo do Sol, distante cerca de 4,5 anos-luz. É importante ressalta que as estrelas duplas têm muita dificuldade em abrigar qualquer forma de vida, tal qual conhecemos, devido à instabilidade das órbitas de seus planetas e as características gerais que envolvem seus componentes. Grandes variações de temperaturas decorrentes das catastróficas atividades estelares despejariam a distâncias que cobririam todo o espaço planetário inimaginável quantidade de radiações. As erupções estelares são perturbações de natureza colossal cujo início súbito é seguido de desintegração gradual. A freqüência das erupções estelares pode ser acompanhada pela observação de fortes raias de emissão, sobrepostas ocasionalmente a um contínuo fraco. Observações do Sol inteiro por satélites colocados em órbitas para pesquisas espaciais, detectam raios X fortemente intensificados, originados das erupções. Já foram detectados raios X, nas fases iniciais das grandes erupções com energias superioras a 70 kev. Também os raios ultravioletas são fortemente ativados durante uma erupção estelar. De qualquer modo, tomando-se o Sol como referência – e ele é consideravelmente menor que o sistema Alfa Aurigae de onde se supõe serem originários os espíritos exilados que vieram a constituir a “raça adâmica” – que ao nosso modo de ver não passa de um mito que se criou na literatura espírita para se ajustar às informações bíblicas -, e considerando uma área de erupção de apenas 10-4 da solar, mesmo uma intensificação mil vezes maior resultaria num acréscimo de 10% da intensidade integrada. Nessas circunstâncias, é notável que o fluxo total de raios X, durante uma erupção da classe 2+, seja duas vezes o do Sol quieto. Acompanhando alterações nas ondas de rádio é possível se medir com alguma aproximação as erupções estelares. E Alfa Aurigae não é das mais comportadas.

 

 

Na figura acima, temos uma visão obtida através de um telescópio, sem qualquer tratamento, da estrela conhecida como Próxima 61 Cygni, distante 8 anos-luz da Terra e de 6ª magnitude. Observe as duas imagens e terá uma idéia da diferença entre um sistema e outro... Diferença?  Nem tanto, pois a segunda imagem também pertence a um sistema duplo. As estrelas duplas são formadas no interior da mesma “nebulosa-mãe”, iniciaram a sua formação sensivelmente na mesma ocasião e relativamente próximas uma da outra, pelo que ficaram ligadas pela interação gravitacional – a orbitar em torno de um ponto comum a que se dá o nome de centro de massa. Na verdade, em muitos casos, o número de estrelas geradas nessas circunstâncias é superior a 2, pelo que se lhes atribui o nome de sistemas múltiplos. Alfa Aurigae é um desses sistemas múltiplos.

 

Dadas as grandes distâncias a que se encontram da Terra, a maior parte dos binários ou dos sistemas múltiplos não podem ser separados pelos nossos olhos, por um binóculo ou telescópio modesto e, em muitos casos, nem mesmo pelos maiores telescópios do mundo. Só a análise espectral da luz que emite revela a presença de mais de uma estrela.

 

Há dois exemplos que podemos citar para ilustrar ainda mais nossas considerações: as estrelas ALCOR e MIZAR, ambas da constelação da Ursa Maior, que embora dando a ilusão de um sistema binário, quando é observado através de um telescópio. Sabe-se que o período orbital, isto é, o tempo necessário para completarem uma volta em torno do centro de massa é muito longo, talvez da ordem de 10000 anos-luz; mas o estudo da luz através de um espectroscópio revela que cada uma delas tem uma companheira, o que significa ser, na realidade Mizar, um sistema múltiplo constituído de dois pares de estrelas. A existência de estrelas duplas, como eram denominados antigamente, foi uma das principais descobertas decorrentes da invenção do telescópio e extraordinariamente ampliada sua observação com o espectroscópio. Mizar foi um dos primeiros sistemas múltiplos a ser descoberto e o mérito se deve ao astrônomo italiano Giovanni Battista Riccioli – o nome dado pelo astrônomo não significa muito para os estudiosos, mas ela é uma das estrelas mais observadas na esfera celeste, pois é a central do trio de estrelas que forma o timão do Carro da Ursa Maior.

