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Allan Kardec na
Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita (O LIVRO
DOS ESPÍRITOS)
ALMA (do lat.
anima; gr. anemos, sopro, emanação, ar).
Segundo uns, a alma é o princípio da vida
material orgânica. Não tem existência própria e se aniquila
com a vida: é o materialismo puro. Neste sentido e por
comparação, diz-se de um instrumento rachado, que nenhum som
mais emite: não tem alma. De conformidade com essa opinião,
a alma seria efeito e não causa.
Pensam outros que a alma é o princípio da
inteligência, agente universal do qual cada ser absorve uma
certa porção. Segundo esses, não haveria em todo o Universo
senão uma só alma a distribuir centelhas pelos diversos
seres inteligentes durante a vida destes, voltando cada
centelha, mortos ou seres, à fonte comum, a se confundir com
o todo, como os regatos e os rios voltam ao mar, donde
saíram.
Essa opinião difere da precedente em que,
nesta hipótese, não há em nós somente matéria, subsistindo
alguma coisa após a morte. Mas é quase como se nada
subsistisse, porquanto, destituídos de individualidade, não
mais teríamos consciência de nós mesmos. Dentro desta
opinião, a alma universal seria Deus, e cada ser um
fragmento da divindade. Simples variante do panteísmo.
Segundo outros, finalmente, a alma é um ser
moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua
individualidade após a morte. Esta acepção é, sem
contradita, a mais geral, porque, debaixo de um nome ou de
outro, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra,
no estado de crença instintiva, não derivada de ensino,
entre todos os povos, qualquer que seja o grau de
civilização de cada um. Essa doutrina, segundo a qual a alma
é causa e não efeito, é a dos espiritualistas.
Sem discutir o mérito de tais opiniões e
considerando apenas o lado lingüístico da questão, diremos
que estas três aplicações do termo alma correspondem a três
idéias distintas, que demandariam, para serem expressas,
três vocábulos diferentes. Aquela palavra tem, pois,
tríplice acepção e cada um, do seu ponto de vista, pode com
razão defini-la como o faz. O mal está em a língua dispor
somente de uma palavra para exprimir três idéias. A fim de
evitar todo equívoco, seria necessário restringir-se a
acepção do termo alma a uma daquelas idéias. A escolha é
indiferente; o que se faz mister é o entendimento entre
todos reduzindo-se o problema a uma simples questão de
convenção. Julgamos mais lógico tomá-lo na sua acepção
vulgar e por isso chamamos
ALMA ao ser imaterial e individual que em nós
reside e sobrevive ao corpo.
Concebe-se que, com uma acepção múltipla, o
termo alma não exclui o materialismo, nem o panteísmo. O
próprio espiritualismo pode entender a alma de acordo com
uma ou outra das duas primeiras definições, sem prejuízo do
Ser imaterial distinto, a que então dará um nome qualquer.
Assim, aquela palavra não representa uma opinião: é um
Proteu, que cada um ajeita a seu bel-prazer. Daí tantas
disputas intermináveis.
Evitar-se-ia igualmente a confusão, embora
usando-se do termo alma nos três casos, desde que se lhe
acrescentasse um qualificativo especificando o ponto de
vista em que se está colocado, ou a aplicação que se faz da
palavra. Esta teria, então, um caráter genérico, designando,
ao mesmo tempo, o princípio da vida material, o da
inteligência e o do senso moral, que se distinguiriam
mediante um atributo, como os gases, por exemplo, que se
distinguem aditando-se ao termo genérico as palavras
hidrogênio, oxigênio ou azoto. Poder-se- ia, assim dizer, e
talvez fosse o melhor,
· a alma vital - indicando o princípio da
vida material;
· a alma intelectual - o princípio da
inteligência, e
· a alma espírita - o da nossa
individualidade após a morte.
Como se vê, tudo isto não passa de uma questão de palavras,
mas questão muito importante quando se trata de nos fazermos
entendidos. De conformidade com essa maneira de falar,
· a alma vital seria comum a todos os
seres orgânicos: plantas, animais e homens;
· a alma intelectual pertenceria aos
animais e aos homens; e
· a alma espírita somente ao homem.
A ALMA IN O LIVRO
DOS ESPÍRITOS
PARTE 2a - CAPÍTULO II, obra
codificada por Allan Kardec
134. Que é a alma?
“Um Espírito encarnado.”