 

Como as estrelas são os corpos celestes mais abundantes no universo, não demorou muito para se imaginar que Mizar não era um caso único e que deveria haver outras estrelas duplas. Em 1804, as observações confirmaram a suspeita: o astrônomo Willian Herschel, tendo por base 24 anos de observação celeste publicou um catálogo com cerca de 700 estrelas relacionadas como sendo duplas. No começo ainda não havia certeza se as estrelas duplas observadas estavam fisicamente ligadas entre si ou se a associação era um mero efeito de perspectiva. Em muitos casos, o brilho de cada uma era bem nítido, o que poderia sustentar a idéia de que elas se encontravam a distâncias diferentes. O único meio de solucionar o mistério seria calcular a distância de algumas estrelas duplas por meio do método da paralaxe e Herschel empenhou-se nessa tarefa.

 

Há um verdadeiro enxame de estrelas múltiplas observáveis nas constelações de Sagitário e Escorpião, avistadas praticamente na direção do centro de nossa Galáxia. Também na constelação de Hércules próxima à Lira encontramos também um grande número dessas formações notáveis. Albireu, na constelação Cisne é um notável sistema binário, situado a 390 anos-luz, em um dos componentes tem a cor amarela e sua companheira apresenta uma cor esverdeada. Os sistemas como Mizar são também conhecidos como dupla-dupla.

 

Definem-se as binárias visuais como estrelas que parecem duplas por causa do movimento que uma delas parece fazer em torno da que seria sua companheira. Atualmente estão identificadas cerca de 70.000 delas, mas só 1% desse número conseguiu-se determinar com precisão os parâmetros orbitais – o período, o semi-eixo maior da órbita, a época da passagem pelo periastro, a inclinação do plano orbital em relação à linha visual da excentricidade.

 

Essa escassez de dados não deve causar surpresa. Os períodos orbitais dessas estrelas costumam ser da ordem de décadas e até séculos. Reproduzir suas órbitas significa reunir pacientemente posições medidas durante décadas por diferentes observatórios. Infelizmente, em alguns casos, só se conhece uma parte da órbita, e a que falta deve ser deduzida com base nos dados disponíveis. Também se considera que o plano orbital do sistema pode estar inclinado em relação à linha visual daí a órbita se mostrar apenas aparente sendo, de fato, muito diferente da verdadeira.

A figura acima mostra a localização da estrela Alfa Aurigae ou como queiram, Capela, identificada pela letra α (alfa)  do alfabeto grego. O brilho que se apresenta é como se todo o sistema estivesse reduzido, a uma única estrela – falsa impressão!

 

RELEMBRANDO AS CRENÇAS ESPÍRITAS:

Emmanuel com a palavra (“A Caminho da Luz”) 

“Quase todos os mundos que lhe são dependentes já se purificaram física e moralmente, examinada as condições de atraso moral da Terra, onde o homem se reconforta com as vísceras dos seus irmãos inferiores, como nas eras pré-históricas de sua existência (...).”

 

“Há muitos milênios, um dos orbes da Capela, que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingiria a culminância de um de seus extraordinários ciclos evolutivos.”

 

“As lutas finais de um longo aperfeiçoamento estavam delineadas, como ora acontece convosco, relativamente às transições esperadas no século XX, neste crepúsculo de civilização.”

 

“Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijara daquela Humanidade, que fizera jus à concordância perpétua, para a edificação dos seus elevados trabalhos.”

 

“As grandes comunidades espirituais, diretoras do Cosmos deliberaram, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam a realizar na dos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores.”

 

“Foi assim que Jesus recebeu à luz do seu reino de amor e de justiça, aquela turba de seres sofredores e infelizes. (...)”

 

“Aqueles seres angustiados e aflitos, que deixaram atrás de si todo um mundo de afetos, não obstante os seus corações empedernidos, na prática do mal, seriam degenerados na face obscura do planeta terrestre, andariam desprezados na noite dos milênios da saudade e da amargura, a lembrarem o paraíso perdido nos firmamentos distantes. Por muitos séculos não veriam a suave luz de Capela, mas trabalhariam na Terra, acariciados por Jesus e confortados na sua imensa misericórdia.”

 

Exilados de Capela

Edgard Armond

 

Acrescenta mais fantasia à suposição de Emmanuel.

 

A Editora Aliança publicou a obra Os Exilados de Capela escrita por Edgard Armond, onde o autor tenta fazer um esboço “completo” da evolução espiritual do mundo. A edição que temos à mão é a 24ª de abril de 1989. Vamos nos valer apenas de um pequeno trecho já que o restante da obra nada tem de útil para nossas considerações. 

“A constelação do Cocheiro é formada por um grupo de estrelas de várias grandezas, entre as quais se inclui Capela, de primeira grandeza e que, por isso mesmo, é a alfa da constelação.”

 

“Capela é uma estrela inúmeras vezes maior que o nosso Sol e, se fosse colocado em seu lugar, mal seria percebido por nós, a vista desarmada.”

 

“Dista da Terra 45 anos-luz, distância essa que, em quilômetros, se representa pelo número 4275 seguidos de 12 zeros.”

 

“Na abóbada celeste, está situada no hemisfério boreal, limitada pelas constelações da Girafa, Perseu e Lince; e, quanto ao Zodíaco, sua posição é entre Gêminii e Tauru.”

 

“Conhecida desde a mais remota antiguidade, Capela é uma estrela gasosa, segundo afirma o célebre astrônomo Eddington, e de matéria tão fluídica que sua densidade pode ser confundida com a do ar que respiramos.”

 

“Sua cor é amarela, o que demonstra ser um sol em plena juventude; e, como um sol, deve ser habitado por uma humanidade bastante evoluída”

 

“Muitos acreditam que, chegado o fim deste ciclo de expiações e provas, os espíritos cujos corações continuam bloqueados pela presença da maldade, não poderão acompanhar os demais, que se encontram em estágio superior e, dessa forma, não poderão compartilhar da nova fase de regeneração. Teoricamente, eles irão constituir a nova leva de seres que serão deportados para outro orbe, inferior a este, para se misturarem às raças autóctones locais, passarem por novas dificuldades e edificarem uma nova civilização, até que alcancem o nível evolutivo de sua nação terráquea.”

 

“Da mesma forma, acredita-se que há milhares de anos, quando os primatas terrestres começavam a esboçar os primeiros sinais de hominização, tenha ocorrido a vinda dos exilados de Capela.”

Não se sustenta a hipótese de Emmanuel quando recorremos às descobertas científicas.

 

O “Universo Mítico” é o resultado da visão empírica do homem. Ao lado da visão mítica, existe uma visão científica do Universo, visão essa baseada na observação e na experimentação – e ocasionalmente em percepções intuitivas que devem, contudo, ser confirmadas pela observação e pela experiência.

 

A Hipótese levantada pelo Espírito Emmanuel é originária de um esforço intuitivo realizado de forma conjugada com o médium Francisco C. Xavier, mas que a Ciência desmente amplamente. Trata-se de uma visão mítica que tenta explicar as diversidades étnicas, culturais e espirituais dos povos do planeta. Sabemos que por trás de uma visão mítica se esconde uma realidade científica, mas essa não tem como determinar quais os mundos são habitados; pode sim determinar quais os que não têm nenhuma possibilidade de abrigar formas de vida orgânica, e isto com relativa precisão. Mesmo que essas formas tenham um número incontável de variações, existe um elemento primitivo que lhes dão origem e tudo indica que esse elemento é único no Universo inteiro.