Observação do
autor desta apostila:
Note-se que a alma no mundo dos Espíritos utiliza-se do
perispírito para a manifestação da sua individualidade,
assim, no mundo espiritual a
alma + perispírito = Espírito,
e, quando na Terra é um Espírito encarnado, ou melhor,
alma +
perispírito
+ corpo físico =
homem.
(Ver O que é o
Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 - (obra de
autoria de Allan Kardec).
134a) - Que era a alma antes de se unir ao corpo?
“Espírito.”
134b) - As almas e os Espíritos são,
portanto, idênticos, a mesma coisa?
“Sim, as almas não são senão os
Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres
inteligentes que povoam o mundo invisível, os quais
temporariamente revestem um invólucro carnal para se
purificarem e esclarecerem.”
135. Há no homem alguma outra coisa além da
alma e do corpo?
“Há o laço que liga a alma ao corpo.”
135a) - De que natureza é esse laço?
“Semimaterial, isto é, de natureza
intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja
assim para que os dois se possam comunicar um com o outro.
Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a matéria e
reciprocamente.”
NOTA DE ALLAN KARDEC -
O homem é, portanto, formado de três partes essenciais:
1º - o corpo ou ser
material, análogo ao dos animais e animado pelo
mesmo princípio vital;
2º - a alma, Espírito encarnado que tem no
corpo a sua habitação;
3º - o princípio intermediário, ou
perispírito, substância semimaterial que serve de
primeiro envoltório ao Espírito e liga a alma ao corpo.
Tais, num fruto, o gérmen, o perisperma e a casca.
136. A alma independe do princípio vital?
“O corpo não é mais do que envoltório,
repetimo-lo constantemente.”
136a) - Pode o corpo existir sem a alma?
“Pode; entretanto, desde que cessa a
vida do corpo, a alma o abandona. Antes do nascimento, ainda
não há união definitiva entre a alma e o corpo; enquanto
que, depois dessa união se haver estabelecido, a morte do
corpo rompe os laços que o prendem à alma e esta o abandona.
A vida orgânica pode animar um corpo sem alma, mas a alma
não pode habitar um corpo privado de vida orgânica.”
136b) - Que seria o nosso corpo, se não
tivesse alma?
“Simples massa de carne sem
inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem.”
149. Em que se torna alma no instante da morte?
“Torna-se Espírito; isto é, entra no
mundo dos Espíritos que havia deixado momentaneamente”.
Observação do
autor desta apostila: De
alma +
perispírito + corpo físico = homem
a
alma volta a ser Espírito, ou seja,
alma +
perispírito = Espírito. (Ver
O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10
e 14 (obra de autoria de Allan Kardec).
Cap. II, item
9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec).
9.
Quando a alma está ligada ao corpo, durante a vida, tem
duplo envoltório: um pesado e grosseiro e perecível, que é o
corpo; o outro fluídico, leve e indestrutível, chamado
perispírito.
10. Existem, portanto, no homem, três elementos essenciais:
1º. A alma ou
Espírito, princípio inteligente
onde residem o pensamento, a vontade e o senso moral; 2º. O
corpo, envoltório
material que põe o Espírito em relação com o
mundo exterior; 3º. O perispírito,
invólucro
fluídico, leve, imponderável, servindo de liame
e de intermediário entre o Espírito e o Corpo.”
14. A união da alma, do
perispírito, e do corpo material
constitui o homem. A alma
e o perispírito separados do corpo
constituem a ser a que chamamos Espírito.
NOTA DE ALLAN KARDEC
referindo-se aos itens acima citados:
-
A alma é
assim um ser simples;
-
O Espírito
um ser duplo, e
-
Seria portanto mais exato
reservar a palavra alma para designar o princípio
inteligente, e a palavra Espírito para o ser semimaterial
formado desse princípio e do corpo fluídico. Mas como não se
pode conceber o princípio inteligente sem ligação material,
as palavras alma e Espírito são, no uso comum,
indiferentemente empregadas uma pela outra; é a figura que
consiste em tomar a parte pelo todo, da mesma forma que se
diz que uma cidade é habitada por tantas almas, uma vila
composta de tantas casas; porém, filosoficamente é essencial
fazer-se a diferença.
SOBRE A
ALMA
IN
Revista
Espírita
(Jornal de Estudos
Psicológicos publicado sob a direção de Allan Kardec),
Ano VII, maio de 1864, pág. 138 e 139 - EDICEL.