 

No caso do Universo Mítico, há um reino celeste imorredouro e eterno, contrapondo-se ao mundo orgânico mutável e perecível pertencente ao Universo Científico, onde há propriedades conservadas – eternas e imorredouras.

 

Nossa exposição pretende mostrar a inviabilidade de qualquer forma de vida no Sistema Capela ou Alfa Aurigae.

 

 

A teoria de Oparin (1894-1980) para a ORIGEM DA VIDA.

 

A hipótese de Oparim, que foi apoiada pelo biólogo inglês J. B. S. Haldane (1892-1964) e, mais tarde testada em laboratórios americanos por Stanley Miller, Sidney Fox e outros pesquisadores, obteve o apoio do mundo científico e se constitui numa teoria, a mais moderna para explicar a origem da vida.

 

Segundo Oparin, a Terra se consolidou como um planeta há cerca de 4,5 bilhões de anos. Isso é comprovado pelas pesquisas de medição do urânio radioativo das rochas. Os cientistas sabem o tempo que leva para haver a transmutação do urânio em tório, e deste em chumbo. Pelas quantidades relativas desses elementos eles avaliam a idade de uma rocha.

 

Como os fósseis mais antigos já encontrados datam de cerca de 1 bilhão de anos, pode-se concluir que, durante aproximadamente 3,5 bilhões de anos, a Terra foi um planeta desabitado no espaço. Nesse imenso período (Era Azóica) devem ter transcorrido os fenômenos expostos por Oparin e que passaremos a enumerar a seguir:

 

Certamente, a atmosfera terrestre primitiva apresentava uma composição totalmente diversa da atual. Talvez fosse rica em gases como: metano (CH4), amônia (NH3), Hidrogênio (H2) e vapor de água (H2O).

 

Para fazer essas afirmativas, Oparim se baseava em conhecimentos de Astronomia. Com o uso de um aparelho chamado espectroscópio acoplado ao telescópio, os astrônomos já evidenciavam que nas atmosferas do Sol, de Júpiter, Saturno e Netuno, são abundantes, entre outros gases, o metano, a amônia e o hidrogênio. O vapor de água teria sido proveniente da intensa atividade vulcânica que caracterizou o planeta em seus primeiros tempos de formação.

 

Essas afirmações têm de ser levadas em consideração, pois se a Terra teve a mesma origem do Sol, não se pode contestar que, no passado, sua atmosfera tenha se assemelhado a que eles apresentam hoje. Por outro lado, a intensa atividade vulcânica dos primórdios da Terra está registrada na espessa crosta terrestre, formada que é em sua maior parte por rochas magmáticas, isto é, rocha proveniente de lava que esfriou.

 

Naquela atmosfera inóspita para a vida, em gases tóxicos e sem oxigênio livre, exposta a altas temperaturas, cortadas por constantes centelhas elétricas e varridas pelos raios ultravioletas da luz do Sol, pois que ainda não existia a camada de ozônio (O3) que hoje nos protege, aqueles gases devem ter-se combinado, originando moléculas orgânicas de aminoácidos.

 

No passar dos bilhões de anos mencionados, a atividade vulcânica determinou o acúmulo de vapor de água na atmosfera, saturando-a. Sabem os geólogos modernos que cerca de 30% do material expelido por um vulcão em atividade são constituídos de vapor de água. A saturação de umidade da atmosfera levou ao aparecimento das chuvas. A chuva lavava a atmosfera e trazia os aminoácidos para o solo quente do planeta recém-formado. Com o calor das rochas, a água voltava à condição de vapor e retornava ao espaço. Os aminoácidos expostos ao aquecimento sobre as rochas sofriam desidratação e combinavam-se uns com os outros, por ligações peptídicas. Assim, começavam a aparecer as primeira proteínas. A matéria orgânica ia surgindo.

 

Para não nos alongarmos muito não vamos descrever toda a hipótese de Oparin, pois cremos que o que descrevemos é suficiente, pois deixa de forma incontestavelmente clara, que para HAVER VIDA é necessário que se TENHA UM PLANETA para que ela possa se desenvolver adequadamente.