As
palavras alma e Espírito,
posto que sinônimos e empregados indiferentemente, não
exprimem exatamente a mesma idéia. A alma
é, a bem dizer, o princípio inteligente,
imperceptível e indefinido como o pensamento. No estado dos
nossos conhecimentos, não podemos concebê-lo isolado da
matéria de maneira absoluta. Posto que formado de matéria
sutil, o perispírito, dele faz um ser
limitado, definido e circunscrito a sua individualidade
espiritual. De onde se pode formular esta proposição:
-
A união da alma, do
perispírito e do corpo material
constitui o HOMEM;
-
A alma e o
perispírito separados do corpo constituem o ser
chamado ESPÍRITO.
Nas manifestações espíritas não é, pois, a alma
que se apresenta só; esta sempre revestida de seu
envoltório fluídico; esse envoltório é o necessário
intermediário, através do qual ela age sobre a matéria
compacta. Nas aparições não é a alma que se
vê, mas o perispírito; do mesmo modo que
quando se vê um homem vê-se seu
corpo, mas não o pensamento, a
força, o princípio que o faz agir.
-
A alma é um ser simples,
primitivo;
-
-
Se
se confundir o homem com roupas, teremos um
ser quádruplo. Na circunstância de que se trata, o vocábulo
Espírito é o que melhor corresponde à coisa expressa. Pelo
pensamento representa-se um
Espírito, mas não se representa uma alma.
SOBRE OS
ESPÍRITOS
IN
O
LIVRO DOS ESPÍRITOS
LIVRO 2 - CAPÍTULO I, obra
codificada por Allan Kardec
76. Que definição se pode dar dos Espíritos?
“Pode dizer-se que os Espíritos são os
seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do
mundo material.”([1])
SOBRE O ESPÍRITO
IN
Instruções
Práticas sobre as Manifestações Espíritas
( Allan
Kardec)
(Vocabulário Espírita)
ESPÍRITO
(Do lat. spiritus, de spirare,
soprar). No sentido especial da doutrina espírita, os
espíritos são seres inteligentes da criação e povoam o
Universo fora do mundo corpóreo.
A natureza íntima dos Espíritos nos é
desconhecida; eles mesmos não a podem definir, seja por
ignorância, seja pela insuficiência da nossa linguagem.
Somos a este respeito como cegos de nascença em face da luz.
Segundo o que eles nos dizem, o Espírito não é material no
sentido vulgar da palavra; não é tampouco imaterial em
sentido absoluto, porque o Espírito é alguma coisa e a
imaterialidade absoluta seria o nada. O Espírito é, pois,
formado de uma substância, mas da qual a matéria grosseira
que impressiona nossos sentidos não pode dar-nos uma idéia.
Pode-se compará-lo a uma chama ou centelha cujo brilho varia
segundo o grau de purificação. Pode tomar todas as espécies
de formas por meio do perispírito de que está envolvido.
ESPIRÍTO ELEMENTAR
(Alma))([2]) - Espírito
considerado em si mesmo e feita abstração de seu perispírito
ou invólucro material.
A ALMA IN O LIVRO
DOS ESPÍRITOS
LIVRO 1 - CAPÍTULO II, obra
codificada por Allan Kardec
23. Que é o espírito?(ALMA)
“O princípio inteligente do Universo.”
(Ver O que é o Espiritismo - Cap. II, item 9, 10 e 14 -
(obra codificada por Allan Kardec)).
SOBRE O PERISPÍRITO
IN Instruções
Práticas sobre as Manifestações Espíritas
( Allan
Kardec)
(Vocabulário Espírita)
PERISPÍRITO
De per, em redor, e spiritus,
espírito. Invólucro semimaterial do Espírito depois
da sua separação do corpo. O Espírito o tira do mundo em que
se acha e o troca ao passar de um a outro; ele é mais ou
menos sutil ou grosseiro, segundo a natureza de cada globo.
O perispírito pode tomar todas as formas à vontade do
Espírito; ordinariamente ele assume a imagem que este tinha
em sua última existência corporal.
Embora de natureza etérea, a substância do
perispírito é suscetível de certas modificações que a tornam
perceptível à nossa vista. É o que se dá nas aparições. Ela
pode até, por sua união com o fluido de certas pessoas,
torna-se temporariamente tangível, isto é, oferecer ao toque
a resistência de um corpo sólido, como se vê nas aparições
estereológicas ou palpáveis.