 

Embora não possamos ver os planetas de outras estrelas – alguns deles detectamos através de cálculos, observando perturbações ou interferências nas faixas espectroscópicas – nossos telescópios têm revelado a existência de estrelas duplas e de estrelas múltiplas. Imagine só um outro sol presente em nosso sistema planetário iluminando-nos e aquecendo-nos todo o tempo. Muito provavelmente não haveria vida na Terra. Se considerarmos a existência de uma outra estrela com as mesmas dimensões, densidade, brilho e temperatura, colocado à mesma distância do nosso planeta, basta utilizarmos um simulador de órbitas planetárias para percebermos a loucura que seria: os movimentos de rotação e translação, entre outros executados pela Terra ficariam em completa desordem se compararmos com os atuais. Não haveria qualquer estabilidade necessária para as reações químicas, condições atmosféricas e erupções vulcânicas cumprirem seus papéis na “geração” da vida. A temperatura da Terra poderia variar de 290 ºC a 1000 ºC, pois receberia a irradiação de duas fontes de calor e de raio X. Com a atual contextura da atmosfera seria impossível impedir a penetração de raio X e seu impacto com a superfície, o que seria um desastre para qualquer forma de vida orgânica.

                   

Hoje sabemos que, estrelas solitárias como o sol, são um fato algo raro no Universo. A imensa maioria dos sistemas estelares é constituída de estrelas múltiplas (duas, três, sete ou oito) viajando juntas pelo espaço. Tais estrelas teriam muita dificuldade em abrigar vida orgânica, tal qual conhecemos, devido a instabilidade das órbitas de seus possíveis planetas, aliado às grandes variações de temperatura que ocorreriam, além do incrível fato de que dias e noites teriam uma variação completamente irregular. Mesmo havendo alguma possibilidade de existência de formas de vida orgânicas de origem desconhecida, elas exigiriam um ambiente planetário.

 

 

Finalizando nossas considerações:

 

Há inúmeros fatos que impossibilitam a existência de qualquer forma de vida no Sistema Capela. Formas orgânicas são completamente inviáveis. Vamos enumerar alguns desses fatos: 

1 - O Sistema Capelino não tem planetas – todas as esferas que compõem o sistema (são conhecidas 9 por enquanto) são estrelas.

 

2 - Mesmo que algum planeta seja encontrado ele não terá nenhuma estabilidade que possa possibilitar ou que tenha possibilitado nos últimos 2 bilhões de anos que a vida tenha surgido na forma orgânica.

 

Acima temos algumas das estrelas gigantes comparadas com o nosso Sol. A Estrela Capela caminha para uma fase semelhante. Sua expansão dependerá de sua densidade, ou seja, de sua concentração de massa.

 

A Estrela Capela há alguns bilhões de anos vêm caminhando para a fase que culminará com o de uma gigante vermelha. No momento é uma gigante amarela. Esta fase de expansão aumenta consideravelmente sua emissão de raio X. Se existir algum planeta orbitando o sistema, este será afetado gravitacionalmente por cada uma das estrelas componentes e também pelo centro de massa do Sistema: não teria como escapar da ação de um ou de outro. Sua temperatura sofreria variações extremas, indo de 0 absoluto à do ferro fundido. Mas a existência de um planeta é por demais duvidosa, pois fatalmente se fragmentaria sob o efeito do fenômeno conhecido como “efeito maré”, somente uma concentração de massa estelar com intensa atividade em seus núcleos pode sustentar uma órbita fora da distância crítica. Não acreditamos em estabilidade orbital sem que o planeta seja munido de uma órbita sob efeito de uma força central conservativa; num sistema múltiplo onde estaria localizada a origem de tal força? E os efeitos das marés sob a superfície do planeta, provenientes de cada um dos 9 planetas? Sabemos que nossa pequena Lua – que faz com que nosso planeta seja um “planeta duplo” - exerce uma grande influência na forma de vida que temos. Os organismos são constituídos de tal forma que obedecem à influência gravitacional do Satélite irmão. As forças responsáveis pelas marés aparecem porque a atração gravitacional da Lua, e de modo menos importante, do Sol, não é uniforme sobre toda a superfície da Terra. A atração é mais intensa do que a média na face voltada para a Lua, e menos intensa do que a média na face exposta, de modo que há uma tendência da Terra se alongar na direção da linha que une os centros. Imagine um planeta num sistema múltiplo, com uma órbita instável ou pouco estável, num momento ou noutro poderá estar sob a força gravitacional de mais de uma estrela – uma em cada face, por exemplo – que efeitos terríveis serão desencadeados? A distância crítica entre a Terra e a Lua, se não estou enganado, é aproximadamente de 211.000 km – numa distância menor a Lua poderá se fragmentar e vir a explodir; se tal acontecer algum dia, a Terra não deixará de sofrer efeitos devastadores. Devido às distâncias, o efeito do Sol sobre a Terra é a metade da que exerce a Lua. Como nosso sistema planetário é estável, todos os planetas encontram-se em órbita segura e perfeitamente previsível, tão previsível que com um cálculo muito simples podemos obter uma boa aproximação de suas distâncias médias em relação ao Sol: trata-se de um pequeno exercício de Matemática, conhecido como Seqüência de Ticio e Bode. Escrevemos inicialmente, uma seqüência começando de 0 (zero), colocando 3 como segundo elemento e a partir daí vamos dobrar cada elemento anterior para obter o seguinte; a seqüência completa é: 0 – 3- 6- 12- 48- 96- 192- 384-768- 1536. Propositalmente colocamos mais um planeta em nosso sistema solar, pois anda-se especulando sobre a possibilidade de termos mais um. Em seguida vamos somar 4 unidades a cada termo da seqüência acima para obtermos: 4- 7- 10-16- 28- 52- 100- 196- 388- 772- 1540. Dividindo cada termo da última seqüência por 10, obtemos a seqüência final: 0,4 – 0,7- 1,0- 1,6- 2,8- 5,2- 10,0- 19,6 – 38,8- 77,2- 154,0. Ocorreu apenas uma distorção nas medidas correspondentes aos planetas Netuno e Plutão, porque estes planetas possuem órbitas ligeiramente anômalas. Nada podemos dizer ainda da última medida. A última seqüência refere-se à distância de cada planeta ao Sol, tomando-se como referência a UNIDADE ASTRONÔMICA (UA), que equivale a 150.000.000 km. O exemplo serve para demonstrar a imutabilidade da lei física que tem sua validade tanto para o microcosmo como para o macrocosmo. 

 

Do que depende a cor de uma estrela?

 

A cor de uma estrela é função da temperatura em sua superfície. As azuis são as mais quentes e as vermelhas, as mais frias. Veja a tabela abaixo onde apresentamos as cores em função da faixa de temperatura na superfície. Lembramos que, em seu interior, as estrelas apresentam temperaturas muito superiores a essas.

 

 

Cor

Temperatura superficial (ºC)

Azul

11 000 a 45 000

Branca azulada

7 500 a 11 000

Branca

6 000 a 7 500

Amarela

5 000 a 6 000

Alaranjada

3 500 a 5 000

Vermelha

3 000 a 3 500

 

Quanto mais quente maior é a quantidade de radiação que emite. 

Que fique suficientemente claro: negando a possibilidade de vida no Sistema Capelino, não estamos com isso, negando a possibilidade de vida em outros sistemas. Mas, a bem da verdade, somente estrelas simples como o Sol têm reais possibilidades de desenvolver formas orgânicas de vida. Um sistema duplo teria muitíssimo menos; muito menos ainda um sistema triplo... Um sistema com 9 estrelas, então, nem pensar ainda com uma delas tendendo para uma gigante amarela. 

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 Publicado pelo A ERA DO ESPÍRITO com a autorização do autor.