A natureza íntima do perispírito não é ainda
conhecida; mas poder-se-ia supor que a matéria do corpo é
composta de uma parte sólida e grosseira e de uma parte
sutil e etérea; ao passo que a segunda persiste e segue o
espírito. O espírito teria, assim, um duplo invólucro; a
morte apenas o despojaria do mais grosseiro; o segundo, que
constitui o perispírito, conservaria o tipo a forma da
primeira, da qual ele é como a sombra; mas sua natureza
essencialmente vaporosa permite ao Espírito modificar esta
forma à sua vontade, torná-la visível, palpável ou
impalpável.
O perispírito é, para o Espírito, o que o
perisperma e para o germe do fruto. A amêndoa, despojada do
seu invólucro lenhoso, encerra o germe sob o invólucro
delicado do perisperma.
FLUIDO UNIVERSAL
Questão 27 de «O
LIVRO DOS ESPÍRITOS»
Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o
que existe, é a trindade Universal.
Deus é a inteligência suprema causa primária
de todas as coisas.(q. 1 – LE)
O espírito (Alma) é o princípio inteligente.
Para que o Espírito possa exercer ação sobre
a matéria tem que se juntar o
fluido universal, pois, é ele
que desempenha o papel intermediário entre o Espírito e a
matéria grosseira.
É lícito até certo ponto, classificar o
fluido universal com o elemento material, porém, ele se
distingue, deste por propriedades especiais. Este fluido
deve ser considerado como sendo um elemento semimaterial,
pois, está situado entre o Espírito e a matéria.
Esse fluido
universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente
de que o Espírito se utiliza; é o princípio sem o qual a
matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca
adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.
FLUIDO
VITAL
Allan Kardec na
Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita (O
LIVRO DOS ESPÍRITOS)
e em nota referindo-se as questões de 68 a 70 LE.
O
fluido vital é o mesmo que o fluido elétrico animalizado,
designado, também, sob os nomes de fluido magnético, fluido
nervoso, etc.
A quantidade de fluido vital não é fator
absoluto para todos os seres orgânicos; varia segundo as
espécies e, não é fator constante, seja no mesmo indivíduo,
seja nos indivíduos da mesma espécie. Existem alguns que
são, por assim dizer, saturados, enquanto outros dispõem
apenas de uma quantidade suficiente; daí, para alguns, a
vida é mais ativa, mais vibrante e, de certo modo
superabundante.
A quantidade de fluido vital
se esgota; pode
a vir a ser insuficiente para manter a vida, se não renovado
pela absorção e a assimilação das substância que o contém.
O fluido vital se transmite de um indivíduo
para o outro. Aquele que tem o bastante, pode dá-lo aquele
que tem pouco e, em certos casos restabelecer a vida prestes
a se apagar.
PRINCÍPIO
VITAL
O LIVRO DOS
ESPÍRITOS – questões de 60 à 67
O
princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos, comum
a todos os seres vivos, desde as plantas até os homens.
Esse princípio reside no
fluído universal.
Ele é um elemento distinto e independente. É dele que o
Espírito extrai o envoltório semimaterial que constitui o
seu perispírito e, é por meio desse fluido que atua sobre a
matéria.
Sua união com a matéria causa a animalização,
ou seja, é o que dá vida a matéria e tem por fonte o
fluido
vital também chamado de fluido magnético ou fluido elétrico.
O princípio vital é modificado segundo as
espécies. É ele que dá movimento e atividade a matéria
orgânica, distinguindo-a da matéria inerte, porquanto o
movimento da matéria não é a vida. Esse movimento ela o
recebe não o dá.
Quando os seres orgânicos morrem sua matéria
se decompõem indo formar outros organismos. O
princípio
vital retorna a massa de onde saiu.
([1]) NOTA DE ALLAN KARDEC: A
palavra Espírito é empregada aqui para designar as
individualidades dos seres extracorpóreos e não mais o
elemento inteligente do Universo. ([2]) Observação do autor desta apostila: A palavra Alma foi
colocada entre parêntesis para uma melhor compreensão. (Ver
O que é o Espiritismo – Nota de A. Kardec para Cap. II, item
9, 10 e 14 - (obra codificada por Allan Kardec)).
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